Domingo, 18 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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VOZ DOS OUVIDORES >

Rita Célia Faheina

11/08/2009 na edição 550

‘Durante a semana, continuaram as discussões sobre a cobertura do O POVO ao show da banda Charlie Brown Jr. último dia 1º, no Parque do Cocó. Telefonemas, emails, comentários no O POVO Online e os artigos dos jornalistas Plínio Bortolotti (O Show Business e o Jornalismo) e Magela Lima (Boca de Confusão) me estimularam a continuar com o tema nesta coluna.

Discordei da divulgação dos palavrões do vocalista Chorão na matéria escrita pelo repórter Henrique Araújo, do Núcleo de Cultura & Entretenimento, e até citei opiniões da professora Adísia Sá, ombudsman-emérita, e do diretor institucional do O POVO, Plínio Bortolotti. Plínio disse, em seu artigo, que eu não deveria ter reproduzido o trecho de sua crítica já que distribui para uma lista restrita. Não vi mal nenhum em mostrar aos leitores a opinião do ex-ombudsman, mas ele não gostou segundo ficou claro em seu artigo publicado na última terça-feira e em seu blog no Portal O POVO Online. As opiniões do jornalista não serão mais repassadas aos leitores através desta coluna, a não ser por sua solicitação.

Há leitores que concordam com o professor Gilmar de Carvalho (sua opinião está na coluna do último domingo) quando ele diz que há de se ter liberdade para assistir a espetáculos, mesmo idiotas. ‘Mas quando se trata de publicar, antes de qualquer coisa está o respeito ao leitor. Reproduzir palavrões é agredir aos que leem como fez a banda com a plateia’, disse um leitor referindo-se aos palavrões ditos pelo vocalista da banda. Neste ponto, o leitor tem razão.

Outro que concorda, ‘na maior parte’ com Gilmar, é o leitor Hermano Bezerra. Mas lembra que em eventos ao ar livre tem as pessoas que vão e as que lá estão forçadamente como os moradores da área do Cocó. ‘Eles são obrigados a ouvir ruídos em intensidade extremamente alta, ‘arte’ sem conteúdo, nem graça. E para aonde vai o direito dos moradores incomodados?’. O leitor disse que pode ter fugido ao repórter a lembrança de uma olhadela para o entorno do Parque e ver os que provavelmente detestam aquilo.

Na matéria, Henrique deu uma visão do entorno do Parque do Cocó. Ele mesmo confirma: Olhei o entorno do Parque, sim. E vi gente dançando nas sacadas dos prédios, aparentemente gostando do que assistia naquela noite. Assim, temos, de um lado, aqueles que preferem a calmaria de uma boa noite de sono à algazarra das bandas adolescentes e, de outro, aqueles que resolvem, por algum motivo, apreciar um show de rock, seja ele do Charlie Brown ou do Rappa. Quem tem razão no fim das contas? A questão extrapola os objetivos daquela resenha que era tão-somente registrar’.

O editor-assistente do Núcleo de Cultura & Entretenimento, Magela Lima, reafirma que a matéria do repórter, a seu ver, ‘fez uma descrição muito pertinente do que aconteceu. Ele esteve lá para acompanhar um evento cultural, que obviamente é tangenciado por outras questões, como segurança e fluxo do trânsito, entre outras. Haveria, assim, inúmeras possibilidades de registrar aquele evento. Ele fez uma opção por centrar atenção na figura – um tanto equivocada, reconheço – do vocalista Chorão. Ele, em si, mobiliza boa parte das argumentações que os leitores têm feito até agora. Para mim, o jornal O POVO fez bem ao dizer aos seus leitores o que, de fato, aconteceu ali’. Para a ombudsman, a reprodução dos palavrões poderia ter ficado fora do texto pela linha educativa que o jornal segue.

A jornalista Ângela Marinho diz que sua interrogação na história é a ‘brilhante’ ideia em trazer Charlie Brown Jr. para a programação de férias do Governo do Estado, paga pelo contribuinte. Ângela, mãe de uma jovem de 23 anos, diz que a geração com mais de 20 anos já não suporta a banda pela postura e música ruim. Mas elogia o concerto de Artur Moreira Lima, na Praça do Ferreira, que fez parte do mesmo projeto.

A ombudsman pediu explicação à assessoria do Governo do Estado sobre como é feita a escolha das atrações de férias e a resposta veio da Casa Civil: ‘O objetivo do ‘Férias no Ceará’ é trazer atrações gratuitas. Para a escolha desses grupos, leva-se em consideração a receptividade que têm junto ao público. Vale lembrar, que o Férias no Ceará tem trazido estilos musicais diversos. Nessa última edição, trouxemos o pianista Artur Moreira Lima, As Chicas, Maria Rita, Titãs e Paralamas. O Rappa, Jota Quest e, por fim, o grupo Charlie Brown Jr. O projeto também valoriza as bandas locais. Não se pode negar a popularidade do grupo Charlie Brown Jr, e por isso ele foi escolhido para se apresentar. Nas quatro apresentações, o grupo reuniu entre 25 e 30 mil pessoas por espetáculo e sem ocorrência de violência. Ressaltamos que não existe como prever o que o artista falará no palco e cabe a ele se responsabilizar pelo que diz’ A matéria do O POVO citou a ocorrência de um pequeno tumulto e garrafas de cervejas cortavam os ares durante o show da banda.’

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