Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Plínio Bortolotti

12/07/2005 na edição 337

‘No domingo passado, no artigo ‘Lula e o BEC’ (pág. 7), o sociólogo e professor André Haguette, terminou o seu texto com o seguinte questionamento: ‘Três autores; três versões ou três verdades. Ao leitor fica a tarefa de responder à pergunta: Lula pode ou não, deve ou não interromper a privatização do BEC? Haguette demonstrava espanto por não ter chegado a conclusão nenhuma depois de ter lido (na edição de 28/6) três artigos que tratavam da privatização do BEC, banco que era de propriedade do governo do Ceará, atualmente federalizado (sob a posse da União).

O professor está certo ao dar o puxão de orelhas por não se sentir esclarecido com o que vem lendo no jornal?

O caso que originou o artigo de Haguette foi um debate nas páginas da editoria de Opinião. Cada articulista apresentou a sua verdade, a interpretação pessoal, a partir de uma verdade factual: o governo federal prepara a venda do BEC, já tendo publicado o edital de privatização. Para deixar mais claro: a verdade factual é incontrastável, à qual não há como se opor. A verdade factual não se confunde com a verdade pessoal, pois essa depende da experiência e da forma de se ver o mundo, diferente para cada indivíduo. Portanto, dos artigos referidos pelo professor, não se poderia esperar algo muito diferente.

No entanto, ele está coberto de razão quando se trata de notícias, de responsabilidade editorial do jornal. E O POVO vem publicando várias a respeito do assunto, optando pelo jornalismo declaratório, no qual cada entrevistado expõe a sua interpretação. Os partidários do governo federal dizem que a suspensão da venda do BEC depende também do governador Lúcio Alcântara, devido à forma como foi feito o contrato de federalização. Para os defensores do governo do Estado, depois da transferência, a responsabilidade sobre o banco passou a ser integralmente do governo federal.

No meio da batalha verbal, é preciso lembrar que a venda do BEC foi possível devido a uma lei aprovada na Assembléia Legislativa. Sob a égide dessa lei, a transferência da administração do banco para o governo federal deu-se sob contrato, cujas cláusulas e aditivos podem ser verificados. Portanto, aí está a chave, da qual o jornal nunca fez uso, para se chegar (ou pelo menos se aproximar) da verdade factual, com o objetivo de responder à pergunta que angustia os leitores: ‘Lula pode ou não interromper a privatização do BEC?

Os jornais deixarem perguntas em aberto quando poderiam respondê-las não é algo extraordinário. É relativamente comum notícias com declarações conflitantes – denúncias, acusações – em que o jornalista ouve ‘outro lado’ para apaziguar a consciência, mas se exime da responsabilidade de buscar a verdade factual, mesmo quando é possível fazê-lo. Jornais e jornalistas devem responder a perguntas, evitando semear a dúvida entre os leitores.

LOUCO POR JORNAL

Estranhei ao receber o telefonema do leitor Mariano Neto. Ele se queixava porque o número de páginas de cada edição, registrado no cabeçalho do jornal, ‘raramente bate com o número real, principalmente aos domingos’. Comecei a anotar a crítica no comentário interno que faço à Redação do jornal, mas me assaltou a curiosidade: por que diabos o leitor seria tão minucioso a ponto de conferir o número de páginas? Liguei para ele, que me explicou ter o hábito de ler o jornal inteiro (alguns trechos em ‘leitura dinâmica’) e o faz sempre a partir da primeira página, sem se desviar da seqüência. ‘Quando preciso suspender a leitura, anoto o número da página em que parei, calculando quantas faltam para terminar, por isso eu sei quando o jornal erra’. Mariano diz que, ao chegar ao final da leitura, sente-se desorientado se o número de páginas não confere com o que estava anotado no cabeçalho, usado como guia de sua contagem. Ele diz também não sossegar até concluir a leitura. ‘Se eu não tiver tempo de ler a edição inteira no mesmo dia, termino no dia seguinte, ou mesmo dois ou três dias depois’. ‘Cada louco com a sua mania’, ele mesmo diz, rindo.

ACI

A propósito da coluna da semana passada, em que registrei crítica da professora Adelaide Gonçalves pelo fato de a Associação Cearense de Imprensa não ter homenageado o historiador e jornalista Geraldo Nobre, morto recentemente, recebo explicações de Luciano Luque, secretário-geral da ACI. Ele diz que as comemorações dos 80 anos da entidade dividem-se em três partes: a primeira (15/6), foi na Assembléia Legislativa, em que foram homenageados os jornalistas, ainda em atividade, com mais de 50 anos de profissão. A segunda, na Câmara Municipal (22/6) destacou os sócios beneméritos. Segundo Luque, Geraldo Nobre (ainda hospitalizado nessas duas ocasiões) não se enquadrava em nenhum dos casos. Ele diz que o professor será homenageado no próximo dia 14, quando será instalada na sede da ACI uma ‘memória iconográfica’ de pessoas importantes para a entidade, na qual a história de Geraldo Nobre será lembrada.

BAIRROS

Leitor pergunta qual o critério utilizado pela coluna ‘O Povo nos Bairros’ para determinar em qual ponto da cidade ficam os bairros. O jornalista Humberto Ilo, responsável pela coluna, explica que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não divide a cidade por zonas, de acordo com os pontos cardeais geográficos. A prefeitura, por sua vez, o faz por regiões administrativas: são seis secretarias executivas regionais, conhecidas pelas siglas SER I, SER II, SER III, SER IV, SER V e SER VI. Não havendo uma divisão oficial por zonas, o jornal estabeleceu sua própria convenção, tendo como parâmetro o centro da cidade: zona Oeste (correspondendo às SERs I, III, IV); zona Leste (SER II) e zona Sul (SERs V e VI). Por essa convenção, não há zona Norte, pois esta corresponde ao oceano Atlântico. Seria razoável que se publicasse um mapa, de tal maneira que os leitores pudessem localizar as zonas e os bairros referidos na coluna.

ATENDIMENTOS

Abaixo, o balanço dos atendimentos do mês de junho.

Total de atendimentos: 90

E-mail 57

Telefone 30

Cartas 1

Pessoalmente 1

Fax 1

Atendimentos por assunto

Críticas

34

Comentários/ sugestões de pauta

29

Erros apontados

14

Elogios

3

Portal Noolhar: críticas/erros apontados

4

Reclamação sobre assinatura

6

Erros corrigidos

Brasil 1

Buchicho 3

Cotidiano 16

Economia 9

E-mais 1

Esportes 1

Mundo 2

Opinião 6

Primeira Página 2

Política 6

Últimas 6

Viagem & Lazer 2

Vida & Arte 8

Total de erros corrigidos

63′

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