Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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ENTRE ASPAS >

Ministro reclama de repórter após ser fotografado em bar

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 12/08/2010 na edição 602


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 12 de agosto de 2010


 


LICENÇA MÉDICA


Barbosa ataca jornal e repórter após ser flagrado em bar


Pressionado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, e pelos colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) por causa das licenças médicas que o afastam dos julgamentos, o ministro Joaquim Barbosa concedeu entrevista ao site da revista Época. Barbosa reagiu a reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e fez acusações contra a repórter do jornal Mariângela Gallucci.


Advogados e ministros não discutem a doença ou o direito à licença, mas o fato de Barbosa não poder trabalhar e continuar ocupando uma vaga no STF. No ano passado, com base em laudos médicos que atestam que o ministro sofre de dores crônicas na região lombar e no quadril, ele renunciou ao cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi visto e fotografado numa festa na sexta-feira à noite, e, no sábado, num bar de Brasília.


Na entrevista à Época, Barbosa afirmou: ‘A repórter Mariângela Gallucci do jornal O Estado de S. Paulo invadiu ilegalmente a minha privacidade, me fotografou clandestinamente em ambiente residencial privado, me espionou no fim de semana, quando eu me encontrava com amigos e, ainda por cima, colocou dúvidas sobre o estado de minha saúde (…) Ela fingiu que ligou para o outro lado. Ela ligou para o meu gabinete, sabendo que eu estava há três meses em tratamento em São Paulo, quando ela poderia ter falado diretamente comigo.’


As fotos do ministro na festa de sexta-feira não foram feitas pela jornalista Mariângela Gallucci, que não estava estava no local. No sábado, Barbosa foi fotografado no bar, um lugar público. Ao contrário do que afirma o ministro, a repórter contatou sua assessoria de imprensa para falar sobre a paralisação de processos provocada por suas sucessivas licenças médicas. No bar, a repórter abordou o ministro, mas ele disse que não falaria com o jornal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 


 


AGRESSÃO


Nayanne Santana


Entrevista acaba em socos


O candidato ao Senado pelo Acre João Correia (PMDB) e o jornalista Demóstenes Nascimento trocaram insultos e socos ontem durante a gravação de entrevista na TV 5, afiliada da Band no Acre.


João Correia reclamou das perguntas feitas por Demóstenes, que segundo ele tinham como propósito desmoralizá-lo. A discussão começou ao vivo, mas o jornalista interrompeu a transmissão para evitar constrangimentos. Os dois trocaram mais insultos, socos e pontapés no estúdio.


Moral e física. Na volta do intervalo, já sem a presença de Correia no estúdio, Nascimento voltou a aparecer para explicar que o programa seria interrompido porque tinha sido alvo de uma agressão ‘moral e física’.


Pouco depois o vídeo circulava na internet. O Estado do Acre foi parar na lista dos temas mais comentados no Twitter.


Os dois envolvidos procuraram o 8.° Distrito Policial de Rio Branco para registrar a agressão. A Polícia Federal informou, em nota oficial, que vai apurar a agressão mútua.


O ex-deputado federal João Correia foi orientado a procurar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC) para denunciar a agressão.


Federação Nacional dos Jornalistas (Fenarj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre repudiaram a atitude do candidato e prestaram solidariedade ao jornalista Demóstenes Nascimento.


 


 


IRÃ


TV iraniana mostra ‘confissão’ de mulher condenada ao apedrejamento


A TV estatal do Irã levou ao ar na quarta-feira, 11, o que diz ser uma confissão de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher ameaçada por uma condenação à morte por apedrejamento, admitindo seus crimes. Durante a transmissão, Sakineh diz ter conspirado para matar o marido e acusa o advogado Mohammed Mostafaie, que fugiu do país, de interferir indevidamente em seu caso.


Um grupo de ativistas de direitos humanos, o Comitê Internacional contra o Apedrejamento, classificou a entrevista como ‘propaganda tóxica’, já que a iraniana anteriormente havia negado as acusações.


Segundo informações da agência Reuters, o vídeo transmitido mostrava a suposta Sakineh com um efeito de borrão no rosto e sua voz havia sido encoberta pela tradução do dialeto local para o Farsi, impedindo a verificação da identidade da mulher e da veracidade do vídeo.


A condenação de Sakineh provocou comoção na comunidade internacional, com pedidos para que o Irã reveja a punição, originalmente pela acusação de adultério.


No fim do mês passado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ofereceu asilo à iraniana para que ela não seja executada. O governo iraniano respondeu dizendo que Lula é ‘emotivo’ e está ‘desinformado’ sobre o caso.


Condenação não mencionada


Durante a transmissão da confissão de Sakineh pela TV estatal, a condenação à morte por apedrejamento não foi mencionada. O foco também foi alterado da acusação de adultério para a acusação de participação em um plano para assassinar o marido.


Na confissão televisionada, ela admitiu ter participado do plano de assassinato, apesar de ter afirmado anteriormente à mídia ocidental que havia sido absolvida dessa acusação.


Sakineh disse ter sido convencida a participar do plano pelo assassino, um primo do marido. ‘Ele trouxe equipamentos elétricos, fios e luvas. Ele então eletrocutou meu marido’, afirmou ela. ‘Ele havia me pedido antes para mandar meus filhos para a casa da avó’, disse.


Advogado


Sakineh também criticou seu advogado, Mohammed Mostafaie, e o acusou de interferir em seu caso. A transmissão da TV afirma que o advogado usou Sakineh para conseguir asilo no exterior.


‘Por que ele levou meu caso à televisão? Por que ele me desgraçou? Nem todos os meus parentes sabiam que eu estava presa. Por que ele fez isso comigo?’, questiona a mulher durante a transmissão, afirmando que não se encontrou com Mostafaie nenhuma vez.


O advogado fugiu do Irã após as autoridades terem supostamente tentado prendê-lo. Ele foi primeiro à Turquia e está agora na Noruega.


Outro dos advogados de Sakineh diz que ela foi torturada por dois dias na prisão para forçá-la a confessar. Ativistas para a defesa dos direitos humanos agora temem que ela possa estar sob perigo de uma execução iminente.


