Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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VOZ DOS OUVIDORES >

Mara Gama

28/04/2009 na edição 535

‘O UOL publicou no último dia 15 de abril uma ‘História Fotográfica’ de um rapaz desempregado. A julgar pelo título da página onde foi inserida – ‘Histórias Fotográficas’ – é uma iniciativa com perspectiva de continuidade.

Trata-se de um slideshow, uma peça audiovisual, com fotos sequenciadas, legendas e som.

Foi uma boa surpresa ver um novo formato de narrativa jornalística no UOL. É uma experiência importante e um desafio alinhavar três níveis de narração diferentes e escolher a cada nova reportagem o que deve prevalecer.

O fomato de slideshow sonoro não é novo. É conhecido antes da web e, na web, vem sendo usado desde que a transferência dos arquivos sonoros se tornou mais simples e rápida e que ferramentas como flash conseguiram sincronização dos movimentos de edição de imagem com marcações de índices sonoros.

Para esta história do UOL, foram usadas 26 fotos, três ‘cartões’ (telas com textos), o áudio com a fala do entrevistado (sem o aúdio do entrevistador) e legendas que podem ser vistas ou suprimidas conforme a escolha do internauta. A duração da peça é de 1min48s.

Bruno Bertholdi, 22 anos, é o rapaz desempregado. Foi fotografado em 18 de março, segundo informa o penúltimo cartão do slideshow.

O resultado final desta primeira ficou ralo. Não se sustenta só com o dispositivo de fotos e áudio, seus elementos narrativos. Foi preciso ler o texto que acompanha para chegar perto do assunto.

As frases de áudio selecionadas são soltas, não têm informação suficiente para formar a idéia do personagem. E as legendas não contribuem com informações específicas. Pelo contrário, direcionam a leitura com comentários exteriores à história narrada, com ponderações genéricas sem muita justificativa como: ‘objetivos simples de pessoa comum: trabalhar, comer, viver’, frase que é exibida depois que Bertholdi conta quais são seus objetivos.

Particularidades, detalhes e a dimensão local da história de Bertholdi foram pouco exploradas. E o resultado ficou genérico demais.

Há também pelo menos um problema de edição. De acordo com o relógio aplicado nas fotos, a história começa às 8h08 e acaba às 15h40. Quando o relógio está marcando 9h e pouco, a voz de Bertholdi o narrador conta que ele não almoçou.

Também há problema no layout da peça. O clássico preto e branco (que em si já evoca a aura da fotografia documental), o enquadramento e até a escolha do tipo de conteúdo – depoimentos de vida – tem vários exemplos na web e já pelo menos um similar recente no ar, na seção ‘Digitais’, de perfis, da revista Brasileiros.

Já que há semelhantes no ar, é mais um incentivo para pesquisar visual e enquadramentos diferentes.

Mas. mesmo com estes poréns, trata-se de uma ótima inciativa para valorizar a reportagem e as entrevistas no portal.’

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