Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 23 E 24/10

O Globo

26/10/2010 na edição 613

ELEIÇÕES

Roberto Maltchik e Sérgio Roxo

Quebra de sigilo: PF ouvirá jornalista de novo

Desde o último dia 14, a Polícia Federal reúne provas contra o jornalista Amaury Ribeiro Jr., mas até ontem ainda não o havia indiciado como responsável pela quebra de sigilo de tucanos e familiares do presidenciável José Serra (PSDB).

Amaury é a única pessoa diretamente envolvida no escândalo ainda não indiciada, mas até o advogado dele, Adriano Bretas, diz acreditar que isso vá ocorrer segunda-feira, quando Amaury prestará novo depoimento à PF, às 10h, em Brasília.

— Este pedido para ir a Brasília é um sintoma de que haverá indiciamento — afirmou.

Amaury será ouvido pelo delegado Hugo Uruguai. No último dia 19, a PF procurara Amaury na Rede Record, emissora para a qual trabalha desde agosto deste ano. No entanto, um representante da emissora informou que o jornalista estaria viajando. Nos dois dias seguintes, a PF continuou atrás do jornalista. premiado, que sempre fez trabalhos lícitos e tem lastro moral’.

O objetivo é evitar um eventual pedido de prisão do cliente.

Citado no depoimento de Amaury à PF, Valdemir Garreta, atualmente sócio da empresa FX Comunicação Global, disse que, apesar de ser amigo do deputado estadual Rui Falcão e ter prestado serviços para a campanha dele, não tem relação com o suposto furto de dados de pessoas ligadas ao candidato José Serra do computador de Amaury.

— Não tive nenhuma relação comercial na campanha ou na pré-campanha com a empresa Lanza ou com nenhuma das empresas listadas nesse episódio — disse Garreta.

Ele afirmou que nada tem a dizer sobre a violação do sigilo de tucanos e do suposto envolvimento de Amaury, por desconhecer o tema. Amaury se referiu a Garreta como sócio da empresa de comunicação Marka, mas Garreta disse não ter participação societária nela.

À PF, Amaury, que encomendou a quebra de sigilo fiscal de tucanos, afirmou que Rui Falcão, que é coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, teria copiado de seu computador informações sigilosas e permitido que os dados fossem levados para dentro da campanha petista.

O dossiê, de acordo com o jornalista, seria utilizado por um grupo de inteligência que estaria em gestação na précampanha de Dilma. A equipe, liderada pelo jornalista Luiz Lanzetta, foi extinta após a revelação de sua existência, no começo de junho deste ano.

No depoimento, Amaur y contou que Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação, disselhe que havia discutido com Garreta, porque Garreta exigia participar dos trabalhos de comunicação já desenvolvidos pela Lanza na pré-campanha de Dilma, querendo dividir os valores recebidos para a contratação de jornalistas que trabalhavam na campanha. Garreta negou que essa discussão tenha existido e disse que não conhece Amaury.

 

TELEVISÃO

Redes americanas bloqueiam acesso a programas pelo serviço Google TV

A Google tenta negociar com as redes da TV aberta americana ABC, NBC e CBS o fim do bloqueio do conteúdo destas pelo serviço Google TV, informou ontem uma fonte próxima do assunto. As três, as maiores dos Estados Unidos, não estão permitindo que o Google TV — que permite aos usuários ver conteúdo da internet em seus televisores — acesse seus programas.

Um deles é a popular série ‘CSI’, exibida pela CBS.

O bloqueio do Google TV pela CBS foi divulgado na quinta-feira pelo ‘Wall Street Journal’. A rede não comentou o assunto, mas a Walt Disney, que controla a ABC, e a NBC Universal confirmaram o bloqueio. A Fox, da News Corp., também analisaria bloquear o Google TV, segundo fontes.

A investida da gigante da internet Google na televisão é vista com desconfiança pelas grandes redes, temerosas de perder anunciantes, disse o analista da Gartner Van Baker. Para o Google TV, a empresa já fechou acordos com as redes HBO e Turner Broadcasting, que controla os canais TNT e CNN.

Os problemas da Google não acabam aí. Ontem, a empresa admitiu que, ao montar o Google Street View, foram coletados e-mails e até senhas de internautas. Em maio, quando o assunto veio à tona, a empresa afirmara que, como os carros estavam sempre em movimento, só haviam sido capturados fragmentos de dados sensíveis.

Desde então, reguladores de vários dos mais de 30 países onde os carros operaram inspecionaram os dados. ‘Ficou claro nas inspeções que, embora a maioria dos dados seja fragmentada, em alguns casos emails e endereços de internet completos foram capturados, assim como senhas’, afirmou no site da Google o vice-presidente de Engenharia e Pesquisa da empresa, Alan Eustace.

A Google disse que apagará os dados assim que for possível.

E informou ter ampliado os treinamentos de privacidade para engenheiros.

