Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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VOZ DOS OUVIDORES >

Marcelo Beraba

08/06/2004 na edição 280

’07/06/2004

O governo Lula se recuperou e deixou a crise para trás. O rosto deste governo é Antonio Palocci. Capa da Veja: ‘Palocci ganha todas’. Manchete do ‘Estado’: ‘País fica menos exposto às crises externas’. Do ‘Globo’: ‘Petrobrás criará 200 mil empregos em seis anos’. Reportagem na Folha: ‘PIB faz Palocci ganhar espaço sobre Dirceu’. No ‘Globo’: ‘Palocci, a cara (polêmica) do governo Lula — Ministro de fortalece e supera fase de críticas do PT e de adversários’.

Segunda, na Folha, a manchete é boa notícia: ‘Chuvas no país afastam apagão para após 2008’.

Violência

A cobertura dos jornais no caso da rebelião da Casa de Custódia de Benfica repetiu mais ou menos a fórmula de muito espaço para o factual, um pouco de bastidores e a busca de personagens. Desta vez, o personagem foi o pastor que intermediou o fim da rebelião. As análises ou matérias de ‘aprofundamento’ não trouxeram novidades: a rebelião mostrou a falência do sistema penitenciário combinada com a irresponsabilidade do governo estadual.

A Folha trouxe, no entanto, na quinta e neste domingo, algumas contribuições para uma linha de cobertura da violência e da criminalidade que merecem ser pensadas e melhor trabalhadas pelo jornal. Podem ser caminhos para fugir dos chavões, mitos, lugares-comuns e análises sem bases que são repetidos nestas horas. São caminhos, também, para se fugir das fontes oficiais (polícia, agentes penitenciários e governos) que com freqüência manipulam a imprensa.

1 – Na quinta, como já havia destacado na Crítica Interna daquele dia, a Folha levantou a vida de dois dos prisioneiros assassinados na chacina e mostrou que os crimes que cometeram não tinham nada a ver com comandos do narcotráfico e que sequer deveriam estar presos. Achei que a Folha continuaria o trabalho de levantamento de dados sobre cada um dos mortos já identificados, mas isto não ocorreu. É uma pena, porque, além de mostrar as distorções dentro da prisão, ajudaria a desmistificar os comandos e a questionar a política penitenciária do Estado. Ainda há tempo.

2 – No domingo, o artigo do Janio de Freitas (‘Escola do crime’) questiona a cobertura que a imprensa vem fazendo e a que está deixando de fazer. Além da reflexão que faz sobre a maneira como a rebelião do Rio e a fuga em massa de SP foram cobertas, ele aponta um dado que o jornal poderia adotar desde já como referência obrigatória em qualquer reportagem sobre os presídios, casas de custódias e prisões: informar sempre, e com destaque, quantos presos estavam encarcerados e qual era a capacidade do local. É possível que em breve se chegue ao título que ele imaginou: ‘Cadeia para 30 presos tinha 190: 147 fugiram’.

3 – A capa de ontem de Cotidiano, manchete do jornal, é outra contribuição importante para superar o jornalismo impressionista. Embora todos saibam, e já tenham saído estudos parciais e localizados, a pesquisa do Seade, pelo tamanho do universo pesquisado e por ter sido feita no mais rico Estado brasileiro, é um documento que chega ao âmago da questão da violência e da criminalidade entre nós. As investigações policiais são mal feitas, os inquéritos e processos se arrastam por anos, as injustiças cometidas são muitas e irreparáveis e no final a justiça chega tarde e já não tem efeito. A reportagem mostra dois momentos que o jornal cobre irregularmente: o dos procedimentos investigativos da polícia e o da paralisia da Justiça. Os fenômenos já são conhecidos; os números, também. O jornal precisa prestar mais atenção para estas falhas do sistema na cobertura diária.

