Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > THE NEW YORK TIMES

O caso Acorn ainda em pauta

23/03/2010 na edição 582

Na semana passada, o New York Times divulgou que o Acorn – que já foi considerado o maior grupo dos EUA de ajuda aos pobres – estava prestes a declarar falência. A instituição não funciona mais em diversos estados, incluindo Maryland, onde dois ativistas conservadores que fingiram ser um cafetão e uma prostituta usaram uma câmera escondida para gravar funcionários aconselhando-os a gerenciar prostitutas menores de idade.

Na época, o NYTimes foi criticado por cobrir o caso com lentidão. O mesmo ocorreu com incidentes em escritórios da Acorn em Washington e outras cidades, que acabaram em investigações criminais e votações no Congresso para cortar financiamentos recebidos pelo grupo. Ainda assim, o NYTimes apontou para a conclusão de que a sucessão de conselhos desastrosos de funcionários sobre atividades ilegais fez com que muitos dos aliados da instituição deixassem de apoiá-la, lembra o ombudsman do jornalão, Clark Hoyt [21/3/10],

Agora, a Acorn e seus partidários alegam que o diário divulgou os fatos de maneira equivocada e, por não corrigir as informações, deixou-a nas mãos de pessoas que estavam conduzindo uma ‘campanha’ para levar o grupo à falência. Desde que os escândalos envolvendo o grupo vieram à tona, muitas contribuições deixaram de ser feitas, o que levou à redução em mais de ¾ da equipe nacional e à suspensão de vários serviços.

Com a ajuda de dois colaboradores, Hoyt revisou os registros públicos disponíveis sobre o caso, incluindo os vídeos em questão, transcrições e áudio. Além disso, ele falou com diversos envolvidos, como Bertha Lewis, executiva-chefe da Acorn, e Scott Harshbarger, ex-promotor de Massachusetts.

O ombudsman concluiu que o ativista James O’Keefe, que gravou as imagens, certamente não foi aos escritórios da organização com a roupa com a qual apareceu no começo e fim da maior parte dos vídeos – casaco de pele, óculos e chapéu, como se fosse um cafetão. ‘É fácil entender por que o NYTimes e outras organizações tiveram uma opinião diferente, pois quando O’Keefe estava na [emissora] Fox News para falar do caso, ele não negou a afirmação do apresentador sobre o fato de estar com a mesma roupa quando visitou os escritórios da instituição. Editores estão considerando uma correção sobre este fato’, afirmou Hoyt.

À espera de um milagre

Pessoas que apoiam a instituição esperam que haja uma reviravolta milagrosa: se for descoberto que O’Keefe não estava usando a fantasia de cafetão ao fazer os vídeos, pode ser que as acusações estejam erradas. Mas todo o restante dos fatos não leva a esta conclusão. Mesmo que o ativista não estivesse vestido como cafetão, ele certamente se apresentou como um. Em Washington, O’Keefe chegou a dizer que a prostituição financiaria seu futuro na política. Os vídeos foram editados e a sequência de algumas conversas foi alterada. Na opinião de Harshbarger, a mídia deveria pedir para revisar o material bruto.

Até hoje, trata-se de um assunto fascinante. Para os conservadores, a Acorn é virtualmente uma organização criminosa culpada de uma fraude no registro de eleitores em 2008, que teria contribuído para a vitória do presidente Barack Obama. Para quem apoia a instituição, a Acorn é uma organização que já ajudou milhões de americanos em desvantagem.

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