Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Rogério

27/07/2010 na edição 600

‘Se alguém vai ler um texto e não conhece sete, oito ou dez palavras acaba se distraindo e não consegue entender o sentido geral daquela mensagem’ Vito Gianotti, escritor e autor do livro Dicionário de Politiquês. Caro leitor, você sabe bem o real significado de expressões como relator, comissão mista, substitutivo, cacique-mor, impugnação, candidatura rifada ou candidato ungido? As expressões fazem parte do cotidiano do noticiário de Política e vez por outra são publicadas como se todos fossem obrigados a saber o que querem dizer. Ora, cabe ao bom jornalismo escrever de forma clara para o leitor, partindo sempre do princípio que aquele pode ser o primeiro contato da pessoa com o tema. Insistir em uma linguagem recheada de termos políticos, gírias e chavões – o chamado ‘politiquês’ – é dificultar a comunicação, espantar o leitor. O texto vai acabar interessando somente a um pequeno grupo. O recado serve também para o ‘economês’, o ‘futebolês’, ou outros dialetos próprios. O leitor Gisonaldo Grangeiro discordou, por exemplo, do uso rotineiro do termo ‘candidatura rifada’ para explicar a saída de Ciro Gomes da disputa presidencial. ‘Rifada foi a candidatura Lúcio Alcântara, em 2006. Aquilo sim foi rifar um candidato natural à reeleição’ afirmou, defendendo a tese que a saída de Ciro foi uma decisão do partido. De acordo com o editor-executvo do Núcleo de Conjuntura, Guálter George, o termo ‘rifada’ se refere à articulação que o candidato fez e teve seu projeto inviabilizado pelo próprio partido. ‘Poderia dizer ‘inviabilizada’, por exemplo, ao invés de rifada? Poderia, claro, sem que isso signifique, necessariamente, que houve um erro na opção feita’ afirmou ele. Se poderia, deveria ter usado. O leigo desconhece a expressão ‘rifada’, a não ser para uma bicicleta, um carro, uma grade de cerveja e um galeto, etc. O mesmo caso aconteceu na edição de dia 1º de julho quando O POVO escreveu que o ‘deputado federal de primeiro mandato, Indio da Costa, foi ungido candidato…’. Ungido? Guálter concorda que alguns termos dificultam realmente a compreensão. ‘Razão pela qual temos, nas reuniões internas da editoria, sempre solicitado que a opção seja pela simplificação. Sem gírias’ assegurou.

Falha e embaraço

Em meio a notícias de jogadores de futebol envolvidos em casos policiais, como o goleiro Bruno e os franceses Franck Ribéry e Karim Benzema, eis que um atleta local se envolve também em confusão. Ou pelo menos foi envolvido. Segundo a edição do O POVO de quarta-feira passada (21), o meia Paulo Isidoro, do Fortaleza, deixou o treino e foi detido, sendo levado por uma viatura policial para a delegacia. Isso segundo o jornal. A informação estava no último parágrafo da manchete que tratou de um protesto da torcida pedindo raça aos jogadores. No comentário interno critiquei a editoria por não ter dado o fato como assunto principal, já que era o diferencial daquele dia de treino. Recebi como resposta que a decisão foi editorial, que não se faria de um problema pessoal do atleta uma espetacularização. Ora, o fato de um atleta ser detido após o treino e deixar o clube em uma viatura, a meu ver, é muito mais interessante que o simples protesto dos torcedores. Se fosse Ronaldo, Romário, Kaká ou mesmo Clodoaldo não seria? Pois bem, voltando ao caso, o jornal informou ainda que, segundo o delegado, o atleta foi liberado na delegacia após apresentar documentação que revogava prisão. O problema é que na edição de quinta-feira, O POVO voltou a noticiar o caso, agora desinformando tudo que havia dito. O jogador não foi detido após o treino. Ele foi chamado à delegacia. E nem entrou em qualquer carro policial. Foi no seu próprio carro, apenas escoltado pela viatura dos policiais. Uma versão bem diferente do primeiro dia quando o jornal comprou fácil a versão da polícia, sem seguir normas básicas -dar os devidos créditos para quem afirmou o fato – no caso a polícia – e verificar o outro lado. O jornalista Demitri Túlio, que está interinamente como editor do Gol, admite que faltou especificar que a informação ‘havia sido dada somente pelo delegado’ disse ele. E ninguém procurou Paulo Isidoro. Resumindo: apurou errado, noticiou errado. No dia seguinte a editoria deu a versão do jogador. Se não quis espetacularizar, a matéria conseguiu causar um tremendo embaraço ao atleta.e ao jornal.

Informação sem fundo

Uma informação em coluna, por mais simples e brincalhona que possa parecer pode cometer erros primários e consequencias graves. O leitor Francisco Rabello contestou a nota ‘Risco n’agua’ publicada na coluna Alan Neto do último domingo (18) que conclama o Banco Central para agir contra decisão de algumas lojas, em especial a Via Direta, da rua Barão do Rio Branco, em não aceitar pagamentos em cheque. ‘Se é assim e a moda pegar, sugere-se que todos rasguem seus talões de cheque cujo valor, pelo visto, é de um risco n’agua..Acorda Banco Central!’.

Só que a loja não está errada. ‘Não existe lei brasileira que obrigue qualquer empresa a receber cheque. O entendimento é que o cheque faz às vezes do dinheiro, porém não é dinheiro’ afirmou o leitor. Rabello tem razão. O Banco Central esclarece em seu site que apenas as cédulas e as moedas ‘têm curso forçado.’ Pronto, bastava uma simples consulta para evitar que o público criasse uma imagem negativa dessas instituições que estão agindo completamente dentro da lei.

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