Foto

É boa a foto da pág. A12 de Brasil, no domingo, que mostra um operário pintando a cúpula da Câmara na tarde de sexta-feira. Mas, tal como está editada, jogada numa página sem relação com as reportagens em volta e sem uma legenda bem feita, me pareceu calhau.

Arte

Bicolor, foi impossível compreender a arte da página A20 de Mundo da Edição Nacional que ilustrou a reportagem sobre as comemorações do invasão da Normandia na 2ª Guerra Mundial. Sem cores, não se consegue distinguir as bandeiras dos países envolvidos na invasão. É uma arte inútil.

Pesquisas

O Painel (A4) trouxe notas, nas edições de domingo (‘Estado crítico’) e na de hoje (Califórnia Vermelha 1 e 2), que tratam de resultados de pesquisas sem que indiquem os institutos ou outras informações que permitam avaliar se são confiáveis. Sei que a coluna é exatamente para informações de bastidores. Mas acho que no caso de pesquisas, que têm força de fato eleitoral, não deveriam ser divulgadas sem informações que situem sua procedência, evolução, universo, período ou qualquer outro dado que demonstrem que o jornal não está sendo usado. Sei que pode parecer meio ingênuo, mas como o jornal só terá Datafolha fazendo pesquisa em SP, acho que deveria estar mais precavido.

Edição SP?

Não havia recebido até 13h a Edição SP de segunda.

Na Edição Nacional, Esportes começou a rodar com matéria sobre tênis repetida (páginas C2 e C4). O erro deve ter sido percebido ainda na Ed. Nacional porque entrou um calhau na C4.

O ‘Estado’ traz na sua edição fechada às 20h30 a prisão de Laerte Correia, lobista acusado de pertencer à máfia da Saúde. Não vi na Edição Nacional da Folha.

Cintas-largas

Na Crítica Interna de 10 de maio fiz o seguinte questionamento: ‘Acho difícil que a distribuição demográfica dos cintas-largas na reserva Roosevelt seja a que a Folha informa na página A12 de Brasil (‘ Índios explicam os motivos da chacina de 29 garimpeiros’). A reportagem diz que são 1300 índios, sendo 700 crianças (54%) e 400 guerreiros (31%). Isso significa que o total de mulheres adultas e de velhos é de apenas 200 pessoas (15%). É isso mesmo? Teria sido importante ter citado a fonte’.

Recebi na sexta-feira, da Secretaria de Redação, a seguinte informação: ‘Segundo a Funai, 1.231 cintas-largas habitam a reserva Roosevelt (dado de 2003). Desse total, 715 são crianças (conforme consta do texto), 285 são homens e 231 são mulheres. Ocorre que muitas das 715 crianças já são consideradas guerreiras (a partir dos 12 anos). E, ainda entre os guerreir os, estão incluídos os idosos também. Por isso que o total de guerreiros chega a 400. Essa informação, aliás, foi passada à época pelo chefe João Bravo Cinta Larga, o que, infelizmente, não constou do texto’.

Aviso

Faço palestra hoje à noite na Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto). Por esta razão, não haverá amanhã a Crítica Interna.

03/06/2004

A votação do salário mínimo, a vitória da seleção brasileira de futebol, a derrota de Guga em Roland Garros e os rescaldos da rebelião na Casa de Custódia de Benfica, no Rio, são os assuntos principais de quase todos os jornais.

Salário mínimo

Estão muito parecidas as coberturas sobre a votação do salário mínimo na noite de ontem. Há diferenças nos tons: a Folha é mais incisiva e crítica em relação às ações do governo para garantir o salário de R$ 260 e o ‘Estado’, mais ‘neutro’. Na Folha, ‘o Planalto pressiona e impede’ o aumento do mínimo; no Estado, ‘o governo negocia’ e aprova sua proposta. O ‘Globo’ parecia imbuído das comemorações do Mineirão: ‘Vitória fácil dos R$ 260’. Mas todos trouxeram o essencial das negociações e pressões ao longo do dia e a liberação da grana para as emendas dos parlamentares.

