Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

VOZ DOS OUVIDORES > iG

Mario Vitor Santos

18/12/2007 na edição 464

‘Termina neste fim-de-semana a migração de 6 milhões de e-mails para a plataforma Google, iniciada há cinco meses pelo iG. Há pessoas que reclamam, há as que elogiam. Ao que parece, os recursos são, na maioria dos casos, melhores. Com capacidade maior (de 15 megas para 2 gigas), o email promete ser mais seguro no armazenamento de dados e na proteção contra vírus e spams. A questão do uso do inglês em vez do português, citada por alguns internautas no começo do processo de migração, já foi resolvida.

Os problemas que ainda aconteciam estavam principalmente relacionados à velha plataforma, mas, por coincidência, podem ter estourado justamente nesse período. Graças à estrutura do Google, os riscos no novo e-mail, segundo o iG, são mínimos. O Google armazena os dados em milhares de servidores de todo o mundo. Se um deles der problema, os arquivos estão seguros em outro lugar. Isso praticamente extingue a possibilidade de perda de e-mails, como a que aconteceu no meio deste ano. É o que diz o iG.

Entretanto, agora, no final dessa jornada, existe a possibilidade de inconvenientes para os internautas que usam o Outlook Express ou outro programa de recebimento de mensagens por acesso pop e que ainda não fizeram as alterações necessárias. Para que o programa funcione, é necessário mexer nas configurações do aplicativo. O procedimento, segundo o iG, é fácil, mas precisa ser feito.

Até agora, para dar ao usuário tempo de se acostumar ao sistema, o iG vinha deixando um caminho aberto para que os e-mails fossem puxados para o computador do internauta tanto pela forma antiga quanto pela nova (a do Google). Com o final da migração, essa via será fechada e só quem alterou as configurações continuará recebendo os e-mails. Quem não alterou, só poderá acessar por webmail. As informações sobre como proceder foram enviadas pelo correio eletrônico. Entretanto, há ainda um site que oferece as dicas e dá a possibilidade de executar um programa que faz tudo isso sozinho. O link é http://eunaweb.ig.com.br/versaobeta/

Para clientes do iBest, há um endereço especial, o http://www.ibest.com.br/email/help/ibest_acesso_pop10.html.

Com o encerramento da migração, espera-se a solução para os serviços de e-mail da maioria dos usuários do iG. É algo que só se pode conferir na prática. Pelo número de reclamações ao ombusdman, houve progresso nos últimos meses, mas ainda existem internautas insatisfeitos com seu e-mail e até com a falta de mais recursos para manejo da lista de contatos. De qualquer forma, é um período de transição. Só com o tempo a eficácia do sistema deverá ser testada.

Será também necessário conferir se restaram clientes não incluídos nessas mudanças e que, portanto, não poderão aproveitar seus eventuais benefícios.

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Ainda sobre a votação da CPMF (14/12/2007)

A eficiência da transmissão pelo iG da sessão do Senado que votou a CPMF. A transmissão durou mais de oito horas, sem interrupções que o ombudsman tivesse notado. O sinal, como dos outros portais, foi gerado pela TV Senado.

O programa de publicação da imagem no portal, porém, distorce a imagem das pessoas, tornando-as mais largas.

Há também uma diferença, um atraso da imagem em relação ao som.

A arte que o iG publica hoje, para explicar ´o quebra-cabeça` da CPMF, usa um chassis antigo, que já vem sendo usado pelo menos desde 6 de dezembro. Trocaram-se apenas partes dos textos. Quando um gráfico muda, sua aparência também deve mudar.

O iG precisa investir urgentemente na criação de infográficos. Sempre que possível, a Internet deve privilegiar informações visuais. Imagino que o Último Segundo deve estar fazendo o possível com os recursos de que dispõe, mas isso não é desculpa aceitável.

Merecem elogios os esclarecedores chats de hoje com os senadores Álvaro Dias e Paulo Paim e o economista Adolfo Sachsida. Só que a reportagem sobre a CPMF anunciava ainda às 18h15 que o chat de Paulo Paim estava no ar, quando ela já havia sido encerrada havia pelo menos uma hora.

O iG deveria pautar agora uma pesquisa de opinião (ou ser parceiro de uma) que checasse o humor da população (e do eleitor) diante da rejeição da CPMF.

