Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/1

O Estado de S. Paulo

27/01/2009 na edição 522

RÚSSIA
O Estado de S. Paulo

Jornal quer armar jornalistas no país

‘O jornal Novaya Gazeta pediu para a Justiça russa permissão para que seus jornalistas andem armados para se protegerem da onda de violência contra profissionais da imprensa. ‘O governo não está cumprindo sua missão. Portanto, estamos pedindo, oficialmente, que possamos portar armas’, disse Aleksandr Lebedev, dono da publicação. Segundo a legislação, cidadãos russos não podem andar armados, salvo com autorização. Desde 2000, 16 jornalistas foram mortos na Rússia.’

 

 

EUA
O Estado de S. Paulo

Condoleezza e Sarah preparam biografias

‘A ex-secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice assinou contrato com a agência de talentos Hollywood Williams Morrys para administrar suas palestras, conferências, livros e aparições televisivas, enquanto a ex-candidata à vice-presidência e governadora do Alasca, Sarah Palin, estaria contratando o advogado Robert Barnett para negociar os direitos autorais de sua biografia. Além delas, o ex-presidente americano George W. Bush também estaria planejando lançar um livro.’

 

 

Antonio Gonçalves Filho

Obama dá força para a literatura

‘Não é surpresa que o livro preferido do presidente americano Barack Obama seja Moby Dick, história de um marinheiro de nome bíblico, Ishmael, que parte dos Estados Unidos rumo ao Pacífico Sul junto à tripulação multiétnica de um baleeiro. É uma grande metáfora da viagem que Obama começa a empreender para cumprir a promessa feita aos americanos no dia de sua posse, a de que vai recolocar os EUA na posição de líder mundial e guia das nações. Para quem não se lembra do épico de Herman Melville (1819-1891), de dimensões shakespearianas, Moby Dick trata da luta do capitão Ahab contra um monstruoso cachalote branco, história perfeita para identificar o romance com o espírito de pioneirismo dos americanos. Quem ainda não leu, está correndo às livrarias para comprar seu exemplar. O clássico voltou às livrarias não só nos EUA como no Brasil. A editora Cosac Naify, que lançou a versão integral de Moby Dick em abril do ano passado (em nova tradução de Irene Hirsch e Alexandre Barbosa de Souza), não está dando conta dos pedidos de reposição das livrarias (isso apesar das 656 páginas e do preço salgado do livro, R$ 99).

Talvez não seja preciso enfatizar que o principal personagem do livro, o capitão Ahab, consagra o arpão que deve matar Moby Dick com o nome de três pagãos num ritual satânico. Obama, ao contrário, é um homem de fé, que coloca entre seus livros preferidos a Bíblia, embora não resista às tragédias de Shakespeare, entre as quais se destaca uma, Macbeth. Nela, as bruxas são representações simbólicas do demônio que vive dentro do ambicioso monarca. Obama, ao que se saiba, não é atraído pela demonologia, mas leu todos os livros de Harry Potter, o que o coloca sob suspeita, pelo menos dos fanáticos religiosos que quiseram queimar os livros da escritora britânica J.K. Rowling como obras do demônio.

As leituras de Obama parecem revelar um homem que, acima de tudo, preza a questão de identidade, a iniciativa individual, o esforço coletivo, a reconciliação com as raízes culturais, a construção do ‘self’, o respeito à diversidade sexual e a transcendência. Quando ainda estava em campanha, Obama divulgou uma lista de livros preferidos em que esses temas estão presentes, tanto nas obras do hoje esquecido militante americano James Baldwin (1924-1987) como nos romances da escritora britânica (nascida em Kermanshah, Irã) Doris Lessing e da americana Toni Morrison, ambas premiadas com o Nobel. Baldwin (cujo Giovanni foi relançado pela Novo Século) foi um dos primeiros americanos a tratar, ao lado do poeta Langston Hughes (outro preferido de Obama), de questões relacionadas à discriminação sexual (ambos eram homossexuais) e segregação racial (ambos eram negros).

Como se vê, a barca de Obama não é o baleeiro Pequod de Moby Dick, mas nele cabem todas as raças, tribos, credos e sexos. O presidente usa o que pode dos livros e não é segredo que formou seu heterodoxo gabinete após ler a biografia que a historiadora Doris Kearns Goodwin escreveu sobre Lincoln, Team of Rivals (Time de Rivais)- um volumoso estudo sobre como o histórico presidente escolheu três oponentes como secretários de Estado. E o que dizer do livro de Toni Morrison que Obama mais gosta, Song of Solomon (Canção de Salomão) senão que se trata de uma odisseia em busca das raízes negras de um homem criado no seio de uma família rica do Michigan e absolutamente alheia à luta pelos direitos civis dos negros (a história cobre três gerações e cita atrocidades contra os afrodescendentes nos anos 1950, denunciadas por Baldwin.)

