Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

VOZ DOS OUVIDORES > PÚBLICO

Rui Araújo

27/02/2007 na edição 422

‘O provedor do leitor tem por missão suscitar uma linha de esclarecimento e de diálogo pedagógico permanente, fazer do jornal uma obra aberta e interactiva entre quem o escreve e quem o lê.

É por isso que revelo, hoje, uma parte da profícua correspondência dos leitores sobre as mudanças do PÚBLICO.

‘A nova remodelação gráfica do PÚBLICO resultou um aspecto, que a meu ver, me parece bastante negativo – o tamanho da fonte utilizada. Com o seu novo design não tenho dúvidas que o jornal ficou mais fácil de ver, embora tenha ficado com dúvidas se terá ficado mais fácil de ler. As fotos enormes que ilustram as notícias e as parangonas dos títulos tiveram como consequência a diminuição do tamanho da fonte usada, e a sua conseqüente legibilidade. Parece que o novo PÚBLICO não quer que os seus leitores percam tempo com aquilo que importa mesmo num jornal – as notícias’, escreve Miguel Santos.

‘Não resisti a escrever estas linhas após a nova imagem (e reestruturação, eliminação da XIS, etc. etc.).

Sou um assíduo leitor do PÚBLICO (já assinei a edição on-line), uma longa relação desde a edição número um. Devo dizer que me lembro quando apareceu, do seu grafismo ‘limpo’, sóbrio q.b., minimalista, que resistiu até aos dias de hoje. ‘Em fórmula ganhadora não se mexe.’ Quem não se lembra do pequeno quadrado colorido da Apple ao lado do logo ‘PÚBLICO’?

Durante vários meses até a ‘maçã’ compunha esta imagem de equilíbrio. E aqui está o cerne.

Hoje estava curioso da nova imagem. Não queria perceber através da publicidade do próprio jornal aquele ‘P’ ostensivo e de cor ‘desmaiada’ fosse o grafismo final. Enganei-me.

Afinal é verdade, o PÚBLICO está mais ‘P’ e menos Jornal. Passo a explicar:

O ‘P’, que tipo de fonte é esta? Parece-me um vulgar ‘Times New Roman’, pouco estilizado e de uma cor indescritível. Mas a transformação não se fica pela capa. Páginas infinitas de cor (pretendem combater os offsets das revistas? Os catálogos do LIDL?, mal impressas, mal equalizadas. Meus Senhores, um jornal não é uma revista! (refiro edição papel sem incluir os suplementos).

As notícias… passaram a ‘breves’. Que temos aqui? Um piscar de olhos ao 24 Horas? Ao Correio da Manhã? Para final a cereja no bolo, ‘cadê’ a tira fantástica do Calvin & Hobes? Gritei para dentro do Jornal… mas nem sinal do ‘tigre’. Ah! Lá está no final em rodapé, da última página, quase a ‘cair’ do Jornal.

Compreendo que não é fácil inovar, mas assim? Desta forma? Em 2006 enterrámos um ‘Independente’. Espero que não seja o princípio do fim.

Apesar de tudo desejo sucesso, faço votos que encontrem de novo o equilíbrio. Vocês são a referência do Jornalismo escrito’, escreve André Rebelo.

Pedi explicações a José Manuel Fernandes.

‘O grafismo foi alterado em 2000 e suscitou na época muito mais polémica. Sobre o novo logótipo, junto envio texto em que se explica a sua lógica. Sobre os conteúdos, a opção foi desenvolver mais os temas mais importantes ou mais inovadores e ser mais breve nos outros. Exemplo: na edição pós-referendo não demos o que todos deram: os líderes a votar. Optámos antes por acompanhar um padre e um médico que realizava já abortos. Fugir do comum e já conhecido, acrescentar novidade e análise. Ir melhorando a fórmula todos os dias. Isto está muito longe do modelo Lidl’, explica o director.

As opiniões dos leitores não são coincidentes.

‘Parabéns ao PÚBLICO pelo seu novo design, & Congratulations to the designer Mark Porter por acertar a engenharia da leitura, em reduzir as 6 colunas estreitas para 5 colunas maiores (melhor para o Português – e os Portugueses), libertando assim o PÚBLICO de um colete-de-forças tipográfico para um público mais alargado.

E o ‘P’ do logo (que remete para os escantilhões do Amadeo) é muito mais versátil… Bravo! Fique registado, salvo o registo’, escreve Robin Fior (‘PhD in Tipography & Graphic Communication’).

‘Verifiquei que o que mudou na generalidade me desagrada. O que é mais notório é o grafismo, desadequado, e fora do espírito do tempo. A meu ver é um retrocesso e uma aproximação ao que os jornais concorrentes têm de mau e que o PÚBLICO até ontem tinha de bom. O que tinha era uma disposição das notícias diferente, fácil de ler, organizada. O jornal de hoje é mais igual aos outros. A arrumação dos conteúdos também me pareceu menos lógica e algo confusa. A introdução de cor, à partida parece ser positivo, mas a meu ver também não é. É uma cedência à imagem em detrimento do conteúdo (imagens muito grandes) que fica esmagado pela imagem e desvia a atenção da leitura.

O PÚBLICO parece estar a tornar-se mais um jornal para folhear e menos um jornal para ler.

Em todo o caso estas são as minhas primeiras impressões e admito que possa estar a ser injusto. Irei aguardar pelos próximos dias para melhor avaliar a mudança e nessa altura irei sentir-me à vontade para lhe escrever novamente, para confirmar ou não a minha primeira impressão’, escreve João Sobral, um leitor de Grândola.

‘Quero felicitar a equipa editorial pela atitude demonstrada em melhorar o PÚBLICO, tornando-o mais alegre.

Mas é evidente que essa reforma não deveria passar pelo sacrifício da Secção Economia onde, por exemplo, as cotações diárias dos fundos de investimento, PPR, etc. foram suprimidas. Essa era uma das mais-valias para mim’, escreve Manuel Augusto Lopes.

Solicitei mais um esclarecimento ao director.

‘A opção de retirar essa informação do papel seguiu uma linha mais prudente que a de outros jornais, como o New York Times (NYT) e Wall Street Journal (WSJ). Deixámos os principais indicadores, retirámos os que interessam sobretudo aos profissionais, que tendem a consultá-los on-line. O NYT e o WSJ retiraram tudo mas depois reintroduziram parte. Nós só retirámos parte. Em contrapartida, criámos uma página de Economia no nosso site com muito mais informação do que antes’, responde José Manuel Fernandes.

Na próxima semana reproduzirei mais reacções dos leitores e as respostas de José Manuel Fernandes.’

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