A Folha publicou, na Ed. SP, a relação dos votos de todos os deputados e isto é um diferencial.

Operação Vampiro

Entendo que era necessário mais espaço na Edição SP para a cobertura da votação do salário mínimo. Mas é uma pena que a reportagem ‘Funcionários ganhavam carro e dinheiro vivo’ (Brasil, pág. A6) tenha sido tão cortada. Ela contém detalhes que ajudam a entender como o processo de corrupção ocorreu. Aos poucos, sem sensacionalismo e sem precipitações, a Folha vem conseguindo juntar as peças deste quebra-cabeça apenas com informações confirmadas.

O texto cortado de hoje na Ed. SP trazia, por exemplo, a transcrição de uma conversa de dois dos suspeitos reveladora do modo como eles ‘seduziam’ os funcionários do ministério da Saúde. A arte, que na Ed. Nacional já me pareceu incompleta, sumiu na Ed. SP. É uma pena.

Eleições 2004

Para um jornal encolhido, como a Folha, me pareceu um desperdício o tanto de espaço destinado à cobertura da desincompatibilização do Rui Falcão. É quase meia página sem notícia, apenas com suposições e aspas. As duas retrancas (‘PT oferece cargos em SP para trair apoio do PMDB e do PL’ e ‘Trocas deixam base aliada de Marta insatisfeita’, pág. A10) ficariam bem melhores se menores e mais objetivas.

Mundo

Dois assuntos mal dados, na minha opinião.

África – O jornal tem tão pouca informação sobre o continente e o cobre tão irregularmente que o relatório do Fórum Econômico Mundial poderia ter sido mais bem aproveitado. Era uma boa oportunidade para tratar melhor o ‘continente esquecido’. A chamada na primeira página da Edição Nacional (‘África concentra 40% dos pobres de todo o mundo’) é forte e poderia ter sido mantida na Edição SP. É mais forte, por exemplo, do que a chamada para o Iraque (‘Bush diz que entende revolta dos iraquianos’).

Gangues – Este assunto (‘Washington declara guerra a gangues’, pág. A13) tem o maior interesse para todos os que acompanham as guerras entre comandos no Rio, em SP e outras capitais. Há grandes diferenças entre o que ocorre nas cidades americanas e as nossas, mas as causas do fenômeno e a forma como os EUA vêm combatendo estes grupos (táticas, recursos, inteligência) é de interesse geral. Como saiu, ficou parecendo uma notícia do dia, um registro.

Haiti

O enviado especial do ‘Estado’ foi para uma favela, parece que na periferia de Porto Príncipe, e trouxe uma reportagem mais forte do que a nossa. A simpatia pelos soldados brasileiros (futebol), mostra o texto, deve ter um limite, o da paciência. A Edição Nacional não trouxe nada do Haiti.

Imprensa

‘Estado’ e ‘Globo’ continuam a noticiar hoje a proposta preliminar do BNDES de ajuda para a imprensa endividada. Na Folha, o assunto, que já não tinha sido bem dado ontem, sumiu.

Sinais de alívio

O ‘Estado’ já traz na sua edição que circula no Rio o discurso do Lula sobre a retomada da economia. A Folha só trouxe na Ed. SP (‘Retomada exige agilidade, diz Lula’, Dinheiro, pág. B2).

Casa de Custódia

A Folha continua bem com os bastidores das ações (ou falta delas) do governo estadual na rebelião da Casa de Custódia de Benfica (capa de Cotidiano). A retranca com os criminalistas analisando a permanência indevida de alguns presos mortos (‘Advogados expõem distorções em prisão’) traz um enfoque diferente sobre a tragédia.

Algumas observações:

– Não sei se foi proposital ou ato falho, mas a reportagem principal (‘Garotinho sabia da matança desde sábado’) diz que o secretário de Segurança ‘mandou’ que a Secretaria de Administração Penitenciária assumisse a negociação com os rebelados. Em tese, um secretário não manda no outro. Mas, no Rio, tudo é possível.