 


 


ELEIÇÕES 2010


Eugênio Bucci


O período eleitoral na ‘Voz do Brasil’


Logo na semana que vem, dia 17, entra no ar o horário eleitoral no rádio e na televisão. Somente a partir dessa data os candidatos terão direito de pôr a sua cara e a sua voz nas emissoras para fazer propaganda de si mesmos, das bandeiras que defendem e dos partidos que os apoiam. Só no dia 17 entrarão oficialmente em campanha pelas ondas eletromagnéticas. Antes disso, nada feito. A lei não deixa. Como costuma dizer um antigo árbitro de futebol que virou comentarista esportivo, ‘a regra é clara’: os postulantes a cargos eletivos não têm permissão legal para a propaganda antecipada. Os que têm programas de rádio ou televisão – e mesmo aqueles que têm espaços regulares em qualquer atração de qualquer emissora – precisam se afastar dos holofotes e dos microfones tão logo sejam sagrados candidatos nas convenções partidárias. Não há dúvida: a norma, que de fato é bem clara, vale para todos os candidatos e para todos os programas.


Para todos, a não ser… Bem, a não ser para os que já têm cadeiras no Congresso Nacional e agora tentam a reeleição com a ajuda de um noticiário bem antigo chamado A Voz do Brasil. Aí a conversa é outra. Dentro desse programa, os parlamentares federais em busca de novo mandato estão desde sempre em plena campanha, ainda que procurem disfarçá-la de prestação de contas desinteressada. Essa rotina não sofre nenhum abalo quando começa oficialmente o período eleitoral. A Voz reserva metade de sua hora diária para os congressistas, de tal sorte que os candidatos à reeleição do Poder Legislativo podem falar à vontade, podem enaltecer suas alegadas realizações, podem elogiar-se mutuamente, comentar as notícias e ficar em evidência. Mais do que os outros candidatos que porventura ainda não disponham de mandato. A lei que impõe restrições severas ao uso que os candidatos, digamos, normais podem fazer do rádio e da televisão não alcançou com seu rigor os candidatos à reeleição no Legislativo. Estes seguem tranquilos, fiéis depositários de mais esse privilégio com que a comunicação pública no Brasil costuma brindar aqueles que já têm seu naco de poder.


Examinemos um pouco mais de perto a nervura dessa prerrogativa indevida. Vejamos em primeiro lugar o que diz a nossa legislação. Depois disso, tentemos dimensionar o apetite de reeleição numa das Casas Legislativas de Brasília, a Câmara dos Deputados.


A lei é clara, como já foi dito. No calendário eleitoral do site de Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o cidadão crédulo pode ler que, a partir de junho, ficou ‘vedado às emissoras de rádio e de televisão transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção (Lei n.º 9.504/97, artigo 45, § 1.º)’. O mesmo artigo, o 45, impede que uma emissora de rádio e televisão dê ‘tratamento privilegiado a candidato’ durante o período eleitoral. O objetivo é fácil de entender. O legislador quis evitar que o poder dos meios de comunicação desequilibre a formação livre da vontade do eleitor, o que não deixa de fazer sentido. Só é estranho que A Voz do Brasil tenha ficado de fora desse princípio. Ou talvez não seja estranho coisa nenhuma: ela está aí para isso mesmo, para preservar os interesses corporativos dos parlamentares eleitos, interesses que são mais fortes do que as diferenças partidárias que deveriam separá-los. Graças a esse vazio legal conveniente, os deputados que são candidatos a permanecer onde estão, de todos os partidos, usam fraternalmente o noticiário dos Poderes da República para se promover durante a campanha.


É bom lembrar que não é incomum que um deputado federal brasileiro tente – e consiga – se reeleger, uma, duas, três ou mais vezes. Agora, no ano de 2010, o quadro é típico. Este jornal e outros órgãos de imprensa já noticiaram que, dos 513 deputados federais, 420 tentarão a reeleição e 59 disputarão outros cargos. Apenas 34 não disputarão as eleições de outubro. Isso significa que 81,87% dos deputados federais tentam se reeleger em 2010. Significa também que, ao menos dentro do anacrônico e monocórdio noticiário oficial, eles entram na disputa usufruindo vantagens em relação aos candidatos sem mandato. Significa, por fim, que as autoridades encarregadas de zelar pela observância da lei durante a campanha talvez não tenham como agir contra essa gritante distorção do sistema pátrio de comunicação pública.


Uma vez mais, estamos soterrados por um fato consumado. Não há o que fazer, além de lamentar. Aos brasileiros interessados no equilíbrio e na lisura do processo eleitoral resta a esperança de que A Voz do Brasil, que une a obrigatoriedade inamovível à chatice caprichosa – o horário reservado à Câmara dos Deputados se assemelha à leitura acelerada de uma lista telefônica, empenhado que está em citar o maior número de deputados a cada minuto -, talvez não faça grande diferença na contagem final dos votos. É mesmo possível, plausível e provável que, se tirassem o velho programa do ar, os eleitores iriam demorar a se dar conta. Enfim, é bastante razoável supor que A Voz renda poucos votos aos recandidatos, se é que rende algum.


Mesmo assim, apesar da irrelevância do programa em questão, a iniquidade eleitoral persiste e a diferença de tratamento é clamorosa. E é ainda mais chocante quando nos damos conta de que ninguém se incomoda. Em época de eleição, A Voz do Brasil avança em sua incrível sobrevida como um palanque à margem da lei, a serviço dos que já chegaram lá. Um palanque contrário à alternância no poder. Não se pode nem dizer que este seja mais um produto do ‘jeitinho brasileiro’, posto que o jeitinho, abençoado pelos de cima, dá um jeito provisório nas carências imediatas dos de baixo. Aqui estamos diante do jeitão espertalhão que aprofunda a aflição dos menores em benefício dos maiores.


JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP


 


 


DEBATE


Marcelo Tas repudia era da ‘photoshopização’


‘Estamos vivendo a era da ‘photoshopização’ da vida. Tudo tem de ser bonitinho, sem palavrão e sem celulite’: a conclusão é de Marcelo Tas, jornalista, ator e atual âncora do programa CQC, da Bandeirantes, sobre os esforços legislativos ou de militâncias diversas que conspiram por um mundo tão politicamente correto, que chega a ser fake. A frase surgiu ontem, durante a abertura de mais uma edição da série Encontros Estadão & Cultura na Livraria Cultura. O tema da vez são os 60 anos da TV no Brasil.


