Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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VOZ DOS OUVIDORES >

Paulo Rogério

30/05/2011 na edição 644

“Trabalhamos com a informação. Lidamos com dados e fontes; a vida das pessoas e a própria sociedade são influenciados pelas matérias que redigimos'. Adriana Motta, jornalista.

Passei as duas últimas semanas observando com mais atenção as matérias policiais publicadas nos três jornais do Ceará. Se você tiver essa oportunidade repita a experiência. Verá que, apesar do fato ser o mesmo, a diferença de informações de um veículo para outro é enorme. Vai desde os nomes de policiais, vítimas e presos até a divulgação de material apreendido ou o local da ocorrência. No dia 14, por exemplo, O POVO publicou o estouro de um laboratório de drogas e a apreensão de 5 kg de pasta-base de cocaína. No mesmo dia, outro jornal noticiou que eram 5 kg de crack. Drogas bem diferente.

Dois casos graves dessa confusão ocorreram essa semana. Na segunda-feira (23) os três jornais deram destaque a um acidente envolvendo três jovens na avenida dos Expedicionários. O POVO e O Estado informaram que duas pessoas morreram. O DN, três. Quem leu todos ficou em dúvida – incluindo eu que até critiquei, erradamente, o'furo' na avaliação interna. Os repórteres envolvidos na cobertura é que alertaram que uma das vitimas estava viva, conforme havíamos noticiado. Ou seja, um jornal anunciou uma morte que não havia ocorrido. Coitada da família.

Nomes trocados

O segundo caso envolveu O POVO no dia seguinte. Ao falar do resgate de'Diabo Louro' do 30º DP, manchete dos três jornais, o jornal trocou o nome do delegado Domingos Sávio, baleado na ação, com um dos presos assassinado pelos companheiros chamado Domingos Bezerra de Souza. O delegado simplesmente virou um preso e acabou morto. A família ficou desesperada.

Em contato telefônico com o ombudsman, a irmã de Domingos Sávio pediu a correção imediata da informação.'Foi uma correria em casa. Muita gente do Interior ligou atrás de saber como ele estava' desabafou Ilná Diógenes. Segundo ela todos pensavam que o delegado estava preso e que havia sido assassinado. Um Erramos já havia sido publicado na quarta-feira, dia da ligação. Na quinta, O POVO fez nova matéria se retratando pela falha e pedindo desculpas. Um procedimento correto diante de um erro tão grave.

Todo cuidado é pouco

Apuração, checagem da notícia e boas fontes. Para a editora-executiva do Núcleo de Cotidiano, jornalista Tânia Alves, não há diferença entre uma matéria que fale de saúde, educação, política ou economia e outra sobre segurança. 'Para se fazer uma boa apuração em todas estas áreas é preciso, antes de tudo, checar bem as informações coletadas, ter fontes diversificadas e ouvir o sempre o outro lado' explicou.'Além disso, retratar no texto, de forma clara e precisa, tudo o que foi apurado. Se estes pontos foram seguidos, teremos sempre boas matérias'. De acordo com Tânia a troca de nomes ocorreu por erro de edição.

Não se pode realmente diferenciar uma apuração de matéria policial com outra qualquer. Aliás, há anos o jornal acabou com a página exclusivamente policial tratando o caso como segurança. Porém, há suas especificidades. Uma delas é a própria fonte de informação já que nem sempre o repórter consegue estar no local da ocorrência. A principal delas é a própria policia, através de delegados, soldados e escrivães. Outra é o boletim da Ciops (Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança) que resume todas as atividades de um dia. Se há uma troca de dados nesta fonte, a vítima pode virar culpada e quem está vivo acaba morto. Todo cuidado, portanto, é pouco na checagem do apurado antes da publicação. E pelo jeito, na hora de ler também.

E o próximo capítulo?

O mundo não acabou no sábado (21) como previu o religioso norte-americano Harold Camping, fundador de uma seita na Califórnia (EUA) que propaga o fim dos tempos. Isso todos sabem, caso contrário não estaríamos nem lendo esse comentário. Mas o que aconteceu com o profeta e seus seguidores? Quais as explicações pelo fracasso da profecia? Bem que o leitor do O POVO gostaria de saber, mas ficou frustrado. Após a crônica descontraída da capa do Vida & Arte e a manchete em Radar, ambas no fatídico dia, nem uma linha sequer do assunto foi publicada até sexta-feira. A falta de continuidade tem sido uma das grandes reclamações dos leitores.

FOMOS BEM

NAS PÁGINAS AZUIS. Entrevista com Isaías CDs revelou uma boa história do forró cearense.

FOMOS MAL

INGRESSOS NO PV. Jornal entrou na discussão sobre aumento, mas não questionou fixação do limite de gratuidade.”

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