Por fim, outro preferido de Obama, O Carnê Dourado, de Doris Lessing, trata de outros temas igualmente sérios: a desconfiança gerada pela Guerra Fria, a solidão da mulher depois do feminismo, a desilusão com as ideologias e o perigo de um conflito nuclear. Doris Lessing já sabia das coisas em 1961. Será que Obama aprendeu a lição?’

 

 

Os dez mais do presidente

‘MOBY DICK: Hermann Melville conta a perseguição a uma baleia por um monomaníaco capitão.

GILEAD: Marilynne Robinson fala de um pastor que escreve carta ao filho sobre amor e amizade.

ENSAIOS: Barack Obama gosta do texto em que Ralph Waldo Emerson fala de autoconfiança.

TRAGÉDIAS: As de Shakespeare são as que o presidente mais gosta entre as peças do bardo.

BÍBLIA: Fonte de inspiração para vários discursos seus.

HEMINGWAY: Favorito é Por Quem os Sinos Dobram?, sobre brigadista perito em explosivos.

DORIS LESSING: O Carnê Dourado, sobre escritora que conta suas memórias em diários.

TONI MORRISON: A Canção de Salomão trata da tomada de consciência de um negro.

GRAHAM GREENE: O Poder e a Glória relata o calvário de um padre de aldeia caçado no México.

LINCOLN: Modelo absoluto, tanto os discursos como o líder.’

 

 

INTERNET
John Markoff

Vírus aproveita falha no sistema da Microsoft

‘Uma nova praga digital chegou à internet e está infectando milhões de computadores pessoais e de empresas, no que parece ser o primeiro passo de um ataque em múltiplas etapas. Especialistas em segurança digital do mundo todo ainda não sabem quem programou a infecção, ou qual será a próxima fase da praga.

Nas últimas semanas um ‘worm’ – espécie de vírus de computador que copia a si mesmo e não precisa de outros programas para se propagar – varreu redes corporativas, educacionais e pessoais ao redor do mundo. Conhecida como Conficker ou Downadup, a praga é espalhada por uma vulnerabilidade recentemente descoberta no Windows, da Microsoft, e rouba senhas de rede e de aplicativos como conexões USB.

Especialistas dizem que é a pior infecção desde que o worm Slammer explodiu em 2003, e infectou em torno de 9 milhões de usuários de computadores no mundo todo.

Worms como o Conficker não apenas respingam sobre a internet com velocidade de relâmpago. Eles estragam os computadores infectados por meio de sistemas unificados chamados de botnets, os quais podem aceitar instruções de programação de seus mestres clandestinos.

Muitos usuários de computadores talvez não notem que suas máquinas foram infectadas e os estudiosos da área de segurança digital ainda não sabem qual o tamanho do estrago do botnet nos computadores. Só se sabe que eles devem usar o computador contaminado para enviar spams ou infectar outras máquinas e também roubar informações pessoais.

‘Eu não sei porque as pessoas não estão mais com medo desses programas’, diz Merrick L. Furst, cientista da computação da Georgia Tech. ‘É como ter uma doença em sua organização que faz coisas como enviar aos outros toda a informação que encontra nas máquinas que infecta’, afirma.

A Microsoft se apressou em criar um antivírus de emergência para defender o sistema operacional Windows dessa vulnerabilidade em outubro, assim que o worm começou a se espalhar em um taxa vertiginosa. No começo da semana, pesquisadores da Qualys, empresa de segurança digital do Vale do Silício, estimaram que cerca de 30% dos computadores que utilizam Windows conectados à internet ainda são vulneráveis à infecção, pois não foram atualizados com o antivírus.

Segundo os pesquisadores, o sucesso do Conficker se deve em parte à segurança frouxa por parte das empresas e indivíduos, que não atualizam seus antivírus com frequência. Um executivo da Microsoft defendeu o serviço de atualização da companhia, ao afirmar que não existe uma solução única para o problema.

‘Acredito que a estratégia de atualização é o que vale’, diz George Stathakopoulos, gerente geral da divisão de engenharia e comunicação da Microsoft. Ele afirma que as empresas devem estar atentas tanto à atualização frequente dos softwares quanto à segurança das senhas.

Alfred Huger, vice presidente da unidade de segurança digital da Symantec, diz que ‘trata-se de um worm muito bem elaborado.’’

 

 

Mariângela Gallucci

Google recorre ao STF contra decisão do TJ-RJ

‘A Google do Brasil recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, para tentar reverter uma decisão da Justiça do Estado do Rio que obriga a empresa a fornecer dados de comunicação dos usuários do site de relacionamentos Orkut. A Google quer que o STF suspenda uma decisão do TJ-RJ que impediu encaminhamento de um recurso ao Supremo no qual é questionada a constitucionalidade da ordem da Justiça fluminense para fornecimento dos dados.

