Sábado, 17 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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VOZ DOS OUVIDORES >

Plínio Bortolotti

13/06/2005 na edição 333

‘Existem algumas efemérides que são pautas (assuntos) obrigatórias nos meios de comunicação: Natal, Dia da Criança, Dias das Mães, entre outras datas, incluindo aquela que transcorre hoje, o Dia dos Namorados. Algumas dessas comemorações surgiram pela necessidade ancestral do homem de ritualizar acontecimentos marcantes em sua vida, mas todas estão hoje naquele balaio em que tudo é visto como mais uma oportunidade de negócios, com o ‘comprador de presentes’ tornando-se mais importante que o suposto homenageado. A imprensa, conscientemente ou não, faz parte desse ‘esforço’ para favorecer o aspecto mundano das comemorações. A cobertura superficial dos eventos, joga mais lenha na fogueira do consumismo.

Talvez pela repetição, a abordagem de tais datas burocratizou-se nos jornais, seguindo um modelo que se repete ano a ano. A cobertura começa cerca de um mês antes, com declaração de comerciantes fazendo as contas de quando será o ‘aumento nas vendas’ no período. Pouco depois, as páginas de variedades começam a trazer ‘sugestões de presentes’, indicando os lugares onde podem ser comprados. Não faltam também notícias para mostrar as dificuldades daqueles que deixaram para fazer as compras na ‘última hora’; seguindo-se a divulgação de imagens de shoppings lotados e, finalmente, a via-crúcis da troca de presentes nas lojas e o balanço de quanto faturou o comércio.

No caso do Dias dos Namorados (e outras datas propensas à exploração da emotividade), há algumas variações, que não se afastam do lugar-comum. Ganham destaque casais com grande diferença de idade; casamentos que duram 50, 60 anos, sendo os cônjuges ‘eternos namorados’; pares a se reencontrarem depois de longa separação; uma paixão que começou de modo inesperado, etc. Com o surgimento da rede mundial de computadores, também se tornou obrigatório falar de namoros que começaram nos chats, as salas de bate-papo na internet.

O roteiro acima já foi quase todo seguido pelos jornais, no momento em que redijo essa coluna (sexta-feira). Hoje, certamente, haverá repórteres nas ruas para colher declarações de ‘casais apaixonados’ e para verificar como foi o movimento nos shoppings e restaurantes. Amanhã, se dará a mesma notícia do ano passado, que não será diferente daquela escrita no ano retrasado, que não foi diferente do que se disse no ano anterior.

Reconheço ser mais fácil identificar o problema do que sair da armadilha. Mas será que os leitores se contentam com a mesmice oferecida? Estariam os jornalistas acomodados com uma situação já estabelecida, por isso mais confortável? Seria possível tratar esses acontecimentos sob uma perspectiva mais criativa? Haverá novos modos de abordar assuntos tão antigos? Como já anotei por mais de uma vez nesta coluna, com a concorrência dos meios eletrônicos de comunicação, os jornais e os jornalistas têm de exercitar cada vez mais a criatividade. Os periódicos, que já estão amanhecendo cada vez mais com jeito de ‘ontem’ – pois o leitor, ao recebê-lo, já leu as notícias na internet, ouviu no rádio e viu na televisão –, não podem correr o risco de ficar com cara de ‘anteontem’.

Incompatibilidade

De vez em quanto, no meio de um texto, o leitor se depara com alguns caracteres incompreensíveis, normalmente no lugar em que deveria haver o sinal de aspas. Outras vezes, as aspas abrem a citação, mas não existe o sinal em sua conclusão. Esses problemas vêm se acentuando nas últimas edições e vários leitores têm reclamado. Acontece que o jornal trabalha com dois programas de computador: um para a redação das notícias e outro para a diagramação (a disposição dos textos na página). Como eles rodam em sistemas operacionais diferentes, configuram-se algumas incompatibilidades: quando o programa de diagramação não reconhece determinado sinal, ele o troca automaticamente por outro, aleatoriamente. Portanto, o jornalista, em alguns casos, teria de fazer as correções manualmente, o que nem sempre está ocorrendo. A direção da Redação diz que o problema será resolvido ainda este ano, pois o jornal está atualizando seus equipamentos de informática. Até lá, o recomendável seria mais esmero para limpar os textos desses ‘caracteres exóticos’.

Papicu e Cidade 2000

Um morador da Cidade 2000, preocupado, telefona para dizer que os jornalistas confundem freqüentemente o seu bairro com o vizinho Papicu. O temor dele é que a Cidade 2000 fique ‘estigmatizada’, principalmente, diz, quando se trata de notícias sobre violência. O leitor informa: o bairro fica entre as quadras 1 e 46, ‘fora disso não é a Cidade 2000’, diz ele. Sugeri à Redação providenciar um mapa atualizado, passando a observá-lo. Acho interessante divulgar esse tipo de comentário para mostrar como são variadas as inquietações dos leitores, e como algo aparentemente sem importância para uns, é motivo de preocupação para outros.

Estudantes

Na sexta-feira participei como convidado do encerramento da 1ª Semana de Marketing de Varejo da Faculdade Marista. O tema do evento foi Ética e Sociedade de Consumo, assunto sobre o qual falei com os estudantes, relatando minha experiência como ombudsman.

Balanço

Abaixo, os leitores poderão ver um balanço dos atendimentos que o ombudsman fez em maio, com números parecidos com os do mês anterior. Em maio, foram 129 atendidos, um pouco mais que os 122 de abril. Os comentários e sugestões de pauta caíram de 51 para 47; as críticas passaram de 34 para 47. Houve redução nos erros apontados pelos leitores, de 25 para 17. As correções, anotadas na seção ‘Erramos’ (pág. 6), reduziram-se de 59 para 41.

Atendimentos do ombudsman – maio de 2005

Total de atendimentos – 129

E-mail – 80

Telefone – 44

Cartas – 1

Pessoalmente – 3

Fax – 1

Atendimentos por assunto

Comentários/sugestões de pauta – 47

Reclamação sobre assinatura – 6

Críticas – 47

Erros apontados – 17

Elogios – 6

Portal Noolhar (críticas/erros) – 6

Erros corrigidos

Brasil – 1

Buchicho – 3

Capa – 1

Ceará – 2

Ciência & Saúde – 1

Cotidiano – 3

Economia – 5

Esportes – 1

Jornal do Leitor – 2

Mundo – 2

Opinião – 2

Política – 6

Últimas – 3

Veículos – 2

Vida & Arte – 7

Total de erros corrigidos – 41′

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