Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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VOZ DOS OUVIDORES >

Tânia Alves

Por Carlos Castilho em 01/09/2015 na edição 866

A notícia sobre a acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da estatal, na Câmara dos Deputados, publicada na quarta-feira passada (26/8), motivou debate interno sobre o assunto. Na reunião, que teve transmissão ao vivo pela TV Câmara, o doleiro e o ex-diretor mencionaram que políticos do PSDB teriam recebido propina desviada da estatal Furnas. Entres eles estariam, o senador Aécio Neves (PSDB/MG) e o ex-presidente nacional do partido, Sergio Guerra, que já morreu.

Em lista de emails que reúne os membros do Conselho Consultivo de Leitores, o conselheiro Reginauro Luz Catunda chamou a atenção para a cobertura que O POVO destinou ao fato. Para ele, o jornal deu a notícia de forma “blasé”, pois não a destacou em manchete sequer na página interna da Editoria de Política. A matéria foi em forma coordenada (que não é principal) e não teve uma chamada na capa.

“Não me parece ser uma postura do jornal O POVO que estou acostumado a ler”, disse. Ele destacou ainda que o teor da delação já era do conhecimento público, mas restritos a redes sociais e blogs.

Considero que o noticiário político do O POVO, de uma maneira geral, vem buscando equidade para informar bem aos leitores sobre o tenso momento político que passamos. No entanto, nas mais recentes colunas, tenho apontado alguns deslizes. No caso específico do conteúdo publicado sobre a acareação, e levantado pelo conselheiro, avalio que tem a sua razão de ser. A notícia por seu poder de alcance deveria ter sido alçada à condição de manchete na página de Política e, pelo menos, ter direito à chamada na capa.

Durante este mês, por duas ocasiões a Operação Lava Jato, foi parar na manchete do O POVO, dia 4 de agosto, com a prisão do petista José Dirceu; e, dia 21, com a denúncia contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Por outro lado, a matéria da acareação também deixou de cumprir um procedimento básico no jornalismo: ouvir o outro lado. No mesmo dia da reunião da CPI, o PSDB já havia lançado uma nota em que classificava a afirmação do doleiro como “factóide”. E isto não aparecia na matéria publicada na Editoria de Política. No final do segundo parágrafo estava escrito: “Aécio já havia negado participação no chamado esquema de Furnas”. Nenhuma menção foi feita para a nota dos tucanos.

O editor-executivo do Núcleo de Conjuntura, Guálter George, explica a avaliação que a Redação faz do episódio. Ele lembra que a denúncia não é nova. “O evento da acareação entre os delatores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa apenas recolocou-a em evidência, merecendo, no nosso entendimento, o tratamento na dimensão em que aparece na edição de 26/8. Sobre a falta do contraditório, o editor explica que a nota do PSDB, só chegou à Redação após o fechamento da página. Destaca ainda que o texto “faz menção à defesa do senador, que se diz inocente sempre que o assunto é trazido à discussão”.

EQUILÍBRIO E ISENÇÃO
Guia de Redação e Estilo do O POVO lembra que o jornalismo deve ser regido pelo princípio da responsabilidade social das informações. “Informar bem é um serviço público, de sustentação da democracia e da cidadania”. Quando O POVO deixa de levar para a manchete de página ou capa do jornal uma denúncia contra um personagem tão relevante no cenário político, como é o senador tucano, gera desconfiança no leitor. Ao avaliar que a notícia não era nova, a Redação esqueceu que ela ainda não tinha aparecido com tantos detalhes nas páginas do jornal. Os homens e mulheres públicos precisam ser tratados com pesos e medidas iguais. Porém, qualquer um deles jamais deve ser condenado antes do julgamento. Por isso, é necessário fazer um esforço para sempre ouvir o contraditório e oferecer um espaço razoável ao outro lado. Isto também faltou.

Ao escolher o cardápio de cobertura, se exige cada vez mais equilíbrio e isenção. Conferir os mínimos detalhes nas publicações é uma exigência primordial para fortalecer a credibilidade. Mais uma vez, repito por aqui, ao não dar destaque à matéria com a denúncia do doleiro, O POVO, naquele dia, abriu mão de oferecer ao leitor a possibilidade e o direito de contar com mais um elemento para análise da conjuntura.

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