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Domingo, 19 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Verlaine

02/09/2008 na edição 501

‘Em plena campanha eleitoral, quando candidatos à Prefeitura da quinta maior cidade do País lançam seus programas e propostas para atrair eleitores, o Centro da Capital volta a ser alvo de promessas de ‘revitalização’. A população, no entanto, está descrente porque a área continua abandonada e muito perigosa, principalmente no período noturno.

Na sexta-feira (29), a manchete da página 3 do O POVO (Fortaleza) alerta: ‘Onda de furtos no Centro assusta comerciantes’. No texto da matéria principal uma revelação: ‘Os saques têm características semelhantes e a Polícia Militar atribui o problema a um imóvel invadido’.

Este ‘imóvel invadido’, como está dito discretamente no quadro (Emais) logo abaixo da matéria, é o prédio onde funcionava o antigo Poupa Ganha. Há alguns anos o local foi ocupado por dezenas de sem-teto e hoje ali vivem muitas pessoas em total promiscuidade, falta de higiene e abandono. Uma ‘cabeça de porco’. É de lá que saem – e se escondem – os autores da maioria dos roubos e furtos ocorridos no Centro da cidade, segundo denúncias feitas à Polícia.

O problema arrasta-se durante todo esse tempo e é tolerado pela imprensa – até hoje não vi nenhuma matéria sobre o assunto, com exceção de breves referências nos programas policiais de televisão – e pelas autoridades que fingem desconhecer a gravidade da situação.

No antigo Poupa Ganha há de tudo, de acordo com as denúncias: famílias, trabalhadores, marginais, prostituição infantil, exploração sexual de adolescentes, tráfico de drogas (principalmente de ‘crack’ ou ‘pedra’, como chamam os viciados) e esconderijo de roubos e furtos.

A permanência dessas pessoas (os marginais) no local é muito mais nociva do que a dos pequenos comerciantes nas feiras das praças José de Alencar e Pedro II (da Sé), mas todos fazem de conta que o problema não existe. Até quando?

Não se defende aqui a expulsão a manu militari das famílias que ali vivem, mas o terreno precisa ser desocupado – com cadastro das pessoas carentes com o objetivo de abrigá-las noutro local – porque, na atual situação, o prédio do ex-Poupa Ganha é uma ameaça à segurança das pessoas que transitam pelo Centro.

Trotes

O que ocorreu mesmo no trote de calouros do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC)? No domingo (24/8), a carta ‘Trotes vazios’, da leitora Magnólia Almeida, insinua, num dos trechos: ‘Quem passou pelo trote de terça-feira, dia 19, (lembrando que a semana de trote já havia passado), na Arquitetura, sabe do que estou falando’.

Na quarta-feira (27), o leitor Bruno Nogueira, no mesmo espaço, contesta Magnólia e diz que o trote foi ‘algo que ocorre em praticamente todos os cursos da Universidade Federal e que é aceito por grande parte dos estudantes’.

Outro leitor, Francisco Paulo R. de Oliveira, na página 6 (Opinião), vem em defesa de Magnólia: ‘Todo trote é humilhante, sim. É animalesco’. Acrescenta, mais adiante: ‘Convido quem defende (o trote) a filmar os próximos trotes e que se conheça a verdade’.

Magnólia Almeida e Francisco Paulo R. Oliveira têm razão. Trotes já causaram até mortes e graves ferimentos em outros estados do Sudeste e Sul do País, sem se falar na exposição das pessoas ao ridículo. Outros leitores, por telefone, cobram do jornal matéria esclarecedora sobre o assunto..

Furtos x roubos

Advogado e ex-diretor do Clube do Advogado alertou-me no início deste mandato: O POVO e outros jornais do Ceará e do País, inclusive os do eixo Rio-São Paulo, fazem uma tremenda confusão entre ‘roubo’ e ‘furto’.

Na última quinta-feira (28) houve dois casos. Na manchete da página 3 (Fortaleza) está o título:’Roubados R$ 127 mil em medicamentos’.

Também na manchete da página 9 também: ‘Igreja de São Pedro é roubada’. Não é preciosismo, mas ‘roubo’ e ‘furto’ são delitos distintos, com penas diferentes para os culpados, inclusive. Roubo não é sinônimo de furto. Roubo requer violência de quem o pratica. O furto, não. No caso dos remédios, o correto seria ‘Furtados R$ 127 mil em medicamentos’, como está no texto da matéria: ‘A Secretaria da Saúde confirmou ontem o furto de remédios de alto custo’. O correto seria ‘Igreja de São Pedro é furtada’.

Palavras perigosas

Meu antecessor e editor institucional do O POVO, Plínio Bortolotti diz que a língua portuguesa tem ‘palavras perigosas’. Um simples acréscimo ou subtração de uma letra podem causar verdadeiras tragédias jornalísticas. Infelizmente, foi o que ocorreu na coluna de Sonia Pinheiro, na última terça-feira (Vida e Arte, página 3), quando saiu publicado o título ‘Academia Cearense de Letras: César Rocha é o novo imoral’ em vez de ‘Academia Cearense de Letras: César Rocha é o novo imortal’. No dia seguinte, a colunista adotou o procedimento correto: pediu desculpas públicas pelo erro involuntário. Que o fato sirva de advertência para todos.

Umbanda

Na matéria ‘Garotas do Togo poderão voltar à escola’, publicada em Mundo, no último dia 22, sobre abusos sexuais sofridos por garotas congolesas, O POVO cometeu injustiça ao dizer que o vodu daquele país é ‘uma crença identificada com a umbanda brasileira’.

Denise Lourenço dos Santos e Robson Sciola enviaram cartas ao jornal e protestaram contra a vinculação equivocada. O jornal fez a retificação, mas o destaque não foi o mesmo da matéria anterior.’

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