Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > TV CULTURA

Osvaldo Martins

17/10/2005 na edição 351

‘O embargo, de praticamente o mundo inteiro, à importação de carne bovina brasileira, motivado pela descoberta de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, tem um efeito de furacão Katrina na economia nacional. Um desastre de proporções gigantescas. Como se sabe, o Brasil conseguiu a duras penas a posição de maior produtor e maior exportador mundial de carne – um negócio na casa dos 3 bilhões de dólares/ano.

Os principais jornais do país têm dado destaque ao tema em suas capas e extensas matérias nas páginas do noticiário econômico, além de editoriais, comentários, artigos e entrevistas. Colocam o assunto, sem exagero, no status de tragédia nacional. O tamanho do prejuízo material equivale ao de uma hipotética destruição dos principais pontos turísticos do litoral do Nordeste.

Enquanto isso, os telejornais tratam o problema com abordagens burocráticas. A Globo, por exemplo, não lhe concedeu seu espaço nobre semanal, o Globo Repórter. Idem as demais emissoras de sinal aberto. E a Cultura? Idem também.

Além da evidente importância para a economia do país, o tema aftosa tem desdobramentos políticos igualmente relevantes. O ministro da Agricultura entrou em rota de colisão com a equipe econômica do governo, enquanto o presidente da República, no exterior, jogou a culpa nos pecuaristas. De quebra, uma conseqüência simpática: a queda do preço da carne no balcão do açougue.

Este seria o momento, tantas vezes prometido quanto adiado, de inaugurar no Jornal da Cultura um bloco inteiro para aprofundar determinada informação, estabelecendo assim o seu diferencial em relação às demais TVs. Estou ciente de que a direção de jornalismo da Cultura pretende implantar esse modelo, mas todos sabemos que ainda não o fez. Já que não pode competir com as outras emissoras, que espalham correspondentes mundo a fora, a Cultura escolheu esse nicho – o de explicar os fatos – para criar a sua identidade. A crise da febre aftosa é (ainda é tempo) uma boa oportunidade para iniciar a nova etapa do JC, antes mesmo da sua ampliação para 50 minutos de duração.’

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JORNAL DE DEBATES > TV CULTURA

Osvaldo Martins

17/10/2005 na edição 351

‘O embargo, de praticamente o mundo inteiro, à importação de carne bovina brasileira, motivado pela descoberta de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, tem um efeito de furacão Katrina na economia nacional. Um desastre de proporções gigantescas. Como se sabe, o Brasil conseguiu a duras penas a posição de maior produtor e maior exportador mundial de carne – um negócio na casa dos 3 bilhões de dólares/ano.

Os principais jornais do país têm dado destaque ao tema em suas capas e extensas matérias nas páginas do noticiário econômico, além de editoriais, comentários, artigos e entrevistas. Colocam o assunto, sem exagero, no status de tragédia nacional. O tamanho do prejuízo material equivale ao de uma hipotética destruição dos principais pontos turísticos do litoral do Nordeste.

Enquanto isso, os telejornais tratam o problema com abordagens burocráticas. A Globo, por exemplo, não lhe concedeu seu espaço nobre semanal, o Globo Repórter. Idem as demais emissoras de sinal aberto. E a Cultura? Idem também.

Além da evidente importância para a economia do país, o tema aftosa tem desdobramentos políticos igualmente relevantes. O ministro da Agricultura entrou em rota de colisão com a equipe econômica do governo, enquanto o presidente da República, no exterior, jogou a culpa nos pecuaristas. De quebra, uma conseqüência simpática: a queda do preço da carne no balcão do açougue.

Este seria o momento, tantas vezes prometido quanto adiado, de inaugurar no Jornal da Cultura um bloco inteiro para aprofundar determinada informação, estabelecendo assim o seu diferencial em relação às demais TVs. Estou ciente de que a direção de jornalismo da Cultura pretende implantar esse modelo, mas todos sabemos que ainda não o fez. Já que não pode competir com as outras emissoras, que espalham correspondentes mundo a fora, a Cultura escolheu esse nicho – o de explicar os fatos – para criar a sua identidade. A crise da febre aftosa é (ainda é tempo) uma boa oportunidade para iniciar a nova etapa do JC, antes mesmo da sua ampliação para 50 minutos de duração.’

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