Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

VOZ DOS OUVIDORES > UOL

Mara Gama

09/03/2010 na edição 580

‘Estou vivendo no exterior há algum tempo e recentemente tenho sido impedido de assistir a alguns vídeos porque ‘não são permitidos a quem não está no Brasil’. Isso me parece um absurdo total!! Por gentileza, esclareça-me as razões para que isso ocorra e, mais além, corrija este absurdo’, escreveu o leitor Roberto.

Recebo pelo menos uma vez por mês mensagem com este tipo de queixa.

Ocorre que o UOL tem acordos de exibição de vídeos com várias agências e programas. Cada contrato tem suas especificações. Em alguns casos, o direito de exibição do vídeo se limita ao território brasileiro. Em outros casos, além da limitação de território, há determinação de que apenas a primeira parte do vídeo seja exibida. Há também restrições de formato – alguns vídeos só podem ser exibidos em janelas da TV UOL, por exemplo, e não podem ser colocados em páginas de texto.

Para garantir o cumprimento de contratos com limitações territoriais, as páginas de vídeo detectam números de identificação das máquinas ou redes dos internautas (IPs) e vetam acesso se estes números identificadores são de fora do Brasil.

A produção própria do UOL pode ser vista fora do Brasil.

Não encontrei estas informações publicadas no site. Seria bom que estivessem acessíveis na TV UOL e no UOL Mais.

Erro na manchete

Por cerca de uma hora, nesta manhã de sexta, 5 de março, o UOL deu manchete com erro grave de informação.

Às 11h40, a Redação corrigiu a informação, em errata, onde se lê: ‘Diferentemente do que foi informado pela home do UOL nesta sexta-feira, a inflação para os produtos alimentícios mais que dobrou em 2010 na comparação com o início do ano passado, e não o preço dos alimentos. O erro já foi corrigido’.

Os leitores Carlos, Fernando e Luis chamaram a atenção do UOL em mensagens para a ombudsman.

‘A manchete ‘Custo dos alimentos dobra em um ano, diz IBGE’ é absurda. Um erro crasso. Se o custo do alimento tivesse dobrado, um produto que teria custado 10 ano passado agora seria 20. Isso é literalmente o que a manchete quer dizer. O que ocorreu é que a taxa de variação do preço dos alimentos de 1% (atenção, um por cento entre janeiro e fevereiro de 2009) subiu para 2%. A manchete correta seria: Taxa de variação no primeiro bimestre de 2010 é o dobro da de 2009. Na verdade, como essa taxa de variação é de dois meses, pode ser que o alimento esteja mais barato. Suponha que tenha havido deflação em alguns dos outros dez meses do ano passado, por exemplo? Por favor, corrijam imediatamente esta manchete. Ela é uma vergonha para a sua empresa’, escreveu o leitor Carlos.

O leitor Fernando também reclamou: ‘O título ‘Custo dos alimentos dobra em um ano, diz IBGE’ é totalmente descabido, beira a irresponsabilidade e demonstra fortes intenções políticas. Se o custo tivesse dobrado, teríamos um aumento de 100%. Lendo a reportagem, assustados, percebemos que diz que o aumento passou de 1% um ano atrás para 2% agora. O conteúdo da reportagem nada tem a ver com a manchete principal da primeira página da UOL’.

Luis também enviou o alerta: ‘A manchete desta manhã é absurda. Ao abrir a notícia, o que se vê é que a inflação dos alimentos passou de 1% para 2% comparando os meses de janeiro e fevereiro de 2009 com os de 2010. A manchete parece ter sido feita por alguém que não entende nada de economia. Custo, para mim, é preço. Seria como se o preço dos alimentos tivesse subido 100% em um ano’.

Depois de publicada a errata, o assunto foi chamado – com enunciado correto – na área de notícias da home page.

***

Voltam registros sobre trotes, mas sem discussão sobre a prática (4/3/10)

Os trotes voltaram às manchetes da home page de Educação hoje, 2 de março: ‘Jovens negam autoria de trote violento em Barretos-SP’ e ‘Calouro é obrigado a beijar fígado de boi durante trote em SP’.

A primeira trata dos depoimentos de dois suspeitos de praticar trote violento na cidade de Barretos, Estado de São Paulo, na noite de 22 de fevereiro. A segunda, do caso revelado pelo programa ‘Fantástico’ do domingo passado, 28 de fevereiro, e recuperado pela Folha Online na edição de hoje. As duas reportagens não trazem links para histórico dos casos de trote violento, artigos, informações sobre formas de combate ou coisa semelhante.

Em fevereiro, recebi uma crítica do leitor Alexandre sobre a publicação no UOL de um álbum de fotos sobre o trote na Universidade de São Paulo. O internauta fazia severas críticas ao UOL pelo que considerava glamorização do trote nos álbuns de fotos do portal.