Por mais de 1h30, Tas e Márcio Ballas, do grupo Jogando no Quintal e apresentador do É tudo Improviso, também da Band, divertiram uma plateia predominantemente jovem que lotou o Teatro Eva Hertz. O tema do dia foi o humor.


Ao citar a obsessão da nossa era por patrulhas ideológicas, Tas falou sobre a lei que veta palmadas nas crianças e o caso de um juiz que proibiu a mãe de batizar a filha com o nome ‘Amora’. Mestre em humor de improviso, Ballas tem esperança de que o gênero possa contribuir para reverter tantas exigências. ‘O improviso traz à tona algo falível.’


A pergunta mais encaminhada aos dois pela plateia dizia respeito à proibição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a piadas referentes aos candidatos nesta época de eleição. Para Tas, sem meio termo, isso é uma forma de ‘censura’. ‘Nem quando eu fazia o (repórter) Ernesto Varela (personagem dos anos 80) havia tanta intromissão, e olha que o presidente era o (João) Figueiredo’, completou Tas.


A aceleração da internet no Brasil, que dá a Tas e Ballas um ibope até maior que a TV, também foi assunto do encontro.


Os Encontros Estadão & Cultura terão hoje Ana Paula Padrão, Lillian Witte Fibe e Paulo Markun, com foco no jornalismo e amanhã, o autor de novelas Silvio de Abreu: sempre às 13h, no Teatro Eva Hertz (Livraria Cultura do Conjunto Nacional).


 


 


LITERATURA


Jotabê Medeiros


ABL abre fogo contra nova lei


Os fardões vão à guerra. O presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça, distribuiu nota ontem na qual a entidade que preside condena a proposta de revisão da Lei do Direito Autoral, encaminhada para debate público pelo Ministério da Cultura.


‘A opção de ceder ou não seus direitos de criador deve continuar sendo prerrogativa do autor, detentor exclusivo de suas obras intelectuais’, afirmou a ABL em documento enviado ao MinC. ‘Fiel à finalidade primeira que a norteia – a cultura da língua e da literatura nacional, cláusula pétrea dos estatutos que a regem – nossa reflexão situa-se, especificamente, no âmbito da criação literária’, afirma a ABL, que tem 40 autores filiados. ‘Entende a Casa de Machado de Assis que qualquer tentativa radical de modificação desse quadro relacional é extremamente complexa e delicada.’


O Ministério da Cultura apresentou para debate público, no dia 14 de junho, um texto que expõe o anteprojeto de lei que moderniza a Lei de Direitos Autorais (9.610/98) do País. Desde então, mais de 5 mil contribuições já foram apresentadas, e a proposta foi debatida por músicos, sindicatos, associações, artistas visuais, compositores, editoras E escritores, entre outros.


Marcos Souza, diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, disse ontem ao Estado que recebeu a carta da ABL e ‘concorda 100%’ com a demanda da entidade, mas acha que pode haver algum tipo de mal-entendimento do texto. ‘Se for devido ao artigo que prevê as licenças não-voluntárias, nós entendemos a inquietude da ABL, que já foi manifestada por outras entidades. Mas isso não é coisa estranha ao direito autoral, está na Convenção de Berna, que o Brasil segue, e vários países possuem esse dispositivo. Não é algo que a gente está inventando sem parâmetro.’


Souza admitiu que poderá mudar a redação desse artigo. O MinC reconhece que o texto pode dar margem a interpretações erradas e deverá rever a redação. Souza afirmou ‘agradecer a disposição de diálogo da ABL’ e disse que divulgará resposta à academia.


O lado de fora da academia também começou a se mobilizar em torno do novo projeto. Na terça-feira, na sede da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, escritores se reuniram pela primeira vez com representantes do MinC para avaliar a proposta do executivo. ‘Os escritores precisam acordar para essa discussão. Estamos lidando cada vez mais com grandes corporações, altamente lucrativas e profissionalizadas. O editor vive do seu trabalho. O livreiro vive do seu trabalho. Por que somente o escritor é tratado como um amador?’, disse o poeta Ademir Assunção. Além dele, estiveram por lá os autores Daniel Galera, Bráulio Tavares, Geraldinho Carneiro e Joca Terron. Marcelino Freire, Marçal Aquino e Lourenço Mutarelli são outros autores que acompanham o debate, mas não estiveram na reunião ( que não foi conclusiva – por falta de tempo, haverá outro encontro, ainda sem data). A demanda dos escritores é diferente da dos livreiros e editores. Eles consideram que o mercado sempre alegou que os custos de impressão, papel e distribuição do livro impedem uma remuneração maior do que 10% de direitos. ‘O autor da obra ficar com apenas 10%, enquanto 90% vai para aqueles que a vendem, me parece muito desproporcional. Com o livro digital, esses custos não existem. Nada justifica manter os direitos autorais em 10%’, afirmou Assunção.


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Globosat corre para comprar Pan de 2011


Os canais Globosat travaram guerra contra o relógio na tentativa de comprar os Jogos Pan-Americanos de 2011. Em duras negociações com a Record, dona dos direitos de transmissão do evento, Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, diz estar otimista quanto à compra da competição para os canais Sportv, mas garante que já está perdendo dinheiro com o atraso. ‘Deveríamos ter fechado isso em junho para poder captar anunciantes e programar nossa cobertura’, fala ele. ‘Não sabemos se teremos transmissão HD nem em quantos canais.’ Fontes do mercado garantem que a Record comprou o Pan por US$ 12 milhões e quer vender por US$ 35 milhões.


18 milhões de assinantes de TV paga é o que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acredita que haverá no Brasil em 2018


‘Quem vive com o controle remoto não tem medo, e sim admiração pela concorrência.’ Presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, na ABTA


Além da ausência da SKY, o mercado deu falta da presença da Fox na ABTA, maior feira de TV por assinatura do País, que ocorre esta semana em São Paulo. Só alguns executivos da programadora/distribuidora circulavam por lá.


