Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > O POVO

Paulo Rogério

06/07/2010 na edição 597

‘‘O furo clássico já recebeu a extrema-unção na imprensa diária. O furo agora é diferente. É a visão exclusiva sobre um fato, é reportagem, é jornalismo investigativo, é percepção de tendências e comportamentos’. Marcelo Rech, jornalista

Adivinhações ficam bem para Mãe Diná, videntes ou cartomantes. Não para o jornalismo, onde o que vale é o fato. No máximo, uma análise sobre tendências. Pior ainda quando, no meio de tantos chutes, o autor se vangloria do que acertou e esquece – sem querer? – daqueles que errou. Pois bem. Entre as dúvidas sobre a formação de alianças políticas, de quem é candidato ou não, O POVO publicou no período de um mês, na coluna ‘Alan Neto’, que sai aos domingos na Pagina 2, várias alternativas para o quadro sucessório. No dia 30 de maio, por exemplo, noticiou como fechada a chapa de Cid Gomes: ‘Ao PT a vice. E brá. Com um detalhe: é o professor Pinheiro’, anunciou. Não foi.

Na semana seguinte, previu que Cid teria que aceitar candidatura de Pimentel ao Senado – o que aconteceu. Como furo nacional, propagou que o vice do candidato à presidência José Serra seria alguém do Nordeste, no caso, Roberto Freire. Errou. E, mudando o discurso, agora o ex-secretário Mauro Filho é que seria o candidato a vice-governador do Ceará na chapa governista. Novo erro. As previsões prosseguiram, em um festival de chutes. Alguns – e não são poucos – erraram o alvo. Mas as falhas não foram lembradas pelo colunista, que só cita os acertos como exclusivos, de primeira mão, furinho, bombas e outros adjetivos nada modestos. Ora, assim é fácil. O que o leitor quer não é especulação ou adivinhação. É notícia real. Sem chutes.

A COPA CONTINUA

A seleção brasileira saiu da Copa do Mundo, mas O POVO continua na África do Sul com seus correspondentes até a final. Uma cobertura, aliás, muito superior à dos concorrentes. A aposta em temas diferenciados valorizando a integração entre jornal, portal, rádio e televisão foi acertada, obtendo um olhar cearense nas matérias. A Redação mudou sua rotina, houve alteração na ordem das páginas e consequentemente no horário de fechamento. Todos se integraram à cobertura, principalmente nos jogos do Brasil. Alguns escorregões, no entanto, devem ser registrados, até para evitar que se repitam. São dignos de bom torcedor, que não é o papel da imprensa. Dois deles logo na manchete do jornal.

Quando o Brasil ganhou da Costa do Marfim, O POVO manchetou no dia 21 de junho: ‘Agora, sim!’. Pouco depois, diante do empate com Portugal, a mesma capa deu como manchete ‘Assim vai ser difícil’. Na chamada citou ‘Fica a certeza de que, com esse futebol vai ser difícil levar a Copa’. Que mudança de postura em apenas cinco dias. A torcida explícita diminuiu nas edições seguintes, culminando com a excelente manchete de ontem ‘Faltam 1.471 dias para o hexa’. Essa sim, criativa.

DUPLO SENTIDO

O leitor Humberto Henriques considerou discriminatória a crítica dada pela coluna Vertical do dia 29 de junho, na seção Elevador, diante da instalação de banheiros químicos na calçada do Náutico durante convenção do PDT. A nota termina com a expressão ‘triste’. ‘Porque? Os banheiros eram adaptados para deficientes já que o clube é antigo e não tem condições de receber esse tipo de usuário’, reclamou ele. Segundo o colunista, o jornalista Eliomar de Lima, a expressão se refere ao local onde foram colocados os banheiros – a calçada – e não à estética deles. É o que dá não ser claro e objetivo, qualidades que o leitor Gaudêncio Siqueira considera essenciais para a boa leitura.

‘Às vezes a gente começa a ler, mas ela fica tão enrolada, com tantos termos técnicos, que paro. Não custa nada ir direto ao assunto’, aconselhou. Ele tem razão. Jornalismo não é literatura nem projeto de monografia. É comunicação fácil e direta.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

A repetição de uma página da editoria Gol, a crítica aos novos articulistas e a falta de identificação de adolescentes de classe média que roubavam carros na Aldeota lideraram o número de reclamações durante o terceiro bimestre de atividades do ombudsman, de 5 de maio a 1º de julho de 2010. No total foram 176 atendimentos aos leitores, a maioria por telefone. Grande parte de crítica às contradições entre os números apresentados nos textos, nos quadros e abres, e das constantes falhas de digitação. Mereceram elogios a série sobre Inquisição e a cobertura da Copa 2010. O número de Erramos é praticamente o mesmo. No primeiro balanço foram 54. Depois 57 e agora 55. Muitos publicados com atraso de até 30 dias.’

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