‘O trote é uma barbárie. Ponto final. Se fossem brincadeiras inocentes, sem nenhum cunho de humilhação, ‘ritual de iniciação’, coerção etc., seria uma forma interessante de recepção aos calouros. Um exemplo disso é o ‘Futebol de Sabão’, citado na nota que o UOL soltou hoje (08/02/2010) sobre o trote na Poli, da USP. Mas o que se vê, ano após ano, são estes rituais injustificáveis de cortes de cabelo, assédios, banhos de lama (quando não de lixo), pinturas, agressões físicas e morais, humilhações.

A sequência de fotos, as respectivas legendas e o texto ‘Lei seca é novidade no trote da Poli; esquema de segurança inclui ‘revista’ na entrada da calourada’ só fez ‘glamorizar’ o evento.

Nada foi questionado, nenhuma análise foi feita, parece que tudo é uma grande, divertida e inocente brincadeira. O fato de a maior parte dos calouros aparentemente concordarem em se submeter às humilhações não atenua a gravidade da situação – antes o contrário: mostra como aceitamos como normais, como ‘parte do ritual de entrada nas universidades’, as barbáries cometidas.

Ano que vem, as vítimas desta imbecilidade serão os algozes da próxima turma, perpetuando uma ‘brincadeira’ que não tem graça nenhuma. Faltou civilidade e senso de cidadania à reportagem e ao UOL como instituição na abordagem ao trote.’

Na minha forma de ver, o UOL cumpre seu dever ao registrar tanto o trote violento como o trote não violento. Porém, pelo poder de divulgação que alcançam as imagens e textos publicados, é necessário refletir sobre que mensagens podem ser associadas a estes relatos.

Enviei a crítica do leitor à Redação e recebi resposta da editora de Educação, Karina Yamamoto:

‘Temos pautado nossa cobertura no interesse jornalístico e nos nossos valores éticos. Ao fazer a matéria sobre o trote na USP, basicamente na Poli (Escola Politécnica), a intenção era mostrar uma das recepções mais organizadas do campus. Para dar uma ideia mais global, mostramos a adesão dos pais e as críticas que o diretor da escola faz à calourada. Está no texto que acompanha o álbum.

Quanto à ‘abordagem entusiasmada’, talvez se deva ao fato de estarmos relatando uma festa. Os calouros estudaram arduamente para conquistar suas vagas na USP e ficam felizes da vida em ter o rosto pintado ou mesmo o cabelo cortado.

A diretora da Atlética, Gabriela Torres, chegou a comentar com a reportagem que alguns ‘bixos’ chegavam pedindo para ter a cabeça raspada. Acho que a reportagem traz um pouco desse clima. Outra estratégia que temos adotado é valorizar boas práticas, como no caso da matéria que publicamos nesta terça (23 de fevereiro) sobre a ‘apagação’ na Faculdade de Psicologia da mesma USP.’

O noticiário voltou e o assunto ficou sem costura ou referência a todas estas questões já discutidas.

A edição em papel da Folha de S.Paulo de hoje, na página C1, apresenta uma solução gráfica interessante para veicular informações importantes nas reportagens sobre trote. O UOL poderia seguir o exemplo e se programar para usar este tipo de recurso.

***

Propaganda de governo e propaganda eleitoral (1/3/10)

Os leitores Ailton e Marcelo reclamaram com a ombudsman na semana passada sobre propaganda do Governo de São Paulo inserida no álbum de fotos Olho Mágico do dia 26 de fevereiro.

‘Olá, estava vendo as fotos do Lula sobrevoando o Haiti e entre uma foto e outra havia uma propaganda do Governo do Estado de São Paulo sobre Educação. Pelo amor de Deus, o que é isso? O UOL está perdendo a dignidade, é?’, perguntou Marcelo.

‘Entrei no Olho Mágico para ver as fotos e ao clicar na ‘Piloto de Fórmula um’ abriu automaticamente uma propaganda do Governo de São Paulo. Será que a propaganda política já começou também no UOL?’, perguntou Ailton.

Pedi que a área de publicidade do UOL informasse as diferenças entre propaganda de governo e propaganda eleitoral e sinalizasse qual a política do UOL para elas.

Seguem as informações sobre o que o UOL pratica no momento:

* o UOL analisa toda publicidade com os critérios publicados no site em http://download.uol.com.br/publicidade/praticas_comerciais_09.pdf

* propaganda de governo é relacionada à divulgação dos atos dos governos, campanhas sociais e de utilidade pública (como as campanhas de vacinação, de combate a dengue, por exemplo). Também existem campanhas dos ministérios, órgãos e autarquias.

* propaganda eleitoral é aquela correlata ao pleito, candidatura a cargos políticos, eleição;

* o UOL aceita propaganda de governos, autarquias, seções, secretarias;

* o UOL vai aceitar propaganda eleitoral se a legislação permitir. Até o momento, não se sabe se será permitida a veiculação de banners de candidatos.

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