Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 17/05

Pânico em SP faz audiência
da televisão bater recorde

Por Luiz Antonio Magalhães em 17/05/2006 na edição 317


Leia abaixo os textos de quarta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 17 de maio de 2006


SP SOB ATAQUE
Daniel Castro


Pânico em SP supera 11 de Setembro no Ibope


‘Turbinada pela cobertura e pelo medo dos ataques do PCC em São Paulo, a audiência das emissoras anteontem superou a de 11 de setembro de 2001, quando terroristas jogaram aviões contra o World Trade Center (EUA).


O índice de televisores ligados durante todo o 15 de maio (das 7h às 24h) foi de 55% na Grande São Paulo, quatro pontos percentuais acima do 11 de Setembro e sete a mais do que na segunda anterior.


Apresentado em São Paulo por William Bonner (segundo ele, em ‘solidariedade’ aos paulistanos), o ‘Jornal Nacional’ registrou sua melhor audiência desde 2000, com 53 pontos, quase 20 a mais que sua média atual.


O pânico que tomou conta de São Paulo, levando empresas a dispensarem seus funcionários mais cedo, antecipou o horário nobre em duas horas. Das 17h às 19h, a média de televisores ligados era de 72%, mesmo percentual da segunda-feira anterior entre 19h e 21h. Durante o ‘JN’, o total de ligados atingiu 84% _algo só inferior a jogos do Brasil. Por outro lado, os telespectadores foram dormir mais cedo: das 23h à 0h, 58% das TVs estavam ligadas (um ponto a menos que em 8/5).


As novelas das sete (37 pontos) e das oito da Globo (60, número de capítulo final), mais ‘Prova de Amor’ (23), da Record, também foram beneficiadas: todas bateram seus próprios recordes.


Todos os telejornais, exceto os noturnos do SBT, cresceram no Ibope. Os da Globo registraram suas maiores audiências no ano. O ‘Jornal da Band’ não dava oito pontos havia cinco anos. O ‘Brasil Urgente’ teve o maior ibope de sua existência. Com seis pontos, o ‘Rede TV! News’, de Marcelo Rezende, triplicou seu público.


A Record, que fez a cobertura mais intensa, foi a TV que mais cresceu. Sua média diária aumentou 57% em relação à segunda anterior (de sete para 11 pontos). A da Globo subiu de 23 pontos para 28. A Band aumentou 50% seu público. Só o SBT perdeu audiência: sua média diária foi de sete pontos, um a menos que no dia 8.


OUTRO CANAL


Holofote ‘Especialistas’ em segurança pública tiveram superexposição na TV graças aos ataques do PCC. Alguns chegaram a emplacar dois programas simultaneamente. Foi o caso de Conte Lopes, no ar ao mesmo tempo na Rede TV! (ao vivo) e no ‘Programa do Ratinho’ (gravado).


Quebra Intérprete de dois personagens em ‘Prova de Amor’ (Record), Pedro Malta foi eleito o melhor ator infantil em premiação de televisão da revista ‘Contigo’, anteontem no Rio. Foi a primeira vez em oito anos de existência do troféu que um ator fora da Globo saiu laureado. Tony Ramos e Fernanda Montenegro ganharam entre os adultos. @ – dcastro@folhasp.com.br


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


O acordo e os mortos


‘E tome entrevista de governador, secretário, comandante-geral, delegado-geral -eles todos, o dia todo, para negar o acordo com o PCC.


Desde a madrugada na Globo e pela manhã na Jovem Pan, ao vivo, Claudio Lembo repetia:


– Não foi feito acordo, de maneira nenhuma… Não há nada do que se está fazendo fantasiosamente de um acordo.


Mas a Record abriu o dia com Britto Jr. noticiando o acordo e voltando ao tema seguidamente. O ‘Bom Dia Brasil’, de seu lado, fazia contas e desconfiava:


– Em menos de quatro horas, todas as rebeliões terminaram.


Daí ao ‘SPTV’, ‘o governador nega, mas todas as rebeliões terminaram de uma só vez’.


Nos canais de notícias, início da tarde, apareceu o delegado-geral da Polícia Civil, em coletiva que já começou no assunto:


– Não, não houve acordo, não fazemos. Isso correu aí, estamos sabendo, muitos boatos.


‘Boatos’ que estavam nas primeiras páginas dos jornais e nas páginas iniciais dos sites -em enunciados como ‘Cúpula da facção ordena trégua’ e ‘Governo negociou fim das rebeliões’.


Fim de tarde e a Folha Online traz a manchete com a manifestação do comandante-geral da PM, já um pouco diferente:


– Polícia nega acordo, mas admite ‘conversa’ com PCC.


O enunciado ecoaria depois na escalada dos telejornais, a começar do ‘Jornal da Record’:


– Polícia Militar fez reunião com um chefe e uma advogada da facção criminosa. Um presidiário diz que houve acordo.


Depois, no ‘Jornal Nacional’:


– Autoridades do governo negam ter fechado acordo com os criminosos, mas admitem que tiveram uma reunião com o chefe da facção, que não poderia ter recebido visita nenhuma.


A ‘conversa’ contrastou, nas entrevistas e comentários ao longo do dia, com a escalada de mortes em operações policiais.


A Record saudou ‘a reação da polícia’ e contou três dezenas de mortos. A rádio CBN e até o Google Notícias passaram a tarde contabilizando as mortes de ‘suspeitos’. Da manchete do portal iG, no final da tarde:


– Polícia mata 33 suspeitos em menos de 24 horas em SP.


Nos telejornais locais, a imagem do dia trazia mais um ônibus queimado, só que desta vez por moradores revoltados com a polícia, pela morte de um jovem inocente (leia nota abaixo).


Nas entrevistas sem fim, eram os números da repressão, a começar dos mortos, que tentavam explicar a trégua do PCC, em contraposição ao tal acordo.


