Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > iG

Mario Vitor Santos

11/09/2007 na edição 450

‘A respeito dos problemas citados abaixo, a direção do iG fez a seguinte declaração:

‘1 – Impossibilidade de acesso ao iG pelos clientes Speedy’

‘No dia 22/08/2007, quarta-feira, alguns segmentos da rede IP do nosso provedor tiveram problemas técnicos. Para garantir a continuidade do serviço e preservar informações confiadas por clientes e parceiros revisamos a política de roteamento e priorizamos a autenticação de serviços de acesso. O problema ocasionou um aumento substancial na demanda de dados na rede da Telefonica, afetando todos os usurários do iG no Estado de S. Paulo. O iG não divulga a quantidade de usuários por região.’

‘2 – Lentidão no carregamento da página e na navegação’

‘No dia 03/09, alguns servidores do provedor iG (não incluindo BrTurbo e iBest) também tiveram problema com um aumento significativo de tráfego na nossa rede local em São Paulo e nos links de acesso à Internet, fazendo com que os equipamentos bloqueassem determinadas redes, impactando a performance do site do iG e impedindo dados de conteúdo chegar aos usuários durante a maior parte do dia. Usuários do Speedy, em São Paulo e do Velox, no Rio de Janeiro, não foram afetados. Foram afetados somente os usuários da região que engloba a Brasil Telecom e usuários de outras redes como Embratel (NET) e Intelig. O problema foi sanado por volta das 21 horas. A ‘percepção’ do problema pode ter perdurado até o dia 4/9/07 porque há uma demora para que o tráfego se reequilibre e volte à normalidade.’

Agradeço a manifestação do iG. Minha recomendação neste caso é, como se pode ler abaixo, que os internautas sejam avisados da maneira mais explícita possível, sempre que houver problemas importantes no serviço.

Pane e transparência

Nos últimos dias, os portais iG, BrTurbo e iBest, até onde este ombudsman pôde apurar, além da conexão iG-Speedy, sofreram diversos problemas de lentidão e de dificuldade na navegação e no acesso. Os e-mails gratuitos que ainda não foram migrados para a plataforma Google também foram motivo de queixas.

As áreas afetadas estão, certamente, realizando esforços para resolver estes problemas. O que mais merece críticas, porém, é a falta de comunicação com o internauta.

iG, BrTurbo e iBest deveriam anunciar com destaque e rapidez, nas capas dos respectivos portais, o que está havendo. Seria medida de respeito aos clientes que vivenciam, então, dois problemas: falta de acesso e dificuldade para se comunicar com o serviço de atendimento.

***

Quando o leitor é ombudsman (4/9/2007)

O desejo de que o iG apresente um serviço de qualidade é muito grande entre os internautas, a julgar pelo caso exemplar do engenheiro Djalma Schwindt, que leu o Manual do Último Segundo (serviço noticioso do iG), publicado recentemente, e tomou a iniciativa de escrever a seguinte mensagem apontando erros sérios em uma reportagem sobre o choque de trens no Rio.

Diante da decepção com uma reportagem mal-escrita e confusa, Schwindt não ‘trocou de canal’, como é tão comum quando algum serviço decepciona. Ele encarou o problema e deu-se ao trabalho de listar as imperfeições elementares do texto do iG. Depois, enviou para o ombudsman. Veja:

‘Bom dia.

Não sei este assunto é tratado com você (desculpe a intimidade). Fiz o download do Manual do Último Segundo. Muito bom e interessante. Vou utilizá-lo. Não sou jornalista. Sou engenheiro e gosto muito do nosso português e admiro muito técnicas que nos orientam a redigir de forma clara, correta e objetiva. Hoje eu estava lendo, no Último Segundo, a notícia sobre os trens que se chocaram no Rio de Janeiro. Surpreendeu-me a forma confusa em que esta notícia está redigida, indo de encontro aos objetivos expressos no manual. Se me permite uma análise, a notícia começa com:’

‘Conclusão é que um trem, sem passageiros, fazia uma ultrapassagem quando foi atingido por um trem com passageiros.’

‘Em seguida vem o texto:’

‘No texto, ‘Ele’ é o técnico que estava no trem vazio que estava, agora sabemos, em teste. A informação que o trem desviou para ultrapassar deve ser melhor esclarecida pois um trem não é como um carro que ‘dá seta’ e sai pela esquerda. O desvio é controlado por uma central. Não é o maquinista que resolve mudar de linha.’

