Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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Rita Célia Faheina

17/03/2009 na edição 529

‘Durante a semana, acompanhei a discussão de colegas jornalistas sobre a manifestação realizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) no último dia 6, no O POVO. Lamento não ter testemunhado os fatos. Não me permito fazer comentários de algo que não presenciei. Meu conhecimento do caso foi por meio de colegas, amigos que se manifestavam, uns contra, outros a favor, outros indagando: o que vai acontecer daqui pra frente?

No sábado, 7, O POVO publicou matéria na página 4 (Fortaleza) com o título’Sindicato dos Jornalistas faz manifestação’. Seria pelo rompimento das negociações de reajuste salarial suspensas desde janeiro pelos empresários de revistas e jornais. A notícia mostrou os fatos e a posição dos presidentes do Sindicato dos Jornalistas do Ceará e do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Ceará (Sindijornais).

No domingo, 8, Cristiane Bonfim, secretária-geral do Sindijorce, enviou e-mail – que li na segunda-feira, 9 –, cobrando direito de resposta para a matéria relacionada à manifestação. Disse estar ‘indignada com a cobertura feita por O POVO e, como jornalista profissional, sinto-me envergonhada por saber que colegas participaram da edição do texto publicado no dia 7 de março de 2009. Não almejava imparcialidade. Esperava, pelo menos, que não houvesse mentiras tão inconsistentes. Não há mais como reparar totalmente a falta de cuidado na edição de ontem (dia 7), mas cobro que as correções sejam feitas pelo jornal urgentemente’.

Cristiane questionava, principalmente, as declarações do presidente das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Ceará (Sindjornais), Mauro Sales: ‘Ele (Mauro) disse que & # 39;a presidente do Sindjorce (Déborah Lima) mudou a proposta durante a negociação’. O texto ‘informa’ também que ‘Segundo Mauro, ela (Déborah) passou a pedir a unificação dos pisos salariais com os jornalistas de rádio e TV, o que elevaria o reajuste para 18,09%. ‘Essa nova proposta atrapalhou as negociações, pois não dá para chegar a esse percentual, três vezes a inflação do período’, diz (Mauro).

Cristiane solicitou as correções dizendo: A unificação dos pisos foi sim uma demanda apresentada pelo Sindjorce, em 28 de agosto de 2008. Ou seja, há mais de seis meses. Após todo esse tempo de negociação, ela foi modificada em contrapropostas formais feitas pelo Sindjorce, mas para baixo. Não há ‘nova proposta’ de 18,09% por parte do Sindjorce. A mais recente foi enviada há quase 50 dias. É de 10% de reajuste para o piso e de 9% para quem ganha acima disso. A inflação do período (setembro de 2007/ agosto de 2008) é de 7,15%. Em janeiro, o presidente do Sindjornais recebeu, formalmente, a última contraproposta do Sindjorce. Não houve resposta. Não houve negociações paralelas’, disse.

Cristiane pediu ainda, em nome dos representantes do Sindjorce para ser recebida pela ombudsman e ‘que colegas da Redação de O POVO também tivessem acesso às correções do texto no comentário interno’. O e-mail de Cristiane Bonfim foi enviado para a chefia de redação e incluído, como outros e-mails que recebo de leitores, no comentário interno.

Respostas

O editor-chefe-executivo, Erick Guimarães disse não ver pontos na matéria de sábado, 7, que justifiquem o direito de resposta ou erramos. Mas pode rever a posição se Cristiane mostrar que houve erro objetivo da matéria. Já o presidente do Sindijornais, Mauro Sales disse, por e-mail, à ombudsman: ‘Ratifico integralmente as minhas informações prestadas na matéria publicada no sábado. Não há, no informe, qualquer motivo para correções’. Enviei e-mail para Cristiane Bonfim com essas informações na quinta-feira à tarde. Na sexta-feira, ela me enviou e-mail dizendo que o assunto teria sido discutido em reunião da diretoria do Sindijorce e que a diretoria daria uma resposta.

Charge sobre a mulher

Na semana, também recebi e-mails de leitores reclamando sobre a charge publicada no último dia 8, Dia Internacional da Mulher. ‘A charge é mais que machista, fazendo um apelo sexual de muito mau gosto, reduzindo às mulheres a um corpo ‘gostoso’, a mero objeto sexual dos homens’, foi a opinião de Beth Ferreira, da Articulação de Mulheres Brasileiras, entre outros que se sentiram incomodados com a charge que mostra o desenho de uma mulher de biquini passando por homens que comentam: ‘Essa merece não só o dia de hoje, mas os 365 dias do ano!’.

O chargista Clayton Rebouças diz que tentou apenas enaltecer através do humor a beleza da mulher. ‘Não vejo neste aspecto preconceito, nem mesmo desvalorização da mulher, mesmo porque seria impossível retratar, em uma charge, todos os atributos referentes à mulher. Reconheço que existe certo exagero nas curvas femininas representadas na charge, mas isto é típico do desenho caricatural. Não entendo porque enaltecer a beleza da mulher seria desmerecedor. Ou será que o grande Vinícius, quando exaltava a beleza da mulher em suas poesias também estava errado?’

Clayton pediu desculpas a todos que, de alguma forma, se sentiram ofendidos.’

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