Terça-feira, 24 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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OBSERVATóRIO DA PROPAGANDA > O POVO

Paulo Verlaine

08/04/2008 na edição 480

‘Manchete do O Povo sobre dengue: ‘67% das vítimas são crianças’ (Primeira Página, 28/3). O texto diz, na segunda frase: ‘De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado, dos 54 casos confirmados desse tipo de doença (dengue hemorrágica), 33 (67,9%) foram em menores de 15 anos’. Um leitor liga para o ombudsman e alerta para o erro, sugerindo que se fizesse uma regra de três para obter o percentual correto.

Apesar de ser péssimo em números, fiz a regra de três e o número deu 61,1% e não 67,9%. A regra de três: 54 = 100 e 33 = x. O valor de x é 61,1. Uma diferença de quase sete pontos percentuais. A mesma informação errada foi reproduzida na matéria ‘Dengue hemorrágica acomete mais crianças no Ceará’ (Fortaleza): ‘Dos 54 casos de FHD, 33 (67,9%) foram confirmados nessa faixa etária e acima dela, 32,1%’. Adverti a Redação em comentário interno, no mesmo dia.

Mas, o jornal foi adiante no erro: no dia seguinte, 29, o texto da manchete da pagina 6 (Fortaleza) ‘Secretário recomenda que viroses sejam tratadas como dengue’ reproduzia o erro da sexta-feira, da página interna e da primeira página, ressaltando: ‘ O Povo noticiou na edição de ontem que 67,9% dos casos confirmados de dengue foram em menores de 15 anos. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), dos 54 casos desse tipo de doença, 33 foram nessa faixa etária’.

O lamentável disso tudo é que este jornal só foi admitir o erro na edição de 1º de abril, apesar de o ombudsman ter feito o alerta à Redação, em comentário interno, no dia 28 de março, data da primeira matéria. Publicou-se uma matéria em Fortaleza com o título: ‘ O Povo erra índice’, com esta informação: ‘ O Povo errou ao divulgar que a quantidade de pessoas abaixo de 15 anos com a Febre Hemorrágica do Dengue (FHD) seja de 67,9% do total registrado este ano. Na verdade, dos 54 casos confirmados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) este ano, os 33 indivíduos abaixo de 15 anos correspondem a (61,1%) do total, e não 67,9%. Acima da faixa etária, a secretaria confirmou 21 pessoas, o que corresponde a 32,1%’.

O editor de Primeira Página, Clóvis Holanda, e a editora-executiva do Núcleo de Cotidiano, Tânia Alves, foram informados de que o assunto iria ser tratado nesta Coluna, mas optaram por não se pronunciar a respeito do tema.

Foi indireta?

Leitor Francisco de Assis Silva, residente no Conjunto Ceará, telefona para o ombudsman para reclamar contra a nota ‘Correta’ (Buchicho, coluna Canal 1, página 2, 2/4), que dizia o seguinte: ‘Nada contra Glória Maria, que já se foi, mas tudo a favor da Patrícia Poeta. Ela está perfeita na apresentação do Fantástico. Jovem, bonita e competente’.

O leitor acredita que o colunista Flávio Ricco, indiretamente, atacou a ex-apresentadora do Fantástico, Glória Maria, principalmente na expressão ‘que já se foi’ e nos elogios ‘jovem, bonita e competente’, dirigidos a Patrícia Poeta. ‘Ele quis dizer que Glória Maria é o contrário de Patrícia Poeta?’ É a indagação do leitor.

Flávio Ricco, colunista de Canal 1, responde ao leitor: ‘De maneira nenhuma houve, por parte deste colunista, qualquer desejo de atacar ou ofender Glória Maria, por todos reconhecida como excelente profissional. O ‘já se foi’ refere-se, única e exclusivamente, à sua saída do ‘Fantástico’, substituída pela Patrícia Poeta. O ‘já se foi’ nos desobrigou, inclusive, de traçar qualquer comparação entre as duas. Ambas são excelentes e com características diferentes.

‘Quanto ao ‘jovem, bonita e competente´, se for desejo do leitor, podemos dizer quase a mesma coisa a respeito da Glória Maria. Ela também é bonita e competente, mas não tão jovem’, acrescenta Ricco.

Zona Azul

‘Motoristas reclamam da volta da cobrança’ (manchete de Fortaleza, página 7, 2/4). Leitor que prefere o anonimato liga para o ombudsman e diz que é motorista e concorda com a zona azul. Para ele, o título generalizou, dando a entender que todos os motoristas são contra a cobrança desse estacionamento. Segundo ele, o estacionamento zona azul permite o rodízio nos espaços destinados a veículos no Centro da cidade, impedindo assim que alguém ocupe, por horas inteiras, vagas que poderiam ser alternadas. Cobra uma posição do jornal, em editorial, sobre o assunto.

O ombudsman levanta outra questão: A matéria de hoje diz ‘cobrança da zona azul’ (no feminino), o que acho correto. Mas, na edição de ontem, tivemos em manchete de página o seguinte título: ‘Zona azul volta a ser cobrado hoje’, no masculino, com o argumento de que a referência é o estacionamento. Volto a perguntar à Chefia de Redação: como fica padronizada essa questão? Para o professor de Português Myrson Lima, a concordância deve ser no feminino: zona azul ‘volta a ser cobrada’ e não ‘volta a ser cobrado’.

Lixo musical

Fábio Campos na Coluna Política de 29/3 chama a atenção do Ministério Público e dos dirigentes de emissoras de rádio para as músicas que atentam contra a dignidade da mulher, tendo como mote a condenação da empresa Furacão 2000 Produções Artísticas do pagamento de multa de R$ 500 mil pelo lançamento da música Um Tapinha Não Dói.

Na verdade, não faz nenhum sentido tanto alarde na mídia e tanto fervor das autoridades policiais e judiciárias contra a prostituição infantil e a exploração sexual de crianças e adolescentes quando meninas de nove, dez anos, cantam nas ruas, nos colégios e em festas ‘músicas’ como A Periquita, Lapada na Rachada, Chupa Que é de Uva, entre outras ‘pérolas’ do gênero.

Até domingo.’

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