Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > THE WASHINGTON POST

Questão secreta, controvérsia pública

27/02/2007 na edição 422

A ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, começa sua coluna de domingo [25/2/07] lançando a seguinte questão: ‘Valerie Plame tinha a identidade secreta ou não? Difícil dizer isto a partir da leitura do Post‘. Sua identidade como agente da CIA foi o centro de uma longa novela que culminou com o julgamento de I. Lewis ‘Scooter’ Libby, ex-chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney.

Libby foi acusado de mentir para o FBI e para o grande júri sobre se havia sido ele quem contou aos repórteres que Valerie trabalhava para a CIA e que ela teria ajudado a enviar seu marido, o ex-embaixador Joseph C. Wilson IV, em uma viagem para o Níger para descobrir se o Iraque estaria comprando urânio enriquecido do país para ser usado em armas nucleares. Um artigo de opinião escrito por Wilson e publicado no New York Times deu início a uma série de eventos que levaram à revelação da identidade de Valerie.

O caso foi monitorado obsessivamente por repórteres, blogueiros e leitores. ‘Foi um desastre para a mídia; jornalistas foram forçados a revelar fontes anônimas, embora a maioria só o tenha feito após permissão delas’, relembra Deborah. Com tamanho envolvimento do público e da mídia no caso, o artigo escrito pela advogada republicana Victoria Toensing, publicado no Post na semana passada, gerou uma série de reações. Nele, Victoria criticou o promotor especial Patrick J. Fitzgerald, a mídia e outros envolvidos. Ela alega que o status de Valerie não era ‘secreto’ como definido pelo Ato de Proteção à Identidade do Agente, de 1982, o qual a advogada ajudou a escrever como conselheira do comitê de inteligência do Senado. Para se encaixar nos critérios da lei, Valerie deveria ter estado em um cargo no exterior em algum período nos últimos cinco anos.

Um leitor criticou o fato de o Post ter colunistas se contradizendo sobre o status de Valerie. ‘O Post deveria fazer sua própria investigação a fim de acabar de vez com as dúvidas sobre o status de Valerie antes de ela ter sua identidade revelada. [O jornalista] David Ignatius classificou Valerie como secreta em seu artigo de 2/2, já Victoria Toening afirma que ela não o é’, escreveu.

Um outro leitor chegou a afirmar que a publicação de uma versão partidária do fato e de uma interpretação da lei no fim de semana antes das deliberações do júri pode ser considerada uma intervenção indevida. Deborah discorda desta acusação. Segundo ela, o júri instruiu os jurados a ficarem afastados de artigos e matérias sobre o caso. Além do mais, foram publicados artigos, editoriais e colunas com os mais diversos pontos de vista no Post. O que é discutido no julgamento tampouco é o fato do status de Valerie ser secreto ou não, mas sim se Libby cometeu perjúrio.

Justificativas

David Ignatius justifica que, segundo suas fontes na CIA, Valerie era uma agente secreta. Ignatius apoiou a invasão do Iraque, mas tem sido crítico de seus resultados. Embora o argumento legal sobre se Valerie era tecnicamente secreta seja polêmico, funcionários da CIA afirmam que a revelação de sua identidade pode ter colocado em risco contatos no exterior. A CIA se refere ao caso como uma investigação criminal, e recusa-se a comentá-lo.

Victoria serviu como amicus curiae durante a investigação do caso, ou seja, forneceu informações à Corte para auxiliar neste tema controverso, juntamente com o advogado Bruce W. Sanford, em nome de 36 organizações de mídia, incluindo o Post. Ambos trabalharam na lei de 1982 e argumentaram que os jornalistas não deveriam testemunhar porque nenhum crime havia sido cometido se Valerie não tinha a identidade secreta.

Desde que o nome de Valerie e sua conexão com a CIA apareceu pela primeira vez na coluna de Robert Novak, em julho de 2003, no Post (tendo como sua fonte primária Richard L. Armitage, ex-subsecretário de Estado dos EUA), a agente foi mencionada no diário 560 vezes.

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