China lança rival para Google Earth Ontem, a agência Bloomberg News ainda revelou que a Google recorre a paraísos fiscais para reduzir o Imposto de Renda pago nos EUA. Nos últimos três anos, a economia teria chegado a US$ 3,1 bilhões.

E a China lançou na quintafeira um serviço de mapeamento via satélite para concorrer com o Google Earth. O Map World está no endereço www.tianditu.cn. O site é em chinês, mas usuários do browser Chrome, da Google, conseguem traduzir grande parte dos comandos.

A Google não solicitou licença para operar um serviço de mapeamento on-line na China, informou um jornal chinês, mas o Google Earth pode ser acessado naquele país.

 

INTERNET

Brasil é o país mais ativo no Twitter

Estudo publicado este mês pela consultoria comScore indica que 23% dos internautas brasileiros, frente a 11,9% dos americanos, visitaram o Twitter em agosto. Essa é a maior taxa de participação no microblog registrada em todo o mundo. E devido a esse resultado, a revista americana ‘Time’ tenta explicar o porquê de o Brasil recorrer tanto ao site de mensagens curtas. O microblog, afirma, conquistou um nicho especial por aqui.

‘Num país conhecido pelo abismo entre ricos e pobres, o Twitter conseguiu gerenciar essa distância que separa as classes’, diz a reportagem.

Os americanos ainda são a nacionalidade mais bem representada — em termos numéricos — entre as 160 milhões de pessoas que usam o Twitter, diz a ‘Time’. Apesar disso, os usuários internacionais já representam 65% dos acessos ao microblog, criado em 2006 por dois engenheiros de software nos EUA.

‘Os brasileiros têm sido vorazes’, diz Katie Stanton, vicepresidente de Vendas e Marketing internacional do Twitter.

James Green, professor de Estudos Brasileiros e Portugueses da Brown University, explica à ‘Time’ que o sucesso do Twitter no país está diretamente ligado à libertação da sombra do autoritarismo e da descoberta do Brasil como uma nova fonte de poder global. ‘Há uma crescente noção da importância do poder do país e o fato de o Brasil estar longe do resto do mundo motiva os brasileiros.

Há uma sede de descobrir as últimas tendências.’ De acordo com Green, ações públicas e privadas ajudaram a popularizar a internet no país. Para ele, o Brasil foi um pioneiro em democratizar o acesso a computadores e o uso da internet pelos pobres, muito à frente dos EUA.

Outros sucessos também são ressaltados. Em agosto, segundo a comScore, o Orkut teve 36 milhões de visitantes únicos no Brasil. E o Facebook cresceu 479% no total de membros em um ano, para 9,5 milhões.

 

O GLOBO é o jornal mais seguido no microblog

Levantamento feito pelo site especializado Comunique-se mostra que O GLOBO é o jornal brasileiro que contabiliza mais seguidores no Twitter entre os de maior circulação. Até as 19h30m de ontem, o GLOBO reunia 122.737 seguidores, enquanto ‘O Estado de S. Paulo’ aparecia com 49.908 e a ‘Folha de S.Paulo’ com 32.081. O jornal ‘Extra’ tinha 24.273 seguidores, enquanto o mineiro ‘Super Notícia’, que tem suas reportagens postadas no microblog pelo perfil O Tempo Online, tem cerca de cinco mil seguidores.

— Com Twitter, atingimos uma audiência que está espalhada pelas redes sociais, que não necessariamente lê a edição impressa ou acessa o site. A ferramenta não é apenas um canal de distribuição de conteúdo. Valorizamos a participação, a interação com os que nos seguem — diz Nívia Carvalho, editora de Mídias Sociais e Interatividade do GLOBO.

Entre os jornais analisados, o Globo também lidera no Facebook, com 5.500 ‘amigos’.

 

Nelson Vasconcelos

Murdoch desiste de venda de conteúdo

Personagem mais importante da indústria mundial de mídia, o magnata Rupert Murdoch — dono da News Corp — desistiu de tocar o projeto Alesia, que pretendia ser a salvação das editoras de jornais e revistas nesses tempos de circulação gratuita de informação e download instantâneo de edições digitais.

A ‘banca de jornais online’, que consumiu US$ 31,5 milhões ao longo do último ano, estava para entrar em operação agora em novembro. Cerca de US$ 1,5 milhão já estaria reservado somente para a campanha publicitária de lançamento do projeto.

Inicialmente, o Alesia reuniria o conteúdo produzido por jornais da News Corp, incluindo títulos importantes como ‘Wall Street Journal’, ‘The Times’, ‘Sunday Times’ e ‘The Sun’. O projeto desse ‘agregador de conteúdo’ previa que, em seguida, outras editoras começassem a vender as edições digitais de seus veículos através da plataforma da Alesia, que envolveu cerca de cem profissionais.

Não deu certo, como informou ontem a Brand Republic.

Segundo sites especializados no setor de mídia, a News Corp não conseguiu o apoio de empresas concorrentes.

