Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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VOZ DOS OUVIDORES >

Tânia Alves

Por Carlos Castilho em 15/03/2016 na edição 894

A pergunta acima foi um dos mais de 590 comentários deixados em uma notícia publicada no Facebook do O POVO na quarta-feira passada (9/3). O questionamento feito pelo usuário da rede social tratava de uma frase atribuída ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que constava em matéria originalmente publicada no Estado de São Paulo: “A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E, se me deixarem solto, viro presidente de novo”. O texto original informava que a frase teria sido dita pelo petista “a mais de um interlocutor”.

No Facebook do jornal a frase aparecia destacada entre aspas no enunciado apresentando o título e indicando o link da matéria no O POVO Online, respaldado por verbo declarativo: “disse Lula”.

A notícia foi postada às 10 horas. O primeiro comentário de usuário deixado na publicação lembrava que a frase já aparecia nas redes sociais desde o último dia 4, quando Lula foi levado coercitivamente para prestar depoimento na Operação Lava Jato. Não na primeira pessoa, mas na terceira. Além dele, pelo menos, outros dois leitores utilizaram a interação para alertar que a frase era corrente nos redes sociais. Um deles pediu mais cautela ao O POVO.

Os usuários tinham razão ao fazer o alerta. Logo que tomei conhecimento da postagem, enviei mensagem interna para a Redação, anotando que O POVO não tinha como ter certeza de que a frase fora dita por Lula. No fim da tarde daquele dia, uma postagem na página oficial do ex-presidente no Facebook negava a autoria e informava que a frase “trata-se de corrente que circula no Whatsapp e nos comentários no Facebook.”. Ainda na mesma tarde o enunciado foi modificado, conforme explicou a editora-executiva do portal O POVO Online, Maryllenne Freitas. “Ao identificarmos que a construção da frase publicada não estava dentro da conformidade do fato, ou do que Lula teria dito aos interlocutores, solicitamos ao responsável pela publicação no Facebook que a frase fosse imediatamente alterada.”

COMENTÁRIOS

Entre as 10 horas e as 15h33min, tempo aproximado em que a primeira versão ficou no ar, mais de 500 comentários haviam sido deixados na matéria. Muitos deles faziam menção à frase. “Petulância”, “arrogante”, “egocêntrico”, “calhorda”, “hipócrita”, “ele se acha” – foram alguns deles. Vale lembrar que a frase foi reproduzida por outros meios. País afora.

Jornalisticamente, reproduzir a frase como se fosse do ex-presidente sem antes checá-la foi um desserviço. Quando a imprensa exibe algo que não foi capaz de verificar, está ajudando a destruir o que tem de mais caro: a credibilidade. Aqui não se trata de falar se Lula é ou não culpado, se deve ser preso ou não; se é arrogante ou líder. Trata-se de falar de apuração; de bom jornalismo, de fato O POVO apresentou aos leitores uma frase de efeito, de bastante impacto. Só que não apurou. Apenas estava replicando matéria de outro jornal que, por sinal não a ouviu da boca do petista. Por isso, a rede social do jornal não devia tê-la retratado como se fosse uma declaração direta. Faltou, pelo menos, o exercício da dúvida na hora de fazer o enunciado. “Ele disse isso mesmo?” – teria sido uma boa pergunta na hora da edição.

DESTAQUE QUE FALTOU NA PROPOSTA DE DELAÇÃO

Na quinta-feira passada (10/3), dois leitores se comunicaram com a ouvidoria para dizer que se sentiram incomodados com a falta de destaque dado na capa à informação de que, na proposta de delação do senador petista Delcídio do Amaral, também teriam sido citados os senadores Aécio Neves (PSDB), Renan Calheiros (PMDB), Edison Lobão (PMDB), Romero Jucá (PMDB) e Valdir Raupp (PMDB). Os usuários compararam a capa daquele dia com a do último dia 4, quando as revelações de Delcídio atingiam a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

“Separei as capas do jornal O POVO de três dias seguintes à notícia da suposta delação do senador Delcídio que vazou na revista Isto é. E separei a capa de hoje (10/3), quando foi noticiado no Brasil todo que a suposta delação fazia referência também a políticos da oposição. É impressionante a diferença do destaque com que o jornal trata a mesma notícia.”

Outro leitor ressaltou: “A chamada (da proposta de delação do senador petista) de sexta-feira (4/3) foi imensa. Na de hoje (10/3), a mesma delação está num canto de página, uma chamadazinha. Só resolvi ligar para reclamar mesmo, não sei se vai resolver”, disse, completando que sempre achou O POVO um jornal plural.

A matéria publicada na editoria Política que abordava a proposta de delação que citava o presidente do PSDB e o presidente do Senado foi manchete de página; portanto, estava com destaque. A edição teve o cuidado de tentar ouvir todos os senadores citados, mesmo sendo uma matéria com informações enviadas por agências de notícias. Quanto ao destaque dado à capa, merecia mais. Uma denúncia como esta que envolve um presidente de um partido que é um dos nomes mais cotados para ser candidato a presidente do Brasil e outro que é presidente do Senado Brasileiro deveria ter figurado na primeira dobra da capa daquele dia. Neste momento de tanta indefinição política, até os diferentes devem ser tratados iguais.

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