Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

VOZ DOS OUVIDORES > iG

Mario Vitor Santos

02/09/2008 na edição 501

‘Uma mudança poderia ajudar o jornalismo do iG a exibir mais vibração e atender mais completamente os interesses do seu público. A capa do iG e do Último Segundo (a área jornalística do iG) deveriam exibir o horário da última atualização das notícias mais quentes, aquelas que estão em desenvolvimento e por isso são acompanhadas com mais freqüência.

A prática é habitual nos grandes veículos jornalísticos de internet no mundo e pode ser confirmada agora, quando os portais americanos acompanham o desenrolar da tempestade seguida com mais atenção, antecipação e com maior carga político-eleitoral da história, o furacão Gustav.

Muitos desses veículos destacam junto aos títulos de capa, em vermelho, mensagens informando ‘5 minutos ago’ ou ‘52 minutes ago’. Outras aparecem com um selo ‘updated’ (atualizada) ou ‘new’ (nova). Informar sempre de mudanças e atualizações satisfaz e alimenta os leitores, cria vínculos com os internautas que desejam sempre saber do que está ocorrendo agora.

Acho que não há razão técnica para que o Último Segundo, o veículo jornalístico do iG, deixe de trazer junto a suas manchetes, títulos e destaques de capa o horário de suas últimas atualizações dos textos ou, o que seria melhor, o tempo decorrido depois da última atualização.

O site já informa o horário de atualização na abertura interna de cada texto. Colocá-lo na capa faria jus ao compromisso de agilidade expresso pelo nome Último Segundo. Na internet, o tempo, que faz toda a diferença, deve ser sempre uma presença anunciada.

Além disso, vale acompanhar a intensidade da cobertura do Gustav na internet. É grande o número de câmaras disponíveis para que o internauta siga material das TVs não editado, ao vivo e ao ar livre, gerado em diversas cidades afetadas pela tempestade. Exemplos: Fox News e MSNBC.

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O outro lado da guerra da Ossétia (29/8/08)

Para conferir uma visão diferenciada da guerra entre a Geórgia e a região Ossétia do Sul, considerada ‘separatista’ pela quase totalidade dos meios de comunicação, vale dar atenção a uma reportagem publicada pela revista alemã ‘Der Spiegel’, cuja tradução foi publicada pelo UOL.

Diz o enviado especial da Spiegel, Uwe Klussmann, que ‘qualquer um que queira saber o valor da palavra do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, basta olhar para a capital da Ossétia do Sul’:

‘Saakashvilli estava na capital da Geórgia, Tbilisi, e disse que tinha ‘dado a ordem muito dolorosa de não reagir com fogo’ se os ossetianos do sul atirassem contra as forças de segurança da Geórgia. (…) Horas depois, bombardeios de artilharia reduziram os prédios a ruínas, destruíram carros e transformaram os jardins em buracos.’

Segundo o repórter, ‘os ossetianos do sul não conseguem entender as pessoas que os chamam de ‘separatistas’’:

‘Eles dizem que nunca romperam com a Geórgia porque nunca se uniram ao novo país quando foi formado após o colapso da URSS. É impossível encontrar qualquer um nesta parte do mundo que imagine seriamente o território como parte da Geórgia no futuro. O que o mundo está rotulando como ‘separatismo’ de fato é o desejo de autonomia de um povo pequeno que foi dividido contra seus desejos.’

‘Nos tempos soviéticos, a Ossétia do Norte – hoje parte da federação russa – e a Ossétia do Sul eram divididas apenas por uma linha administrativa invisível. Desde 1992, contudo, uma fronteira nacional passou a separar irmãos, irmãs, pais e filhos. Tentativas violentas de nacionalistas georgianos de suprimir os ossetianos do sul levaram o povo da montanha a se refugiar dentro de uma república não reconhecida, como se fosse uma trincheira.’