É um diferencial notável a participação do Conversa Afiada na cobertura política. É polêmico e aguerrido, como deve também ser o bom jornalismo.

A narração do chamado ´Tempo Real` também foi bem descritiva e atualizada com freqüência adequada ao longo tempo. Embora, talvez, excessivamente presa à televisão.

É hora de planejar

Está mais do que na hora de ousar, planejar uma cobertura inovadora e aguda das eleições municipais de 2008. O mesmo deveria ocorrer com as Olimpíadas.

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Questão de imagem (13/12/07)

Falta mais critério para o iG na seleção de um item fundamental: a seleção de imagens para a capa. É comum a publicação de fotos sem qualidade, ou seja, imagens com baixa qualidade informativa, sem foco, de longa distância, confusas, com cores de mau gosto. Com a onda da internet do leitor, as imagens muitas vezes são caseiras, o pior é que o padrão caseiro vai se transmitindo às outras áreas do veículo.

Para agravar, imagens de baixa qualidade permanecem por muito tempo, às vezes mais de um dia, publicadas nas páginas principais do iG. Misturam-se com anúncios, estes também muitas vezes de mau gosto estético, gerando uma sensação desagradável de poluição e excesso.

Por serem focos de atração do olhar, fotos repercutem diretamente sobre a imagem de um veículo junto ao público. Capas bem equilibradas, com imagens escolhidas com critério, definem a identidade. São como os olhos da publicação. É para elas que o leitor estabelece um diálogo mudo com o veículo, como se perguntasse: ´Quem você é?´, ´O que está querendo me dizer?` ou ainda mais profundamente ´Você está sendo sincero?` A história dos meios de comunicação, de seu caráter e de sua personalidade, pode muito bem ser acompanhada apenas pela maneira como cada veículo trata as imagens, as fotos e, quando é o caso, as ilustrações.

Imagens ruins, ou seja, feias, mal-escolhidas, editadas sem critério informativo e estético, denunciam falta de cuidado na seleção jornalística e artística.

Além de jornalismo, a edição de uma página de internet envolve criação plástica. O patrimônio geral da arte, mas da história da fotografia, e do fotojornalismo em particular, deve ser levado em conta como critério de gosto. Os jornalistas, em nome de sua profissão e do seu compromisso com o leitor, têm a obrigação de observar o legado das gerações anteriores e zelar para não ceder a uma espécie de vale-tudo, em que impera a falta de critério.

No caso do iG, não parece que alguém esteja dando atenção suficiente às imagens publicadas. É o que se pode notar pela seleção de imagens ruins publicadas abaixo. Alguns dos personagens e situações poderiam render imagens muito belas, mas o que o iG publica é sofrível. Há no iG dezenas de profissionais envolvidos com texto. Concentrado em imagens não há nenhum. Isso é uma prática que não condiz com as possibilidades do veículo nem com os interesses dos leitores. Certamente, isso também deve envolver aspectos técnicos, como programas flexíveis para edição fotográfica, e equipamentos.

Na internet, há muitos veículos que demonstram ser conscientes da relevância das imagens. Neles, há uma evidente vigilância contra o caos visual. É preciso seguir o seu exemplo, o que talvez envolva a designação de um editor de fotografias (ou de imagens) para o iG. Um profissional exclusivamente encarregado de zelar para que o internauta receba o que há de melhor para sua informação, aumentando também seu prazer e fidelidade ao veículo.

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O editor secreto (11/12/07)

A automação traz vantagens e riscos. Enviados por agências de notícias, os textos no mundo virtual trilham caminhos automáticos, entram em listas de notícias sem a intervenção humana, e vão ao público sem que o filtro do iG tome conhecimento deles. Nada deveria ir a público sem que um jornalista do iG examinasse seu conteúdo, decidisse e, eventualmente, aprimorasse. Normalmente, graças à padronização do site e à disciplina com que as máquinas funcionam, o leitor nem percebe que está sendo alimentado por uma espécie de robô. Às vezes, porém, isso fica claro. Sem comandos humanos, a máquina embaralha-se. Textos não formatados de acordo com as convenções noticiosas, ou seja, são capturados automaticamente, causando confusão na apresentação gráfica.