– Já ouvi falar em primeira-dama, mas ‘primeiro casal’, como está no texto principal, é a primeira vez. Acho que é um termo inadequado.

– Não entendi a arte sobre os mortos. Se morreram tantos do Comando Vermelho como está ali (de 19 mortos identificados, 6 seriam do CV, 4 do TC e 9 não desconhecidos), não houve o massacre que todos estão contando, mas uma batalha, como a Folha informou ontem. Como eu acho que não houve batalha, tendo a acreditar que estes dados passados para a Folha ou são desatualizados (os identificados como CV estavam entre os que mudaram de lado) ou há um erro mesmo.

Sugiro acompanhar e conferir.

Tênis

Tudo bem que o interesse principal seja o desempenho (e a derrota, ontem) de Guga no Torneio de Roland Garros. É justo. Mas me impressiona como os jornais, não só a Folha, praticamente não transformam em reportagem, quase nem mencionam (na Folha, vi apenas uma arte pequena, na Ed. SP), o fato de a Argentina ter três dos quatro semifinalistas do torneio. Se este não é um feito esportivo e um fato jornalístico a merecer a atenção dos jornais, não sei o que será.

02/06/2004

O desconto de R$ 27,50 no IR, anunciado pela Receita Federal, e o massacre na Casa de Custódia de Benfica, no Rio, são os assuntos principais de todos os jornais. Folha, ‘Estado’ e ‘Globo’ deram bem as mortes da rebelião, mas reservaram suas manchetes para o Imposto de Renda.

A capa mais forte das que vi é a do Extra, do Rio, que responsabiliza diretamente o casal Garotinho pela tragédia de Benfica. Sobre uma foto dos dois de costas, aberta em seis colunas e predominantemente escura, o jornal imprimiu a manchete (‘Presos julgaram e condenaram outros 30 presos à morte’) e os nomes dos 19 mortos já identificados. A legenda diz que a tragédia cai sobre as costas da administração estadual.

Casa de Custódia

Não sei se ‘batalha’ é o termo adequado para definir o que aconteceu na Casa de Custódia de Benfica. Uma batalha pressupõe um combate entre as facções. O que houve ali, pelo que li nos jornais, foi um massacre, uma chacina. Os membros do Terceiro Comando, segundo a própria Folha, tentaram se defender do Comando Vermelho queimando colchões, mas estavam acuados, numericamente inferiorizados e foram mortos. Segundo os jornais do Rio, os presos do TC foram facilmente dominados, julgados e mortos.

Achei o material da Folha bem completo, com exceção desta idéia que passou de ter havido uma batalha. Destaco, em relação aos outros jornais, a reportagem sobre os bastidores das ações do governo estadual durante a rebelião (‘Garotinho veta acesso à carnificina no Rio’, Cotidiano, pág. C3). A Folha tem informações exclusivas relevantes sobre o comportamento do Secretário de Segurança.

A grande diferença do ‘Globo’ e do ‘JB’ para a Folha é a informação de que houve uma espécie de tribunal de guerra que julgou e condenou à morte os presos do TC. O ‘Dia’ tem fotos internas da casa de custódia que não vi em nenhum jornal. Mas as fotos da Folha são boas, principalmente as da capa do jornal.

O ‘Estado’ trouxe um diagnóstico bem feito do sistema penitenciário do Rio, com dados e opiniões de especialistas. O ‘Globo’ informa de Brasília que a Câmara dos Deputados pretende acompanhar as investigações. Como só tem um deputado do Rio falando, é preciso aguardar para ver se vai fazer algo realmente.

Apenas para reflexão nossa: os veículos das Organizações Globo continuam sem identificar os comandos que disputam o controle do tráfico no Rio (parece que de SP também). É uma decisão editorial que tem como objetivo não dar publicidade aos grupos, não ajudar a criar uma imagem valorizada deles. Pela mesma razão eles têm evitado dar os apelidos dos criminosos. Mesmo num caso como este de Benfica, que girou exclusivamente em torno da chacina praticada pelo Comando Vermelho, mesmo assim eles não identificam as facções. Acho que, neste caso, os jornais estão privando seus leitores de uma informação relevante.

