Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

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Mario Vitor Santos

30/09/2008 na edição 505

‘O iG divulgou ontem que a maioria dos brasileiros de 8 a 14 anos que não sabem ler e escrever freqüenta a escola. A falência do sistema educacional brasileiro deveria obrigar o país a parar e refletir. O tema é mais grave e urgente que todos os outros. O que é possível fazer? Será que é possível criar novos caminhos para construir uma educação eficaz?

Nessa área, na minha opinião, o trabalho do iG tem avançado muito. O canal de Educação é exemplar. Consegue uma boa comunicação e prestação de serviços, mesmo tratando de um tema aparentemente tão árduo para os brasileiros e oposto ao ‘espírito’ contemporâneo.

O estilo das áreas de um canal tão grande como Educação varia muito, é claro, mas predomina um tom simples, objetivo, leve e sério. A informação e a diversão aparecem bem harmonizadas. O conteúdo é abrangente e claro, com renovação freqüente. O material educativo abrange desde o ensino básico até a pesquisa acadêmica, passando por tudo existe no caminho.

Além de reportagens próprias e notícias do Último Segundo, a lista dos parceiros dá uma idéia do alcance: Apolo11, Brasil Escola, Canal Azul TV, Carta na Escola, Guia dos Curiosos, HistóriaNet, Inovação Unicamp, Jornal de Debates, Klick Educação, Pesquisa Fapesp, Porta Curtas e Revista SpeakUp.

A partir dessa plataforma, o iG deveria discutir a educação brasileira e, mais do que discutir, assumir um compromisso público de trabalhar para mudar a situação do país quanto ao ensino. No fim do ano passado, o Brasil ficou em 52º lugar dentre os 57 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Nada é mais importante do que colocar esse assunto no centro da pauta da mídia, a começar por este iG. Uma educação ética, aliás, tem muito a ver com o post logo abaixo.

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A internet entre dois massacres (25/9/08)

Trecho de reportagem da BBC Brasil, divulgada hoje pelo Último Segundo:

‘Os investigadores finlandeses se negaram a dar mais detalhes sobre o caso mas, de acordo com o jornal britânico Daily Telegraph, há temores de que o país pode estar enfrentando uma rede de potenciais assassinos em escolas ligados uns aos outros pela internet’.

‘As novas informações se somam à lista crescente de similaridades entre os dois casos: ambos os homens colocaram vídeos ameaçadores no site YouTube antes dos ataques; ambos tinham um fascínio pelo massacre ocorrido em uma escola em Columbine, nos Estados Unidos, em 1999 e voltaram as suas armas contra si mesmos no final.’

Há uma inquietante seqüência de crimes horrorosos cometidos por jovens muito doentes que se valem da internet para tomar conhecimento de chacinas anteriores e para planejar as suas próprias. Parte da motivação desses crimes está na fama que os assassinos esperam obter entre outros dementes, especialmente na internet.

A rede tem sido usada para glorificar esses assassinos e, ao que parece, incentivar novos crimes. A julgar pela repercussão, os criminosos têm atingido seus objetivos. A única certeza que têm é de que vão entrar numa macabra galeria da fama. Sairão do anonimato, estarão nas capas dos maiores veículos, sua história será eternizada na internet.

Mas qual seria a alternativa? Não divulgar? Restringir a publicação de nomes, fotografia, vídeos e outros detalhes? Já está na hora de discutir esse assunto.

O ponto de partida desses casos parece ser o massacre de Columbine, em 1999, com 15 mortes. O ataque teve ainda mais notoriedade após os filmes ‘Elephant’, de Gus van Sant, e ‘Tiros em Columbine’, de Michael Moore. O vídeo ‘original’ do massacre está no You Tube. O evento fascina outros jovens, inclusive os finlandeses autores das duas chacinas, que podem estar ligadas entre si.

É um desafio proteger a liberdade da internet e ao mesmo tempo evitar que ela seja usada para multiplicar aberrações. Algum tipo de alerta, restrição ou controle precisa ser estudado, desde que não ponha em risco as conquistas que justificam a própria existência da rede. Será que isso seria eficaz? Será que é possível?

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O iG perde a disputa das correções (24/9/08)

Há um quesito em que o iG perde feio a competição com seus rivais na internet. O iG publica no máximo dez correções por mês. Seus principais concorrentes publicam em média dez correções também. Por dia.

Boa notícia? Quer dizer que o iG erra menos? Não acho que seja o caso de comemorar. Em 2007 foram 17 correções, uma média de duas por mês (o programa começou em abril). Neste ano, foram 47 correções, média de cinco por mês.

Neste mês de setembro, foram seis correções até hoje. O Último Segundo está publicando mais retificações do que antes, mas a média ainda está bem longe do ideal de qualidade e transparência.

Questionada a respeito, a editora-chefe do Último Segundo, Mariana Castro, informa que o processo de apuração e correção dos erros é feito pela própria equipe de jornalismo do iG. Segundo ela, não existe uma equipe específica para tratar do assunto. A responsabilidade é de ‘mais de uma pessoa’.

