Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > TV CULTURA

Osvaldo Martins

21/12/2004 na edição 308

‘Como já foi dito aqui neste espaço, os telespectadores da TV Cultura que pagam impostos em São Paulo constituem uma espécie de Assembléia de Acionistas – pois contribuem, via Tesouro do Estado, com cerca de 80% das receitas da emissora.

Um dos deveres do ombudsman é servir de canal de interlocução da Cultura com seu público, e vice-versa, e isso se faz atualmente por meio dos acessos disponíveis nesta página. Há os que comentam os comentários e as notas do ombudsman; os que comentam os comentários dos comentários; os que dirigem críticas, perguntas e sugestões, e que aqui mesmo recebem as respostas; e há, ainda, os que passam e-mails abordando livremente qualquer tema, mesmo os não tratados antes nestes espaços.

Dos cerca de 50 e-mails que recebo por dia, boa parte é de acionistas preocupados com os rumos da TV Cultura, sua programação – sua missão, enfim, como emissora pública. Divulgar algumas dessas reflexões contribui, acredito, para enriquecer o debate. Por exemplo: a retirada da freqüência diária do desenho Caillou (agora exibido aos sábados e domingos) ainda provoca manifestações de inconformismo. Entre dezenas delas, selecionei três:

Apesar de minha reclamação anterior não ter sido respondida, bem como a maioria das manifestações dos pais abaixo, venho novamente pedir para que voltem a passar diariamente o programa Caillou. Não entendo. Será que vocês não se tocaram, que quem está reclamando são os pais e não as crianças?! E digo isso, porque os nossos filhos recorrem a nós, que somos responsáveis pela educação deles. Nós, os pais, sabemos o que é melhor para os nossos filhos, portanto, vocês deveriam considerar que o programa diário é parte fundamental do dia-a-dia de nossas crianças. Vejam: não é um ou dois, são milhares. Nesse e-mail, tem uma partezinha somente. Queiram por gentileza atender aos pedidos de nossos filhos, e não encarem como: pais desesperados, crianças chorosas, como o `Ouvidor´ da cultura o fez, com um certo desprezo. Obrigado. Gilberto Ferreira da Silva, 34 anos, pai de João Victor, de 4 anos e meio.

Nos parques, nas praças, nas escolinhas infantis… em todo lugar ouvimos as crianças reclamando do sumiço do Caillou. Existem, na programação infantil da TV Cultura, tantos programas repetidos duas ou mais vezes ao dia… Por favor, insiram esse desenho na programação diária, e não apenas no final de semana. Nossas crianças se identificam com Caillou e através dessas experiências do universo infantil, tão parecido com o ambiente delas, elas aprendem a interagir com os colegas, considerar os idosos, estimar a família, tratar bem os animais, lidar melhor com temas que causam perplexidade às suas mentes infantis (medo, limites, etc), além de conhecerem aspectos de deferentes culturas.

Como mãe e pedagoga eu peço: por favor, tragam Caillou de volta todos os dias, e ajudem a sociedade por estarem não apenas conhecimento, mas imprimindo valores que são tão necessários à sociedade atual. Lilian Martins Larroca.

Pedi Caillou para minha mãe depois que voltei da escola. Ela disse que não passa mais. Fiquei triste. Tenho quase só quatro anos e Cailliou é meu amigo. Será que dá para vocês chamarem ele de volta todos os dias e não só de sábado e domingo? Um beijo, Bruna Fiora.

O Roda Viva Especial do Dia Internacional da Criança (12/12), com crianças entrevistando o governador Geraldo Alckmin, também mereceu manifestações de desagrado. Reproduzo a que considero melhor refletir a opinião dos demais acionistas:

Sou telespectador assíduo desta emissora e procuro sempre mostrar às outras pessoas a seriedade e compromisso com a qualidade preservada pela emissora. Mas foi com profunda tristeza que assisti o programa Roda Viva Especial do Dia Internacional da Criança. Nunca foi tão clara a interferência do Estado (patrão) na programação desta emissora como ontem. De comemoração ao Dia Internacional da Criança nada vimos, o que pudemos ver foi uma encenação, isto é, propaganda fora dos programas dos partidos políticos e ainda gratuito do Governo do Estado de São Paulo. Utilizou-se de um bem público que é a TV Cultura para fazer propaganda política partidária. Lamento profundamente que a TV Cultura chegou a esse ponto, lamento por alguns profissionais que tenham que engolir medidas autoritárias designadas pelas autoridades do governo. Claro que a partir deste fato, deverei rever meus conceitos sobre qualidade e independência. Luiz Roberto Magossi.’

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