Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Mario Vitor Santos

14/10/2008 na edição 507

‘É evidente que a crise ontem e hoje atingiu um nível ainda mais grave, de pânico global absoluto e sem restrições. Como dar conta de informar sobre tema tão amplo, é um grande desafio. Não há outro assunto. O que acontece nestes dias terá repercussões históricas graves para todos os países. É preciso destinar a atenção e concentrar os esforços jornalísticos para estar a altura do significado do momento. Não cabe agir rotineiramente.

O iG deveria se reinventar para mostrar em suas principais páginas (no desenho delas, no tamanho das letras, na concentração e diversidade dos títulos, na reunião de forças voltadas para tratar da crise) que o momento é de extrema exceção e que o portal reage com energia proporcional à gravidade inédita da situação. As repercussões da crise precisam ser atualizadas a cada momento.

Como há vários dias os números apontam na mesma direção, criou-se um certo sentimento de déjà vu. É preciso evitar a idéia de que ‘a bolsa cai mais uma vez, como sempre’. Cada dia é uma nova emergência que surge, coisa que só mostrar as cotações acompanhadas dos relatos de sempre já não é suficiente. Os analistas têm que ser acionados com muito mais destaque e freqüência. O que o público precisa agora é ter idéia diferentes sobre os cenários mais amplos, tanto os atuais como os futuros.

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Boa notícia também é notícia (9/10/08)

Diante do desânimo que ocupou o noticiário das últimas semanas, está na hora de fazer um pouco do oposto: ir atrás de boas notícias. É preciso procurar as informações de quem não está nem aí para a crise, não se importa, continua prosperando ou que não foi afetado pelas inseguranças que afligem o mercado financeiro. Está na hora de lançar uma seção exclusivamente destinada à divulgação de ‘Boas Notícias’.

A informação positiva, especialmente no momento atual, tem um tremendo apelo. As oscilações dos mercados são de fato importantes, trazem grandes repercussões, mas, com toda a sua gravidade, imprimem inevitavelmente um tom repetitivo às capas. Além disso, a mente do leitor chega a um limite, uma exaustão, em qualquer cobertura longa.

Para renovar o impacto e a sensibilidade, é preciso variar. Como é obrigatório cobrir a crise com atenção, pode-se compensar o baixo astral investindo na criatividade. Deve-se dar também destaque a outros temas, inclusive às realizações e às histórias mais bem-humoradas e positivas.

O otimismo não é muitas vezes a marca do jornalismo, e há boas razões para isso, mas a esperança também é um sentimento de enorme interesse humano. Vem sempre junto com a crise, às vezes abre chances de sucesso por novos caminhos que superam as dificuldades de antes.

A usina discórdia e a cobertura do iG

O noticiário relativo ao quiprocó entre Odebrecht, Equador e Brasil no iG é pouco esclarecedor e tende a um certo alinhamento passivo com o governo brasileiro. É hora de evitar qualquer favoritismo nacionalista e procurar informar os meandros desse caso. O ideal seria ir buscar a versão completa do governo equatoriano e relatar amplamente as versões de todos os lados envolvidos.

Para começar, o iG deveria publicar na íntegra a nota divulgada hoje pelo Itamaraty. Em segundo lugar, verificar o que de fato aconteceu com a usina hidrelétrica, que teve que parar após um ano. Já envolveu exigências do Equador e uma suposta aceitação de acordo de indenização por parte da Odebrecht. Seria uma admissão de culpa?

O caso é intrincado e deveriam também ser ouvidos especialistas independentes que pudessem dar um quadro do que pode ter acontecido. Os colunistas de economia do iG deveriam ser mobilizados para tratar do caso, pois boas fontes ajudariam muito a entender a situação, que, além de retórica, tem complexidades jurídicas e diplomáticas. Essa é a função do bom jornalismo, conseguir dar conta de uma grande e complexa massa de informações oriundas de fontes diferentes de maneira acessível, objetiva e equilibrada

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Entre informar, acalmar e estressar (8/10/08)

O desafio do momento para o jornalismo é decidir como contribuir para estabilizar a situação. Economistas e jornalistas econômicos desta geração não tiveram ainda que lidar com um desafio semelhante ao atual. O equilíbrio a que me refiro significa informar bem sem causar mais estresse, pois o sistema já ganhou uma dinâmica própria e a temperatura dele é muito alta.

Não é necessário transmitir uma imagem asseguradora onde não existem evidências disso, mas qualquer fato novo deve ser pesado. O ideal, e às vezes o ideal é necessário, seria que os veículos de comunicação colaborassem para conter o potencial explosivo existente, sem que isso implique omissão, manipulação ou privilégios quanto à informação. Será que isso é possível?

É evidente que a competição é livre em momentos normais que comportam muitas tolerâncias aos excessos. Agora, também, mas com cuidados excepcionais. Na era da informação imediata universal jamais houve algo assim. É um raro momento em que as regras têm que ser reinventadas com rapidez para manejar a crise, que centralmente tem a ver com credibilidade, ou seja, também com a capacidade que o jornalismo tem para auxiliar a não abalar mais o restante do sistema ou a derrubá-lo de vez.

Não devemos ficar agitadamente passivos criticando apenas a inatividade (se houver) das autoridades (nacionais e globais), pois o que ocorre Hong Kong afeta o Brasil na hora e vice-versa. Devemos nos envolver, e ver de que forma atuar para que os veículos de comunicação contribuam de forma a aumentar a tolerância e a segurança geral em torno dessa crise. Entre a omissão e o pânico deve existir um espaço social baseado na comunicação e consenso a respeito do que é razoável fazer nesse momento em termos de informação. Mobilizar especialistas e formadores de opinião, por exemplo. Engajar mais a sociedade, que está perplexa.

Se alguma ação puder ser tomada para evitar que o problema avance mais rapidamente para outras áreas, deve começa pela internet, o único veículo que tem as características para espelhar a crise com velocidade. Antes, a rapidez poderia conflitar com a credibilidade. Neste momento excepcional, elas são o mesmo.

Mais atenção ao dólar

A cobertura economica do iG precisa dar maior atenção ao dólar. A reportagem de ontem tinha apenas dois parágrafos e não apresentava explicações para nova explosão da moeda americana. Há muito a explorar nesse assunto, que é tão importante como a cotação da bolsa e que tem dinâmica própria. Falar das ações e do dólar nem sempre siginifica falar do mesmo assunto.

Bom esforço

A cobertura ao vivo do debate entre os candidatos à presidência norte americana, John McCain e Barack Obama, funcionou perfeitamente mais uma vez. Som e imagens perfeitos, fornecidos pela BandNews. Fiel e rápido o tempo real e o relato do debate, publicado às 23h35, logo após o encerramento.’

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