O iG precisa descobrir formas eficientes (talvez uma campanha publicitária nas páginas do portal) para incentivar os leitores a ajudar a apontar os erros e zelar pelo controle de qualidade. Desde que bem estimulados, os leitores vão aderir em grande número.

Seja qual for a área, sempre vão aparecer internautas que sabem mais do que os colaboradores do iG sobre qualquer assunto. É importante que o iG esteja aberto e essa participação essencial. Para isso, o leitor precisa perceber que essa é uma prioridade. Em palavras e atos.

Confira abaixo o que diz o Manual de Redação do Último Segundo sobre correções:

Errata

‘Se por qualquer circunstância o Último Segundo divulgar uma notícia errada deve publicar uma retificação imediata, a Errata, no canal Correção, e com destaque. Nela, vai indicar claramente que se errou e dar a informação correta. Os erros que exigirem explicitação, ou seja, a menção por escrito de que houve o erro e a sua conseqüente correção, devem ser retificados na capa do produto onde ocorreu o erro com chamada em destaque para a Errata (publicada em página à parte se não for curta o bastante para caber na mesma página). A publicação de uma Errata depende de consulta prévia à diretoria de conteúdo. Notícias que trazem erros cometidos por fontes também podem ser corrigidas mediante publicação de uma outra nota na qual se retifica a informação equivocada e se explica que a fonte errou.’

‘Retificação Último Segundo (arquivo de) – Todas as retificações, devidamente identificadas e classificadas por data e horário, devem ser publicadas e arquivadas para consulta pública em página específica do Último Segundo (Correções).’

Quando a apuração não é própria, por exemplo, cuidado redobrado, pois as agências também erram. Rechecar, comparar informações e dialogar com parceiros pode diminuir a quantidade de erros e aumentar a qualidade do que é passado ao internauta.

E os erros do portal?

O Manual de Redação ainda diz:

‘Retificação de erros do portal e de parceiros (arquivo de) – Em página separada, o Último Segundo publica e arquiva para consulta pública os erros cometidos nas outras áreas do portal iG, bem como as eventuais retificações de parceiros do portal iG, devidamente identificadas e classificadas por data e horário.’

Onde está o destaque para os erros cometidos em outras áreas do iG? Existe um local específico dentro do Último Segundo, mas este não está destacado em nenhum lugar do portal e contém pouquíssimas correções.

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NYT mostra dilemas do jornalismo em meio à crise (23/9/08)

Veja a seguir texto publicado no ‘New York Times’ sobre os impasses dos jornalistas para noticiar com fidelidade as ameaças reais ou potenciais que pairam sobre o sistema financeiro. Um erro pode precipitar efeitos de grandes dimensões.

A crise está instalada também no jornalismo. Repórteres e editores temem precipitar o pior se cumprirem sua obrigação de informar. Temem também a precipitação, o tom exagerado, o descontrole emocional e as previsões que desencadeiem movimentos no mercado. Podem ser alvos fáceis de manipulação. A crise econômica pode nem ser a maior da história, mas o desafio para o jornalismo econômico é inédito.

‘Dentro do tumulto do mercado, alguns jornalistas tentam baixar o tom’

De RICHARD PÉREZ-PEÑA, do The New York Times

Para a maioria do país, a crise financeira das últimas semanas ofereceu uma aula de economia. Para jornalistas, ela foi uma lição de semântica.

Alguns jornais reportaram o movimento das bolsas usando uma linguagem muito carregada. Outras organizações temeram que essa escolha de palavras pudesse contribuir para a instabilidade do sistema financeiro.

Cada dia fica mais evidente que as companhias financeiras são especialmente vulneráveis quanto à perda de confiança de credores, parceiros, investidores e clientes. Por isso, rumor, especulação e medo podem enfraquecer um banco com uma velocidade chocante. Há repórteres e editores, tão acusados de exagero e alarmismo, escolhendo cuidadosamente suas palavras.

Então na maioria das notícias, as ações têm ‘escorregado’ e os mercados ‘girado’, mas não ‘quebrado’. Companhias têm ‘cambaleado’ e ‘lutado’ ao invés de estarem indo à falência ou à bancarrota.

‘Nós temos sido bastante cuidadosos ao não jogar palavras como ‘derretimento’ e ‘queda livre’’, diz Ali Velshi, correspondente de negócios na CNN. ‘Se alguém quiser dizer que os mercados estão em queda livre, nós discutiremos antes’, diz ele, e a mudança está mais próxima de ser em vocabulário.

Marcus W. Brauchli, o novo editor executivo do The Washington Post, afirma que cobrir Wall Street é diferente de trabalhar em qualquer outra área. ‘Quando as instituições financeiras estão sofrendo uma crise de credibilidade, naturalmente, os jornalistas ficam um pouco mais prudentes e cuidadosos’.