O ‘JB’ e o ‘Dia’ têm preocupação semelhante, mas são mais flexíveis: não há menção aos nomes das facções nas suas capas e nem em títulos, mas internamente elas são identificadas. A Folha foi o único jornal, entre os que li, que citou o Comando Vermelho na capa.

Paulo Betti

Paulo Betti diz que a Folha errou porque inventou um valor para o salário dele (Painel do Leitor, pág. A3, ‘Televisão’). A Folha responde dizendo que a informação foi confirmada por ‘pessoas ouvidas na Record’. Não há nada mais vago e impreciso em termos de fonte do que ‘pessoas ouvidas’. Este é o caso da informação em off perigosa. Até prova em contrário, fico com o ator. Ele se dispõe, inclusive, a falar sobre o assunto. Por que não ouvi-lo?

Operação Gatinho

O ‘Estado’ fala em US $ 58,8 mil apreendidos; a Folha, em US$ 75 mil.

Imagino que as informações da Folha sobre a Operação Gatinho (Brasil, págs. A4 e A5) são as corretas porque, pelo que entendi, a equipe da Folha presenciou o flagrante da prisão do advogado Pedro Lindolfo Sarlo.

Avó presa

É daquelas histórias de matar, o drama da avó de 68 anos presa em casa porque seu filho deixou de pagar pensão para uma filha (Cotidiano, pág. C4 na Ed. Nac. e C5 na Ed. SP).

Mas o ‘Globo’ informa que o Tribunal de Justiça do RS concedeu ontem liminar suspendendo a prisão domiciliar. A Edição SP deveria ter sido atualizada.

Imprensa

A Folha deu mal a informação sobre a linha de crédito que o BNDES deve abrir para as empresas de comunicação. Em primeiro lugar, a informação não saiu na Ed. Nacional, mas já está na edição do ‘Estado’ que chega ao Rio.

Portanto, imagino que não tenha sido problema de horário. Segundo, a informação ficou escondida no pé da pág. B4, abaixo do noticiário (de anteontem) do Encontro Mundial de Jornais. Terceiro: o valor em jogo (R$ 2,5 bilhões) é maior do que o empréstimo destinado à Embraer (US$ 222 milhões), que abre a página.

Este assunto, o socorro às empresas de comunicação, é delicadíssimo e, acho, a Folha deve expô-lo francamente, como vinha fazendo, com total transparência. ‘Globo’ e ‘Estado’ deram alto de página para o assunto e mais espaço. ‘Valor’ deu inclusive chamada na primeira página. Estão certos.

01/06/2004

As manchetes dos jornais do Rio são, com exceção da do ‘JB’, sobre o desfecho trágico da rebelião na Casa de Custódia de Benfica: ‘Chacina entre os presos encerra rebelião no Rio’ (‘O Globo’), ‘Massacre na cadeia’ (‘O Dia’) e ‘36 mortos’ (‘Extra’).

Folha e ‘Valor’ optam por aplicações financeiras: ‘Investidor deixa fundos e migra para a poupança’, é a ‘falsa’ manchete da Folha, quase na dobra, indicação de que o jornal não estava muito convencido de que assunto destacar na capa; ‘Tensões de maio reduzem o patrimônio dos fundos’, segundo o jornal econômico.

‘O Estado’ também dá manchete acanhada, ‘Investigação de desvios na Saúde será ampliada para os Estados’. A Folha já tinha tratado da ação das máfias em alguns Estados na edição de ontem.

O outro destaque do dia na Folha e em vários jornais é a pesquisa do Instituto Nacional do Câncer sobre fumo.