Do governador, saudando o ‘heroísmo’ da polícia estadual:


– Nós conseguimos isso com grande esforço da nossa Polícia Militar e da nossa Polícia Civil.


O delegado-geral, na Globo News e na Band News, foi além -ao dar os números e ouvir de um repórter que os policiais estariam ‘executando pessoas de que nem se comprovou culpa’:


– É grosseria contra a polícia. Mas a gente não pode punir a cogitação. Você, na sua cogitação, não está cometendo crime. A partir do momento em que falar que a polícia está cometendo algum crime, nós podemos responsabilizá-lo. Se houver alguém que fale em execução…


RASANTES A Record e, de passagem, a Globo noticiaram que ‘moradores de um conjunto atearam fogo num ônibus em represália à morte de um rapaz de 22 anos que, segundo os vizinhos, era trabalhador e foi morto por engano’. Em uma ‘situação tensa’, os manifestantes escreveram no asfalto ‘assassinos de farda’ e ‘reportagem já’. E ‘o helicóptero Águia da PM sobrevoou a região para afastar os moradores’.


Dividir


Na submanchete da Folha Online, no meio da tarde, ‘PSDB e PFL querem dividir com o Planalto a responsabilidade pela violência’. Seria uma ‘reação à possível ofensiva do PT contra Geraldo Alckmin’.


Hoje FHC, Aécio Neves e Tasso Jereissati voltam a tratar da estratégia eleitoral -em Nova York, segundo o Globo Online.


Nacional


A Globo News chegou a ensaiar uma responsabilização do Planalto -com avaliações como ‘o problema é nacional’ e, no momento de maior crítica:


– A segurança pública não é prioridade no governo Lula, assim como educação e saúde.


Mas o dia avançou e o alvo mudou, junto com o noticiário, para o Palácio dos Bandeirantes.


Teorias


A blogosfera tucana foi além do Planalto. O E-Agora começou dizendo que um ano atrás ‘o MST estava treinando bandidos do PCC’. Depois, acresceu:


– Faz tempo que a imprensa denuncia a ligação das Farc com o crime organizado no Brasil.


Sem interação


Registre-se que a blogosfera brasiliense se viu atônita diante do caos, especulando, quando muito, sobre efeitos eleitorais. Apesar dos esforços do portal Terra, também o ‘jornalismo cidadão’ pouco ou nada rendeu.


Sobrou a blogosfera internacional, com milhares de posts -como registrou o blog de mídia de Tiago Dória no portal iG.’


EDITOR BONO
Folha de S. Paulo


Bono edita jornal britânico ‘sem notícias’


‘O cantor Bono, líder da banda U2, assinou, a convite do ‘Independent’, a edição de ontem do diário britânico, trazendo para suas páginas artigos sobre Aids, pobreza e aquecimento global.


A edição, chamada de ‘The Red Independent’, trazia a manchete ‘No News Today’ (sem notícias hoje), e uma nota no pé que dizia: ‘Apenas 6.500 africanos morreram hoje como resultado de uma doença que se pode prevenir e tratar [Aids]’.


O objetivo era promover um projeto do cantor, o Project Red, que inscreve empresas como a American Express e a Gap para doar os lucros obtidos com a venda de produtos com a marca ‘Red’ para atividades humanitárias na África. Metade da renda obtida com a edição de ontem será revertida para o Fundo Global de Combate à Aids, disse o jornal.


‘Nossos leitores já demonstraram, por sua contribuição a nossas campanhas anuais de caridade, seu interesse e sua preocupação com a África’, disse o editor-chefe do ‘Independent’, Simon Kelner, em uma nota à imprensa.


Em um editorial intitulado ‘Sou uma testemunha, o que posso fazer?’, o líder do grupo U2 pede apoio ao projeto. ‘Dada a emergência que é a Aids, eu não vejo isso como se vender ao sistema. Eu vejo como atacar o problema. Essa emergência exige um centro radical, bem como uma abordagem radical. Engatinhando no dia a dia. Tornando o difícil fácil.’


‘A moda requer que os consumidores consumam, mas nós podemos administrar nossas empresas de uma maneira socialmente responsável’, diz Giorgio Armani em entrevista à colega estilista Stella McCartney .


Em outro artigo, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, lista suas dez peças musicais favoritas. A principal é o ‘Concerto para Piano nº 20’, em ré menor, de Mozart. Mas ela citou em segundo lugar ‘Sunshine of Your Love’, do Cream, e disse que ‘adorava acid rock na faculdade’-e que ainda adora. Numa concessão ao editor, mencionou ‘qualquer coisa do U2’. Sobre ‘Rocket Man’, de Elton John, que aparece em oitavo lugar, ela diz: ‘Ela me traz lembranças da faculdade, dos amigos, do meu primeiro namorado’.


Em entrevista a Bono, o premiê britânico, Tony Blair, diz que o continente africano ‘quer andar com as próprias pernas e o que quer de nós nesse meio tempo é ajuda para chegar lá’.


O jornal questionou se roqueiros como Bono e Bob Geldof, criador do Live8, podem mudar o mundo usando seu para pressionar políticos. ‘Não’, respondeu Bono. ‘A celebridade é ridícula, mas é uma moeda e quero gastar a minha sabiamente.’’


***


Edição fala sobre o governo Lula e a violência em SP


‘A edição especial do ‘Independent’ editada por Bono trouxe um artigo sobre a violência vivida em São Paulo nos últimos dias.


O texto, intitulado ‘Um desafio para o sr. Lula’, diz que o Brasil é ‘tido como o mais promissor’ entre os países em desenvolvimento e aprova o fato de Lula ter gravitado ‘para o centro, prometendo um sólido comando da economia’ em vez de desestabilizar o país com ‘reformas apressadas’.


Mas avalia que, ‘se os eventos em São Paulo forem um anúncio do que está por vir, talvez seja motivo para diminuir o otimismo’.


O texto ressalva que ‘o presidente Lula está parcialmente certo quando atribuiu a violência à desigualdade social no Brasil e à falta de investimentos em educação’.