‘Em seguida vem mais um trecho:’

‘No trecho, conclui-se que o maquinista do trem de passageiros queria chegar à chave que o levaria de volta ao trilho original? Quem desviou afinal? Qual trem deveria voltar ao trilho original? Está confuso.’

‘No segundo trecho destacado, o texto estruturado desta forma dá a entender que, segundo o técnico, o trem atingiu a outra composição. Afinal, onde estava o técnico?’

‘Outro trecho:’

‘Os verbos são ‘havia acabado’ e ‘passam’. Acho que tem algo errado aí.’

‘Ainda em outro trecho:’

‘Há erros de gramática que levam a conclusões errôneas. Não nesta frase, que expõe algo bastante simples, mas, em outras frases, podem confundir bastante. O que ‘contribuiu’ (singular) para o acidente? O termo ‘a falta’? Mas como fica a expressão ‘o excesso de trabalho’? Parece que o certo é ‘contribuíram’, no plural. O que ‘contribuíram’? A falta de conservação dos trilhos, de sinalização e o excesso de trabalho dos funcionários. Portanto a falta … e o excesso … contribuíram.’

‘Não quero ser pedante, somente esclarecer como se pode concluir erradamente os fatos quando erradamente expostos ainda mais diante da preocupação com a linguagem clara e correta. Obrigado e um grande abraço’

Djalma

O iG deve usar a mensagem do leitor como um estímulo a adotar padrões rigorosos de qualidade na redação de textos absolutamente inteligíveis, e que haja controle disso antes da sua divulgação. O fato é que parece haver erros graves nesses controles. É essencial que o Manual de Redação agora publicado seja mais do que uma lista de intenções. O ‘livrinho’ tem que ser usado. Só assim o iG estará à altura das expectativas – e do esforço- de leitores como Djalma Schwindt.

***

Todos os lados, todos mesmo (3/9/2007)

O iG divulgou na quinta-feira que a Justiça norte-americana negou ao grupo Opportunity, de Daniel Dantas, o direito de retornar ao comando da empresa de telefonia Brasil Telecom, proprietária deste portal. A decisão, em segunda instância e praticamente irreversível, vai contra recurso solicitado pelo Opportunity depois que a Justiça dos Estados Unidos considerou ilegal e ‘antiético’ o contrato que dava ao grupo de Daniel Dantas o comando da administração da Brasil Telecom. A decisão também foi coberta por Samuel Possebon, da Teletime. Veja a reportagem aqui.

O texto do Último Segundo traz a assinatura ‘Da Redação’, ou seja, algum jornalista do portal provavelmente recebeu a incumbência de redigi-lo. A reportagem, porém, não ouviu todos os lados envolvidos no assunto. Só foi abordada a decisão da Justiça americana, que dá ganho de causa à Brasil Telecom. O texto faz ainda uma remissão para a íntegra da decisão da Justiça dos EUA, ou seja, para a sentença em inglês. Não há menção a qualquer tentativa de contato da Redação do Último Segundo com Dantas, ou seja, com o ‘outro lado’ dessa notícia. A Brasil Telecom também não foi ouvida.

Será que Dantas – e o grupo Opportunity – teriam algo a dizer sobre o assunto? Será que prefeririam se calar? A resposta está na Folha de S.Paulo, que também cobriu o tema (leia aqui) e ouviu o ‘outro lado’, o de Dantas, mas também não ouviu a Brasil Telecom. O texto não informa se tentou ouvir a empresa. A Justiça norte-americana baseia sua decisão no argumento de que os demais sócios da Brasil Telecom (fundos de pensão e o Citigroup) não sabiam de todos os itens do contrato que dava o comando ao Opportunity. Na Folha, lê-se que Dantas declara contestar essa afirmação. Segundo ele, o Superior Tribunal de Justiça do Brasil, ao contrário do tribunal dos Estados Unidos, considera válido o documento apresentado pelo grupo.

O iG como veículo pode até explicitar qual a sua visão a respeito de quem tem a razão nessa disputa. É um direito de qualquer veículo. O que se cobra aqui, porém, é que todos os lados sejam sempre ouvidos quando se faz uma reportagem. Mesmo, e talvez ainda mais, quando estão envolvidos os interesses dos proprietários do veículo. A transparência é testada justamente nessas horas.’

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