Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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VOZ DOS OUVIDORES >

Tânia Alves

Por Carlos Castilho em 16/02/2016 na edição 890

As pessoas que consomem notícias hoje em dia querem fazer leitura rápida, mas conseguindo o máximo de informações. A premissa serve para destacar o que tenho anotado por estes dias nos comentários internos. As notícias publicadas no O POVO estão carecendo de aprofundamento, de contexto mais consistente e apuração minuciosa para contar as histórias de forma eficiente e que prenda o leitor. A redução de espaço não pode explicar o fenômeno. Desde que eu me entendo por jornalista, e já faz muito tempo, aprendi que as notícias não precisam esgotar o assunto – para isso, existem as continuidades -, mas elas necessitam de completude. Especialmente quando se trata da manchete do jornal que é a vitrine apresentada aos leitores como a principal notícia do dia dentre as muitas escolhidas para a edição.

Um caso assim ocorreu na quinta-feira passada (11/2), quando O POVO estampou na manchete os dizeres: “MP investiga se crianças foram adotadas em troca de dinheiro” (ver fac-símile). A denúncia de que no município cearense de Independência existia uma investigação em curso para apurar se bebês foram adotadas para casais de outro estado, por meio de aliciamento envolvendo negociação financeira, era muito grave e capaz de indignar quem tem um mínimo de empatia ou compaixão pelo outro. O conteúdo publicado, no entanto, se contentou com informações básicas, a partir de uma fonte, que, apesar de fidedigna, foi a única. Uma história tão escabrosa merecia ser exposta a partir de mais de um ponto de vista, seja de representantes do Conselho Tutelar, seja de quem tomou a decisão para autorizar a adoção, seja dos personagens diretamente envolvidos com a notícia.

OUTROS CASOS
A falta de dados mais completos no O POVO não tem se resumido às matérias que dão origem às manchetes. Ela se estende para os destaques de páginas, como no caso do último dia 5, no conteúdo que se apresentava com o título “17 empresas em fase de implantação no Ceará”. Nela havia a informação de que, juntos, os empreendimentos gerariam 3.660 empregos. O conteúdo publicado em espaço razoável contava com mapa e quadros. Foi produzido com fontes variadas. O texto, porém, só deixou de informar quando os cearenses poderiam usufruir dos empregos, tão necessários nesta época de crise econômica.

Ou ainda em texto da quinta-feira passada (11/2), anunciando que, naquele dia, haveria na Assembleia Legislativa votação de uma mensagem do Governo para permitir entrada forçada de agentes de saúde em imóveis particulares. O texto esclarecia que a iniciativa visava combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, mas nada destacava sobre o número de casos registrados no Ceará das três doenças nem apresentava a quantidade de mortes resultantes da microcefalia no Estado, disponível em boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Sem esses dados, o leitor poderia questionar: qual o motivo de medida tão drástica?

Enviei e-mail para a chefia de Redação para que se pronunciasse sobre a questão. Recebi a seguinte resposta. “As informações do boletim epidemiológico divulgado pela Sesa poderiam, realmente, ter enriquecido a matéria. O repórter poderia ainda ter indicado as matérias anteriores publicadas no O POVO sobre o assunto. No entanto, o foco desta matéria estava nas articulações políticas da mensagem do Governo a respeito do combate ao mosquito Aedes aegypti.”

TRABALHO DESAFIADOR
Os jornalistas em suas atividades enfrentam muitas dificuldades para consolidar dados visando aprofundar assunto, especialmente aqueles que são de interesse público. Tempo curto, espaço diminuto, fontes que emperram a apuração e equipes pequenas para informação demais são algumas delas. No entanto, o jornalismo impresso, na competição com a rapidez da web, precisa de bastidor, de verticalidade para se tornar imprescindível. Além disso, sem uma apuração mais precisa, consistente, o risco de errar é cada vez mais presente. É obrigatório ir além neste trabalho desafiador, na produção de matérias principais ou secundárias.

Vale ressaltar, que profundidade no conteúdo é uma marca do O POVO. Durante a semana que passou, foi possível encontrar exemplos deste traço. A cobertura dos três meses da Chacina de Messejana, em Cotidiano, manchete do jornal na sexta-feira passada, e apresentação do encontro histórico entre papa Francisco e o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kiril, na mesma edição, em Mundo. É assim que deve ser. Quando deixa de acontecer causa estranheza por aqui.

OS E-MAILS INOPERANTES DE VOLTA
Na quarta-feira passada (10/2), voltei a receber reclamação sobre a tentativa, sem sucesso, de manter contato com um colunista por meio de e-mails do O POVO. “Encaminho e-mail enviado ao jornalista Fabio Campos no último domingo, mas que foi devolvido pelo meu provedor”, dizia o leitor em mensagem eletrônica enviada para a ouvidoria. O conteúdo apresentado por ele foi devidamente encaminhada para o e-mail pessoal do colunista, que estava de férias, mas retornou prometendo averiguar o problema na volta ao trabalho.

Falar de e-mails inoperantes já se tornou corriqueiro neste espaço. No ano passado, tratei do assunto por três vezes entre os meses de outubro e novembro. É extremamente desagradável voltar ao tema, e, ao que parece, não se busca uma solução. É extremamente constrangedor que o leitor tenha que enviar correspondência para a ouvidoria informando que os contatos com redatores estão inoperantes. Os e-mails deles estão disponíveis no alto das matérias e colunas para garantir esta interação. Em uma empresa de comunicação, o canal eletrônico para contato com o leitor tem de funcionar. Caso contrário, é descaso.

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