Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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VOZ DOS OUVIDORES >

Rita Célia Faheina

28/04/2009 na edição 535

‘‘Olá ! Meu nome é Emilie, tenho 9 anos e minha mãe é assinante do O POVO. Sempre leio as matérias do jornal de domingo que chamam a minha atenção, mas o caderno que mais gosto é o Clubinho. Mas não estamos mais recebendo o Clubinho no domingo. O que houve? Não existe mais ou será que estão esquecendo de colocar no jornal da mamãe?’

Recebi o e-mail da Emilie na semana passada. Mas outros leitores e pessoas ligadas à área de educação já tinham perguntado pelo caderno infantil do O POVO que teve sua última edição no dia 15 de fevereiro passado. No próximo mês de outubro, o Clubinho completaria 10 anos. A explicação dada aos leitores, inclusive publicada em nota no jornal, é que o caderno passaria por uma reformulação, mas não especificou a data em que voltaria a circular.

Em um novo e-mail, Emilie afirma que desde pequenina gosta do caderno. ‘Minha mãe sempre diz que o Clubinho ajuda as crianças a gostar de ler o jornal. E é mesmo’. E aproveita para dá dicas: ‘o Clubinho precisa de assuntos mais legais, temas interessantes. Deveria ter um espaço para umas historinhas de gibis, dicas de sites, tanto de jogos como de pesquisas para a escola. Poderiam pedir às crianças para mandar poesias e também falar sobre meio ambiente, pois precisamos saber o que está acontecendo com o planeta e tentar ajudar’.

A falta do caderno também foi sentida por professores. Raimunda Cícera Soares Filha, que leciona para crianças que estão aprendendo a ler e escrever, diz que o utilizava em sala de aula, pois é uma ferramenta importante para o crescimento intelectual do aluno e do professor. ‘É um desafio maior ainda utilizar nas séries iniciais, quando estão aprendendo a ler e escrever. Percebi que o Clubinho faz perfeitamente esse papel: apresenta um mundo encantado das palavras, das cores e desenhos, fascinando as crianças de diversas maneiras. Trabalhamos os joguinhos, fotografias, conto as histórias. Sempre recortamos as dicas do final de semana de passeios, filmes e espetáculos e até enviamos para os pais. Enfim, o Clubinho na minha sala de aula revelou-se um aliado maravilhoso’.

A professora diz ainda que criou o dia do Clubinho. Toda segunda-feira trabalhava com ele em sala de aula. ‘O mais divertido agora é ouvir os alunos perguntando pelo jornal deles. Já se apropriaram. Fizemos também o dicionário do Clubinho. As palavras que eles não entendiam, copiávamos e pesquisávamos na Internet ou no dicionário. O Clubinho era diferente porque trazia muitas informações que os outros não trazem. Informações úteis que às vezes nós adultos não sabíamos. Por isso é importante para a família e para nós professores também’.

Primeira editora

O Clubinho começou a circular em 9 de outubro de 1999, aos sábados. A primeira editora foi a jornalista Cristiane Parente que, agora, é coordenadora executiva do Programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais (ANJ), em Brasília. Ela recorda que a ideia era que fosse um jornal feito para e com as crianças, parceiro de pais e professores na formação cidadã. As crianças não seriam apenas leitoras, mas participariam da elaboração do Clubinho. ‘Um sonho compartilhado, não só por mim, mas por outros colegas como Gil Dicelli, Guabiras, Andrea Araujo e, especialmente, a diretora de Redação, na época, Ana Márcia Diógenes’.

‘Com esse ideal’, continua, ‘criamos o Conselho de Leitores, formado por um grupo de crianças de oito a dez anos, que se reunia mensalmente na sede do O POVO – muitas vezes com a presença do dr. Demócrito Dummar, que adorava aquele momento para discutir, criticar, sugerir pautas para o caderno e decidir quem sairia pela cidade comigo produzindo, escrevendo matérias e realizando entrevistas. Como foi a nossa série com candidatos a prefeito de Fortaleza. Editei o Clubinho por cerca de 4 anos, e nesse período vivi alguns dos meus melhores momentos na redação do O POVO, que se acostumou com a presença da meninada fuçando os computadores, brincando com os fotógrafos, fazendo de perguntas e tomando conta da sala de reuniões dos editores. Faziam parte da equipe do O POVO’.

Com a saída de Cristiane, assumiu a jornalista Isabelle Câmara. O caderno contou ainda com a participação da jornalista Paula Neves e a estudante de Jornalismo Sara Rebeca. No dia 20 de junho de 2004, o Clubinho passou a circular aos domingos. O seu projeto gráfico foi reformulado várias vezes, permanecendo os quadrinhos, jogos, dicas de livros, lazer infantil, matérias especiais, cartinhas e fotos dos leitores.

Explica a chefia de Redação

A diretora-executiva da Redação, Fátima Sudário, diz que ‘o caderno era um produto do Núcleo de Educação do jornal, com a supervisão da Redação. Como a própria Emille aponta, com sua sensibilidade de boa leitora, o Clubinho estava com alguns problemas de identidade editorial e vai precisar ser repensado de uma forma bem mais completa que apenas um projeto gráfico. Isso leva um tempo longo. Então não sabemos ainda definir uma data para o Clubinho nem mesmo qual será a plataforma’.

Fátima diz que, por enquanto, o conteúdo voltado para as crianças vai estar nas páginas do O POVO. O novo Buchicho Guia, na sexta-feira, tem uma seção voltada para o lazer infantil. Caso a Emilie e outras crianças queiram colaborar, podem escrever para buchicho@opovo.com.br’

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