Na ABTA, alguns falavam da falta de espaço para um bom stand da marca, que o marketing da Fox esqueceu da verba para o evento, e outros, que a Fox teria ficado irritada com o fato de a entidade ter passado a apoiar a PLC116 (antigo PL29), projeto de lei sobre TV por assinatura.


Com direito a presença em peso do mercado, de políticos e até da concorrência, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, abriu anteontem a ABTA, com discurso de mea-culpa: ‘Aprendemos a duras penas que uma coisa é produzir, outra é distribuir na TV por assinatura.’


As palavras de Marinho só aumentaram o burburinho em torno da vontade do grupo de vender a Net para o mexicano Carlos Slim, dono da Embratel.


A Record enviará para a cobertura dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura, cerca de 45 profissionais. Mais da metade da delegação brasileira na competição – que vai ao ar do dia 14 ao dia 26 – que contará com 80 atletas.


Hoje, no Encontros Estadão & Cultura sobre os 60 anos de TV no Brasil, Paulo Markun, Ana Paula Padrão e Lillian Witte Fibe falam sobre jornalismo. Teatro Eva Herz, Livraria Cultura, às 13 horas.


A Cura, de João Emanuel Carneiro, estreou anteontem na Globo com média de 20 pontos de ibope, três a mais que o episódio final de sua antecessora, Na Forma da Lei.


Destaque da série, Andréia Horta já foi convidada para a segunda temporada de Tudo Junto e Misturado, série de Bruno Mazzeo que ainda nem estreou na Globo.


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 12 de agosto de 2010


 


REGULAÇÃO


Judith Brito


Autorregulamentação no jornalismo


Democracias de verdade dispensam leis de imprensa. Valem para as empresas jornalísticas e os jornalistas as mesmas leis de danos morais que valem para a sociedade em geral.


Disse muito bem um grande jornalista brasileiro, Cláudio Abramo, num texto hoje já clássico, que ‘não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão’. Lembrou Abramo: ‘O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer?


O cidadão não pode trair a palavra dada, não pode abusar da confiança do outro, não pode mentir’.


Mesmo assim, diante da grande presença e da influência que têm os meios de comunicação nas democracias modernas, nelas os jornalistas, as empresas e as associações representativas do setor costumam definir princípios éticos que devem ser obedecidos no exercício da atividade.


De uma forma geral, são princípios que seguem a fórmula simples e evidente do mestre Abramo. No Brasil, muitas empresas jornalísticas têm seus códigos de ética. A Associação Nacional de Jornais também tem seu código de ética e autorregulamentação.


Com o fim da Lei de Imprensa que vigorava até o ano passado, tem crescido no país o debate sobre a necessidade de autorregulamentação mais efetiva do exercício do jornalismo.


Há quem fale em autorregulamentação como antídoto contra a criação de conselhos ou mecanismos chapa-branca de regulamentação, na linha de propostas tentadas nos últimos anos por grupos obscurantistas partidários do ‘controle social da mídia’.


É preciso deixar bem claro que qualquer iniciativa de interferência de instâncias governamentais no exercício do jornalismo estará sempre fadada à inconstitucionalidade. Nossa Constituição é categórica no sentido de que a liberdade de expressão não pode sofrer nenhum tipo de restrição. Por isso, o Supremo Tribunal Federal acabou com a famigerada Lei de Imprensa.


De qualquer forma, contudo, é válido o debate sobre a autorregulamentação. Em outras democracias modernas, em diferentes graus e modelos, a autorregulamentação está institucionalizada.


Criou-se nesses países toda uma cultura de respeito a princípios éticos fundamentais para que o jornalismo siga cumprindo seu essencial papel na sociedade.


Mais do que a criação de uma instância de autorregulamentação, o que precisamos no Brasil é exatamente disseminar ainda mais a cultura de respeito aos princípios éticos do jornalismo.


Os cidadãos devem estar atentos para os códigos de ética de cada jornal, de cada veículo de comunicação, e cobrar que sejam seguidos. Não podemos nunca esquecer que a credibilidade é o maior patrimônio do jornalismo.


Em relação ao Judiciário, o fundamental é que nunca se avance contra os princípios da Constituição e se pratique a censura.


Todo o conceito de liberdade de expressão está baseado no fundamento de que qualquer punição nesse campo se dará sempre a posteriori. Afinal, acima de tudo, a sociedade tem direito à informação, sem restrições ou censura.


A democracia brasileira, da qual muito devemos nos orgulhar, é uma obra em progresso iniciada com a Constituição de 88. A liberdade de expressão consagrada nessa Constituição tem sido um elemento fundamental desse processo e assim deve permanecer.


Cabe avançarmos na cultura da autorregulamentação para valorizarmos o exercício do jornalismo com liberdade e responsabilidade.


JUDITH BRITO é presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.


 


 


ELEIÇÕES 2010


Deputado quer cargo para corrupção, diz Serra no ‘JN’


Surpreendido por uma pergunta sobre alianças com envolvidos no escândalo do mensalão, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem, em entrevista ao ‘Jornal Nacional’, da TV Globo, que deputados que buscam cargos no governo têm o objetivo de promover a corrupção.


‘Para mim não tem grupinho de deputado indicando diretor financeiro de uma empresa, ou diretor de compras de outra. Pra quê um deputado quer isso? Evidente que não é para ajudar em melhor desempenho. É para corrupção’, disse.


O tucano foi o terceiro e último candidato ao Palácio do Planalto a ser sabatinado na bancada do ‘JN’ pelo casal de apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes.


A exemplo das entrevistas com Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), Serra foi instado a responder perguntas sobre temas incômodos, como a aliança com Roberto Jefferson, cassado por conta do mensalão, e os preços dos pedágios em São Paulo.


No entanto, assuntos como o mensalão do DEM, principal aliado de sua coligação, não foram abordados.


Sobre a aliança com Jefferson, Serra disse que os ‘principais personagens’ envolvidos no mensalão não são do PTB (três dos réus do mensalão são do partido) e que o aliado não é candidato.


No início da entrevista, o tucano teve que explicar por que não ataca o governo Lula. Serra se classificou como candidato do ‘futuro’, e, evitando críticas ao presidente, repetiu que o petista não está disputando as eleições.


