Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > TV CULTURA

Osvaldo Martins

10/04/2006 na edição 376

‘De repente, descobriram o ombudsman.

Não deve ter sido fácil, posto que há seis meses, desde que a Cultura reformulou o seu site, não mais existe um link na home page direto para esta página. Antes havia, mas foi retirado. Quem quiser acessar o ombudsman tem que entrar no site, clicar o botão Fundação Padre Anchieta para, ao lado de Administração, Receitas e Patrimônio, encontrar o caminho até aqui. Em compensação, a home tem um link para Jornalismo e outro para Documentário; é como se algum site de saúde pública tivesse um link para Medicina e, ao lado, outro link para Cardiologia. Mas… deixa pra lá.

O fato é que sou o ombudsman mais independente do mundo e, com certeza, também o mais escondido. No formato anterior do site da Cultura recebia cerca de 40 e-mails por dia e os telespectadores podiam postar seus comentários; não podem mais. Hoje recebo (desde outubro passado) cerca de dez e-mails por semana, a maioria de estudantes de jornalismo que preparam seus trabalhos de conclusão de curso. Mensagens de telespectadores da Cultura são raras, e muitas tratam de temas que fogem à minha alçada.

O repórter e comentarista Daniel Castro, da Folha de S. Paulo, me achou com nove dias de atraso, publicando em 3 de abril considerações sobre o meu comentário de 23 de março. O Estadão de hoje, 4 de abril, foi na sopa da Folha e, resultado: em dois dias recebi 184 e-mails. Primeira óbvia conclusão: os dois jornais têm índices de leitura infinitamente superiores aos da página do ombudsman. Por conseqüência, segunda conclusão: os 184 e-mails referem-se ao que os jornais publicaram, e não ao que escrevi neste espaço. E, claro, muitos leram apenas os títulos das matérias, o que é normal.

A matéria da Folha está correta, até porque apenas transcreve trechos do meu comentário. No final, porém, atribui a esse texto o pedido de demissão do diretor de jornalismo da emissora. Não sei se isso ocorreu, pois da TV Cultura só acompanho o que ela põe no ar. Não trabalho na, mas para a TV Cultura – até junho, quando termina meu contrato.

Já o Estadão ouviu da assessoria de imprensa da Cultura que ‘a opinião do ombudsman não reflete nem expressa as idéias da emissora’, o que está certíssimo. Ombudsman não é porta-voz. Como entrou mais atrasado no assunto que a Folha, o Estadão sapeca uma retranca ‘Crise’ em cima do título ‘Ombudsman quer o fim do jornalismo da TV Cultura’ – uma rematada bobagem. Não surpreende que jornalistas tenham dificuldade para escrever; dramático é que também não entendam o que lêem.

Não vou repetir os conceitos emitidos no comentário de 23 de março, que estão aqui ao lado, na terceira linha do canto superior esquerdo da página, é só clicar. Quem tiver a pachorra de conferir lerá que não prego a extinção do jornalismo, mas de telejornais inúteis como o atual Jornal da Cultura. E ofereço, como alternativa, uma completa reformulação – tese que defendo desde setembro de 2004.

Ainda segundo o Estadão, ‘a emissora afirma que faz parte da sua missão informar os cidadãos’. Pois que cumpra, então, a sua missão. Quanto aos e-mails recebidos de telespectadores, para mim mais importantes que notas da imprensa, eles serão o tema do próximo comentário.’

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ARMAZéM LITERáRIO > TV CULTURA

Osvaldo Martins

10/04/2006 na edição 376

‘De repente, descobriram o ombudsman.

Não deve ter sido fácil, posto que há seis meses, desde que a Cultura reformulou o seu site, não mais existe um link na home page direto para esta página. Antes havia, mas foi retirado. Quem quiser acessar o ombudsman tem que entrar no site, clicar o botão Fundação Padre Anchieta para, ao lado de Administração, Receitas e Patrimônio, encontrar o caminho até aqui. Em compensação, a home tem um link para Jornalismo e outro para Documentário; é como se algum site de saúde pública tivesse um link para Medicina e, ao lado, outro link para Cardiologia. Mas… deixa pra lá.

O fato é que sou o ombudsman mais independente do mundo e, com certeza, também o mais escondido. No formato anterior do site da Cultura recebia cerca de 40 e-mails por dia e os telespectadores podiam postar seus comentários; não podem mais. Hoje recebo (desde outubro passado) cerca de dez e-mails por semana, a maioria de estudantes de jornalismo que preparam seus trabalhos de conclusão de curso. Mensagens de telespectadores da Cultura são raras, e muitas tratam de temas que fogem à minha alçada.

O repórter e comentarista Daniel Castro, da Folha de S. Paulo, me achou com nove dias de atraso, publicando em 3 de abril considerações sobre o meu comentário de 23 de março. O Estadão de hoje, 4 de abril, foi na sopa da Folha e, resultado: em dois dias recebi 184 e-mails. Primeira óbvia conclusão: os dois jornais têm índices de leitura infinitamente superiores aos da página do ombudsman. Por conseqüência, segunda conclusão: os 184 e-mails referem-se ao que os jornais publicaram, e não ao que escrevi neste espaço. E, claro, muitos leram apenas os títulos das matérias, o que é normal.

A matéria da Folha está correta, até porque apenas transcreve trechos do meu comentário. No final, porém, atribui a esse texto o pedido de demissão do diretor de jornalismo da emissora. Não sei se isso ocorreu, pois da TV Cultura só acompanho o que ela põe no ar. Não trabalho na, mas para a TV Cultura – até junho, quando termina meu contrato.

Já o Estadão ouviu da assessoria de imprensa da Cultura que ‘a opinião do ombudsman não reflete nem expressa as idéias da emissora’, o que está certíssimo. Ombudsman não é porta-voz. Como entrou mais atrasado no assunto que a Folha, o Estadão sapeca uma retranca ‘Crise’ em cima do título ‘Ombudsman quer o fim do jornalismo da TV Cultura’ – uma rematada bobagem. Não surpreende que jornalistas tenham dificuldade para escrever; dramático é que também não entendam o que lêem.

Não vou repetir os conceitos emitidos no comentário de 23 de março, que estão aqui ao lado, na terceira linha do canto superior esquerdo da página, é só clicar. Quem tiver a pachorra de conferir lerá que não prego a extinção do jornalismo, mas de telejornais inúteis como o atual Jornal da Cultura. E ofereço, como alternativa, uma completa reformulação – tese que defendo desde setembro de 2004.

Ainda segundo o Estadão, ‘a emissora afirma que faz parte da sua missão informar os cidadãos’. Pois que cumpra, então, a sua missão. Quanto aos e-mails recebidos de telespectadores, para mim mais importantes que notas da imprensa, eles serão o tema do próximo comentário.’

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