Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

VOZ DOS OUVIDORES > FOLHA DE S. PAULO

Marcelo Beraba

10/01/2006 na edição 363


’06/01/2006


Sem novidades nos assuntos nacionais (álcool, estradas, crise política e CPIs), Folha e ‘Estado’ destacam as notícias internacionais:


Folha – ‘Nova onda de violência mata 130 no Iraque’ e ‘Sharon é posto em coma após 7 horas de cirurgia’.


‘Estado’ – ‘Série de ataques deixa 130 mortos no Iraque’ e ‘Com Sharon em coma, Israel discute sucessão’.


O ‘Globo’ tem como manchete o resultado de um estudo sobre segurança na rede da Internet: ‘Internet: golpes financeiros cresceram 500% em 2005’.


Sharon


Achei boa a cobertura da situação ainda indefinida de Israel (páginas A11 e A12). Senti falta de mais informações do lado palestino.


América Latina


O ‘Estado’ apresenta a viagem do secretário-adjunto de Estado dos EUA para a América Latina, Thomas Shannon, com uma entrevista, a primeira que concedeu desde que assumiu o posto: ‘Os EUA não querem o fracasso de Morales’.


Campo


As respostas colhidas pela Folha à reportagem publicada pelo ‘Daily Telegraph’ (‘Jornal inglês ataca a pecuária brasileira’, pág. B8) são todas oficiais, do governo. Não é o caso de se buscar avaliações de fontes independentes e de especialistas?


Barraco na Cultura


Os relatos da reação ontem do ministro Gilberto Gil às declarações de Caetano Veloso à Folha não coincidem. Na Folha, na capa da ‘Ilustrada’ (‘Barraco na cultura’), o jornal informa que o ministro ignorou a crítica de Caetano (linha fina acima do título), mas na primeira página do ‘Globo’ e no ‘Estado’ a reação do ministro é forte: ‘Peçam a minha cabeça a Lula’, disse no Rio.


É curioso que a continuação da troca de desaforos entre artistas e intelectuais e o Ministério da Cultura, que começou nas páginas da Folha, não tenha tido espaço na capa do jornal.


05/01/2006


A reação do governo diante do aumento do preço do álcool é a manchete da Folha e de vários jornais, e deixou em segundo plano o grave estado de saúde de Ariel Sharon, o premiê de Israel.


Folha – Começou a rodar com uma manchete tímida, em duas colunas (‘Lula ameaça intervir para conter alta do álcool’), e depois trocou por uma em seis colunas, ‘Lula ameaça intervir na venda de álcool’.


‘Estado’ – Começou a rodar com a notícia do recorde na Bovespa (‘Dinheiro de fora traz euforia para a Bolsa’), mas depois mudou para destacar o resultado de uma auditoria do Tribunal de Contas da União, ‘TCU: Petrobrás perde R$ 1,8 bi com 3 contratos’.


‘Globo’ – O primeiro destaque era a ação do governo no preço do álcool (‘Governo intervém no álcool para conter preço da gasolina’), mas depois mudou para registrar a prisão de um bandido, ‘Traficante que mandou queimar ônibus se entrega’.


‘Valor’ – ‘Fazenda investiga fraude fiscal em fusões e aquisições’.


O ‘Correio Braziliense’ interpreta a reação do Planalto: ‘Disparada do álcool desorienta o governo’.


Estradas


O ‘Valor’ traz um dado que não vi na Folha e ajuda a dimensionar melhor o plano do governo para tapar buracos: segundo o artigo ‘Um tapa-buraco de dar vergonha’, a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), que tem as concessões da Via Dutra e do sistema Anhangüera-Bandeirantes, investiu em 2005 o mesmo valor que o governo está anunciando com tanto estardalhaço. A diferença é que a verba do governo é para tapar buracos em 14,5 mil quilômetros, enquanto a concessionária cuidou de uma malha 90% menor. É mais um indicador de como a operação será paliativa.


Sharon


As informações que o jornal dispunha às 20hs de ontem davam condições de fazer uma edição melhor a respeito do novo problema de saúde do premiê de Israel do que a apresentada na Edição Nacional, um texto abaixo da dobra da página (‘Sharon sofre novo derrame e é operado’, pág. A12).


Cartão vermelho


A Folha informou com destaque, no dia 28 de dezembro, a visita do filho do Pelé, Edson Cholbi do Nascimento, a uma clínica de reabilitação onde pretendia se tratar (‘Edinho diz que ainda sente vontade de usar drogas’, caderno ‘Cotidiano’). Segundo a reportagem, a clínica é considerada uma das mais rígidas do Estado e Edinho não teria qualquer privilégio: teria de se submeter ao regime de trabalho braçal e só poderia receber visitas uma vez por mês. O jogador esteve na clínica, acompanhado de Pelé e de toda a imprensa, na véspera de comparecer mais uma vez ao fórum por conta do processo em que é acusado de envolvimento com o tráfico de drogas.


Segundo o ‘Diário de S. Paulo’ de hoje, o filho de Pelé só irá à tal clínica uma vez por semana e não será submetido à rotina ‘rígida’ do tratamento. O que mudou? A visita do dia 27 foi só encenação para a imprensa? Não é o caso de o jornal voltar novamente ao assunto e com um pouco mais de rigor e espírito crítico na apuração?