Em duas vezes, disse que um presidente não pode governar ‘na garupa’ ou ser ‘monitorado’, numa alusão à dependência de Dilma em relação a Lula.


‘O próximo presidente vai governar e não pode ir na garupa. Tem que ter ideias também, não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro’, disse.


Em outro tema incômodo, ao ser questionado sobre o tumultuado processo que levou à escolha de Indio da Costa (DEM-RJ) como seu vice, Serra negou a fama de ser centralizador.


‘O que havia sido pensado inicialmente, por circunstâncias políticas acabou não acontecendo’, disse Serra.


O tucano disse que o nome de Indio da Costa já estava sendo cogitado dentro do partido, mas que isso não chegou à ‘opinião pública’, para não causar ‘fofoca’. O nome de Indio, na verdade, surgiu na data limite da convenção do DEM que definiria o apoio do partido a Serra.


Mais tarde, em entrevista à ‘Globonews’, Serra afirmou que, se for eleito, Indio ‘vai ficar viajando pelo Brasil verificando como funcionam os serviços governamentais’.


Governador de São Paulo até março, Serra também teve que falar sobre os elevados preços dos pedágios nas estradas paulistas e se esse modelo seria expandido para o Brasil. O tucano não respondeu objetivamente. Acabou elogiando a qualidade das rodovias paulistas e criticando as federais.


No fim, se mostrou surpreendido pelo curto tempo da entrevista e não conseguiu se despedir do público. Foi interrompido por Bonner por ter ultrapassado o tempo.


 


 


‘JN’ facilitou para tucano, diz jefferson


O presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse em seu Twitter ontem, logo após a entrevista de seu aliado José Serra, que a entrevista foi ‘mais amena’ com o tucano do que com os demais entrevistados: ‘William Bonner e Fátima Bernardes facilitaram para o meu candidato. Foram mais amenos com ele’.


 


 


Serra evoca o samba de Noel: ‘Com que roupa’?


A estratégia de campanha de José Serra está escorada numa ilusão. Na entrevista ao ‘Jornal Nacional’, o presidenciável tucano deu asas à quimera: ‘O Lula não é candidato a presidente’, disse.


‘Meu foco não é o Lula’, repetiu mais adiante. Revelou-se capaz de tudo, menos de dirigir uma crítica a Lula.


Restou evidenciado que, há uma semana do início da propaganda eleitoral televisiva, Serra ainda não logrou construir um discurso de oposição. Sabe que Lula, não sendo candidato, comanda o baile da sucessão. Sem ele, a candidatura da petista Dilma Rousseff, sua principal antagonista, não existiria.


Quem convida Serra para o samba é Lula, não Dilma. E ele roda em círculos, como se entoasse Noel Rosa: ‘Esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa? Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?’


Dos três presidenciáveis, Serra foi o menos fustigado pelo ‘casal JN’. Ainda assim, não se livrou de falar sobre o apoio de Roberto Jefferson.


Apresentou-o como ‘denunciante’ do mensalão. Meia verdade. Denunciou depois que os holofotes focaram o esquema que o PTB montara nos Correios.


Como José Dirceu (PT), Jefferson teve o mandato de deputado cassado. E desceu ao banco de réus em que o STF acomodou a ‘quadrilha’.


Serra disse que não lhe cabe julgar. Afirmou que Jefferson conhece o seu estilo de governar. Se está com ele, é porque se sujeita. Talvez dissesse o mesmo sobre Orestes Quércia (PMDB). Mas não foi inquirido a respeito.


Por que foge da comparação de FHC com Lula? ‘Não estamos fazendo disputa do passado’, rodeou.


Insinuou que, eleita, Dilma governaria ‘na garupa’. A questão é que, para seduzir o eleitor que Lula transfere para Dilma, Serra teria de apregoar um sonho novo. Antes, precisa responder à pergunta: ‘Com que roupa?’


 


 


Clóvis Rossi


Candidata não é bibelô


É totalmente despropositada a queixa do presidente Lula a respeito do tratamento dado à sua candidata, Dilma Rousseff, no ‘Jornal Nacional’.


Primeiro, porque o comportamento de William Bonner e Fátima Bernardes foi, de fato, duro, mas respeitoso. Como tem que ser.


A queixa parece refletir o desejo do presidente de que todo o mundo estenda a Dilma um tapete vermelho. Não dá.


Mas nem é esse o despropósito principal. A queixa de Lula tem um substrato machista. Ao dizer que candidata mulher deve merecer ‘um pouco mais de gentileza’, está indiretamente assumindo o preconceito machista que diz que mulher -candidata ou não- é animicamente mais fraca que homem e, portanto, não pode enfrentar questões duras.


Bobagem. Se eleita, os problemas que Dilma terá que enfrentar não olharão para o fato de ser mulher. Serão duros como serão se o eleito for homem. Simples assim.


O desagradável nesse machismo subliminar é que parte de quem teve a ousadia e a coragem de escolher uma mulher para candidatar-se à sua sucessão -o que demonstra que o presidente não é intrinsecamente machista.


Por mera coincidência, está em alta uma onda de pesquisas que procuram demonstrar que há um importante vínculo entre a segurança das mulheres e a dos Estados. Onde as relações homem/mulher são baseadas no domínio e na iniquidade, o padrão afeta o Estado e sua segurança.


A Estratégia Nacional de Segurança do presidente Obama chega a dizer que ‘a experiência mostra que países são mais pacíficos e prósperos quando as mulheres recebem plenos direitos e oportunidades iguais’.


O ponto, pois, é que mulheres, candidatas ou não, não precisam de mais gentileza e, sim, de mais direitos e oportunidades.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Caos?


Na manchete on-line do ‘Washington Post’, ‘Caos nos mercados dos EUA’. ‘New York Times’ e ‘Wall Street Journal’ foram mais contidos nos enunciados, mas apontaram os ‘temores’ de ‘desaceleração’. O ‘Financial Times’ foi extensivo, ressaltando a queda e as dúvidas sobre os EUA, que ‘tomam o centro do palco’, mas também os ‘sinais da China’.