Além disso, o projeto demorou muito a sair do papel.

No relógio da internet, muita coisa acontece em um ano.

Basta ver a explosão na venda de tablets nos últimos quatro meses, mudando completamente o cenário para a comercialização de conteúdo.

O projeto Alesia era uma tentativa de brigar contra a circulação gratuita de notícias na rede — encarnada especialmente pelo Google News, agregador de conteúdo da inimiga número um de Murdoch.

 

VAZAMENTO

WikiLeaks: EUA ignoraram tortura no Iraque

Mais de cem mil mortos — entre os quais pelo menos 66 mil civis —, execuções sumárias, incontáveis casos de abusos e torturas ignorados pelos americanos, limpeza étnica em Bagdá e a revelação da crescente influência iraniana armando milícias xiitas no Iraque.

Após semanas de rumores, o portal WikiLeaks tornou públicos ontem mais 400 mil documentos confidenciais do Exército dos Estados Unidos sobre a guerra no Iraque — no que analistas já classificam como a maior quebra de sigilo militar da História do Pentágono.

Os documentos foram vazados pelo site a diversos jornais do mundo — sendo publicados simultaneamente. Sem esconder o incômodo pela revelação de detalhes pouco honrosos de suas ações no Iraque, o Pentágono mobilizou uma equipe de 120 homens para averiguar o conteúdo do material — mas apressouse em minimizar sua relevância, garantindo que não se trata de nada novo.

— Os tipos de incidentes descritos nesses relatórios, onde iraquianos inocentes foram mortos, onde há alegações de abuso de prisioneiros, foram todos muito bem discutidos — afirmou o porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan.

Irã teria capturado três americanos no Iraque Segundo os documentos, o número de mortes causado pela guerra no Iraque chega a 109 mil. A revelação mais contundente, no entanto, é a de que o número de vítimas civis chega a 66 mil, sendo que mais de 15 mil perderam a vida em episódios que não haviam sido, até então, divulgados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — contrariando as versões americanas e britânicas de que não existe um número oficial de vítimas civis do conflito.

Os relatórios apontam episódios sangrentos como o de 14 de agosto de 2007, quando caminhõesbomba mataram pelo menos 500 pessoas numa área rural junto à fronteira com a Síria.

Para constrangimento dos EUA, os documentos revelam que pelo menos 1,3 mil denúncias de abusos, torturas e até estupros cometidos por oficiais iraquianos foram ignorados pelos americanos.

De acordo com a rede de TV al Jazeera, os papéis descrevem situações nas quais soldados americanos denunciaram a superiores maus-tratos como prisioneiros vendados, linchados, atacados no rosto e na cabeça, vítimas de choques elétricos nos pés e nos genitais e até casos de sodomização com garrafas d’água.

Não faltam ainda relatos do assassinato de civis por militares da Otan em postos de controle, em operações e até em voos de helicóptero — motivo pelos qual de salvadores da pátria por derrubarem a ditadura de Saddam Hussein, os americanos se transformaram em inimigos para a maioria dos iraquianos.

Com atual premier iraquiano, Nuri al-Maliki, lutando pela formação de uma coalizão de governo que deixe de fora a minoria sunita do país, outros relatos apontam para indícios cada vez mais claros da interferência do Irã sobre o vizinho. Um dos documentos revela que, em 22 de dezembro de 2006, o comando militar dos EUA em Bagdá emitiu um alerta: Azhar al-Dulaimi, comandante de uma milícia xiita, planejava uma onda de sequestros na capital. Mas, o que tornava o informe preocupante eram relatórios da inteligência dando conta de que al-Dulaimi havia recebido treinamento paramilitar das Guardas Revolucionárias do Irã e do grupo libanês Hezbollah — fato que, segundo analistas, pode, sozinho, ser considerado simbólico do fracasso da estratégia americana no Iraque: ver o xiismo fundamentalista iraniano espalhandose pelo Oriente Médio.

‘Dulaymi teria obtido treinamento de agentes do Hezbollah perto da cidade de Qom, no Irã, sob a supervisão da Guarda Revolucionária em julho de 2006’, garantia o relatório.

No Iraque, o Irã protagoniza ainda outro episódio desconfort á v e l p a r a o g o v e r n o d e Washington: a captura dos três mochileiros americanos detidos em Teerã sob acusação de espionagem.

Sarah Shourd, seu noivo Shane Bauer e o colega Josh Fattal foram detidos, segundo o WikiLeaks, em território iraquiano — o que comprovaria a versão dos jovens, que contaram estar fazendo uma caminhada pela região montanhosa do Curdistão iraquiano no momento da captura.

O site já havia causado polêmica ao revelar, em julho passado, mais de 70 mil arquivos secretos sobre a guerra do Afeganistão.

Pelo Twitter, o WikiLeaks monitorou a publicação de todo o material e não hesitou em desafiar a fúria do Pentágono: ‘É um momento extraordinário no jornalismo’, escreveu.

 

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