Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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VOZ DOS OUVIDORES >

Rita Celia Faheina

12/10/2009 na edição 559

‘Tira essa mão boba daí! Era o titulo da matéria sobre a atriz Bárbara Borges que acabara de ser capa da revista Playboy. Na foto, publicada no caderno Buchicho do último dia 15 de setembro, a atriz de corpo nu, cobria com as mãos parte dos seios e a genitália. A nudez da atriz no O POVO incomodou leitores e, principalmente, professores que trabalham com o caderno em sala de aula.

‘Sabemos que o jornal é plural. As informações são diversificadas e o educador é que tem de trabalhar os conflitos, as questões mais polêmicas e atuais. No entanto, estranhei o jornal publicar fotos de mulheres nuas na capa e quase que frequentemente no Buchicho. É constrangedor chegar nas escolas capas com a Luiza Brunet, a Bárbara Borges que estavam completamente nuas! Qual o motivo de se mostrar isso no jornal?’ Indaga a professora Rejane Lessa.

De fato, ultimamente, no caderno , publicou-se fotos de mulheres nuas ou quase nuas. Recentemente, tivemos a atriz Juliana Alves (também cobrindo com as mãos partes do corpo que não pode exibir), na edição do dia 5 passado, e a que o Buchicho considerou ‘A Brasileira Ideal’ (título da matéria), Ildi Silva. Essa última mais comportada com uma blusa que disfarçava a nudez na foto publicada dia 30 passado. ‘O nu está nas novelas, revistas , em vários lugares, mas acho estranho ver no O POVO porque está ficando apelativo’, completa , com razão, a professora Rejane.

Outro leitor disse ter se decepcionado quando viu a foto de Bárbara Borges na capa do jornal. ‘Acho que é uma foto para revistas não para um jornal sério como O POVO’, opinou. A nudez das artistas, no Buchicho, também incomodou a professora Maria Isolina da Silva. Para ela, as imagens ficaram apelativas. Quase sensacionalistas. ‘Parece com aqueles jornais estrangeiros que adoram um escândalo. Queria saber dos jornalistas (editores e repórteres) por que de tanta gente nua’.

A OPINIÃO DOS JORNALISTAS

O professor Eduardo Freire, coordenador do Curso de Jornalismo da Unifor e doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia , diz que o apelo sensacional tem sido utilizado de uma forma generalizada na imprensa atual. Apelar para cores vibrantes, contrastadas ou imagens impactantes é um recurso vinculado a jornais populares, mas nem só estes têm se valido desta estratégia para atrair o olhar dos leitores. O que atrai a atenção de uns pode criar repugnância em outros, lembra o professor. ‘Pode ser visto como apelação, ou desespero, na busca pelo leitor, que tem abandonado o impresso e migrado para a internet’. Um caderno como o Buchicho, opina Eduardo, costuma fazer isso também por imposição do próprio conteúdo abordado, pelo tipo de fonte que utiliza: as agências de notícias. Estas pautam as discussões, agendam os temas e as personalidades que devem rechear os cadernos. Sem ter muito como fugir deste agenciamento, e por medo de não dar a notícia de forma apelativa, e de a concorrência escancarar, os editores partem para o lugar comum, de achar que todo o seu público é chegado a apelos de tal ordem.

Sobre a polêmica, a Chefia de Redação e o Núcleo Cultura e Entretenimento (que edita o Buchicho) enviaram a seguinte nota: ‘Causou estranhamento a reclamação com relação às -frequentes capas com mulheres nuas no Buchicho-, como apontaram alguns e-mails. Provocado por seu comentário, o Núcleo fez um levantamento das imagens que estiveram na capa de todas as edições do Buchicho ao longo deste ano (o levantamento foi enviado à ombudsman). Até este domingo, 11, são 281 edições do suplemento publicadas em 2009. Desse total, a quantidade de capas com fotos de pessoas seminuas ou com algum apelo sensual é de nove edições, representando 3,20% do total. O que convenhamos, demonstra inequivocamente que isso não é tão frequente assim’.

‘Um possível motivo para essa impressão’ – segue a nota-, ‘talvez seja a proximidade com que quatro dessas capas tenham sido publicadas. Três delas em setembro (dia 14, Luiza Brunet; dia 15, Bárbara Borges e dia 30, Ildi Silva) e uma este mês (dia 5, Juliana Alves). Mas aqui se chega a um segundo ponto da discussão. Há exagero em classificar muitas dessas capas como de -mulheres completamente nuas-. Em nenhuma das edições listadas é exibido nem sequer um seio das fotografadas. Muito menos suas genitálias são expostas. Na maioria dos casos, elas estão usando peças íntimas ou roupas de banho. A única exceção é a capa com a Bárbara Borges, feita para a revista Playboy, em que apesar de estar despida na foto, nada que atente contra a moral é mostrado. Apenas insinuado’.

Afirmam ainda que não há decisão editorial tomada, nem estratégia definida para exploração sensacionalista. ‘O jornal segue sua linha equilibrada e respeitosa com o leitor, sem jamais perder o caráter informativo e a temática seguida na linha do Buchicho’.

CORREÇÃO

De tanto falar sobre a correção da sigla STF – Supremo Tribunal Federal -, que saiu publicado de forma incorreta no O POVO, acabei grafando, também erroneamente, na coluna de domingo passado, o nome verdadeiro do STJ que significa Superior Tribunal de Justiça. Peço desculpas aos leitores.’

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