A reportagem afirma que, contra os militares e artilharia georgianos, a Ossétia do Sul contava somente com um ‘exército’ de adolescentes:

‘No dia 8 de agosto, grupos de jovens ossetianos, alguns deles com apenas 16 anos de idade, atacaram os tanques georgianos com bombas de petróleo. Os rapazes pegaram rifles Kalashnikovs em arsenais escondidos e combateram os georgianos em grupos ou sozinhos.’

‘Eles rapidamente compreenderam que não estavam enfrentando apenas ‘meia dúzia de separatistas’, como tinha alegado Saakashvili. A atitude dos jovens da Ossétia do Sul pode ser resumida pelo que disse a estudante Julia Beteyeva, da Universidade de Tskhinvali, ao Spiegel, em junho de 2004: ‘Só poderão tirar nossa república nos matando.’’

O lado humano do conflito também é destaque no texto da revista alemã:

‘Hoje, Georgi Bagayev, 70, não está muito preocupado com a situação do governo. Quando ele abre a porta que até o dia 7 de agosto conectava sua cozinha com a sala de estar, ele vê uma pilha de destroços.

Uma bomba destruiu a parede externa, e a sala está cheia de destroços e roupas, além de uma foto de sua neta de cinco meses, Alana. A menina sobreviveu ao ataque em sua cidade natal. Ela foi evacuada para segurança da Ossétia do Norte pouco antes do início da guerra.’

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TSE julga a liberdade política na internet (28/8/08)

A decisão que o Tribunal Superior Eleitoral começa a julgar hoje tem grande relevância para a internet e a democracia no Brasil. A corte vai decidir se libera a internet brasileira como instrumento livre para a difusão de propaganda dos candidatos em eleições aos cargos públicos. Isso já é muito importante para a democracia, mas muito mais está em jogo.

Desde seu nascimento, a rede criou-se como uma espécie de território livre para a expressão das idéias. Sua existência veio concretizar uma antiga utopia democrática: a de que todos um dia poderiam se expressar com mínima igualdade de condições, independentemente de nível de renda, posse de patrimônio, acesso a grupos poderosos e ideologias.

A rede sempre abrigou os grupos mais criativos, alternativos e solitários. Cresceu cultivando a igualdade, a solidariedade e, principalmente, a liberdade. A web surgiu dando espaço a quem não tinha e dando vida ao ambiente sufocado da indústria da comunicação. Foi apropriada pelos jovens, pelos de menor renda e pelos alternativos.

O TSE também estará julgando então a possibilidade de uma nova atitude cultural e política poder ser abrigada pela internet brasileira e – mais importante- pelo sistema democrático brasileiro. Estará julgando se esse novo cidadão dessa nova sociedade será respeitado como sujeito pleno e sem tutelas autoritárias.

Toda liberdade traz o risco de abusos, para os quais a lei já prevê punições. Os tribunais e a sociedade vigiam e cobram punições necessárias. A condenação ética, e o descortínio do eleitor também se incumbem de cercear as tentativas de manipulação.

São, como disse, grandes temas em jogo.

Vale ressaltar a posição corajosa, ativa e cívica desempenhada pelo iG ao questionar a legalidade das restrições à propaganda eleitoral na internet. O iG assume com isso grandes responsabilidades públicas. Supera velhos complexos de inferioridade desse setor da comunicação em relação aos ramos mais tradicionais quanto à sua relevância e institucional. Indica que não se preocupa apenas com um desempenho bem-sucedido no terreno privado, mas assume inteiramente seu papel social. Luta pela promoção de valores maiores que definem os limites e dão conteúdo à existência do setor de comunicação – tão essencial à democracia – do país inteiro. Faz muito bem ao agir assim.

Que seja o ponto de partida para novas atitudes nesse mesmo terreno, promovendo a liberdade, a ética e a qualidade em todas as áreas de sua atuação, inclusive no seu jornalismo. Dá hoje um excelente passo.

Não estão em jogo só os interesses de um grupo, mas um surto censório que afeta um raio bem mais amplo do que apenas a internet. Cabe ao TSE decidir se a democracia no Brasil vai sobreviver às enormes pressões que pairam sobre ela nesses tempos.

