Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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VOZ DOS OUVIDORES >

Mario Vitor Santos

21/10/2008 na edição 508

‘O novo canal de vídeos do iG, a TV iG, lançado na terça-feira, é um bom avanço do portal na direção de tornar-se realmente multimídia. Sendo compatível com iPhone, parece ter superado problemas de acesso, velocidade e compatibilidade que incomodavam quem usava o antigo ‘Megaplayer’.

Se essa limitação está de fato resolvida, trata-se de um grande avanço.

A partir de agora, será necessário dar atenção ao conteúdo, o que é uma tarefa importante e muito extensa, para a qual serão necessários aperfeiçoamentos estruturais. É importante providenciar condições para que a produção e gestão do conteúdo se desenvolvam de forma harmônica e consistente, sem que o aumento dos recursos ponha tanta sobrecarga na estrutura que ela não consiga dar conta do trabalho com qualidade ao longo do tempo.

É preciso alimentar a mídia criada com variedade, atualização e qualidade de imagem e de informação.

A TV iG é um passo importante, mas só um passo. Agora o trabalho aumenta para avançar com segurança no universo multimídia que a internet permite.

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Muitos acertos e alguma parcialidade (16/10/08)

O acompanhamento do debate entre John McCain e Barack Obama feito pelo iG e por seu enviado especial na noite de ontem justificou o investimento. Se no começo a cobertura dedicou-se a cobrir do batalhão de jornalistas que foram ao evento, horas antes do debate surgiram os pontos realmente relevantes da eleição nos EUA.

As entrevistas feitas com governadores de estados americanos, com manifestantes e defensores de Obama e de McCain enriqueceram o pré-debate e trouxeram ângulos importantes, como a relevância do Brasil para o candidato democrata, por exemplo.

O predomínio de Obama no número e foco de notícias do iG, no entanto, indica um certo favorecimento ao candidato democrata. Em sua cobertura, por exemplo, o editor do blog Fronteira Livre e do canal Mundo, ainda não abordou os simpatizantes de McCain. Agora que as pesquisas indicam provável vitória do democrata é ainda mais importante conservar o equilíbrio, equidistância e o pluralismo na cobertura jornalística.

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Debate (15/10/08)

O ombudsman participa hoje de um debate sobre espetacularização da mídia na Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho, em São Paulo, no lançamento da revista MSG.

Crise, urgente

O iG não pode deixar que a permanência da crise num nível muito profundo ao longo de semanas e meses o leve a desistir das coberturas especiais quando a crise atingir patamar de gravidade tão acentuado como o que acontece hoje. É preciso insistir nas análises, nos chats, criar um hotsite sobre o assunto e reservar espaço nobre nas capas, a altura do momento. O desafio é conseguir acompanhar com consistência uma crise tão longa e devastadora.

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O iG respira o mesmo ar que McCain, Obama e o exército da mídia (14/10/08)

A três semanas das eleições, o iG tem afinal um enviado aos Estados Unidos. O jornalista Leandro Meireles Pinto levou seu blog ‘Fronteira Livre’, da editoria internacional do Último Segundo, para Hempstead, (NY) onde acontece o último debate entre John McCain e Barack Obama.

Diante de todo o exagero da cobertura do bate-boca entre candidatos, sobram muitos temas significativos a ser explorados. Mas isso é mais complicado, faltam recursos e prioridades para exames mais técnicos em detalhes, a complexidade do governo real não chega a emergir durante a campanha. A campanha é uma espécie de excitação anestesiada.

O que falta ao iG é conseguir um aprofundamento mais detalhado dos temas do dia. Candidatos, jornalistas e leitores parecem aliados na manutenção do debate num nível pouco informativo de fato. Falta checagem das declarações de Obama e McCain, por exemplo. Falta conduzir reportagens para esclarecer propostas específicas sobre temas que importam. Falta escapar da barreira de acusações e factóides criados por ambas as campanhas para alimentar manchetes viciadas nos golpes e contragolpes morais.

A oposição fundamental é entre campanha e governo. Essa disjunção é um problema estrutural da democracia, que o jornalismo não elimina. É parte fundamental da maquinaria que permite que sejam estágios diferentes e esquizofrenicamente desconectados. Publicidade eleitoral não tem nada a ver com o que é realizado após a vitória. Desde a eleição, não existe controle do povo sobre o governo. A atitude geral aceita e estimula isso. A democracia engana.

O acompanhamento analítico tem sido feito por Caio Blinder e Gerald Thomas. Além disso, o iG serve diariamente a dieta de notícias da BBC, New York Times e agências internacionais. Faltava então um enviado especial.

Até agora, o trabalho de Leandro Pinto tem sido o de documentar episodicamente os próprios passos, entrevistar um personagem quase anônimo com quem se encontra, o jornal que chega sob a porta do quarto do hotel. É uma espécie de diário mais voltado para suas interações pessoais com o ambiente: a sala de imprensa vazia, o ônibus da CNN quase vazio, a aparência de certos trechos externos repletos apenas de cartazes de candidatos, a grama bacana do campo de futebol vazio. O foco não está nos candidatos nem nos temas, mas nos locais e nas coberturas dos outros.

O tom é legítimo, mas demanda muito faro e capacidade de conseguir transformar o banal e o pessoal em evento significativo, mantendo o fato político como uma espécie de palco ao fundo, onde uma outra cena se desenrola. O grande fato tem que ser coberto. A ‘feature story’, ao lado dele, também. Isso exige equilíbrio, espontaneidade, dom natural e habilidade técnica de jornalista escritor, que o iG tem procurado refinar nos últimos tempos.’

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