‘Esses são flagelos que só podem ser combatidos a longo prazo. No momento, ele pode vir a se sentir cada vez mais aprisionado por reformas muito lentas para os pobres e muito rápidas para os ricos’, acrescenta.


O Brasil volta à pauta em entrevista feita por Bono com o premiê britânico, Tony Blair. Nela, o cantor comenta a liderança brasileira na defesa de combustíveis alternativos e questiona se o Reino Unido poderia adotar posição semelhante na questão do aquecimento global.’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Internauta vai ‘abastecer’ buscador do Yahoo!


‘DO ‘FINANCIAL TIMES’ – O Yahoo! vai divulgar hoje seus planos para utilizar o conhecimento coletivo e o interesse de seus 400 milhões de usuários habituais para desenvolver a próxima geração de tecnologia de buscas e diminuir a desvantagem do titã da internet, o Google.


A idéia, que será explicada no dia do analista da companhia em San Francisco, surge enquanto a crescente liderança do Google em buscas e sua constante penetração em comércio eletrônico e outras formas de atividade na internet provocam uma corrida entre suas concorrentes.


Terry Semel, o presidente da Yahoo!, revelou na semana passada que a companhia discutiu uma fusão pelo menos parcial de seu negócio de buscas com a Microsoft, mas as negociações entre as duas empresas acabaram sendo abandonadas.


Na tentativa de saltar à frente do Google, o Yahoo! vem experimentando utilizar a sabedoria coletiva de seus usuários.


Estender essas técnicas para muitos dos usuários habituais de seus serviços poderia levar a um salto na internet tão grande quanto o que foi produzido pelas atuais máquinas de buscas algorítmicas, segundo Jeff Weiner, vice-presidente-sênior de buscas do Yahoo. ‘Existe muito mais conhecimento no mundo a ser obtido, e a maneira de alcançá-lo é indo além das dezenas de milhões de sites criados por editores e aproveitar a autoridade das pessoas comuns’, disse Weiner.


O Yahoo! pretende se antecipar ao Google convencendo os usuários a fazer coisas como acrescentar palavras-chaves às fotografias que publicam na web, publicar resenhas de restaurantes favoritos ou acrescentar etiquetas (‘tags’) às páginas da web que consideram úteis.


Ao combinar essa informação ‘social’ com os outros resultados de sua tecnologia de buscas, a companhia afirma que um dia será capaz de produzir muito mais resultados úteis.


Analistas


‘Enquanto o mercado de buscas como existe hoje parece que foi engolido pelo Google, eu não descartaria a descontinuidade que poderá ocorrer quando a mídia de busca [vídeo, áudio, recomendações de restaurantes] for mais popular’, disse Andrew Frank, analista do Gartner.


No entanto, outros analistas acreditam que a tentativa do Yahoo! de aproveitar dados ‘sociais’ não deverá levar ao ‘próximo grande sucesso’ da internet.


‘Não acho que haverá uma virada de jogo para eles’, disse Youssef Squali, um analista da Jefferies em Nova York. ‘Em última instância, a grande maioria das pessoas vai continuar pesquisando da maneira antiga.’


O Yahoo! montou uma série de aquisições para reunir as ferramentas para sua iniciativa de busca social.


Elas incluem Flickr, um site em que milhões de pessoas compartilham fotos pessoais; Del.icio.us, um serviço onde os usuários ‘marcam’ páginas da web que acham interessantes, criando uma visão filtrada da rede; e Upcoming, uma comunidade para compartilhar informações sobre futuros eventos.


Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves’



Folha de S. Paulo


O Webby vai para…


‘O mundo já conhece os melhores da rede. Foram anunciados na semana passada os sites vencedores do prêmio Webby Awards 2006 (www.webbyawards.com), considerado o Oscar da internet e idealizado pela Academia Internacional de Ciências e Artes (www.iadas.net), dos Estados Unidos. Entre os destaques, estão a rede social MySpace (www.myspace.com), o site de imagens Flickr (www.flickr.com) e o serviço de mapas Google Earth (earth.google.com).


No total, foram distribuídos prêmios em 69 categorias e subcategorias, entre elas, as novatas podcast, uso de vídeos em sites e melhor design. Além disso, neste ano a categoria blog ganhou subdivisões, sendo premiados especificamente blogs pessoais e de cultura, blogs de negócios e blogs sobre política (a relação com todos os vencedores está em www.webbyawards.com).


Para cada categoria, há dois premiados. Um indicado pelo júri da academia, do qual fazem parte personalidades como o músico David Bowie, e outro pela votação popular, realizada por internautas. Neste ano, o júri popular reuniu cerca de 5.500 pessoas de 40 países, que registraram mais de 300 mil votos.


Entre as empresas que ganharam prêmios em mais de uma categoria, um destaque é a BBC (www.bbc.com), com o BBC Cumbria/Digital Lives, em comunidades, e o BBC News, em sites noticiosos. O Google (www.google.com) venceu com o Earth nas categorias design e site para banda larga. O Google Maps (maps.google.com) ganhou prêmio de melhor serviço na internet. Já o Flickr abiscoitou duas estatuetas: a de melhor estrutura de navegação e a de inovação.


Houve ainda muitos casos em que o gosto do júri casou com a votação da academia. No total, 19 sites venceram duplamente o Webby Awards.


Entre eles, estão o Redken Haircolor (www.redkencolor.com), relacionado a beleza e cosméticos, o Style.com, de moda, o The Onion (www.theonion.com), de humor, e o 2006 Sundance Film Festival (festival.sundance.org/2006), sobre filmes. Além destes, ainda levaram o prêmio em ambas as votações o mediaBOOM (www.mediaboom.com), de serviços web, o Above the Influence (www.abovetheinfluence.com), jovem, e o Google Maps.


O júri popular ainda consagrou o MyYahoo! (my.yahoo.com), que personaliza o site de acordo com o gosto dos usuários.’


