Mario Vitor Santos | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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VOZ DOS OUVIDORES > iG

Mario Vitor Santos

02/12/2008 na edição 514

‘Recebi a seguinte mensagem da editora chefe do Último Segundo, Mariana Castro:

‘O post sobre as chuvas em Santa Catarina está equivocado e injusto. Sábado e domingo o assunto foi destacado na home do iG. Além disso, a nota que você diz ‘ser pobre’ não esteve na home:

‘O relato das chuvas começou bastante fraco, já no sábado, com a nota de alerta às defesas civis. No domingo, com a situação já crítica, a nota de maior destaque era pobre.’

As que destacamos tinham fotos, vídeo e informações atualizadas:

Total de mortos em SC sobe para 20, diz Defesa Civil

Governador de SC pede ajuda a Estados do sul após deslizamentos

Para esclarecimento, domingo o tema foi manchete do iG, com várias informações distintas. Algumas das manchetes que passaram pela capa do Portal:

‘SC pede ajuda a Estados do Sul após deslizamentos’

‘Total de mortos em SC sobe para 11, diz Defesa Civil’

‘Sobe para 14 o número de mortos em Santa Catarina’

‘Governador pede ajuda a Lula; 16 pessoas morrem’

‘Governador pede ajuda a Lula; 20 pessoas morrem’

‘20 pessoas morrem e 250 mil ficam sem energia em SC’

O assunto também foi publicado no flash da home:

‘Temporais causam oito mortes em Santa Catarina por soterramento’

‘SC pede ajuda a Estados do Sul após deslizamentos’

‘20 pessoas morrem e 250 mil ficam sem energia’

Sábado, quando o governador de Santa Catarina decretou estado de calamidade no Estado, a notícia também ganhou destaque na home.’

De fato, este ombudsman errou porque não tem elementos para contestar as informações da editora Mariana Castro. Não fotografou as páginas a que se refere.

O sistema de busca (mesmo com o ‘Leia mais’ no final das notas) não traz nenhuma notícia sobre Santa Catarina. Sobre a nota de domingo, considerada fraca no post anterior, ela foi a única que mereceu remissão em todas as notas principais, de segunda em diante. Já que havia notas completas desde o princípio da cobertura, estas deveriam constar na lista de links de todas as notas posteriores.

***

Kotscho errou e corrigiu, mas checagem tem que melhorar (27/11/08)

Em dois posts nesta semana, o jornalista Ricardo Kotscho fez a correção de uma notícia sobre um juiz de Ponta Porã que condenou 114 traficantes e por isso vinha sendo ameaçado de morte. No entanto, como o próprio Kotscho assinalou após a primeira publicação, ‘a história contada é antiga e esta situação já não existe mais’.

Mais tarde, o jornalista divulgou nova nota em que assumiu sua precipitação por não ter checado a data do ocorrido antes de publicá-lo.

Hoje, Kotscho afirma que a história em Ponta Porã aconteceu há quatro anos atrás e publica uma entrevista com o juiz Odilon de Oliveira que, agora em Campo Grande, ainda sofre ameaças.

A correção por parte de Kotscho – um dos principais blogueiros do iG – é um exemplo importante para o próprio portal, que ainda publica poucas correções. O iG, por seu lado, também se precipitou, alçando o tema à sua manchete, sem prévia certificação da veracidade daquilo que estava sendo divulgado.

O jornalismo depende de uma série checagens, cruzamentos de informações e verificações. Essencialmente, o trabalho do jornalista é duvidar de suas fontes, de seus repórteres e de seus editores, Duvidar de seus colegas e da concorrência. O jornalista tem que ser treinado para a suspeita permanente. Só assim conseguirá detectar erros e evitar propagar imprecisões.

Quem trabalha na capa de uma publicação deve ter essas habilidades ainda mais desenvolvidas. Não pode assinar embaixo do que vem da reportagem, mesmo que seja de um Ricardo Kotscho. É preciso ter autonomia intelectual e capacidade técnica para farejar os grandes erros. Deve trabalhar como instância de checagem de último recurso. Quando não houver certeza sobre alguma informação, ela jamais deve ganhar destaque, muito menos ser destacada na manchete, onde o veículo empenha toda a sua credibilidade.