O ‘FT’ noticiou ainda, sem destaque, que as ações no Brasil ‘seguem queda global’, citando economista do Itaú que criticou a reação ‘exagerada’. Por aqui, manchete de Folha.com e outros, ‘Bolsa tem maior queda em seis semanas; dólar vai a R$ 1,77’.


MUNDO REAL


O ‘Financial Times’ adiantou à noite uma série de reportagens mostrando que os investidores estrangeiros estão ‘mais frios no Brasil’, sem o ‘ardor’ de 2009 que deixou os preços ‘menos atraentes’ hoje. Para um estrategista, ‘os investidores ainda estão apaixonados, mas o Brasil teve performance muito forte no ano passado’. Outro previu uma reação ‘especialmente após as eleições’.


Outro texto destaca que ‘neste ano o fluxo está espirrando para dentro e para fora das ações de forma que agita até os estômagos mais fortes, mas no mundo real de fusões e aquisições os investidores estão comprometendo mais dinheiro de longo prazo do que nunca’. Cita levantamento da Dealogic, somando US$ 65,4 bilhões até agora -contra US$ 32,9 bilhões no período, ano passado.


O MAIOR INVESTIDOR


A Economist Intelligence Unit, ligada à ‘Economist’, postou a análise ‘Economia Brasil/China: entradas mais profundas’. Diz que ‘o Brasil está virando importante destino do investimento direto chinês’, que ‘subiu como foguete’ e pode chegar a US$ 12 bilhões neste ano contra ‘meros US$ 82 milhões em 2009’. Além de matérias-primas, ‘empresas chinesas são atraídas pela estabilidade macroeconômica e pela perspectiva de crescimento’.


A EIU detalha a aproximação nos governos Lula e Hu Jintao. E enfatiza a ‘dimensão política’ do elo, com o investimento sendo ‘mostra de fraternidade entre duas das maiores potências emergentes, no momento em que a liderança global dos países desenvolvidos é questionada’.


Já o ‘FT’ se perguntou, em post: ‘A poupança da China consegue financiar o crescimento do Brasil?’.


Petrobras 1


Citando entrevistas do presidente da agência de petróleo a Folha e ‘O Estado de S. Paulo’, o ‘FT’ postou que ‘Tensões sobem em torno da oferta de ações da Petrobras’.


Petrobras 2


E a Dow Jones despachou do Rio que o banco UBS cortou a nota que dá às ações da Petrobras, citando ‘incertezas em torno da maciça oferta de ações prevista para setembro’.


EXPLORAÇÃO OU PARAÍSO


Sob o título ‘Brasil e seus nomes’, no especial do ‘El País’ sobre os 200 anos de independência da América Latina, o historiador José Murilo de Carvalho abordou desde Pindorama, a ‘terra das palmeiras’ dos índios, até o ‘popular’ Terra de Papagaios.


Sobre ‘Brasil’, detalhou a origem na madeira ‘fonte de corante para panos’ dos portugueses, mas também a ‘ilha paradisíaca’ da costa irlandesa. Fechou dizendo que a divergência expõe a visão do Brasil como ‘terra de exploração comercial ou Ilha Encantada’.


AO ATAQUE?


A ‘Atlantic’ postou ontem que Israel ‘prepara ataque ao Irã’, em longa reportagem que mostra ‘Como, por que -e o que vai representar’


FIDEL & WIKILEAKS


Em entrevista à venezuelana Telesur ecoada no mexicano ‘La Jornada’, Fidel Castro defendeu ‘erguer uma estátua’ em homenagem ao site Wikileaks, que divulgou documentos da guerra no Afeganistão.


E voltou a cobrar que os EUA não usem armas nucleares contra o Irã, comentando: ‘Chega um momento em que nem os impérios nem os revolucionários podem atingir seus objetivos pela via das armas’.


Depois, numa ‘reflexão’ postada no site CubaDebate e publicada no ‘Granma’, disse ‘sem temor de estar errado’, no título: ‘Israel não atacará primeiro’.


 


 


IRÃ


Gabriela Manzini


TV iraniana acusa EUA de usar Sakineh em complô


O noticiário da TV iraniana rompeu o silêncio ontem e exibiu uma reportagem sobre Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada a morrer apedrejada por adultério.


O jornal ‘20:30’, do Seda Va Sima, caiu na internet poucas horas após ir ao ar. Ele acusa a mídia internacional de ser ‘ferramenta política’ para ‘Israel e os EUA’ pressionarem pela libertação de três cidadãos americanos presos no Irã há um ano sob acusação de espionagem.


‘Mas qual é a razão da propaganda internacional sobre o caso? Será que Israel e os EUA, incluindo [a secretária de Estado americana] Hillary Clinton, se preocupam com a vida de Sakineh?’, questiona o apresentador.


São exibidas imagens das TVs americanas CNN e Fox News e da britânica BBC, e o apresentador as acusa de ‘desrespeitar o princípio básico de informar as pessoas’.


O noticiário exibiu trechos de uma entrevista com Sakineh na qual a mulher que foi identificada como a ré aparece quase totalmente coberta por um véu islâmico e com o rosto desfigurado por recurso de computação. Ela ainda tem a voz dublada, já que Sakineh fala turco, e não farsi.


Nas declarações, ‘Sakineh’ dá detalhes sobre o dia em que o marido foi assassinado e ataca o próprio advogado, Mohammad Mostafaei. Mas não se diz nem culpada nem inocente, e isso apenas dias antes de a Suprema Corte decidir se ela será mesmo morta e, em caso afirmativo, se apedrejada ou enforcada.


‘Por que ele [Mostafaei] divulga minha história na TV? Por que ele brinca com a minha reputação?’, diz a entrevistada. ‘Parte dos meus familiares não sabia que eu estava na prisão’, argumenta.


Mostafaei é um notório defensor dos direitos humanos no Irã, de onde fugiu no fim do mês passado, depois de ser interrogado pelas autoridades e ter a mulher presa sem motivo aparente. O advogado fugiu para a Turquia, de onde foi mandado para a Noruega, onde pede asilo.


CRIME


Na entrevista, Sakineh admite ter mantido contato por telefone, em 2005, durante dois meses, com um primo do marido que dizia querer matá-lo.