TVs PARA PRESOS
Folha de S. Paulo


Secretário autorizou entrada de TV em prisões


‘O secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, admitiu ontem que aparelhos de TV entraram nas prisões há 20 dias.


‘Não vi mal nenhum. Liberei os aparelhos em locais dos presídios que não afetavam o andamento normal das cadeias, locais de uso comum’, disse Nagashi, ao ser questionado sobre a entrada de 60 aparelhos que teriam sido comprados pelo PCC.


O secretário negou, no entanto, que esses aparelhos de TV façam parte de uma negociação com líderes da facção criminosa. Segundo Nagashi, essa concessão foi feita há 20 dias.


Na época, o líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e o restante da cúpula da facção estavam na penitenciária de Avaré (262 km de SP).


Nagashi não especificou quantos aparelhos de televisão entraram no sistema nem em quais prisões foram instalados. Mas o secretário negou que o pedido tenha partido de líderes do PCC, que queriam ver os jogos da Copa do Mundo na Alemanha.


Perguntado quem teria arcado com os custos, Nagashi foi evasivo. ‘Não será do Estado de São Paulo, o ônus não será nosso com certeza. Eu não tenho informação nenhuma de que esses aparelhos tenham sido comprados por organizações criminosas’, afirmou o secretário.


O governo permite a entrada de televisões nas prisões comuns desde que o aparelho seja comprado pela família do preso. Agentes penitenciários afirmam que os televisores foram entregues em grandes quantidades. Caminhões chegaram aos presídios para entregar os aparelhos.’


TELEVISÃO
Sylvia Colombo


Série desperdiça chance de explicar o país


‘De um documentário histórico, sobretudo quando o período de que trata são as últimas décadas do século 20, se espera, no mínimo, que seja apoiado por registros de imagens de época que, de alguma forma, nos indicam que o passado realmente aconteceu. Desprezá-las em detrimento de longos e, às vezes, anacrônicos depoimentos é o grande defeito de ‘Histórias do Poder’, série sobre política brasileira que passa a ser exibido hoje, em cinco episódios.


A reportagem é do jornalista Florestan Fernandes Jr., com consultoria da professora da USP Maria Aparecida de Aquino e do jornalista Alberto Dines. A direção, de Max Alvim e Nelma Salomão.


O primeiro episódio, dedicado principalmente ao período da campanha pelas Diretas-Já e o início da democratização é o mais interessante, pois expõe bastidores das eleições indiretas e da consolidação dos principais partidos.


É nítida a preocupação de colher entrevistas de diferentes personagens. Há políticos de diversas filiações ideológicas e partidárias, militares, membros da Igreja, artistas, intelectuais, ainda que a opinião dos consultores fique clara como o fio condutor da série.


O fato de a maioria dos testemunhos terem sido gravados em 2000 torna o documentário datado. Por outro lado, é curioso ver cenas como a do então pré-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva falando com ênfase e olhar firme para a câmera (como há tempos já não vemos) sobre como a sociedade deveria reagir frente à corrupção. ‘Não adianta ficar falando que todo mundo é ladrão’, diz. ‘Ou nós, na hora em que a coisa começar a ficar do jeito que está, com todo mundo envolvido com corrupção, assumimos a responsabilidade de que só nós podemos mudar ou, definitivamente, não tem jeito no Brasil’.


Não é o melhor dos documentários sobre nosso passado recente, mas, pelo menos, refresca a memória e dialoga, às vezes de forma irônica, com o presente.


Histórias do Poder


Quando: hoje, às 23h30, no SescTV’


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 17 de maio de 2006


SP SOB ATAQUE
Keila Jimenez


Medo faz ibope subir


‘A cobertura dos ataques violentos em São Paulo fez a TV bombar na segunda-feira.


Na Globo, a medição na Grande São Paulo deu à 1ª edição do SP TV 25 pontos de audiência, a maior média do ano do noticiário, assim como o Jornal Nacional, que registrou 53 pontos. Para se ter idéia, o placar do JN no 11 de Setembro foi 52 pontos. O Jornal da Globo também obteve média espetacular de 18 pontos. No plantão especial, das 15h45 às 17h30, a média foi de 29.


A Record, que dedicou praticamente toda a programação à cobertura, registrou 16 pontos de média no SP Record; 15 no Jornal da Record; 10 no Repórter Record e 16 no plantão que foi das 18h14 às 18h44. Na Band, o Brasil Urgente, de Datena, obteve média de 12 pontos, e o Jornal da Band, 8.


E, prova cabal de que notícia é tradição é a modesta audiência do SBT, que mesmo fazendo um bom trabalho ainda não atrai a platéia perdida durante os anos em que Silvio Santos ignorou jornalismo. O SBT Brasil, com Carlos Nascimento, ficou com apenas 5 pontos. Na RedeTV!, o RedeTV! News, que foi das 22h30 às 23h44, registrou 6.


Cada ponto no Ibope, em São Paulo, equivale a 52, 3 mil domicílios com TV.’


ALCKMIN SOB SUSPEITA
O Estado de S. Paulo


Acupunturista é convidado a depor


‘A Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa paulista aprovou ontem convite ao acupunturista do ex-governador Geraldo Alckmin, Jou Eel Jia, para depor à comissão. Renato Simões (PT), autor do requerimento, quer esclarecer o convênio entre o governo e o spa pertencente a Jia. Como o acupunturista não exerce cargo público, não é obrigado a comparecer. Por um acordo da oposição com os governistas, foram retirados do requerimento os convites para que também prestassem esclarecimentos o filho de Alckmin, Thomaz, e a filha de Jia, Suelyen, sócios em uma empresa de produtos naturais.’


FRANÇA
Reali Júnior


Parlamento rejeita moção contra Villepin


‘Com a iniciativa, a oposição queria derrubar o ‘governo mais impopular’


A Assembléia Nacional francesa (Câmara dos Deputados) rejeitou ontem uma moção de censura contra o primeiro-ministro Dominique de Villepin. Ele é suspeito de envolvimento num complô para prejudicar a imagem do ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, seu adversário na disputa pela candidatura conservadora à presidência da França nas eleições de 2007.


