O racismo que existiu | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

O racismo que existiu

Por Sobre artigo de Michael Getler em 24/08/2004 na edição 291

No dia 10/8/04, o Washington Post publicou matéria sobre o movimento de um grupo de comerciantes e fabricantes de roupas negros chamado Unity Clothing Association para alertar o público sobre o fato de que a popular marca de streetwear Visionz pertence a um empresário de origem coreana. A reportagem era acompanhada por fotos de dois dos agressivos folhetos que a Unity tem distribuído em casas noturnas, praças esportivas e centros comerciais.

Muitos leitores escreveram ao ombudsman do diário, Michael Getler [22/8/04], reclamando de a autora da matéria, Natalie Hopkinson, não ter tocado no aspecto de que claramente se configurava uma postura racista por parte da associação negra. O que foi retratado como uma mera disputa comercial é, na verdade, uma campanha de boicote a uma empresa motivada pela etnia de seu dono. ‘Fico imaginando como o Post teria noticiado se um grupo de 30 empresários brancos se juntasse num esforço para tirar um homem negro, coreano ou hispânico de um negócio simplesmente porque ele está oferecendo um produto similar mais barato’, observou um leitor. ‘A Unity Clothing Association é mostrada como um efetivo grupo de ativistas. A única coisa em que têm sido efetivos é a promoção do racismo e o dano a um negócio honesto’, queixou-se outro.

Getler comenta que a reportagem foi eficiente em mostrar a disputa entre setores das comunidades negras e coreanas, e que o racismo, neste caso, é tão evidente que a imagem dos folhetos falam por si só. No entanto, concorda que as objeções do público são válidas, já que foi ‘permitido ao racismo simplesmente existir’. O ombudsman nota que a opinião dos elementos envolvidos – os comerciantes e as pessoas que recebem os folhetos – sobre isso poderia ter sido mostrada. Tampouco foi dado espaço a uma resposta da comunidade coreana. O texto mostra praticamente só o ponto de vista dos negros. Trata-se de uma matéria que tem como virtude chamar a atenção para um assunto do qual os leitores provavelmente não ficariam sabendo se ela não tivesse saído, mas que poderia ter sido melhor contextualizada.

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