Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

VOZ DOS OUVIDORES > iG

Mario Vitor Santos

28/08/2007 na edição 448

‘A publicação quinta-feira, 23, das fotos feitas por Roberto Stuckert Filho, do jornal ‘O Globo’, dividiu opiniões. Enquanto todos ouviam, no plenário do STF burocraticamente a longa denúncia e as defesas dos advogados, Stuckert rompeu a rotina. Ele tinha uma missão e a realizou por algumas horas. Da platéia, Stuckert registrou, com teleobjetiva, as telas expostas dos computadores de alguns ministros, flagrando conversas entre eles.

As fotos registram os diálogos eletrônicos entre os ministros Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski pela rede interna do tribunal, enquanto os procedimentos normais do tribunal ocorrem ao fundo. Há diálogos também com assessores sobre os casos em exame, mas reações às articulações para nomeação de um novo ministro, opiniões sobre grupos e simpatias que os ministros têm (ou não) entre eles, um comentário sobre a ascensão social de um dos juízes (não por acaso o único negro) e até uma insinuação de ‘troca’ de votos entre o ministro Eros Grau e o governo Lula em torno da nomeação de um novo membro da corte, que deveria ser investigada.

Houve quem dissesse, como o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que a divulgação das fotos violava direitos constitucionais dos juízes, pois quebrava a sua privacidade. Mas será que um juiz tem direito a essa privacidade quando está em ambiente público, exercendo função pública diante do país, tratando de questões de evidente interesse público, e ainda expõe, mesmo que sem intenção, as dúvidas e os mecanismos da tomada de decisões para o seu voto?

Não ficou claro se ao editar as fotos, ‘O Globo’ fez algum corte suprimindo partes dos diálogos, nem o critério usado, se isso ocorreu. Mas tudo o que aflorou tem relevância para que o público se informe e não se deixe impressionar pela imagem de solenidade, isenção e neutralidade dos tribunais. Não há revelações sobre temas da vida pessoal de cada ministro.

A privacidade dos juízes e de outras autoridades deve ser inviolável em certos casos, que têm a ver com o local, o momento, a pessoa, a função e a natureza do assunto. Os meios de obtenção da informação também são importantes. Nesse caso, foram usados meios aparentemente legais. As fotos foram obtidas sem qualquer obstáculo, nem invasão de recinto privativo do ministro. O tema é relevante. A reação do STF foi grave: a entrada de fotógrafos no recinto foi proibida no dia seguinte. Só trabalharam os do próprio tribunal.

A fotografia jornalística muitas vezes é tratada como ilustração e adorno, como mero complemento ao trabalho, supostamente mais articulado, dos repórteres ‘de texto’. Nas hierarquias, o texto, considerado mais intelectual, suplanta a imagem, vista como mais artística. Neste caso, as fotos do ‘Globo’ trazem em si toda a informação, textual e fotográfica. Um momento especial, em que a imagem já é o próprio relato e vice-versa e o trabalho do repórter ‘de texto’ constitui mero complemento ao faro do repórter fotográfico.

***

Internet é ciência (24/8/2007)

Após criticar o jornalismo cultural do iG, o Ombudsman recebeu a seguinte mensagem, chamando a atenção para outra área:

‘Concordo com o Ombudsman. Falta ao IG, e outros portais grandes, uma melhor divulgação na área de cultura, ciência e conhecimento. Eu levanto o tema ‘Educação e Ciência’. A maioria das reportagens do iG sobre ciência é um apanhado das agências internacionais. Não acrescenta absolutamente nada. O que é publicado no iG já está em todos os portais do Brasil e do mundo. Todos falam a mesma coisa. Educação então, nem se fala. Basta ver o diminuto ícone para Educação na página principal. O internauta gosta de diversão e esporte, claro, mas relegar ao segundo plano Educação, Ciência e Cultura, é menosprezar a inteligência do leitor, que parece agonizar em um mar de futilidades, presentes em todos os segmentos de mídia.’

Lelo Portela

Atendendo à recomendação do leitor, o assunto desta nota são os temas científicos, que no iG dividem um mesmo ‘canal’ com Saúde. O leitor reclama que o iG não tem reportagem de Ciência. Diz que o iG só publica material das agências de notícias. De fato, a queixa pode ser comprovada pela lista de notícias sobre o assunto publicadas hoje e ontem. Das sete notas publicadas em cada dia, nenhuma foi produzida pela redação do iG. Todas vieram de agências. Essas notícias estão disponíveis também em outros sites que adquirem material dos mesmos fornecedores. Sem apuração própria de informações, o iG perde boa parte da matéria bruta que lhe daria chance de estabelecer um diferencial em relação à concorrência. A competição se enfraquece.

Blogs e sites parceiros contribuem para a qualidade do portal Tecnologia e do canal Mundo Virtual.