Apresentada pelo Partido Socialista, de oposição, que pretende tirar vantagens da crise, a moção obteve apoio de apenas 190 deputados dos 577 que integram o plenário. Para ser aprovada, precisaria de pelo menos 289. O resultado já era esperado porque Villepin conta com a maioria das cadeiras do Parlamento, ou seja, 364. Mas, de qualquer forma, expôs a crise política enfrentada pelo país.


A aliança que apóia o governo, composta por liberais, gaullistas e centristas, está à beira da implosão. Isso ficou comprovado com a atitude do presidente da bancada de centro-direita, François Bayrou, que, em iniciativa inédita, votou a favor da moção. Ela foi rejeitada com os votos da majoritária União pelo Movimento Popular (UMP), presidida por Sarkozy.


Grande parte dos deputados da aliança manifestou publicamente seu descontentamento com Villepin. É o caso de parlamentares da União pela Democracia Francesa (UDF), de Bayrou, que acompanharam o líder e pela primeira vez votaram contra o governo apoiado por eles.


O discurso mais violento foi do líder da oposição socialista, François Holande. Ele disse que ninguém governa um país com aprovação de apenas 19% da opinião pública. Ressaltou que o governo bate todos os recordes de impopularidade da história da república.


Antes da votação, Villepin defendeu seu governo num discurso. Voltou a negar as acusações e a dizer-se vítima de campanha de ‘injúrias e calúnias’. Fez um balanço positivo de sua administração, mas foi pouco aplaudido. Sarkozy não ouviu o pronunciamento do primeiro-ministro e rival. Ele compareceu ao plenário depois – apenas para votar.’


***


Sarkozy não pede demissão ‘apesar da difamação’


‘O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, disse ontem que pretende continuar no cargo, apesar de ser vítima de uma campanha de difamação. Ele foi incluído numa lista falsa de lavagem de dinheiro no exterior que teria sido elaborada pelos serviços secretos com o consentimento do primeiro-ministro Dominique de Villepin e do presidente Jacques Chirac. Ambos negam envolvimento no caso. Sarkozy e Villepin, apadrinhado de Chirac, disputam a candidatura conservadora à presidência nas eleições de maio de 2007.’


TV DIGITAL
Gerusa Marques


Costa ataca europeus e diz que oferta por TV digital é ‘blefe’


‘‘Não adianta comprar banana e álcool para fazer TV aqui’, diz ministro das Comunicações


O ministro das Comunicações, Hélio Costa, renovou sua bateria de ataques aos defensores do padrão europeu de TV Digital, ontem, durante debate na Câmara dos Deputados. Ele criticou a proposta da União Européia de aumentar a importação de etanol do Brasil, caso o governo brasileiro opte pelo padrão de TV digital da Europa.


‘Quem quiser colocar TV Digital aqui não adianta dizer que vai comprar banana e álcool’, disse o ministro, na abertura do seminário TV Digital: Futuro e Cidadania. O ministro disse que é necessário que os detentores dos padrões de TV digital se comprometam com a absorção de tecnologias já desenvolvidas no País. O ministro lembrou que os japoneses já fizeram esse compromisso, quando assinaram com o governo brasileiro um memorando de entendimentos, no mês passado, em Tókio.


Hélio Costa participou do seminário recorrendo ao seu currículo na área de rádio e televisão para validar suas opiniões em apoio à escolha do padrão japonês. ‘Sou profissional do setor e estou ministro’, afirmou em resposta às críticas de que defende as emissoras de TV, e consequentemente, o padrão japonês, preferido pelos radiodifusores.


‘Não vou passar pelo Ministério das Comunicações sendo responsável pela destruição da TV brasileira. Isso o ministro não vai fazer. Não vou entregar a radiodifusão nas mãos de empresas internacionais’, disse.


A implantação do padrão europeu é apoiada pelas operadoras de telefonia que atuam no País e que são, em sua maioria, empresas multinacionais. No modelo europeu, várias funções da TV digital dependeriam das redes das telefônicas, como a interatividade, que permite que o telespectador se comunique com a emissora, por exemplo.


Costa disse que seria necessário criar uma nova lei para permitir que empresas estrangeiras atuem na radiodifusão. ‘Se nós tivermos que entregar todo o sistema para as companhias telefônicas, evidentemente que teremos que fazer uma outra lei’.


Desde o início das discussões, o ministro vem batendo de frente com os representantes do padrão europeu. Ele qualificou como ‘blefe’ as ofertas da União Européia apresentadas como contrapartidas para a adoção do padrão europeu e desestimulou a ida de ministros brasileiros à Europa. Por outro lado, se empenhou pessoalmente para que uma delegação brasileira fosse, em abril, ao Japão.


AUSÊNCIAS


Costa foi o único ministro a comparecer ontem ao seminário da Câmara, embora os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Cultura, Gilberto Gil, também estivessem convidados. A ausência dos outros ministros surpreendeu os parlamentares, que a consideraram como um boicote do governo, que tem concentrado no Palácio do Planalto as discussões sobre a escolha do padrão de TV digital.


O deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), disse que somente ontem pela manhã, antes do início do seminário, a Câmara foi avisada de que os outros ministros não participariam do encontro. ‘Isso tira um pouco o brilho do seminário. Seria muito importante que nós tivéssemos a visão do poder Executivo’, lamentou. O ministro Hélio Costa defendeu o governo. O presidente Lula havia determinado, semanas atrás, que, enquanto não fosse anunciado o padrão de TV digital a ser adotado no País, somente o Ministério das Comunicações falaria em nome do governo. ‘E eu fiz questão de estar aqui’, afirmou.