Esse tipo de erro ocorre toda semana, por exemplo, na editoria Mundo Virtual, do Último Segundo (a área de notícias do iG). Às quartas-feiras, a Agência Estado, fornecedora de notícias para o iG, divulga uma série de reportagens especiais. Por algum motivo desconhecido a este ombudsman, nessas reportagens o título aparece no iG repetido exata e imediatamente também no primeiro parágrafo. Em seguida, vem o nome do jornalista responsável, a cidade e a data em que o texto foi feito. Tudo assim, um em seguida do outro, sem separação, parágrafo ou recuo (confira na reprodução abaixo). O leitor recebe uma salada confusa, que certamente deixa impressão de descuido com questões de acabamento.

Agora, na época de Natal, há um agravante. A lista de compras. Reportagens dão dicas de produtos e onde adquiri-los. Como a maioria tem site, não é difícil que o segundo parágrafo comece com um ´com.br´, final do endereço divulgado no trecho acima. Talvez a máquina entenda que depois de ponto deva fazer uma quebra de parágrafo. Fica feio e dificulta a compreensão. Há evidentemente algo errado, mas que se repete a cada semana, transmitindo desleixo. Note-se que a exigência aqui é apenas de correção. Nem falo do que seria necessário fazer, como editar uma foto, um infográfico que facilitasse a leitura ou ativar os hiperlinks citados.

E o texto fica assim para sempre na lista de notícias do iG . Pelo jeito, ninguém do iG lê, nem mexe, a menos que a notícia venha a ser destacada numa página de abertura ou algo do gênero. Infelizmente, o problema não ocorre apenas com listas de compras. Hoje, até a nota de falecimento do governador de Roraima saiu como se diz no jargão jornalístico ´empastelada` (confira mais abaixo).

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Mil notícias; quantas versões? (10/12/07)

O Último Segundo publica cerca de mil notícias por dia. Faz jus ao nome: Último Segundo.

As notícias chegam e vão para o ar na hora, muitas vezes sem seleção. Um sistema, que alguns chamam de robô, publica as informações de primeira, do jeito que elas aparecem. O importante é a rapidez.

Em meio a este volume impressionante e à velocidade estonteante, vai de tudo. Há uma quantidade considerável de textos que tratam de um mesmo assunto, com informações contraditórias, às vezes opostas. O leitor pode ficar confuso.

Sobre um fato que o iG noticia hoje, por exemplo, houve até agora, pelo menos cinco versões:

Na primeira, da Agência Estado (11h37), houve um assalto frustrado ao Santander, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Ninguém foi ferido nem preso. Os suspeitos fugiram para a favela de Parisópolis. Não há fonte declarada no texto.

Na segunda versão, da Redação do Último Segundo (13h19), o assalto continua sendo no Santander, mas um suspeito foi ferido e preso. Também não há fonte.

Na terceira, da Agência Estado (13h28), três assaltantes invadiram uma lanchonete. Um segurança da lanchonete escapou e acionou a PM na agência bancária vizinha. Um assaltante foi ferido e preso, um outro foi só preso (não há referência a ferimentos) e o terceiro fugiu. Fonte: Centro de Operações da Polícia Militar

Na quarta, da Agência Estado (14h18), a Polícia esclareceu que o assalto na verdade ocorreu na agência do banco Santander, diante de uma lanchonete. Nesta lanchonete, os assaltantes foram surpreendidos pela polícia, dando início ao tiroteio. Sobre as vítimas, as informações não batem: um dos assaltantes morreu no hospital, outro ficou ferido e um assaltante ´continua foragido´. Não se sabe, pela notícia, se o que fugiu é o ferido ou se haveria um terceiro. Fonte: Polícia Militar.

Na quinta, também da Agência Estado (16h32), o roubo voltou a acontecer em uma lanchonete, o Habib’s, onde os suspeitos fizeram sete reféns. O segurança escapou, e foi ao Santander, que disparou o alarme e chamou a polícia. Um dos suspeitos, ferido, morreu no hospital. Um segundo suspeito se entregou (não se esclarece se este estava ferido ou não). Um terceiro fugiu. Fonte: Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Diante de tantas versões, sabe-se apenas que alguma coisa aconteceu envolvendo lanchonete, banco, assalto e houve ao menos um ferido, provavelmente morto. Imagine isso multiplicado por mil notícias todos os dias.’

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