Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Verlaine

11/03/2008 na edição 476

‘Um personagem é destaque na imprensa: o cearense Antonio Jussivan Alves dos Santos, o ‘Alemão’. Ele é acusado de ter liderado o megafurto do Banco Central, de onde foi levada a quantia de R$ R$ 164,7 milhões. Foi preso no último dia 18, em Taguatinga (DF), depois de uma caçada que durou quase três anos. Trazido para Fortaleza, Jussivan foi submetido a interrogatório e fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Na edição de 4/3 (Fortaleza, página 3), O POVO trouxe a seguinte manchete de página: ‘Após interrogatório, Alemão e ‘laranjas’ continuam no Ceará’. Ao lado, outra matéria, ‘Alemão e o alemãozinho’, noticiava que, enquanto Jussivan, o ‘Alemão’, permanecia no IML, ali estavam também três adolescentes acusados de furto: ‘Um dos adolescentes detidos, de 15 anos, foi apelidado de ‘alemãozinho’ por um dos policiais, por causa de seu cabelo pintado de loiro’. Uma piada de mau gosto que deveria ter ficado restrita aos corredores do IML, mas que, infelizmente, o jornal se encarregou de ampliá-la.

Fala o Cedeca

Sobre o assunto, Mara Carneiro, Assessora Comunitária do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará Cedeca-Ceará, deu a seguinte opinião: ‘Ao lermos a matéria intitulada de ‘Alemão e Alemãozinho’, de autoria de Ricardo Moura (edição do O Povo de 04/03 – editoria cidade), nós, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-Ceará) tivemos um primeiro estranhamento, nos perguntamos qual era o intuito de se fazer uma forçada comparação de um adolescente com o Alemão, acusado de participar do furto ao Banco Central, para que essa exposição inadequada?

Acreditamos que o papel dos meios de comunicação seja o de informar, levantar debates e ajudar a desconstruir preconceitos que nada contribuem com o desenvolvimento da nossa sociedade. Mas o que está em jogo, é o motivo da matéria. Que fato essa matéria comunica? A prisão de alguém que participou do assalto do Banco Central? Que contribuição damos ao debate legitimando uma fala, uma chacota de um policial? Se a idéia da matéria era ser engraçada, nós, que estamos atentos e combatemos qualquer tipo de violência, não achamos que teve graça! Comparar um dos responsáveis pelo o assalto ao Banco Central com um adolescente da periferia de Fortaleza que cometeu um ato infracional é no mínimo, um ato irresponsável.

Ao contrário de informar sobre o caso, essa matéria só ajuda a criminalizar o olhar sobre a adolescência e a juventude, que já vive bastante estigmatizada nos meios de comunicação. Isso porque não ajuda a combater a violência e nem o faz refletir sobre o acontecido. Essa divulgação fere a sua dignidade e decepciona os leitores. Do mesmo modo, o ato do policial de apelidar um adolescente de ‘alemãozinho’ ultrapassa o poder que é dado a ele, de assegurar a segurança de todos os cidadãos. É preciso que a polícia, os comunicadores e os cidadãos em geral façam uma reflexão sobre sua ação e sobre o mundo que queremos construir’.

‘Retratar um momento’

O repórter Ricardo Moura, autor do texto, procurado pelo ombudsman, declarou: ‘Não houve intenção de minha parte de constranger o adolescente citado na matéria nem muito menos traçar um prognóstico determinista sobre seu futuro. Queria apenas retratar um momento inusitado: o homem mais procurado pela polícia brasileira estar preso, ao menos momentaneamente, em uma sala juntamente com três adolescentes que roubaram uma bolsa’.

Polêmica

O ombudsman envolveu-se em polêmica com o vereador Paulo Mindêllo (PSB) sobre a proposta de mudança dos nomes das avenidas Beira Mar e da Universidade para Dom Lorscheider e Reitor Martins Filho, respectivamente. Comentei o assunto, objeto de artigos de Adísia Sá e do próprio representante municipal, e procurei defender o patrimônio imaterial da cidade no qual estão incluídos os nomes de bairros, avenidas e ruas. Nessa defesa, dirigi palavras ásperas e injustas a Paulo Mindêllo. Falei mais como fortalezense – de nascimento e de coração – e menos como ombudsman. Peço desculpas ao vereador, mas mantenho minha posição contrária à proposta.

Violência classe A

A nota destacada paga ‘Repúdio à violência no Colégio Santa Cecília’ (Vida & Arte, capa, 6/3), assinada pelos pais de um aluno agredido por um colega naquele estabelecimento de ensino, chama a atenção para um grave problema: a violência nos colégios particulares. Há um termo inglês bullying (que não tem equivalente em português, mas pode ser traduzido por assédio moral ou violento entre colegas de colégio) que reflete bem essa situação.

Até domingo.’

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