Esse ano, a mídia foi acusada de contribuir para o colapso do Bear Stearns e do IndyMac, um grande banco da Califórnia, desde então os jornalistas estão mais cientes do risco de alimentar o medo – e o risco de serem culpados.

Os jornalistas afirmam que há uma linha tênue entre seu dever de informar a extensão do que está acontecendo com os bancos e mercados e causar pânico. Na verdade, ‘pânico’ encabeça uma lista de palavras que as maiores organizações de notícias têm evitado usar por estas terem efeito por si sós.

‘‘Quebra’, ‘pânico’, ‘pandemônio’, ‘apocalipse’, essas são as palavras das quais estamos nos distanciando’, diz Robert H. Christie, porta-voz do The Wall Street Journal, agora parte da News Corporation.

Ao mesmo tempo, ninguém quer parecer minimizar o perigo. A primeira página do Wall Street tem chamado a crise de a pior desde a Depressão, e em todos os dias da última semana trouxe manchetes ocupando toda a página – a primeira vez desde setembro de 2001.

Se houvesse, digamos, cervejarias ou construtoras desabando, a pergunta óbvia da mídia seria ‘quem é o próximo?’. Mas os jornalistas têm sido cautelosos em previsões de colapso das instituições financeiras – algumas reportagens ao longo dos últimos meses sobre possíveis quebras de bancos se esquivaram de dizer quais corriam mais riscos.

‘Eu não diria que não estamos cobrindo estes casos, mas que estamos fazendo isso muito cuidadosamente’, diz Andrew Serwer, editor da revista Fortune, uma publicação da Time Warner. ‘Como dizer ‘Há pânico por aí, mas sem pânico?’. Aliás, é nossa responsabilidade dizer ‘Sem pânico’?’.

A Fortune, impressa e online, tem usado o vocabulário alarmista que muitas outras publicações têm evitado. Algumas vezes não se evita dar os nomes, como quando as questões sobre o Lehman Brother cresceram meses antes da falência anunciada na última semana – mesmo aí, os jornalistas relutaram em fazer previsões. No começo deste mês, um artigo do New York Times descreveu o Lehman como ‘ferido’ e ‘precário’, mas não mencionou explicitamente a possibilidade de falência.

‘Nós não podemos nos esquivar de informar que a bagunça em que estávamos era um problema real’, diz Lawrence Ingrassia, editor de negócios do The Times. ‘Mas nós não diríamos ‘aqui estão três ou cinco instituições que podem falir na semana que vem’. Uma coisa é dizer que uma indústria tem tido problemas em pagar suas dívidas outra é falar isso de uma instituição financeira.’

No último verão, o senador Charles E. Schumer, de Nova York, levantou publicamente a possibilidade de que o IndyMac poderia cair em colapso, e dias depois, uma corrida ao IndyMac forçou o banco a fechar. Os funcionários do IndyMac e uma reguladora federal acusaram Schumer – e, indiretamente, a mídia, por repetir seus discursos – de antecipar o seu fim. Schumer sustenta que o banco não precisava de ajuda para falir.

Alguns banqueiros e jornalistas têm declarado que o canal a cabo CNBC pode ter alimentado medos sem fundamento sobre a solvência do Bear Stearns em março – e que falando isso fez tornar-se realidade. O CNBC disse que não tem responsabilidade sobre o Bear.

Destacando ‘furos’ que podem mudar os preços das ações, o CNBC noticia com freqüência – e alardeia – rumores não confirmados ou dicas de uma fonte única ou anônima.

Isso não tem mudado, mas nas últimas semanas, os repórteres do CNBC têm tomado cuidado em enfatizar que algumas coisas que têm dito representam a visão de outras pessoas, que a fonte pode ter motivos pessoais e que a informação não é comprovada e pode estar errada.

Na quinta-feira, o CNBC deu o furo do financiamento federal de dívidas das agências falidas.

‘Eu quero prevenir a todos’, diz o editor Charles Gasparino. Ele disse várias vezes que as informações foram fornecidas por ‘fontes de Wall Street’, não do governo, acrescentando que, ‘nós temos que conseguir a confirmação do Tesouro Americano’.

Momentos depois, ele disse que os telespectadores deveriam levar em conta que suas fontes ‘têm interesses no que está acontecendo.’ Na meia-hora seguinte, bem antes de o governo confirmar que financiaria os empréstimos, a bolsa de valores subiu quase 3 por cento.

***

Domingo: falta urgência na atualização de Economia (22/9/08)

Domingo à noite, quando no horário do Brasil as bolsas asiáticas já abriram, o iG mantém velhos títulos em sua capa de Economia desatualizada. As notícias destacadas são todas da ‘semana passada’.

O iG Economia deveria fazer como a edição de Esportes, cuja capa nas noites de domingo corre para incorporar logo os principais resultados.

O noticiário econômico deve ser tratado com a mesma urgência. Ainda mais na gangorra vertiginosa em que vivem os mercados internacionais nestes dias. Enquanto isso, a CNN está atenta mostrando mercados futuros e a alta inicial das bolsas asiáticas, já na segunda-feira.’

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