Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Verlaine

23/12/2008 na edição 517

‘Os 40 anos da decretação do Ato Institucional de número 5, transcorridos no último dia 13, tiveram pouco destaque no O POVO que, com freqüência, cobre muito bem essas efemérides. É a opinião do leitor, advogado e procurador federal aposentado Marcos Carvalho que, em conversa com este ombudsman, disse que sentiu falta de maior aprofundamento do 40º aniversário do AI-5 neste jornal.

O AI-5 foi o que pode se chamar golpe dentro do golpe militar de 1964. No dia 13 de dezembro de 1968 acabavam-se as poucas liberdades ainda existentes no País: diretórios estudantis e sindicatos foram fechados e líderes presos ou caçados (com cedilha mesmo, sinônimo de perseguidos). Houve onda de prisões de políticos (até alguns que apoiaram o movimento de 64, como Carlos Lacerda).

O POVO, em sua edição de 12/12, trouxe duas páginas sobre o assunto: a 7 (Opinião) com três bons artigos: ‘Para não esquecer’, do jornalista Nilton Almeida que, entre outros assuntos, lembra o assassinato do ferroviário José Nobre Parente, ocorrida dois anos antes; ‘Imprensa e ditadura’, de Márcio de Souza Porto, mestre em História Social e diretor do Arquivo Público do Ceará, destacando o apoio dos Diários Associados aos golpistas, principalmente o jornal Correio do Ceará, através do seu diretor Eduardo Campos; ‘AI-5’, da jornalista Ana Rita Fonteles, que ressaltou a importância das mulheres nas denúncias das arbitrariedades cometidas pelo regime vigente, através do Movimento Feminino pela Anistia.

Na mesma edição, na página 4 (Política) do segundo caderno, é publicada a matéria (manchete) ‘40 anos do Ato que o País quer esquecer’, do jornalista Gabriel Bonfim, o quadro ‘Saiba mais’, a coordenada ‘Na resistência ontem, no parlamento hoje’, sobre o deputado federal José Genoíno Neto (PT-SP) e ‘2 min visuais’ ‘O outro lado’. ‘A voz isolada que o Congresso acolhe’, com o também deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Foi o material produzido pela Redação do O POVO sobre o assunto.

No dia 16/12, terça-feira última, O POVO publicou outro bom artigo ‘CE: esquerda e o AI-5’, do professor e historiador Airton Farias, mostrando a repressão que ocorreu no Ceará depois da decretação do AI-5 e também as organizações armadas que agiam neste Estado.

Concorrente aprofunda tema

PMas, apesar disso, temos de concordar com o leitor Marcos Carvalho. Uma página (de produção do O POVO) sobre os 40 anos do AI-5 foi muito pouco. O Diário do Nordeste ofereceu aos seus leitores dez páginas (Caderno 3) sobre a efeméride no dia 14/12, com abordagem local, inclusive. O caderno mostrou as repercussões do ato de força nos setores intelectuais cearenses (literatura e música). Foram entrevistados Fausto Nilo, Augusto Pontes, Carlos Emílio Corrêa Lima. Artigo de Pedro Albuquerque reconhece a ilusão dos que insistiam em contestar abertamente o regime: ‘Só então vimos, diante de nós, o monstro sem quimeras com cabeça de leão, corpo de escorpião, garras de rapina e cauda de dragão que o Inácio nos apontara e nossa percepção da realidade nos impedira de ver’. O Inácio a que Pedro Albuquerque se refere é Inácio de Almeida, um dos poucos militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) no movimento estudantil cearense. A grande maioria era formada por militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Ação Popular (organização de esquerda católica que, depois, virou marxista-leninista) e Port (Partido Operário Revolucionário Trotsquista). As outras organizações radicais de esquerda, como ALN (Ação Libertadora Nacional) e PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) não priorizavam o movimento estudantil como forma de luta contra o regime militar.

– É preciso reconhecer que, na passagem dos 40 anos do AI-5, o Diário do Nordeste bateu O POVO no que este jornal sempre foi melhor: o resgate dos fatos históricos.

Debate

A rádio FM Universitária promoveu, no dia 9/12, debate sobre os 40 anos do Ato Institucional Número 5, em programa apresentado pelo jornalista Agostinho Gósson, que contou com a participação do general Torres de Melo, do coronel-aviador Sued Lima, do advogado Paulo Roberto Martins Rodrigues e deste ombudsman. A discussão, que transcorreu em ambiente ameno, enfocou mais o AI-5 como um episódio marcante da história recente do País.

Lei Seca

Quem abordou bem o polêmico projeto – aprovado com muitas mudanças no texto original – do vereador José Maria Pontes foi o jornalista Erivaldo Carvalho na Coluna Política: ‘As diferenças entre Fortaleza e Diadema (cidade paulista que limitou o horário dos bares) também são gritantes. A primeira tem cerca de 400 mil habitantes e tem perfil assemelhado a Maracanaú. Bem diferente da turística e litorânea capital do Ceará, que tem cerca de 2,5 milhões de moradores’.

– O álcool é um dos fatores que contribuem para a violência, mas não é o único nem o principal. Achar que proibir venda de bebida alcoólica pode acabar com a marginalidade não deixa de ser ilusão.’

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