Numa atitude que expôs os interesses políticos envolvidos na escolha do padrão que será usado no Brasil, a Anatel, a pedido de Costa, impediu a Câmara dos Deputados de fazer uma transmissão usando as três tecnologias digitais em estudo: a japonesa, a americana e a européia. A transmissão seria uma atividade paralela ao seminário.


A intervenção de Costa frustrou os representantes do padrão europeu de TV digital, que tinham preparado uma demonstração dos produtos. ‘Ficamos surpresos e indignados. Nossa frustração é muito grande’, disse o consultor da Siemens, Eduardo Nascimento Lima.


No início da manhã, quando a notícia do cancelamento se espalhou entre os parlamentares, a informação era de que a Anatel somente poderia manter a autorização se todos os três padrões estivessem presentes. A justificativa era perfeita para a situação porque os representantes do padrão japonês, que provavelmente será o escolhido pelo governo, cancelaram a participação no evento na segunda-feira à noite.’


Adilson Primo


TV digital no Brasil


‘A inclinação do governo brasileiro pelo uso do padrão japonês de TV digital (ISDB-T) deixa boa parte da indústria brasileira, que gera empregos há décadas no País, bastante apreensiva. Por que optar pelo uso de um padrão que foi rejeitado pela totalidade dos países que fizeram as suas escolhas nos últimos anos? Não seria mais coerente optar pelo padrão europeu DVB, que se tornou global em função de sua adoção por mais de 50 países?


Pelos mais diversos ângulos que se procure avaliar o tema, não se encontram argumentos convincentes a favor do emprego do padrão japonês. Na seqüência abordamos alguns desses pontos para reflexão.


É preciso decidir entre o impagável e o aceitável


Americanos e japoneses desenvolveram padrões de TV digital visando a substituir TVs analógicas por telas planas de alta definição (e de alto custo). Procuram explorar a fundo o elevado poder aquisitivo de suas populações, a fim de movimentar as suas indústrias. Ainda não deu certo nos EUA. No Japão ainda é cedo para julgar. Já o padrão DVB segue outra filosofia. Ele não impõe a TV de alta definição e de alto custo, deixando aos governos a decisão por uma estratégia de maior ou menor impacto sobre o bolso dos consumidores. Pode-se tanto induzir a substituição das TVs analógicas por telas planas de alta definição quanto permitir que, por meio de aparelhos conversores de baixo custo (pois produzidos em volumes mundiais), a população possa assistir a programas em qualidade digital DVD no aparelho de TV que já possui. Também é possível combinar as duas opções sem modificar o padrão ou os produtos que já existem desenvolvidos. E é certamente por estar mais alinhado com o bolso dos consumidores que o padrão DVB se tornou o padrão de fato da TV aberta digital ao redor do mundo.


O alto preço da cópia ISD


Muito se argumenta que o padrão japonês é uma cópia melhorada do padrão DVB. Por detrás desse marketing tecnológico, no entanto, o que existe é uma reserva de mercado japonesa, que protege a indústria e os empregos no Japão. Embora a conta seja paga pelo consumidor japonês, por meio de produtos mais caros, sua renda é suficientemente alta para isso. Fora do Japão a indústria japonesa é obrigada a comercializar produtos do padrão DVB, a preços baixos, ditados pela competição internacional. Assim sendo, qual a justificativa para que os brasileiros tenham que pagar os preços mais altos das soluções japonesas?


Restrição às exportações e a instalação do atraso tecnológico


Adotar um padrão que não existe em nenhum lugar do mundo além do Japão implicará paulatina redução das exportações brasileiras. Quanto a aliados na América Latina que pudessem comprar os produtos fabricados no Brasil, dificilmente algum deles optaria por ficar refém de dois países apenas. Na Argentina, por exemplo, tudo aponta para uma decisão pelo padrão global DVB e o americano ATSC. Mas, além dos prejuízos às exportações, a opção pelo padrão japonês poderá impor um maior atraso tecnológico à indústria, uma vez que ele não permite a convergência com os padrões internacionais de telecomunicações adotados no Brasil. Um exemplo já conhecido é a convergência da TV japonesa com o celular mais adotado no Brasil e no mundo, o GSM. Não existe mercado consumidor que justifique o desenvolvimento de tal solução de exceção. Pior ainda serão os efeitos para o consumidor, que se verá privado dos avanços que a tecnologia poderia lhe trazer.


O freio a um maior desenvolvimento da indústria brasileira de mídia


Em última análise, a TV digital é meio e não fim em si. Além de melhorar a qualidade da imagem e do som, a TV digital permite alavancar a indústria da mídia pelo maior número de programas dentro do mesmo espectro radioelétrico, assim como pela criação de novas indústrias, como a da geração e distribuição de conteúdo especializado para ônibus, vans, em celular e palmtops, em barcas e, principalmente, para a inclusão social. Tais possibilidades estão na raiz do desenvolvimento do padrão DVB. Mas elas inexistem atualmente no padrão japonês.


Além desses pontos, muitos outros existem e extrapolam os limites desse espaço. Em todo o caso, ainda há tempo para refletir sobre a melhor solução para a sociedade brasileira.


*Adilson Primo é presidente da Siemens no Brasil’


EDITOR BONO
João Caminoto


‘Independent’ editado por Bono vê menos otimismo


‘Numa edição especial, editada pelo líder e vocalista do U2 e ativista Bono Vox, o jornal britânico The Independent publicou ontem um editorial intitulado ‘Um desafio para Lula’, no qual analisa a onda de violência que varreu São Paulo desde a sexta-feira e alerta que o otimismo em relação às perspectivas do Brasil poderá ser reduzido. Metade do dinheiro arrecadado com a edição especial do Independent, chamada de Red, será destinada ao combate à aids na África.


O jornal observa que o Brasil é geralmente considerado o mais promissor dos países Bric, grupo que inclui também a Rússia, Índia e China, considerados as novas potências econômicas mundiais para o futuro. A Rússia se vê diante de uma crise demográfica e sua democracia está vacilante. A Índia é contida por um sistema de castas que alimenta a pobreza, e a China ‘pela desigualdade de seu desenvolvimento e a crescente tensão social’.