‘Ele tentou me enganar com o seu idioma. Ele disse ‘eu farei isso por você, me preocupo com você’, contou. ‘Ele me disse: ‘vamos matar seu marido’, mas eu nunca acreditei. Pensei que fosse uma piada.’


Na sequência, Malek Ajdar Sharifi, o chefe do Judiciário da Província de Azerbaijão do Leste, responsável pelo caso, acusa Sakineh de ter dado uma injeção anestésica no marido para que o assassino pudesse, então, conectar fios e matá-lo eletrocutado.


 


 


TELEVISÃO – MERCADO


Elvira Lobato e Laura Mattos


TV paga é mais cara no Brasil, diz Ancine


Levantamento da Ancine (Agência Nacional do Cinema) mostra que o brasileiro paga mais pelos pacotes populares de TV por assinatura do que argentinos e chilenos.


Enquanto o brasileiro paga até R$ 2,88 mensais por canal, o argentino tem preço máximo de R$ 0,89, e o chileno, de R$ 1,24. O levantamento comparou o segundo pacote mais barato dos países.


Segundo a Ancine, a entrada de telefônicas no mercado de TV via satélite e o aumento no número de assinantes nos últimos anos permitiram redução nos preços, mas não o suficiente para equipará-los aos dos países vizinhos.


Um dos propósitos do estudo, apresentado ontem pelo presidente da Ancine, Manoel Rangel, é dar argumentos para a defesa da criação de cotas para produção nacional para as TVs pagas.


As cotas são um dos pontos mais polêmicos do projeto de lei 116, que tramita no Senado. Além de criar reserva de mercado para obras brasileiras, propõe acabar com a limitação ao capital estrangeiro e liberar telefônicas para oferecer TV a cabo dentro de sua área de concessão de telefonia fixa.


Para Rangel, as cotas favorecerão o surgimento de uma indústria em escala de conteúdo nacional, o que é contestado por programadores estrangeiros e nacionais.


O diretor-geral da Associação Brasileira de Produtores de TV por Assinatura, que reúne canais estrangeiros, Sean Spencer, disse que as cotas encarecerão a assinatura. E atribui o alto custo da assinatura à carga tributária.


 


 


INTERNET


Brasil é 2º país que mais acessa o Twitter


Excluindo locais públicos e smartphones, 20,5% dos computadores brasileiros acessaram a rede social em junho. Esse valor só é inferior à Indonésia. Os dados são da empresa comScore, que também divulgou que o acesso ao site cresceu 109% em um ano, devido à América Latina e à Ásia.


 


 


Alexandre Hohagen


Pais tecnológicos, filhos conectados


‘PAI, O E-MAIL tá tipo… morto! Te mando por SMS.’


Essa foi a resposta da minha filha quando pedi que enviasse uma informação para meu correio eletrônico. Pareceu exagerada a afirmação. Mas tente se comunicar com um adolescente por e-mail. A chance de um ‘reply’ nunca chegar é grande. A razão é simples: as novas gerações, que nascem e crescem cercadas de tecnologia, estão mudando a forma como encaram alguns dos preceitos mais básicos da comunicação e da sociabilidade.


Como pai ‘tecnológico’, tenho observado com crescente interesse essa evolução. Não basta conhecer as melhores tecnologias. É preciso estar próximo e entender o que está mudando na cabeça dessa moçada. Para chegar mais perto deles, comprei e aprendi a pilotar uma mesa de DJ e recebo grupos de amigos de minha filha para reuniões em casa. É como um Orkut ao vivo.


Com essa convivência próxima, constatei que há algumas mudanças nessa geração que não controlamos, fazem parte de um novo mundo. Primeira: os jovens se comunicam por meio de mensagens cada vez mais curtas. Segunda: esse mesmo jovem se acostumou com informações instantâneas.


Para eles, não faz mais sentido visitar a biblioteca para encontrar respostas às suas dúvidas. E, finalmente, os jovens estão obcecados por compartilhar com o maior número possível de pessoas tudo o que fazem.


Era preciso me adaptar. Com minha filha adolescente, mensagens de texto pelo celular e em rede social geralmente funcionam melhor que o e-mail. Já a filha mais nova, em fase de alfabetização, não aceita mais ‘eu não sei’ como resposta.


Para ela, celular ou computador têm a capacidade de responder na hora o que ela quer saber. Outro dia ela perguntou para minha esposa quantos países existem no mundo.


E, diante da resposta negativa, disse: ‘Mas você tem o Google no seu celular!’. Achado e respondido.


O desafio, no entanto, vai muito além de compartilhar informação.


Essa galera está ampliando cada vez mais sua capacidade de relacionamento. E com isso o desejo de dividir com mais e mais pessoas aquilo que fazem, aquilo de que gostam.


Muitas vezes, saber quem é quem no meio de centenas de ‘amigos virtuais’ não é tarefa fácil.


Na minha época, ser popular era lotar uma festinha com as crianças da escola. Hoje, popular é aquele com maior número de seguidores no Twitter ou de amigos no Orkut.


Nesse desejo de multiplicar suas conexões reside um risco e cabe a nós mitigá-lo. Recentemente, um casal adolescente no Sul do país se prestou a uma exibição pouco ortodoxa para simplesmente aumentar o número de seguidores em seus perfis do Twitter. Quanto mais gente conectava, mais ousados ficavam. Acabaram com quase 10 mil seguidores on-line e um papo nada agradável na delegacia.


Ser pai em dias modernos representa desafio grande. Demanda dedicação e equilíbrio entre liberdade e modernidade. Há alguns anos, tomei decisões simples que me ajudam a manter esse equilíbrio. Por exemplo: durante muito tempo, só aceitei que minha filha mais velha acessasse rede social com senha compartilhada. Tentei ensiná-la o básico: não aceite amigos que não conheça, cuidado com o que dizem na internet, nada de compartilhar informações pessoais.


Outra medida simples e eficaz: em casa, lugar de computador é na sala ou no corredor. Jamais em quartos isolados ou fechados. Agora, mais do que qualquer medida, a proximidade, a conversa e o entendimento do que está mudando nos hábitos das novas gerações é o que mais ajuda no desafio de educar nos tempos modernos. E de entender o que a juventude espera de nossas empresas, como profissionais e como consumidores.