De acordo com os advogados da empresa, se for mantida a decisão, podem ocorrer ‘gravíssimos e irreparáveis prejuízos’. Segundo a Google, a decisão determina que sejam fornecidos dados de comunicação telemática sigilosos e de intimidade e da vida privada dos usuários do site de relacionamentos Orkut com objetivo de realizar uma investigação criminal.

A empresa alega que os dados somente poderiam ser fornecidos após uma autorização judicial específica para cada caso. ‘A Google não se recusa a fornecer os dados dos usuários do Orkut’, afirma a empresa. ‘Na verdade, (a empresa) já os fornece ao Ministério Público e à Polícia Civil fluminense, e a todas as demais autoridades brasileiras, bastando apenas que haja ordem judicial’, diz.

Se for confirmada a decisão contestada pela Google, a empresa assegura, desde já, que Ministério Público e Polícia Civil terão total liberdade para quebrar o sigilo sem qualquer ordem ou controle judicial.

‘Com todo o respeito, não se pode furtar em dizer que o egrégio tribunal local está concedendo verdadeira ?carta branca? tanto para o Ministério Público como até mesmo para a Polícia Civil do Rio, possibilitando-os devassar a intimidade e a privacidade de dezenas de milhões de brasileiros, sem nenhum controle judicial’, afirma. Segundo a empresa, existem hoje no Brasil 37 milhões de usuários do Orkut.’

 

 

OSCAR
O Estado de S. Paulo

Fãs de Batman criticam a Academia

‘A ausência de Batman – O Cavaleiro das Trevas da lista dos finalistas ao Oscar de melhor filme gerou protestos em fãs de diversos pontos do planeta, que se encontram em comunidades virtuais da internet. Apesar das oito indicações, o longa dirigido por Christopher Nolan não disputa as principais categorias, com exceção de Heath Ledger, vitorioso praticamente certo como ator coadjuvante.

‘A Academia está defasada’, afirmou um seguidor do Cavaleiro das Trevas na rede Facebook, na qual o filme conta com mais de 1,3 milhão de amigos. ‘Quem, por acaso, assistiu ao O Leitor?’, questionou outro, desdenhando do longa de Stephen Daldry, um dos indicados.

Termos com ‘farsa’, ‘ultraje’ e ‘tragédia’ eram comuns nos recados deixados pelos fãs, também unidos na torcida pela vitória de Ledger. O intérprete do Coringa tornou-se um fetiche para os fanáticos, não apenas por sua impressionante interpretação mas pelo fato de ter morrido precocemente há um ano, depois de uma ingestão acidental de medicamentos.

Se realmente vencer, Ledger será o segundo ator a receber um Oscar póstumo – o primeiro foi Peter Finch, por Rede de Intrigas, em 1976. Em seus 81 anos de história, a Academia já premiou 13 profissionais que morreram antes da cerimônia.’

 

 

TELEVISÃO
Keila Jimenez

Globo não desiste

‘Apesar de a Record já se anunciar como a compradora, com exclusividade ‘no mundo’ dos Jogos Pan Americanos de 2015, para a Globo, a corrida pelo evento ainda não acabou.

A emissora estaria ainda tentando na Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) reverter a decisão tomada na semana passada, no México.

Segundo a Central Globo de Comunicação, a rede só se pronunciará após esgotar as tratativas com a Odepa.

Na Record, as tais tratativas são vistas com surpresa. O contrato da compra do Pan 2015 – pelo qual a emissora se comprometeu a pagar US$ 20 milhões – já estaria nas mãos da rede.

Por esse documento, fica entregue à Record o direito de transmissão do evento e a revenda para veículos de mídia do mundo inteiro.

Na Record não é descartada a possibilidade de o Pan de 2015 ser repassado também para a TV paga. Já na TV aberta, o evento terá exclusividade da rede.

Na Globo, a rasteira na compra de eventos desse porte vem gerando uma crise interna. Em 2008, a emissora perdeu para a Record o Pan de 2011 e a Olimpíada de Londres, em 2012.’

 

 

O Estado de S. Paulo

GNT estreia Dilemas Fashion

‘O GNT está mobilizando mesmo seu elenco na cobertura da São Paulo Fashion Week. Depois de Danielle Winits, outra a ganhar um quadro durante a transmissão dos desfiles é Mônica Martelli – protagonista da série Dilemas de Irene. Inspirado no programa, em Dilemas Fashion a atriz vai incorporar a personagem e ajudar os telespectadores a tirar dúvidas sobre situações cotidianas relacionadas à moda. O assunto é a roupa do dia a dia, que modelito usar em cada ocasião, o que fazer com uma blusa de tricô que soltou um fio…’

 

 

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