Por seu lado, diz o editorial, o Brasil parece ter quase tudo que é necessário para se tornar nas próximas décadas uma potência. As reformas econômicas nos anos 90 trouxeram estabilidade comparando-se aos altos e baixos enfrentados pelo País no passado. A ampla vitória eleitoral do presidente Lula em 2002 foi ‘uma vitória da democracia do Brasil e deu esperança aos pobres do País’. E, ‘em vez de desestabilizar o País com uma corrida acelerada para a reforma radical, Lula sabiamente gravitou em torno do centro, prometendo gerenciamento sólido da economia’.


Mas o editorial do Independent avalia que, se os eventos dos últimos dias em São Paulo são um sinal do que está por vir, ‘parte do otimismo terá que ser podado’. O jornal observa que, inicialmente, a violência foi atribuída a gangues criminais, enfurecidas pela remoção de presos para presídios de alta segurança. ‘Entretanto, com os dias passando sem alívio, era difícil não ver a violência sob uma luz política’, disse. ‘Em escala, ferocidade e escolha de alvos, esses assaltos coordenados apresentaram um desafio direto para a autoridade do Estado.’


O editorial afirma que ‘nenhum estado moderno merece esse nome’ se pode ser mantido refém por indivíduos ou grupos fora da lei. ‘Mas o presidente Lula estava parcialmente certo quando disse que a violência é resultado, principalmente, da desigualdade social e da falta de investimento em educação. Esses fatores, no entanto, são algozes que podem ser apenas resolvidos no longo prazo’, diz. ‘Enquanto isso, ele (Lula) pode se ver cada vez mais enroscado por reformas que progridem lentamente demais para o pobre e rapidamente demais para o rico, incluindo as gangues que se alimentam de seu dinheiro.’


A edição Red traz artigos de várias personalidades envolvidas no combate à miséria mundial, como o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e o músico e ativista Bob Geldof. A capa, ilustrada pelo artista plástico Damian Hirst, traz a manchete: Sem notícias hoje.’


TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo


EUA lança canal de TV para bebês


‘Um novo canal tem causado polêmica nos Estados Unidos. Trata-se do BabyFirstTV, emissora com 24 horas de programação voltada para bebês. Sim, o público-alvo do canal são crianças de 6 meses e 1 ano de idade.


O canal surgiu após uma pesquisa que mostra que mais da metade das crianças americanas com menos de 2 anos costuma assistir a vídeos e à TV diariamente. A emissora exibirá atrações na linha dos hipnóticas Teletubbies e Barney. A associação local de médicos pediatras é completamente contra a novidade.’


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O Globo


Quarta-feira, 17 de maio de 2006


VEJA vs. PALOCCI
O Globo


Palocci decide processar ‘Veja’ e Daniel Dantas


‘BRASÍLIA. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci vai processar a revista ‘Veja’ e o banqueiro Daniel Dantas por causa da divulgação da denúncia de que ele e outros petistas teriam contas no exterior. Segundo o site Consultor Jurídico, Palocci vai entrar na próxima semana com uma ação civil indenizatória, alegando que a documentação é falsa, uma vez que seu nome completo é Antonio Palocci Filho e não Antonio Palocci Júnior, como aparece na lista.


Segundo os dados que teriam sido fornecidos por um ex-agente da CIA a Dantas, Palocci teria US$ 2 milhões no exterior. Para a defesa de Palocci, a documentação é uma ‘falsificação primitiva’ e o nome do ex-ministro é ‘grotescamente imitado’.


Segundo a reportagem da revista, Dantas é o responsável pelo dossiê entregue à ‘Veja’, fato negado anteontem pelo banqueiro, por meio de nota.


A CPI dos Bingos também poderá votar hoje a convocação de Daniel Dantas para que ele deponha sobre o suposto achaque que o Grupo Opportunity teria sofrido do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, que teria pedido ajuda de US$ 40 a US$ 50 milhões para o partido.’


SP SOB ATAQUE
Artur Xexéo


Quando a situação está sob descontrole


‘As notícias que chegavam de São Paulo já eram suficientemente alarmantes para o Brasil inteiro ficar sem respiração: 184 atentados, 81 mortos e um clima de medo se espalhando pela cidade. Mesmo assim, ficaram mais alarmantes ainda, no domingo à tarde, quando o governador Claudio Lembo, o homem que supostamente estava na liderança do combate à onda de terror que tomava conta de seu estado, apareceu na televisão para, com um ar de zumbi, como se tivesse saído diretamente de um filme de Roger Corman, garantiu: ‘A situação está sob controle’. Imaginem só como seria com a situação sob descontrole!


Mas foi ‘sob controle’ que, nas 24 horas seguintes, a população descobriu que ainda havia 85 ônibus incendiados e 13 agências bancárias destruídas. Já que o controle imaginado pelo governador não incluía toque de recolher, a sociedade civil reagiu por conta própria e fechou escolas, shoppings, lojas, restaurantes, museus, galerias de arte e o que mais pudesse estar ameaçado por um ataque de bandidos. Apesar disso, na noite de segunda-feira, o governador voltou à televisão, sempre com a aparência de um figurante de ‘A noite dos mortos vivos’, desta vez sendo entrevistado por William Bonner no ‘Jornal Nacional’, para garantir: ‘Nada deu errado’. Imaginem só como seria se a ação do governo tivesse dado errado!


Quantas pessoas precisariam ter morrido para o governador perceber que alguma coisa não deu certo? Quantos ônibus a mais deveriam ter sido incendiados para o governador se dar conta de quem nem tudo estava sob controle? O que mais precisaria ser fechado em São Paulo para o governador não falar bobagem? O governo de São Paulo admite que sabia da ameaça de rebelião nos presídios, que o Dia das Mães seria tumultuado e deu no que deu. Se ele não soubesse, se tudo não estivesse sob controle, se alguma coisa tivesse dado errada, o que teria acontecido com São Paulo?