A internet permite acelerar o desenvolvimento infantil em muitos sentidos e é um meio essencial para a evolução da sociedade. Como no mundo físico, a inserção dos nossos filhos nessa nova realidade deve acontecer passo a passo e com supervisão. Mesmo que seu pai conheça tudo sobre internet e tecnologia!


ALEXANDRE HOHAGEN, 42, jornalista e publicitário, fundou a operação do Google no Brasil em 2005 e desde 2009 é presidente da empresa na América Latina. Escreve mensalmente, às quintas-feiras, nesta coluna.


 


 


TELEVISÃO


Audrey Furlaneto


‘Dois Irmãos’ vai retomar projeto literário na Globo


Depois de resultados de baixa audiência com produtos como ‘Na Forma da Lei’ (que não passou dos 20 pontos de média), uma esperança acena no quadro de séries da Globo: fica pronta em setembro a adaptação de ‘Dois Irmãos’, de Milton Hatoum.


Trata-se da volta do Quadrante, projeto de séries literárias com direção de Luiz Fernando Carvalho, que já levou ao ar a dramaturgia ousada de ‘A Pedra do Reino’, de Ariano Suassuna.


‘Dois Irmãos’ terá oito capítulos e vem sendo adaptado por Maria Camargo. Ela, que entrou em 1998 na Globo, assinou poucos projetos (o que a protege, por outro lado, dos vícios da dramaturgia ‘global’), como textos de ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’.


Segundo ela, ‘Dois Irmãos’ será mais ‘narrativa’ que ‘A Pedra do Reino’ (que acabou rotulada de ‘hermética’ por espantar a audiência da Globo), embora não seja uma jornada como ‘Hoje É Dia de Maria’. Um narrador conduz a trama, boa parte gravada na Amazônia.


‘O livro tem um potencial visual muito grande’, diz a roteirista. ‘Eu tento o possível e o impossível para ser fiel. Mesmo as modificações só acontecem por isso: para ser mais fiel ao livro.’


SOGRA BOA Bete (Fernanda Montenegro) desmascara Fred para Totó (Tony Ramos) e dá dicas sobre a vilania de Clara; a cena de ‘Passione’ está prevista para amanhã


A dúvida Em encontro da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), anteontem, um executivo da Bandeirantes (que comprou a TV Cidade, operadora de TV paga) perguntou ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) se é certa a aprovação, em 2010, do projeto que regulamenta a TV paga.


As certezas Presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação do Senado, o político tucano respondeu: ‘Como diz o [senador] Mão Santa, a gente só tem três certezas nesta vida: que só vai nascer uma vez, que só vai morrer uma vez e que só vai votar no PT uma vez’.


Talento O SBT vai esticar até dezembro ‘Qual É o Seu Talento?’, espécie de versão do ‘America’s Got Talent’.


Ladeira Para não atrapalhar sua grade, a Globo decidiu não exibir o amistoso da seleção brasileira que marcou a estreia do técnico Mano Menezes e viu a audiência cair gradativamente ao longo da noite de anteontem.


Noite sem cura A novela ‘Passione’ fechou o capítulo com média de 33 pontos e 53% de share (participação entre os televisores ligados). Mais tarde, a estreia de ‘A Cura’, esperada série de João Emanuel Carneiro, cravou 20 pontos.


Central sem Copa E a reunião dos comentaristas de futebol no ‘Central da Copa’, nos mesmos moldes de um dia de exibição de jogo da seleção brasileira, fez o índice cair quatro pontos: marcou média de 16 pontos e 37% de share.


 


 


HUGH HEFNER


Fernanda Ezabella


Canadense revela o lado ativista do criador da ‘Playboy’


Hugh Hefner, o vovô de roupão vermelho acompanhado de loiras saradas, tem um passado rebelde.


E não é só pelo fato de ter criado a revista ‘Playboy’ e lutado contra o puritanismo americano. Hefner, 84, foi um paladino pela liberdade de expressão e pelos direitos civis dos negros, numa jornada que começou nos anos 50.


É esse lado ativista, e não o lado polígamo que guarda Viagra no banheiro, que interessa à canadense Brigitte Berman, ganhadora do Oscar por um filme sobre o músico Artie Shaw em 1985.


Berman acaba de estrear nos EUA ‘Hugh Hefner: Playboy, Ativista e Rebelde’, um documentário de mais de três horas, ainda sem distribuição no Brasil, sobre um dos editores mais influentes do século 20 e sua coleção de atos heroicos.


Como, por exemplo, quando usou o ‘Big Bunny’, seu jatinho particular, para ‘distribuir’ bebês órfãos do Vietnã pelos EUA. E adivinha quem ele escalou para cuidar dos infantes na jornada?


Mas o time de coelhinhas não ganha muito destaque no filme. Nem suas ex-mulheres ou seus filhos, possíveis herdeiros. Aliás, não se fala nada sobre o futuro da revista. Recentemente, Hefner fez uma oferta para comprar a parte da empresa que já não mais lhe pertence.


IMPÉRIO


Hoje, a ‘Playboy’ é um império internacional, com diversos produtos licenciados e programa de TV. É o que mantém a revista, cujas vendas foram do ápice de 7 milhões de unidades vendidas por mês nos anos 70 para uma circulação de 2 milhões.


‘Eu não acho que exista alguém que tenha apenas um lado, uma faceta. Queria mostrar um Hugh Hefner que você não vê nas festas’, disse à Folha a diretora, que costuma frequentar as sessões de cinema na mansão do magnata em Los Angeles.


Ela fez mais de 12 horas de entrevistas com Hefner, além de vasculhar imagens raras dos programas de TV que ele conduziu no final dos anos 50 reunindo músicos negros e convidados brancos, mistura explosiva para a época.


‘Sabe, ele não sai nas ruas de roupão. Mas esse é o lado playboy que ofusca o resto.’


A revista, fundada em 1953, quase saiu com o nome de ‘Stag Party’, algo como a festa do solteiro ou do veado. ‘Bem na última hora decidimos mudar o veado pelo coelho. E, se não tivéssemos, dificilmente estaríamos aqui hoje’, conta Hefner no filme.


 


 


 


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