Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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VOZ DOS OUVIDORES >

Tânia Alves

Por Carlos Castilho em 31/05/2016 na edição 905

Matéria publicada no O POVO Online na última terça-feira (24/5), com o título “Ator cearense fala sobre polêmica envolvendo apresentação de peça na UFC” foi motivo de manifestações de leitores que enviaram emails à ombudsman com críticas ao conteúdo.

Até a última sexta-feira, oito leitores haviam demonstrado incômodo com a publicação da matéria, especialmente por deixar de ter, na primeira versão postada no portal, um contraponto ao uso de imagem sacra de Jesus crucificado em cena no espetáculo. O texto é sobre a repercussão do monólogo Histórias compartilhadas, que trata da transexualidade masculina, durante um seminário na Universidade Federal do Ceará (UFC). O embate ocorreu após as fotos da obra serem compartilhadas numa página do Facebook.

Um leitor que informou acompanhar O POVO há mais de 10 anos entrou em contato com a ouvidoria para cobrar uma “abordagem multilateral, que apresentasse diversas versões” sobre a apresentação da peça. Ele aponta o que sentiu falta na matéria: o registro da comoção diante do uso em cena de objeto religioso.

Outro foi na mesma linha e disse que somente a versão do ator foi ouvida. “Escutou apenas pessoas favoráveis ao ato praticado na universidade”. Em outra mensagem, a pessoa dizia que o fato deveria ter sido ignorado “por atentar contra valores que estruturam nossa vida e sociedade”.

Os leitores acertam quando destacam que a primeira versão da matéria publicada no O POVO Online tem carência de contraditório.

São cinco fontes ouvidas no texto – todas com pensamentos convergentes. Numa segunda versão do texto, após as críticas, é ouvido o assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A matéria que traz a polêmica para a edição impressa, publicada na quinta-feira passada (26/5) no Vida & Arte, está bem mais harmoniosa (ver fac-símile). Trata do assunto com a devida delicadeza.

Por outro lado, os leitores cometem equívocos quando pedem para ignorar o assunto. No jornalismo também cabe publicar temas como este. A repercussão da peça gerou demanda nas redes sociais.

Causou repercussão devida e indevida, que resultou em ameaças à integridade física de uma pessoa. Um fato assim é relevante. É nossa responsabilidade. Ele só precisa olhar com serenidade para todos os lados.

A RESPOSTA

Citei os editores do Portal O POVO Online para que se pronunciassem sobre a demanda dos leitores. Após citar as fontes ouvidas, a editora-adjunta Silvia Bessa destacou que não houve escolha de fonte pelo lado, mas por estarem envolvidas diretamente com a questão. Diz que o ‘outro lado’ seria o autor da página Fortaleza sem prefeito, mas que é apócrifa, ou os autores dos comentários. “Não procuramos nenhuma igreja, porque não elegemos como pauta o debate, possível, sobre arte e objetos de culto. Dentro do que nos propomos, avaliamos que os objetos usados na performance artística não eram exclusivos deste ou aquele culto. Acrescente a isso que a apresentação aconteceu dentro de um seminário sobre sexualidade e gênero num auditório da UFC. Não tendo, portanto, o objetivo claro de provocar esta ou aquela igreja. E ainda o fato de que nenhuma igreja se manifestou oficialmente sobre o episódio. Por fim, reiteramos nosso respeito à liberdade de culto e o respeito aos símbolos religiosos. Assim como defendemos o direito à liberdade de expressão.”

A religião tem direito a ser livre. A arte precisa da liberdade criativa.

Mas o fazer jornalismo necessita estar atento aos dois. As fontes usadas na primeira versão do texto têm um leque significativo. Elas foram preciosas para entender o contexto do evento. Porém, faltou pluralidade a elas. Como imagem sacra de santos e de Cristo em celebração (caso de Jesus crucificado) é predominantemente utilizada pelos católicos, teria sido essencial inseri-los no debate. Eles se sentiram atingidos em sua fé. A matéria deixou de olhar para esta versão.

CINEMA E TRANSPARÊNCIA

Leitor enviou email ao O POVO para reclamar que escolheu sessão de cinema a partir de programação publicada no Vida&Arte e, chegando lá, deparou com uma verdadeira frustração. O filme que havia escolhido (Nise – O Coração da Loucura) não estava mais em cartaz, embora o jornal apresentasse dois horários de sessão: 13h20min e 18h40min. “Quando chegou minha vez de comprar os ingressos, fui informado que o filme tinha saído de cartaz na quarta-feira (18/5). É decepcionante!”

Enviei a mensagem do leitor para a Redação no comentário interno durante a semana que passou. A editora-chefe do Vida&Arte, Cinthia Medeiros, respondeu lamentando o ocorrido e explicando ter recebido os horários publicados na agenda da empresa exibidora, como ocorre toda semana. A editoria, porém, não foi informada de qualquer mudança. A jornalista anexou uma planilha comprovando a informação. O leitor, por sua vez, respondeu agradecendo a resposta e disse que entendia a situação.

A insatisfação do leitor com informação defeituosa, que teve interferência direta na vida dele, se justifica. Qualquer conteúdo errado publicado no O POVO também é de responsabilidade do jornal. No entanto, é muito importante quando os editores respondem aos leitores, fornecendo as devidas explicações. Sinal de respeito e transparência por quem tem direito de receber notícia correta e precisa.

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