Operação Vampiro

A Operação Vampiro não pára de crescer. Mas, quanto mais se espalha, mais ralas vão ficando as provas e menos foco têm a PF, o MP e a própria imprensa. O caso já abarca várias gestões no Ministério, já não se limita aos hemoderivados, já chegou a alguns Estados e municípios, já envolve políticos e partidos. É importante para o leitor que as provas e dados relevantes sejam consolidados pelo jornal para que possa distinguir o que é fato do que são especulações e hipóteses da polícia.

Tem uma coisa que incomoda nestas transcrições dos grampos da PF que a Folha e outros jornais e revistas vêm publicando. Pelo que entendi, os jornais estão reproduzindo os trechos transcritos e escolhidos pela PF que constam do relatório da equipe de inteligência. É bem provável que nenhum jornalista tenha ouvido as fitas. Pelo menos não vi referência a isso nas reportagens. É possível, portanto, que o empresário Laerte Corrêa Júnior tenha razão (‘Conversas estão fora de contexto, diz grampeado’, Brasil pág. A4 da Ed. Nac. e A5 da Ed. SP).

Uma observação: o ‘Globo’ e o ‘Estado’ não citam o PT e nem o Delúbio Soares nas reportagens em que informam que políticos e partidos também devem ser investigados. Ao se referir ao depoimento do lobista Francisco Danúbio Honorato (e a nossa reportagem na pág. A5 da Ed. SP está baseada neste depoimento), diz ‘O Globo’ que ele ‘chegou a citar nomes de integrantes da alta cúpula de um dos partidos governistas’. O ‘Estado’ é ainda mais genérico. Não sei se os dois jornais deixaram de citar o PT por falta de informações ou por cautela.

Arábia Saudita

Estão bem mais completas as edições do ‘Globo’ e do ‘Estado’ sobre os desdobramentos do ataque de terroristas na Arábia Saudita no final de semana. Os dois jornais informam que as forças sauditas permitiram a fuga dos terroristas.

Uma análise do atentado (pág. 10) só entrou na Edição SP da Folha. Acho difícil que tenha sido por problema de horário. O resultado é que a Ed. Nacional ficou mais pobre.

Haiti

Bom o material da Folha sobre o Haiti. O enviado especial do ‘Estado’ tem uma história que retrata bem a miséria do país: mulheres produzem ‘bolachas’ de água, óleo e… lama. Tem até foto da produção.

Argentina

Não faz sentido a ilustração da pág. B4 da Ed. Nacional. A foto, de uma criança argentina recolhendo lixo, ficou abaixo da reportagem que pretendia ilustrar (crescimento da América Latina), o que é um erro de edição.

Imprensa

A circulação dos jornais caiu em 2003 no mundo inteiro. Mesmo assim, as empresas faturaram mais com publicidade. A pesquisa é da Associação Mundial de Jornais, que realiza sua reunião anual em Istambul. Li no ‘Globo’ e no ‘Estado’. Não encontrei na Folha.

Finanças

Fiquei com a impressão que o ‘Estado’ esqueceu de editar o balanço mensal de investimentos financeiros na sua edição nacional, pelo menos na que recebo no Rio (fechamento de 21h45). As informações só aparecem na edição que fechou mais tarde.

Bebê

A história do bebê gerado pela avó paterna porque a mãe biológica nasceu sem útero só saiu na Edição SP (Cotidiano, C2). O caso ocorreu em BH e, não só por isso, deveria também estar na Ed. Nacional. Não entendi.

Rebelião

O ‘Estado’ foi mais ágil e trocou a capa de Cidades para dar mais destaque para as mortes na Casa de Custódia de Benfica, no Rio. A Folha preferiu manter a pesquisa sobre consumo de cigarro. Acho que ficou mais fria.

Uma história

Comentei na Crítica Interna de sexta-feira o caso do assassinato de João Herbert em Campinas, ignorado pela Folha. Hoje, a coluna do Márcio Aith (‘As três mortes de João’, A2) confirma que ali havia uma história. Não soubemos contá-la.’

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