‘Esporte’


Título incompreensível: ‘Futebol emociona mais que esporte dos EUA, diz estudo’ (pág. D2).


04/01/2006


A Folha publica um caso novo de improbidade, levantado pelo Tribunal de Contas da União. ‘Estado’ e ‘Globo’ relacionam as obras anunciadas pelo governo federal para 2006à eleição presidencial, manchete de ontem da Folha.


Folha – ‘TCU acusa Caixa de favorecer BMG’.


‘Estado’ – ‘Governo anuncia para 2006 as obras que não fez em 3 anos’.


‘Globo’ – ‘Lula abre ano eleitoral com novas promessas de obras’.


Inteligência


A entrevista com o diretor da Abin continua a render bem (‘Diretor quer ‘desmistificar’ Abin com cartilha’, pág. A8). A edição de hoje da Folha está mais caprichada, tanto na parte gráfica como no texto de apoio. Mas há dois aspectos da cobertura que o jornal continua a dever: a história das trapalhadas e ações inúteis da Abin nos últimos anos e um texto mais consistente sobre a (falta) de política de inteligência no Brasil. O subtítulo ‘Atuação’, no texto ‘Medidas expõem militarização, diz cientista político’, é fraco (e redundante) na reconstituição da atuação da agência. A carta de Fernando de Lima Miller no ‘Painel do Leitor’ (pág. A3) de hoje continua sem resposta: ‘Lendo a reportagem de ontem sobre a Abin (‘Abin aposenta ‘araponga’ e adota ‘carcará’, Brasil, pág. A8), surgiu-me uma dúvida que, infelizmente, o texto não esclareceu. Qual foi o trabalho recente da Abin -pois é melhor não lembrarmos dos do SNI- que efetivamente trouxe impactos positivos ao país?’ .


O ‘Globo’ de hoje reproduz o novo símbolo da Abin, com o carcará.


‘Mundo’


O que a foto de passageiros no saguão do Aeroporto Internacional de Heathrow tem a ver com a reportagem sobre centro imigratório Lunar House, no sul de Londres (‘Reino Unido investiga troca de visto por sexo’, pág. A9)?


Terror na linha 350


Só li a notícia no ‘Extra’: Sabrina Aparecida Marques Mendes, presa no dia 8 de dezembro e acusada de ter participado do incêndio do ônibus 350 em que morreram carbonizadas cinco pessoas, foi solta ontem. Segundo a polícia, ela foi presa por engano. Mesmo assim, ficou quase um mês na cadeia. A Folha assim noticiou o caso, no dia 9 de dezembro: ‘Outra acusada do ataque, Sabrina Aparecida Marques Mendes, 21, a Brena, foi presa ontem. Ela namorava o traficante Lorde, que está foragido. Três vítimas não a reconheceram, mas a polícia diz ter dados para mantê-la presa, já que foi apontada por Alexandra’.


Ela não era a Brena e não namorava o traficante. Acho que o jornal deve noticiar agora a sua inocência no caso. E é um bom motivo para questionar (mais uma vez) os métodos de trabalho da polícia.


03/01/2006


Economia e eleições estão nas manchetes:


Folha – ‘Lula terá R$ 28 bi para gastar no ano eleitoral’.


‘Estado’ – ‘Furlan prevê exportações de US$ 132 bilhões em 2006’.


‘Globo’ – ‘Exportação cresce 23% e é recorde histórico’.


Inteligência


A Folha de S.Paulo traz hoje uma ótima entrevista com o diretor-geral da Abin, ‘Abin aposenta ‘araponga’ e adota ‘carcará’ (pág. A8). A pauta é oportuna, os repórteres, que extraíram bom material do entrevistado, revelam como a agência continua sem rumo e a primeira página deu o devido destaque. Mas a edição interna não explora o que tem em mãos. Deveria ter aproveitado a entrevista para publicar um texto de memória dos erros e preocupações supérfluas (risíveis, diria) que vêm dominando a agência nos últimos anos. Um texto que informasse mais a respeito dos erros seguidos e analisasse a inexistência de uma política de inteligência. Carcará, bandeira, hino? Parece clube de futebol.


A entrevista merece uma boa repercussão.


Eleições 2006


A reportagem ‘Governo tem R$ 28 bi para investir em ano eleitoral’ (manchete do jornal e pág. A4) é pertinente e está bem feita. Mas o correto teria sido o jornal publicar um texto adicional com informações semelhantes dos outros candidatos a presidente da República que também administram orçamentos de grande porte, como o do Estado de São Paulo (Geraldo Alckmin), do Estado do Rio (Anthony Garotinho) e da cidade de São Paulo (José Serra). Estão todos em situação parecida com a do governo federal, com grandes reservas para investimentos em ano eleitoral.


Acidente


No caso da queda do bimotor em São Paulo, o surpreendente é a saga do menino de dez anos que conseguiu se salvar e caminhar em busca de ajuda para ele e para o empresário ferido. Essa era a grande história a ser contada já na Edição Nacional (‘Avião cai na Cantareira e 2 pessoas morrem’, pág. C3 da Ed. Nacional).


O bruxo e o feiticeiro


O ex-deputado José Dirceu não tem mais do que reclamar, pelo menos não da Folha. Foi tratado, na coluna ‘Mônica Bergamo’, mais uma vez, como celebridade, e não como político cassado.’

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