Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > THE NEW YORK TIMES

Sobre checagem e dor de cabeça prolongada

02/01/2007 na edição 414

Um artigo publicado em abril na revista do New York Times vem dando dor de cabeça ao jornalão até hoje. O caso serve de lição para qualquer veículo de notícias de qualquer lugar do mundo, pois lida com um aspecto vital do trabalho jornalístico: a checagem incansável das informações a ser publicadas.

A matéria de capa da New York Times Magazine de 9/4 falava sobre mulheres presas em El Salvador por terem feito aborto. Entre diversos dados, números e exemplos, estava o caso de uma jovem chamada Carmen Climaco. O texto terminava com um relato dramático de como Carmen recebeu sua condenação após o fim de sua gravidez de 18 semanas.

O problema é que o tribunal considerou que, pelo tempo de gravidez, o bebê teria nascido vivo e teria sido estrangulado. Os juizes determinaram que Carmen era culpada de homicídio. O freelancer Jack Hitt, autor do artigo, não chegou a checar os documentos do julgamento, e sugeriu uma ‘verdade’ diferente.

Em sua última coluna do ano, Byron Calame [31/12/06] trata do assunto – que, em sua opinião, ilustra o quão importante é para editores a checagem cuidadosa de reclamações que recebem. As sobre o artigo de Hitt começaram a chegar ao jornal no fim de novembro, depois que o sítio anti-aborto LifeSiteNews divulgou as informações contidas nos documentos do tribunal que julgou Carmen e acusou o Times de promover o aborto e de mascarar infanticídio como aborto.

Falta de cuidado

‘A falta de cuidado na apuração e na edição deste artigo não corresponde aos padrões normais da revista’, defende Calame. O ombudsman procurou a editora Sarah Smith, responsável pela revista, e ouviu dela que documentos de tribunais costumam ser revisados. Hitt, no entanto, nunca leu os documentos sobre o julgamento de Carmen Climaco quando apurava a história. O jornalista contou a Calame que nenhum editor ou revisor o questionou sobre isso.

Hitt não procurou os documentos porque lhe foi dito que o caso havia sido arquivado. O ombudsman pediu que um colaborador do Times em El Salvador tentasse conseguir o papel com a decisão oficial sobre o caso. Em poucos minutos, e sem combinações prévias, o documento – o mesmo divulgado pelo sítio anti-aborto – foi conseguido.

‘Cuidado excepcional deve ser tomado ao se reportar assuntos sensíveis como este para evitar a menor percepção de parcialidade’, diz Calame. No fim, isenção e precisão não foram aspectos buscados pelos profissionais por quem o artigo passou antes da publicação.

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