Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Verlaine

26/08/2008 na edição 500

‘A nota ‘Deu zebra!’, da coluna Vale-Tudo (Página 2, 17/8), do jornalista Alan Neto, previa uma derrota do professor Jesualdo Farias nas eleições para reitor da Universidade Federal do Ceará (o que não aconteceu: Farias venceu a consulta com 89,28% dos votos). A ‘previsão’ provocou enérgicas reações de três leitores: do jornalista Paulo Mamede, do professor Antonio Eurico Belo Torres e de uma leitora que pediu anonimato. Todos foram unânimes em considerar a nota ‘tendenciosa’ ou ‘inventada’. Leia nota da Coluna Vale-Tudo http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/valetudo/

Crítica de Mamede

Diz Paulo Mamede, coordenador de Comunicação da UFC: ‘Acontece que o prof. Jesualdo Pereira – a quem o colunista gratuitamente chama de regra três – obteve nada menos do que 89% dos votos válidos na consulta realizada, dia 20/08, entre os três segmentos da UFC para a escolha do futuro reitor da Instituição. Não sei se o jornalista está se sentindo envergonhado. Mas com certeza qualquer cidadão comprometido com a verdade estaria. A liberdade de imprensa não pode ser confundida com a liberdade de ‘inventar’, ‘supor’, ou coisa que o valha. Jornalismo não é suposição, é trabalho árduo, cotidiano, é a busca pela verdade, é a credibilidade conquistada a cada dia, na tessitura cotidiana da ética e do respeito às fontes e aos leitores. Não é invenção’.

Indagações

O professor Antonio Eurico Belo Torres indaga:

‘1. Pode um jornalista escrever o que quiser, sem base na realidade, deixando a impressão, pelo menos para nós da UFC, que sua matéria esteja a serviço de outros interesses que não o interesse público? Tem O POVO, algum mecanismo de avaliação interna de defesa do jornal e dos seus leitores, para evitar que matérias como esta, que passa a impressão de estar a serviço de outros interesses que não o interesse público, possam ser publicadas?

2. Não terá por norma O POVO que a notícia deva ser tratada com princípios éticos e, acima de tudo, veiculando sempre informações de boa qualidade aos seus leitores?

3. O jornal admite, em nome da liberdade de expressão e da autonomia do jornalista, a publicação de notícias tendenciosas, que visam beneficiar uma das partes envolvidas numa dada questão?

4. O compromisso fundamental do jornalista é ou não é com a verdade dos fatos e sua correta informação? Deve ou não, o jornalista ouvir, antes de divulgar qualquer fato ou fazer uma avaliação objetiva de um evento, as pessoas envolvidas nas suas matérias?

5. O jornalista vai publicar o resultado da eleição da UFC em sua coluna chamando a atenção dos seus leitores com uma chamada ‘erramos’?’

Resposta de Alan

Alan Neto responde: ‘O jornalista Paulo Mamede cumpre muito bem o papel de coordenador de Comunicação da UFC, para o qual é pago. Mesmo que, para tanto, chute a ética para o alto, com adjetivos grosseiros. Cada qual trata de vender o peixe à sua maneira para ser agradável. Nunca pensei que simples três linhas causassem todo este abalo sísmico na nossa mal-assombrada UFC. A nota serviu, também, para mobilizar toda a grei universitária. O que seria uma eleição frugal, apenas faz-de-conta, virou uma guerra de bastidores. O professor Benito que o diga. Quanto ao termo regra três não é pejorativo. Quem é vice está na reserva. No jargão do futebol é o regra-três. E nem assim o mundo acabou. No mais, parabéns ao professor Jesualdo pela vitória, valorizada pelo prenúncio da zebra. No jardim. Ainda bem acordou a tempo para evitar a hecatombe’.

Normas

Lembra o ombudsman que o Guia de Redação e Estilo (na Parte VI: Normas Jornalísticas, relativas às colunas, diz o seguinte: ‘As colunas do O POVO se caracterizam por conter informações de bastidores, notícias curtas ou análises e opiniões dos colunistas. As opiniões são de responsabilidade dos colunistas, porém o jornal exerce vigilância sobre o conteúdo das colunas para evitar promoção de interesses particulares. Também deve ficar atento à utilização excessiva de alguns personagens. Nos dois casos, cabe à direção alertar o colunista e adotar punição para casos reincidentes’.

Pergunto à Chefia de Redação: essa ‘vigilância’ vem sendo feita diariamente?

Encartes

Leitor Emílio Praxedes protesta contra os encartes comerciais no O POVO: Sinto-me incomodado com esses encartes. Se possível fosse, gostaria inclusive de não recebê-los! Por fim quero assegurar que nunca comprei uma única mercadoria através desses encartes. Até porque não os leio’.

Frei Tito

O dramaturgo Ricardo Guilherme, autor da peça Frei Tito: Vida, Paixão e Morte, parabeniza O POVO (e a Editoria do Buchicho por ter pautado na Coluna Santo do Dia (12/8) a biografia do nosso Frei Tito de Alencar Lima. ‘A inclusão do nome de Tito foi no mínimo ousada, corajosa, por se tratar de um personagem que, embora respeitado pela Igreja Católica, não é oficialmente canonizado’.

Mas faz ressalva a dois pontos: 1. ‘A tortura a que foi submetido foi tão cruel que o levou às raias da loucura, a ponto de ele tentar o suicídio’.

Relatos na História comprovam a sanidade de Tito nesse momento e creditam sua atitude a uma estratégia para – não apenas criar um fato político (a tentativa de suicídio de um religioso nos porões da Ditadura) – mas também impedir que, sob o impacto das torturas, ele viesse a indiciar informações relacionadas à luta contra a repressão.

2. ‘Sua agonia somente acabou quando ele pôs fim à sua vida, enforcando-se em sua cela, no dia 10 de agosto de 1974, em Lyon (Paris)’. Corrige: Lyon é uma cidade do interior da França e não um recanto de Paris.’

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