Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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VOZ DOS OUVIDORES >

Plínio Bortolotti

25/01/2005 na edição 313

‘Por dois anos participei de todas as reuniões mensais do Conselho Consultivo de Leitores do O Povo. Os 15 conselheiros são indicados pela Redação do jornal e têm mandato de um ano. O Conselho critica o jornal, comenta, e sugere assuntos para reportagens. Um resumo do debate de cada reunião é repassado a todos os editores.

A convivência me estimulou a escrever uma espécie de guia para oferecer algum tipo de método ao espírito crítico demonstrado pelos conselheiros. São questões por eles suscitadas – eu apenas tive o trabalho de organizá-las.

Seria um documento interno, mas como ombudsman tenho o privilégio de torná-lo público, na esperança que tenha alguma utilidade para os leitores.

O que observar

1) A manchete (notícia principal) foi a mais adequada em relação aos outros assuntos da capa ou de todo o jornal?

2) Os títulos reproduziram de maneira correta o que está escrito nos textos?

3) As notícias estão escritas de maneira equilibrada, propiciando visão geral e correta do assunto? Foram abordados os aspectos principais da questão e ouvidas todas as pessoas envolvidas?

4) O texto foi escrito de forma que você pudesse compreender o assunto? Havia pontos obscuros, de difícil compreensão, mal explicados, com falta de coerência? Havia erros gramaticais?

5) A informação estava contextualizada, isto é foram mostrados aspectos paralelos para ajudar na compreensão do tema abordado?

6) Quando um assunto permanece mais de um dia no noticiário, o jornalista preocupa-se em fazer um resumo do fato original para contextualizar e possibilitar a compreensão das novas informações?

7) O jornalista preocupou-se em explicar os termos técnicos citados na notícia. Por exemplo, os da área de direito: ‘O funcionário Y do Ministério X responde a processo por peculato’. Em algum lugar do texto, foi explicado que peculato ocorre quando o funcionário público usa seu cargo para obter vantagens pessoais? O mesmo vale para termos médicos e de outras profissões que não são de conhecimento geral.

8) A reportagem adotou uma linguagem oficialesca, de forma acrítica? Por exemplo, chamar de ‘realinhamento’ quando se trata de aumento de preços; de ‘redimensionamento’ quando o governo vai, por exemplo, reduzir o número de delegacias, escolas ou outro tipo de serviço público?

9) O título, legenda da foto e o texto de abertura, fizeram bom resumo da notícia, convidando o leitor a ler o texto completo? O título, legenda, texto de abertura e texto da notícia formam um conjunto harmonioso?

10) A foto ou a ilustração complementam e ajudam a entender a notícia ou foram usadas apenas para ‘preencher espaço’?

11) O jornalista expôs sua opinião no texto, ou procurou fazer um relato o mais isento possível?

12) Você se sentiu induzido a concordar com tal ou qual opinião, ou o texto lhe deu as ferramentas para observar os vários aspectos da questão, propiciando que fizesse seu próprio juízo de valor?

13) Houve ‘espetacularização’ da notícia? Isto é, uso de tom apelativo, destaque de algum aspecto chocante, mas descontextualizado, exagero desnecessário de algum detalhe desimportante, exposição desnecessária de uma pessoa – apenas com o objetivo de tornar a notícia mais ‘chamativa’?

14) O jornal acompanha os fatos que divulga. Por exemplo, é anunciado que há um determinado processo contra o político Z; o jornal continua mantendo o leitor informado sobre o assunto? Anuncia-se uma acusação contra alguém, o jornal acompanha para saber o que ocorreu? O seja, comprovou-se o que se anunciou ou o acusado era inocente?

15) Você avalia que o jornal atende às suas expectativas de leitor e cidadão?

Leitores

Nessas duas primeiras colunas abordei aspectos mais gerais, pois como observei no domingo passado, fui convidado a exercer a função durante minhas férias. Neste período, assumi com a direção da Redação redigir as colunas públicas. Amanhã, inicio o trabalho de atendimento aos leitores, nos horários anotados abaixo. Provisoriamente, peço aos que forem utilizar o fax para se comunicar comigo, fazê-lo pelo números da Redação: 3255 6139 e 3255 6049, escrevendo no alto da página a palavra ombudsman.’

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