Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Plínio Bortolotti

01/03/2005 na edição 318

‘Um leitor me liga para dizer que o horário da partida de futebol anotado no jornal estava errado. ‘Quando liguei a televisão para assistir, o jogo já tinha acabado’. (Há variações dessa reclamação: quanto ao horário da sessão de cinema ou do show; o telefone ou a página na Internet que não conferem com a informação divulgada.) Outro mostra que os índices econômicos, essenciais para a atividade desenvolvidas por ele, estão desatualizados. Alguns, irritados, apontam erros gramaticais. Há aqueles verificando erros específicos em termos ou conceitos de suas profissões ou área de atuação.

O que deve pensar o leitor? Aquele que vê o horário errado do jogo, talvez deixe de ter o jornal como orientador de suas atividades; o que observa o descuido com a atualização dos índices, pode pensar que falta também cuidado com as outras notícias; quem percebe anotações equivocadas de conceitos por ele conhecidos, pode passar a questionar as informações publicadas sobre outros assuntos. Por isso, o jornalista não pode se descurar de nada, nem daquilo que a ele pareça sem importância.

Informações desencontradas

Um exemplo do desencontro de informações aconteceu edição de quarta-feira (23/2), em notas sobre a construção de um navio por um estaleiro do Ceará. A confusão envolveu três colunas e uma ‘chamada’ na seção E Mais (contracapa do primeiro caderno).

A) O E Mais envia o leitor para uma nota na coluna Vertical S/A, anotando que o vice-presidente da República estaria em Fortaleza na ‘próxima semana’. B) chegando-se à Vertical S/A, tem-se a seguinte informação: ‘O vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, estará em Fortaleza na próxima sexta-feira (25/2), na mesma semana da notícia). Vem participar do chamado `batimento de quilha´ de um navio-patrulha encomendado pela Marinha da Namíbia à Indústria Naval do Ceará (…) o prazo para entrega do navio é de três anos’. Quem passasse daí para a coluna social Sonia Pinheiro receberia a informação que tal cerimônia seria ‘amanhã’ (quinta-feira, 24), uma terceira data, portanto. C) Se daí, o leitor folheasse o jornal até a coluna Vertical, leria: ‘Nesta sexta-feira (25/2), a Inace entregará o seu terceiro navio de guerra…’ Verifica-se mais um desencontro. Para a coluna Vertical, o navio já está pronto, para a Vertical S/A, ficará pronto em três anos; a nomenclatura da embarcação também se diferenciava, para uma coluna era ‘navio-patrulha’, para outra ‘navio de guerra’.

O resumo da ópera é o seguinte:

1) De fato, a solenidade ocorreu na sexta-feira (25/2). Também era correta a informação de que estava prevista a presença do vice-presidente da República, José Alencar, mas ele não compareceu ao evento. 2) Segundo me explica o gerente operacional da Indústria Naval do Ceará (Inace), Robert Gil Bezerra, o ‘batimento de quilha’ é uma cerimônia para marcar a construção de um navio, portanto ele não está pronto. A previsão é para a entrega ocorrer em aproximadamente três anos. Ainda, pela informação de Robert Gil Bezerra, a embarcação pode ser nomeada indistintamente de ‘navio-patrulha’ ou ‘navio de guerra’. Assim, no único local em que todas as informações estavam corretas era na coluna Vertical S/A. Com uma ressalva: nenhuma das colunas informou que o vice-presidente cancelara sua participação na cerimônia, nem nas edições anteriores e nem na que sucedeu o evento.

No outro dia

Na edição de sexta-feira, seria a vez de a coluna Vertical acertar e da Vertical S/A errar. A primeira informou corretamente a posse da nova diretoria do Sindicato das Empresas de Ônibus (Sindiônibus) na segunda-feira (28/2), mas a Vertical S/A errou ao ‘antecipar’ o evento para ‘hoje à noite’ (25/2, sexta-feira).

A vaia que não existiu

(Ou, pelo menos, ficou só na manchete.) Um leitor vem me trazer pessoalmente a página 14 (Esportes), edição de 23/2, com o seguinte título, escrito em letras maiúsculas e ocupando quatro colunas: ‘Ronaldo é vaiado na vitória do Real’. A princípio, não vi nada errado, mas o leitor provoca: ‘Leia a matéria’. Leio o texto e verifico não haver uma única palavra dizendo que o jogador, casado recentemente, fora vaiado por sua atuação em campo. Fiquei curioso: Ronaldo foi de fato vaiado e, na edição este trecho acabou cortado, ou foi apenas um ato falho do editor?

A vitória que era empate…

Recebo e-mail de um leitor reclamando de ‘alguns absurdos’. Ele diz ser comum encontrar nas edições ‘erros, omissões e truncagens (textos truncados) inadmissíveis’. Ele viu dois erros graves na mesma notícia ‘Flamengo goleia e Vasco fica apenas no empate’ (pág. 16, editoria de Esportes), edição de sexta-feira (25/2). Está escrito: ‘(…) A equipe de São Januário (o Vasco) apenas empatou com o Madureira, por 3 a 3 (…) Romário abriu caminho para a vitória vascaína logo aos oito minutos’. Ou seja, os times empataram, mas o Vasco, pelos pés do craque (mas não milagreiro) Romário, ‘abriu o caminho para a vitória’, segundo o texto.

…e o empate que não houve

Mais adiante, na mesma matéria, agora falando da vitória do Flamengo, 4 a 1 sobre a Portuguesa, está anotado: ‘(…) Sem jogar bem, o Flamengo ampliou o marcador aos 17 minutos (já havia marcado um gol). No segundo tempo (…) sofreu o gol de empate aos oito minutos’. Pergunta o leitor: ‘Se o Flamengo ganhava de 2 a 0 e sofreu um gol, como falar de empate?’ E conclui pedindo ‘um pouco mais de atenção e respeito ao consumidor’.

Agências de notícias

O leitor parece conhecer o mecanismo de funcionamento das redações, pois diz saber que as informações das quais reclama são originárias de agências de notícias. É fato que a maioria das notícias nacionais e internacionais publicadas são oriundas de agências – e estas também erram bastante. Isso não exime o jornal da responsabilidade de corrigir as falhas, pelo contrário. Sob critério do editor, as matérias podem ser cortadas, aumentadas, ou ainda, pode-se fundir informação de vários textos. E, principalmente, corrigidas, quando for o caso. Pois, no final das contas, é direito do leitor ter notícias bem redigidas e informações corretas.

Controle

Sugeri à Redação implantar alguns critérios de verificação (‘checagem’, no jargão dos jornalistas) quanto a números, datas, horários e endereços. Com relação aos índices econômicos, eles já foram atualizados, e a editoria de Economia informou que passará a fazer conferência diária.

Contribuição

Peço aos leitores que continuem a contribuir com o ombudsman, como fizeram os citados acima. Todas as críticas são lidas e debatidas na reunião de editores. Posso garantir não existir resistência na Redação em corrigir os erros. A contribuição dos leitores ajuda muito o jornal e os jornalistas.’

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