Editorial

O tom editorial da nota acima reforça a necessidade de o iG e a internet competirem com os veículos tradicionais também no terreno da opinião, assumindo um posicionamento diante dos diversos temas públicos em permanente discussão e assumindo, com franqueza diante da sociedade as idéias em que acredita e que norteiam seu trabalho informativo.

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O clima no iG deve melhorar (27/8/08)

O jornalismo sobre meteorologia avançou muito nos últimos anos. À medida que foram incorporadas novas tecnologias, o tempo virou objeto de cobertura especializada, intensa e obrigatória. Não há grande veículo de comunicação moderno, especialmente os eletrônicos, que deixe de trazer uma boa previsão e um acompanhamento detalhado do tempo.

Os telejornais têm hoje verdadeiras editorias dedicadas ao tempo. No rádio, são feitas atualizações a cada meia hora. Jornalistas viraram moças e rapazes do tempo. Os gráficos, mapas e fotos de satélites são cada vez mais completos e imediatos.

No iG, as informações do tempo ainda têm importância restrita. A situação só muda quando ocorre um fato extraordinário. O portal destaca, por exemplo, o comportamento das bolsas e o estado de outros índices econômicos, minuto a minuto, na capa. Já a situação do tempo, que interessa a bem mais gente, não recebe a mesma atenção editorial. Não é prioridade.

O leitor interessado, porém, consegue encontrar com relativa facilidade as notícias. O iG tem uma área dedicada ao assunto. Traz as informações habituais, sobre as temperaturas máxima e mínima, uma pequena descrição do clima, além de detalhes sobre condições climáticas nos aeroportos e previsão de ondas nas praias.

Não há, porém, acompanhamento mais rigoroso da situação de outros indicadores, como a umidade do ar, a poluição ou o índice de raios ultravioleta, informações relevantes num inverno especialmente seco em vasta área do país. As reportagens são raras. É mais fácil obter informações sobre um furacão que ameaça passar pelos Estados Unidos do que sobre detalhes climáticos importantes relativos ao Brasil.

Em época de mudanças climáticas e grande atenção a tudo que tenha a ver com o ambiente no planeta, é obrigatório dar mais atenção ao jornalismo sobre o tempo. Já está na hora de aumentar o destaque fixo para clima na capa do portal – cobrança deste blog em setembro de 2007 e hoje restrito a um link no menu lateral. O iG poderia ter uma ‘pessoa do tempo’ virtual, um personagem que anunciasse o estado e as previsões para os leitores. Muito pode ser feito.

O clima não pode ser notícia somente durante enchentes, temporais, secas ou nevascas. É uma informação relevante para qualquer internauta e, dentre todos, o assunto mais democraticamente compartilhado.

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Esporte responde: iG foi, sim, crítico nos Jogos (26/8/08)

Recebi do editor de Esportes do iG, Gian Oddi, a seguinte resposta, pela qual agradeço, à avaliação que fiz da cobertura dos Jogos Olímpicos no iG:

‘Compreendo que a cobertura de uma Olimpíada, tendo a obrigação de noticiar com destaque a conquista de medalhas por parte dos atletas brasileiros (assim como sua repercussão), possa passar a impressão de ufanista. Mas posso garantir que tentamos ao máximo, durante esses 16 dias de Jogos, fugir desse mal tão comum na imprensa esportiva brasileira.

Cito alguns exemplos:

No dia 23, um antes do fim dos Jogos, nossos enviados a Pequim foram pautados para fazer uma reportagem cujo título foi ‘Atletas demais, medalhas de menos. Trata-se de uma comparação da média de ‘medalhas por atletas’

Também nos rendeu críticas (justamente de leitores ufanistas), a simples constatação de que o Brasil poderia ser superado por sua arqui-rival esportiva Argentina no quadro de medalhas, conforme matéria publicada no dia 20.

A reportagem ‘Quanto vale uma medalha de ouro no Brasil, se não é uma critica direta ao COB, evidencia a falta de uma política de premiação que inclua todos os esportes olímpicos e mostra a discrepância de prêmios entre uma modalidade e outra.