Ciência é um assunto que desperta enorme curiosidade. Gente muito séria acha que é o assunto mais importante nessa era dominada pela tecnociência, com seu vasto e crescente poder de alterar as formas de viver e pensar. Num grande portal então, a ciência ligada à tecnologia é assunto indispensável. Ciência influencia a cultura, a ética, a economia, a internet. Infelizmente, porém, o assunto não é objeto de um tratamento caprichado e meticuloso no iG. Confira, por exemplo, a reportagem sobre ‘experiência fora do corpo’, enviada pela agência espanhola Efe, mas não destacada no iG. A notícia, baseada em estudo publicado na revista ‘Science’ foi divulgada pela Efe às 7h28 da manhã de quinta-feira passada (23). Deve ter entrado pelos canais da editoria de Mundo e não foi ao ar nem em Ciência nem em local algum do iG. A reportagem descreve um experimento de visões e sensações ‘fora do corpo’, induzidos por câmeras e sensores. Se a mesma notícia não tivesse sido destacada em outro site e nos jornais de sexta-feira, provavelmente ninguém, incluindo este ombudsman, iria saber que a reportagem da Efe, cujos serviços o iG assina, também havia passado pelo iG.

O iG, então, não está dando o devido valor ao que recebe. Notícias relacionadas a Ciência e Saúde às vezes ficam perdidas em outros locais. Durante esta semana, o número de notícias do canal de Ciência e Saúde variou de cinco a 12 por dia. Nesta quarta-feira, somente sete notas entraram na lista da capa do canal de Ciência e Saúde, que tem nove locais (títulos) para destaque. Na quinta, o mesmo problema. Enquanto concorrentes possuíam cerca de 14 reportagens em suas respectivas editorias de ciência e saúde (contando material próprio e de agências), o iG tem apenas sete.

O resultado disso é que, por falta de opções, às 17h30 desta quinta-feira, o canal ainda destacava uma notícia do dia anterior (‘Achado fóssil de macaco com 10 milhões de anos’). Alguns dos outros destaques, inclusive, têm uma pertinência duvidosa, como é o caso da foto que fala do terremoto no Peru e do surgimento de epidemias como uma das possíveis conseqüências. O assunto é de Mundo ou de Saúde? A dúvida é tanta que, apesar de estar na foto de Ciência e Saúde, o texto continua hospedado na editoria de Mundo.

Capa de Ciência e Saúde de quinta-feira, com notas do dia anterior e de importância duvidosa para o canal

O que melhora a situação é a existência do canal Mundo Virtual e o portal de Tecnologia. Ambos, que têm como foco notícias ligadas a computadores, internet e telefonia, publicam material de parceiros, o que aumenta a quantidade de notícias. Mas, em função da dependência das agências internacionais, a significativa produção científica nacional recebe pouca atenção do iG.

As notícias até chegam, como a de hoje de que a Universidade de São Paulo (USP) testará uma nova técnica para transplante de medula, mas a presença de material nacional significativo depende quase exclusivamente de apenas um fornecedor. É pouco.

***

Em manutenção (23/8/2007)

A respeito da nota ‘Falta rapidez’, sobre os problemas do iG na cobertura em tempo real, este ombudsman recebeu (e agradece) a seguinte mensagem do diretor de Conteúdo do portal, Caique Severo:

‘O iG teve problemas técnicos nos seus sistemas de publicação na tarde desta quinta-feira. Isso dificultou a publicação de atualizações não só sobre o ‘julgamento do mensalão’ mas também sobre todos os assuntos. Alguns dos sistemas já voltaram a funcionar normalmente, mas ainda temos erro no sistema chamado de ‘tempo real’. Nossa equipe técnica está trabalhando no problema.’

Caique Severo, diretor de Conteúdo

Ponto para o iG

É importante registrar com alegria a evidente melhora nas traduções nos textos do New York Times publicados pelo iG. O leitor sai ganhando. Clique e confira.

Falta rapidez

Daqui a 6 minutos completa uma hora que a página ‘Tempo Real’ do ‘julgamento do mensalão’ não é atualizada. Nesse tempo, pelo menos três ministros anunciaram seus votos, aceitando a denúncia. O ‘Tempo Real’ do Último Segundo tem que fazer jus ao nome.

iG apresenta suas razões

A respeito da nota publicada ontem sobre problemas na transmissão ao vivo do ‘julgamento do mensalão’, a editora-chefe do Último Segundo, Mariana Castro, enviou a seguinte mensagem:

‘Caro Mario Vitor,

Sobre o post da transmissão do Último Segundo: a manchete era genérica, mas o usuário podia acompanhar todos os fatos relevantes no tempo real, página para publicação de notas minuto a minuto, atualizada ao longo do dia.’

‘Por problemas técnicos, o sinal da TV Justiça no MegaPlayer ficou instável e depois caiu. Tentamos resolver o problema, mas como o sinal não voltou a legenda mudou e o ‘acompanhe ao vivo’ foi retirado do texto.’

‘No link da TV Justiça não passou o programa ‘Intocáveis’, como você cita. O link da TV Justiça estava certo, mas quando o sinal voltou, o primeiro vídeo da playlist – lista de vídeos – era o do ‘Intocáveis’, daí a imagem do ‘diabo’. O sistema da playlist vai ser alterado, para que o usuário veja apenas os vídeos que ele escolheu assistir.’

Mariana Castro, editora-chefe do Último Segundo’

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