Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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VOZ DOS OUVIDORES >

Tânia Alves

Por Carlos Castilho em 04/04/2016 na edição 897

O Guia de Redação e Estilo, no capítulo que trata das “Normas jornalísticas do O POVO”, define: “As colunas do O POVO se caracterizam por conter informações de bastidores, notícias curtas ou análises dos colunistas. As opiniões são de responsabilidade dos colunistas, porém o jornal exerce vigilância sobre conteúdo de suas colunas para evitar possíveis transgressões do código de ética da empresa. As informações dadas nas colunas devem passar pelo procedimento básico de checagem. O colunista não pode utilizar o espaço das colunas para promoção de interesse particular”. Transcrevo parte do trecho do Guia para falar sobre um assunto do qual venho tratando internamente desde o ano passado. A promoção que os colunistas sociais do O POVO fazem de si ao colocar no espaço que escrevem fotos deles mesmo em eventos. Não é um pecado de um só, mas perpassa todos eles. Uns são mais comedidos e só editam imagem pessoal aqui ou ali. Outros são assumidamente narcisistas e vaidosos. Cito um caso que me pareceu ultrapassar todos os limites do aceitável. No último mês, das quatro colunas “Chics”, que é veiculada aos domingos no Buchicho, em apenas uma delas (em 13/3), o titular da coluna deixou de aparecer em alguma nota. Nas demais (em 6/3, 20/3 e 27/3), estava lá o colunista em foto como notícia.

Nas duas últimas, as notas careciam de informação consistente. No dia 20, o colunista aparecia segurando o animal de estimação para destacar que a cachorrinha “pug Dolly aguardava impaciente para tomar sua água de coco!” Era uma informação que não fazia sentido. Que interesse tem para o leitor informar que a Dolly toma água de coco? Se é para falar de amimais, o próprio Buchicho tem um espaço especial para eles: a coluna “É o Bicho”, que é publicada aos sábado. Seria o espaço mais adequado. No dia 27 passado, na nota “Circulando em Lisboa”, o colunista deixou de falar da Feira Internacional de Turismo, um evento importante em que esteve presente, para destacar a viagem dele para Lisboa. Das 12 fotos publicadas, em metade delas o titular da coluna se fazia presente. Foi um excesso.

Citado para responder sobre a questão, o editor Clóvis Holanda, responsável pelo setor, enviou a seguinte resposta: “O POVO reforçou e mantém em permanente avaliação o trabalho dos colunistas sociais. Há alguns meses foi criado o Núcleo de Conteúdo Social e Relacionamento para, dentre outras funções, organizar, redimensionar e alinhar a atuação e o conteúdo produzido neste setor para que estejam em harmonia com as linhas editoriais nas diversas mídias do Grupo. Não há uma norma que impeça a publicação de fotos dos próprios colunistas em seus respectivos espaços editoriais. Mas sempre que isso ocorre o Núcleo avalia, caso a caso, para evitar excessos.”

Não pretendo descartar o colunismo social em jornal. Ele atinge um nicho que deve ser considerado. Mas o espaço necessita ser bem utilizado, com notas que tragam algum tipo de informação. Quando um colunista é convidado para eventos, ele deve ir com a missão de trazer dali o bastidor que não teria acesso de outra forma. Não é dispensável até mesmo entretenimento (quem aguenta hoje somente notícias ruins?), mas isto exige refinamento. O tempo das futilidades e do provincianismo em colunismo social já passou. O jornalismo exige consistência e conteúdo.

DEMORA DA RESENHA DO IRON MAIDEN

Leitor que é fã do Iron Maiden enviou email para a ouvidoria, na quarta-feira passada, estranhando que, somente após oito dias do show da banda no Castelão, o Vida & Arte apresentava uma resenha para tratar do evento. “A matéria de hoje (30/3), ‘Donzela em Fortaleza’, traz dois destaques: perfeita e atrasada. Poderia ter sido publicada até domingo, pois agora o pensamento está em Black Sabbath e Scorpions na Cidade”.

Após contato com a editora-executiva do Núcleo de Cultura e Entretenimento, Cinthia Medeiros, ela explicou a decisão de publicar o texto. “O Vida&Arte reservou ao show do Iron Maiden a atenção que o evento exigia, com matéria de capa no caderno, acompanhamento da chegada da banda e do show em nossas redes sociais, reportagem pós-show no O POVO e no O POVO Online. Houve um esforço em trazer, já na segunda-feira, uma resenha em formato de quadrinhos, que avaliamos ter sido um diferencial da nossa cobertura. Decidimos, no entanto, que seria importante publicarmos também a crítica ‘convencional’ do show, inclusive para consultas futuras ao jornal sobre um evento que marcou o calendário de shows internacionais em Fortaleza e que ficará para a história da Cidade. Não podíamos deixar esse vácuo nos nossos registros. Era como se ainda devêssemos isso aos fãs. E, para o caderno, marcou o desfecho da nossa cobertura sobre esse evento.”

O leitor tem razão em reclamar da demora, mas a editora também está certa. O registro de como foi o show era necessário. O ruim foi a demora.

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