O rigor na checagem das informações para a capa e sua manchete tem, além disso, efeito multiplicador e pode repercutir em todo o modo de trabalho e nos critérios do portal. O hábito de questionar, e rejeitar, cria uma cultura de mais cuidado. Sua importância não pode ser subestimada.

O namorado de Madonna; a forma de Beyoncé

Duas chamadas do canal de (note bem) ‘Cultura e Diversão’ do Último Segundo, na tarde de hoje, causam estranheza: ‘Cantora Beyoncé mostra boa forma nas ruas de Nova York’ e ‘Madonna faz show com suposto amante na plateia’.

As duas notícias seriam mais adequadas para o canal de famosos – como o Babado -, mas foram publicadas no novo iG Música e agora dividem espaço com críticas de cinema, agenda de exposições e anúncio do show da banda Radiohead no Brasil.

Se o iG tem um canal que veicula fofocas, não há a menor necessidade de a equipe de cultura misturar notícias sobre entretenimento e arte com detalhes sobre a vida do artista. A falha acaba por comprometer a credibilidade do canal, já carente de conteúdo próprio e de pautas mais criativas.

Para quem busca cultura, muito mais interessante é saber como foram os shows de Madonna e Beyoncé do que saber mais uma vez com quem uma está namorando ou o que a outra está vestindo.

***

A inundação: fontes, rapidez e ajuda mútua (26/11/08)

O iG demorou para se dar conta das reais dimensões das inundações de Santa Catarina. As grandes chuvas foram no sábado e no domingo, mas as notícias só ganharam a capa do iG, em notas isoladas, na segunda-feira, ao final da tarde.

Como se sabe, o iG não tem sucursais, correspondentes, nenhuma estrutura específica de cobertura. Nenhum grande veículo de comunicação, aliás, mantém uma estrutura de cobertura fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília. O iG tem contrato bem satisfatório com a Agência Estado, que dispõe de uma rede de colaboradores em diversas cidades, inclusive em Santa Catarina. O assunto merecia e merece muito mais atenção do que tem recebido até agora. É preciso destinar recursos, enviar repórter, narrar o que está acontecendo. Não é possível ter enviados às Olimpíadas da China, à eleição de Obama e negligenciar a catástrofe catarinense, aqui ao lado.

O relato das chuvas começou bastante fraco, já no sábado, com a nota de alerta às defesas civis. No domingo, com a situação já crítica, a nota de maior destaque era pobre.

A partir de segunda-feira, o iG acordou para a gravidade do problema e divulgou diversas notícias. Na mesma segunda-feira, o Último Segundo decidiu convidar os internautas a mandarem informações pelo Minha Notícia.

Como destaca Tiago Dória em seu blog hoje, as redes sociais e sites de vídeos e fotos podem ter o efeito de informação parecido com outras tragédias climáticas, como o do furacão Katrina, nos EUA. Ou seja, podem superar os portais de notícias. Elas podem ser mais bem usadas como fonte de informações.

Enquanto o iG não acordar para fontes menos ‘oficiais’ e burocráticas, perderá as notícias e os relatos de quem testemunha os fatos. Nessas horas, mais do que nunca, a internet tem que ser múltipla: fonte de informação e local de cuidado e solidariedade.

Manchete e chamada indecifráveis

No começo da tarde de hoje, o canal Mundo do Último Segundo trazia a seguinte manchete:

** ‘Iraquiana adia decisão de acordo sobre tropas dos EUA’

A notícia, no entanto, era essa:

** Câmara iraquian adia decisão de acordo sobre tropas dos EUA’ (26/11 – 12:35 – EFE). O presidente do Parlamento iraquiano, Mahmoud Mashadani, anunciou que a sessão convocada hoje para que a Câmara vote a minuta do acordo de segurança entre Estados Unidos e Iraque seja adiada para amanhã.’

A omissão da palavra ‘câmara’ criou um problemão. Aquilo que pretendia informar teve resultado oposto.