Nesta segunda-feira, um dia depois do fim das provas esportivas, tivemos tempo de produzir ainda outras duas reportagens de teor crítico. A primeira, uma constatação, através de comparações, de que a euforia criada com os Jogos Pan Americanos não passou de mera ilusão.

A segunda, um consolidado com as justificativas inusitadas usadas pelos atletas brasileiros após as derrotas.

Cito ainda o blog do Flavio Gomes, um dos nossos enviados a Pequim, cujo senso crítico e a aversão àquilo que ele mesmo chama de torcedor ‘Pachecão’ foram dois pontos marcantes.

São alguns exemplos. Há outros, de produção própria ou de agências, que também foram destacados. E, claro, como foi colocado, ainda há muito que fazer nesse sentido. Mas espero, com estes exemplos, ter ao menos diminuído a sensação de que a cobertura do iG, por noticiar com destaque os feitos inéditos de alguns atletas brasileiros, tenha caído na vala comum do ufanismo.’

Sem querer contestar as observações do editor, gostaria de anotar as seguintes observações:

1) Na minha opinião, as reportagens citadas, de fato valorosas, não foram suficientes para equilibrar a cobertura, pois foram menos destacadas comparado às matérias ‘ufanistas’.

2) A primeira reportagem citada (‘Atletas demais, medalhas de menos’) compara o Brasil com países que levaram menos atletas. Muita matemática e pouca crítica.

3)A segunda compara Brasil e Argentina. A rivalidade entre os dois países não, necessariamente, é parâmetro para avaliar o desempenho dos brasileiros.

4)A terceira reportagem – muito interessante, por sinal – fala de premiações dos atletas, mas não de desempenho. O que quer dizer? Que falta incentivo aos atletas? Se fosse assim, a seleção de futebol masculino já não teria conquistado o ouro?

5) A do Pan traz dados pertinentes, mas, como ela própria afirma, os resultados dos atletas na competição do ano passado são ‘ilusão’. O que há de real sobre o desempenho nas Olimpíadas, com provas mais difíceis e mais competidores?

6) A reportagens com as desculpas dos atletas é interessante, leve. Mas o iG apenas os ouve. É bom reproduzir as justificativas absurdas, como o iG fez. Mas é possível fazer mais. Falar a sério e de maneira concentrada (isso deveria ser resolvido na edição, talvez com um especial voltado para este assunto) sobre o mau desempenho do Brasil em Pequim.

É uma maneira de fechar, de verdade, este ciclo jornalístico e fixar um padrão de distanciamento para as coberturas do futuro. O lado bom do jornalismo é que ele não termina no fato, mas na reflexão sobre ele.

Blogs e BliG: novidades e problemas

O iG apresentou hoje uma novidade em sua navegação. Não existem mais ‘abas’ na caixa principal da capa e o internauta é direcionado às páginas completas das editorias como Gente, Esportes, Economia, Games, Música, Celular, Vídeos e Blogs.

Este último item ganhou uma página nova, muito mais completa, com destaques mais caprichados para os blogueiros do portal. No menu do lado esquerdo da capa do iG, na caixa de blogs e colunas e no menu no pé da página, no entanto, os links ainda levam para o índice antigo. Desatualizada, a página mostra blogs inativos e colunistas que já não estão mais no iG – como é o caso de Paulo Moreira Leite.

A capa do iG – com mudanças bem-vindas – é área nobre, de alta visitação, não pode misturar novidades com descuido.

O índice de blogs antigo e o novo

Mais uma vez, o BliG

Já há duas semanas, os internautas que usam o BliG têm enfrentado problemas para postar e atualizar seus blogs. Ontem e hoje, leitores, blogueiros da casa – como este ombudsman – enfrentaram de novo instabilidade da ferramenta. Blogueiros agem corretamente ao comunicar os leitores a respeito dos problemas:

Vamos torcer para que as transferências dos blogs para a nova plataforma ocorram com rapidez e sem novos problemas.’

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