***


Lendo as cartas dos leitores nos jornais, dá para sentir o que mais incomodou a população brasileira: a insistência de Lembo em não aceitar ajuda do Governo Federal no combate à baderna organizada pelo tráfico. Nestas horas, o contribuinte percebe que a sua segurança não é prioridade na agenda de nossos administradores. Acima dela está a política eleitoral. Governantes de partidos diferentes do partido do governo consideram que aceitar a intervenção de Brasília numa situação fora de controle em seu estado é passar um atestado de incompetência, o que prejudicaria seu partido nas próximas eleições. Não importa o número de mortos ou feridos. O voto está acima de tudo.


***


Se bem que, apesar de oferecer as Forças Armadas a São Paulo, o presidente Lula também pisou na bola – e quem se surpreendeu com isso? – com as suas declarações. A primeira delas, quando Lembo dizia que a situação estava sob controle, foi digna de um extraterrestre: ‘Precisamos investir em educação’. Precisamos quem, cara-pálida? O sujeito está no comando da nação há quatro anos, está vendo a educação no país ir de mal a pior, não tem projeto educacional algum e, num momento de crise, vem falar no plural majestático? Aliás, se o presidente tivesse investido em educação desde que assumiu o governo, não alteraria em nada o quadro que se vê desde o fim de semana em São Paulo. Como todo o mundo sabe, investimento em educação é um projeto a longo prazo. Mas, se tivesse investido em segurança pública, talvez a história fosse diferente. Como não investiu nem em educação, nem em segurança pública, o problema não tem solução, nem a longo nem a curto prazo.


***


Aí, no meio do caos, enquanto Lembo diz que ‘nada deu errado’, Lula volta a dar entrevista concluindo que o que aconteceu em São Paulo foi ‘uma demonstração de força do crime organizado’. Ah, é, Pedro Bó? Como é que eu não tinha pensado nisso?


***


O grande vilão dos atos de terrorismo em São Paulo foi o telefone celular. Mesmo presos, os chefes do crime organizado – aqueles que deram uma demonstração de força, como nos ensinou o presidente Lula – continuam comandando a massa. Há anos se fala em bloquear o sinal de celulares nas áreas próximas a presídios. As autoridades penitenciárias dizem que não contam com a colaboração das operadoras. As operadoras dizem que não podem fazer nada se o Estado não pedir com respaldo jurídico. Então, passemos adiante: independentemente de sinal, como é que as autoridades penitenciárias não conseguem evitar que os celulares entrem nas cadeias? Ah, são os advogados que trazem. E a lei não permite que se revistem advogados.


Peralá, mas quem não permite que os presidiários sejam revistados depois de encontros com advogados? É impressionante a desfaçatez com que autoridades penitenciárias se mostram incapazes de controlar o que os presos têm ou não têm na cadeia brasileira. E isso não tem nada a ver com a conivência de operadoras de telefonia ou de advogados.’


TV DIGITAL
Mônica Tavares


TV digital: Costa pede rapidez na escolha do padrão


‘BRASÍLIA. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, defendeu ontem rapidez na definição do padrão da TV digital que será implantado no país. Ele entende que outras discussões inerentes ao tema devem acontecer no Congresso após esta decisão, como a adequação dos canais públicos nacionais destinados à educação e à cultura. A expectativa é de que até o fim do mês o governo defina o sistema que será utilizado. Costa participou de manhã, na Câmara, da abertura do seminário ‘TV Digital: Futuro e cidadania – obstáculos e desafios para uma nova comunicação’.


O ministro disse que o governo tem interesse na instalação de uma fábrica de semicondutores no país, mas deixou claro que é preciso ter tecnologia de alto nível.’


INTERNET
Gilberto Scofield Jr.


Censura chinesa garante lucro de site de busca


‘PEQUIM. A censura à internet na China pode ajudar as empresas chinesas a fazerem dinheiro na rede sem contrariar o governo de Pequim. Com a enciclopédia virtual Wikipedia banida pelo governo por causa do conteúdo polêmico de alguns itens, o maior site de buscas da China, o Baidu.com, vem crescendo com sua própria versão de enciclopédia online, na qual os internautas colaboram na definição dos verbetes.


Segundo a direção da Baidu Baike (http://baike.baidu.com), 20 dias depois do seu lançamento, no fim de abril, a enciclopédia já tem mais de 100 mil verbetes e 300 mil usuários registrados. O Baidu afirma que sua enciclopédia recebe em média uma intervenção nova a cada dois segundos. Ou uma média de cerca de cinco mil novos verbetes por dia.


‘Seremos o número 1 da China’, afirmou à agência de notícias estatal Xinhua o presidente e fundador do site de buscas, Robin Li.


Mas enquanto o território da Wikipedia é livre e seu fundador, Jimmy Wales, afirma que são justamente os milhões de usuários que ajudam a torná-la ideologicamente neutra, Biang Jiang, diretor de marketing do Baidu, disse à Xinhua que a empresa conta com experts para controlar os verbetes inseridos pelos internautas.


Ainda que o site alegue possuir um sistema de copyright para garantir a autoria dos colaboradores originais e editores de cada verbete, internautas chineses afirmam que as definições são traduzidas de enciclopédias ocidentais e modificadas para não desagradar ao governo. Um exemplo é o verbete ‘Praça da Paz Celestial’, que não inclui o massacre, pelo Exército, dos milhares de estudantes que pediam mais democracia no lugar, em 1989.


Além de controlar a internet, o governo chinês vem ampliando o cerco à mídia. Cinco jornalistas foram acusados de chantagear órgãos públicos e empresas. Segundo o governo, eles investigavam denúncias de corrupção e pediam dinheiro para não publicar as reportagens. Um dos acusados, Yang Xiaoqing, trabalhava no jornal do Partido Comunista da Juventude.’


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