Mais tarde, uma chamada da home causava o mesmo efeito:

** ‘QUEDA DE PRÉDIO – Delegado quer fazer reconstituição nesta quinta’

Impossível entender que se tratava do caso de mãe e filho que caíram do terceiro andar de um prédio em Guarulhos.

***

Problema nos e-mails do iG Empresas prejudica internautas (25/11/08)

Recebi os seguintes emails de internautas com relatos de problemas com o e-mail do iG Empresas:

‘A cada dia que passa, eu deixo de ganhar dinheiro, pois o sistema de vocês não me deixa acessar os e-mails da empresa. Serviço pelo qual eu estou pagando e não estou recebendo. Já perdi as contas das inúmeras vezes que liguei para o 08006423090 e ninguém consegue resolver o problema. Só informam que está no setor tecnológico. Peço por favor, mais uma vez, que resolvam este problema o mais rápido possível, com a maior prioridade, a maior brevidade.’

(Marcel Sampaio)

‘Sou assinante do iG Empresas e desde a sexta-feira passada (14/11/08) que estou sem acesso ao meu e-mail, isso é simplesmente inaceitável, os clientes não conseguem me mandar e-mails porque estes voltam, eu não consigo mandar e-mails pela empresa e quando ligo no suporte não existe nada que eles possam fazer, apenas que eu espere. Já liguei várias vezes, estou extremamente desapontado com a falta de profissionalismo e seriedade do IG e acho isso um desrespeito ao cliente. Entendo que tecnologia esta sujeita à imprevistos, mas quase 1 semana sem e-mail e nenhum plano alternativo do iG que redirecione os meus e-mail para outro servidor e nem nada?’

(Daniel Nefi)

‘Gostaria de relatar um problema que considero grave em relação ao iG Empresas. Hoje, 20/11/2008, estou tentando entrar em contato com a Central de Atendimento do iG Empresas, através do telefone 0800 642 3090, para a solução de um problema com o webmail, porém, não está sendo possível completar a ligação. Devido ao relatado, eu presumo que vocês estão com problemas de telefonia. Não considero o problema da telefonia grave, pois entendo que o seu prestador de serviços de telefonia pode estar com problemas, causando, portanto, a indisponibilidade do 0800. Infelizmente, às vezes isso acontece. O que considero, muito grave, é não ter outro telefone para entrar em contato com o técnico do iG Empresas, para a solução de problemas. Vocês deveriam estar mais preparados para um problema deste tipo. Não estou notando um plano de contigência para tratar esse problema. Para uma empresa de tecnologia, isso é muito grave.

(Ricardo C. R. Tavares)

Tentei obter um novo número, através da central de relacionamento do iG, e o que consegui, foi entrar em contato com a central de atendimento da BrTurbo, que também nada pode fazer, afinal de contas, trata-se de outro provedor, segundo a atendente.

Lembro que na maioria das vezes em que um cliente tenta entrar em contato com o suporte técnico de qualquer empresa, provavelmente está com problemas e ettsá ansioso para ser atendido, para que seu problema seja solucionado.

Levando em consideração que o iG Empresas é um serviço de hospedagem, esse problema com o 0800, traz uma grande insegurança para mim, pois quando meu website estiver em operação, atendendo meus clientes, e tiver algum problema técnico, qual a garantia que eu tenho que poderei buscar a solução através do suporte técnico? Se hoje meu website estivesse em produção, como explicaria para meus clientes a indisponibilidade do serviço de webmail.

De qualquer forma, mesmo não tendo o website em produção, gostaria de registrar que o problema que estou tendo com o webmail do iG Empresas já está me causando transtornos.

Tenho um projeto para desenvolver, e depois dos problemas que estou tendo hoje, estou pensando seriamente em trocar de provedor, pois receio que vocês tenham um nível de serviço que não me atenderá, e que poderá me trazer problemas.

Aguardo um retorno na esperança de que vocês apresentem alguma solução para o meu problema.’

Resposta do iG

A Gerente de Produtos e Relacionamento do iG Empresas, Norma da Matta, esclarece:

‘Problemas no webmail do iG Empresas ocorreram devido a problemas na rede de um dos datacenters da Brasil Telecom. O serviço de e-mail do iG Empresas passou por alguns períodos de instabilidade. A situação já está regularizada.’’

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