Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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ENTRE ASPAS >

Roupa suja se lava nos comentários

25/08/2009 na edição 552

Recentemente, o Washington Post publicou uma matéria de capa sobre desempregados que fingiam estar empregados para não passar vergonha entre os conhecidos. ‘Por semanas, após ser demitido, Clinton Cole levantava-se na hora usual, tomava banho, fazia a barba, colocava o terno e ia para um emprego que não existia mais’, relatava o artigo, contando que Cole, ex-gerente na General Dynamics Information Technology, tinha vergonha de contar às pessoas que perdeu o emprego em fevereiro.

A história de Cole gerou diversos comentários de solidariedade – exceto, surpreendentemente, o de sua mulher. Lori Cole escreveu no site que seu marido havia sido demitido por ‘fraca performance’ e que o casamento deles estava no fim. A partir de então, a roupa suja começou a ser lavada no espaço de comentários de leitores no site do jornal. Elizabeth Cole, que se identificou como a filha de 13 anos do casal, afirmou que o pai tinha problemas mentais. Diversos comentários juntaram-se aos da familia, colocando Clinton Cole em um verdadeiro julgamento público via internet.

Ele se defendeu: não tem problemas mentais e insiste que foi demitido por questões de redução de custos. Sua mulher estaria conduzindo uma campanha contra ele para tentar ganhar dinheiro com o divórcio. Cole conta que, antes de aceitar ser personagem da matéria, a repórter Annie Gowen lhe informou que os comentários abusivos na internet seriam monitorados. ‘Que nível de responsabilidade o jornal tem para o que deveria ser considerado comentário inaceitável?’, perguntou ele ao ombudsman Andrew Alexander, que tratou do assunto em sua coluna de domingo [23/8/09].

Responsabilidade

O site do Post recebe mais de 20 mil comentários por semana. Em um dia típíco, de 100 a 150 são apagados por violar as regras. Legalmente, o Post não é responsável pelos comentários. Sob a lei federal, a responsabilidade fica com quem os escreve. Mas, jornalisticamente, como fica a precisão e a justiça? Está tudo bem deixar alguém dizer que o outro é mentalmente doente, sem provas? E se Cole não tivesse sido demitido?

Posteriormente, a própria Lori Cole entrou em contato com o diário e pediu para que seus comentários fossem removidos, pois ela os havia feito em um ‘momento de raiva’. Mas já era tarde. Seus comentários haviam motivado outros, em uma grande bola de neve. Raju Narisetti, editor encarregado do site, concluiu que todos os comentários deveriam ficar. ‘Se fôssemos retirar os comentários dela, outros 40 deveriam ser retirados. Não podemos tirar um comentário porque a pessoa mudou de opinião’, disse. Hal Straus, que monitora os comentários online, concordou com a decisão. Não havia evidência imediata de que os comentários eram falsos. O Post, no entanto, acabou optando por retirar os comentários até ter certeza dos fatos.

Depois da polêmica, Lori entregou documentos ao diário que mostravam que seu marido havia sido demitido por ‘performance insatisfatória’. Ainda assim, Cole insiste ter sido vítima de redução de custos e entregou um formulário da empresa lhe dizendo que estava autorizado a pedir transferência. A General Dynamics não quis comentar o episódio. E o Post concluiu que não tem informações suficientes para determinar se é necessária uma correção.

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