Sábado, 21 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Regras éticas para um novo mundo

21/07/2009 na edição 547

Os redatores da editoria de estilo receberam um e-mail de um supervisor
pedindo sugestões sobre quando o Post providenciará links com sites em sua
página na web.


Diz Andrew Alexander, em sua coluna de domingo (19/7), que o e-mail dizia
que, futuramente, ‘podemos tentar desenvolver uma parceria com uma empresa na
qual conseguiremos um abatimento em todas as vendas feitas por um link’. ‘Se
alguém tiver sugestões de regras para usar ou não o link, fale, por favor.’


Esperemos que tenham.


Os links fornecem um serviço. Se o Post publica a resenha de uma nova
produção musical, os leitores acharão conveniente clicar num link que os leve a
um site onde possam comprar um ingresso.


Mas os links também podem representar perigos éticos. Quando apresentar uma
lista de produtos de consumo, por exemplo, poderia o Post privilegiar os
produtos cobertos por acordos publicitários?


O secretário de redação Doug Norwood, que escreveu o e-mail, percebe o
perigo, e por isso pediu sugestões. Os links vinculados à publicidade vêm sendo
comentados ‘há séculos’, disse Norwood, mas só se estiverem em concordância com
os padrões jornalísticos.


Uma revisão prioritária


É importante aprofundar temas como esse – especialmente agora. O Post
vem lutando para se recuperar de um plano eticamente imperfeito – o de vender
por 25 mil dólares parcerias em off, em jantares num ‘salão’, que
incluiriam jornalistas. Dificilmente superaria outro passo em falso que afetasse
ainda mais sua credibilidade.


O manual de redação do Post precisa urgentemente de ser atualizado. Não
menciona a participação de jornalistas em eventos ao vivo, tais como jantares,
seminários ou conferências patrocinados pelo jornal; também não discute
situações específicas do jornalismo online. Existe, sim, uma lista curta de
‘princípios’ da web, mas é vaga e não muito conhecida por repórteres e
editores.


Mesmo antes de estourar o escândalo dos ‘salões’, o veterano editor Milton
Coleman havia sido contatado para fazer uma ampla atualização do manual de
redação do Post, especificamente as questões de ética. Semana passada, ele
disse que seu objetivo é fazer uma ‘revisão geral de todas as políticas’. Sob o
comando da diretora de redação Katharine Weymouth, Coleman e editor executivo
Marcus Brauchli começarão por examinar os eventos ao vivo. Katharine Weymouth
também pediu ao conselho geral do Post que garantisse que ‘os processos
administrativos são consistentes, mas não farão, em hipótese alguma, concessões
que comprometam nosso jornalismo’.


A revisão abrangente de Coleman deverá ser prioritária. Sua urgência é ditada
pela necessidade do jornal recuperar a confiança de seus leitores e do mundo
jornalístico. Mas também se deve à necessidade de acompanhar uma indústria que
muda rapidamente.


‘Polinização cruzada’


O deficitário Post, como tantos outros jornais, busca desesperadamente
novas fontes de recursos em sua luta pela sobrevivência. Inovações e riscos são
incentivados, mas num momento em que o controle de qualidade diminuiu, devido a
cortes na equipe. Inevitavelmente, surgirão idéias que obscurecem aquela linha
bem brilhante que de há tanto separa a redação do departamento comercial.


Esse tradicional bloqueio ajudou a manter a independência e a integridade
editorial. Mas na atual crise todo mundo precisa estar energicamente engajado em
criar um modelo empresarial sustentável. É por isso que é crucial que os limites
da ética sejam claros para todos, tanto para quem trabalha no departamento de
jornalismo, como no de publicidade ou de marketing.


‘O jornalismo e o comercial têm que se acertar em princípios essenciais que
guiam o conjunto da organização’, disse Bill Mitchell, um especialista em novas
mídias do Instituto Poynter, na Flórida.


Kelly McBride, uma liderança do grupo de ética no Instituto Poynter, acredita
que deve ocorrer uma ‘polinização cruzada’ no Post. Quando os jornais eram
financeiramente estáveis, a redação podia agir isolada. Mas hoje, quando os
jornais precisam ser empreendimentos, diz Kelly, devem ser encontrados meios de
‘financiar’ a redação ‘sem destruir nossos valores essenciais’.


Uma ‘boa idéia’


Mas, como? Algumas sugestões:


Em primeiro lugar, incluindo o primeiro escalão administrativo na atualização
do manual de redação e ética. Procurar suas sugestões. Porém, mais importante,
educá-lo sobre as questões éticas da redação. A participação conjunta elevará o
processo e melhorará o resultado.


Em segundo, realizar sessões com toda a empresa, explicando o manual
atualizado. Isso garantirá que todos, de todos os departamentos, lêem pelo mesmo
livro.


Em terceiro, pedir aos empregados para revisarem anualmente o manual. Coleman
disse que está avaliando isso. Os novos empregados submetem-se a um programa de
orientação que os expõe às políticas básicas do Post.


Finalmente, políticas atualizadas deveriam ser públicas. Durante anos, a
administração do Post recusou-se a fazê-lo. Mas Brauchli concordou. É uma
‘boa idéia’, disse a Alexander, porque ‘permite que o público nos assuma como
responsáveis… por aquilo em que acreditamos’.


Amém.

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