Terça-feira, 30 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

VOZ DOS OUVIDORES > O Povo

Tânia Alves

13/06/2016 na edição 907
A inconsistência de uma manchete”, copyright O Povo, 12/6/2016

A manchete do O POVO do domingo passado (5/6) – “Flanelinhas – Como eles prejudicam a Economia” (ver fac-símile) – foi alvo de críticas dos leitores, que se pronunciaram falando sobre a inconsistência da informação que se apresentava na frase. O incômodo dos usuários de notícias se manifestou em correspondências enviadas à ombudsman, nas redes sociais e até mesmo durante a reunião mensal do Conselho de Leitores, realizada na última segunda-feira (6/6).

Dizendo-se indignada com a principal manchete do jornal naquele dia, uma leitora enviou mensagem por WhatsApp para externar sua insatisfação. “Inexplicável, e não sei nem que outro adjetivo usar, vocês admitirem (com título enorme na primeira página) que uns pobres flanelinhas prejudiquem a economia. Qual repercussão poderá ter uma manchete dessa, no nível nacional e internacional?”, questionou. Para ela, foi “demais” dizer que os guardadores de carro, que “são meninos paupérrimos” com histórico de problema familiar, diminuem o “lucro dos empresários e comerciantes do entorno do Dragão”.

Outro leitor classificou a manchete como “absurda e surreal”. Ele lembrou que os flanelinhas “são insignificantes para a contribuição do PIB, que é o que mede a economia”. Para ele, é tradição culpar os mais fracos pelos nossos atrasos. Mas, na verdade, eles são vítimas. Disse ainda que o problema é mais resultado da insegurança, e não dos guardadores de carros. “A manchete de um jornal precisa ter um apelo, mas este apelo não pode ser falso. Flanelinha não prejudica a economia”, destacou. Em uma rede social, a manchete foi classificada
como de “dar vergonha”.

 

SUSTENTAÇÃO POBRE

Os leitores têm razão. A manchete do O POVO daquele dia não se sustenta nos textos publicados nas páginas 13, 14 e 15 do DOM. O título foi costurado em cima de depoimentos de dois empresários de uma mesma área (Dragão do Mar), que tocam muito na questão do medo gerado pela falta de segurança no entorno. Eles abordam muito pouco os detalhes econômicos de seus negócios. Quando o fazem, o texto está no condicional (“Os lucros poderiam ser superiores”). Mesmo que o título da manchete fosse “Flanelinhas – Como eles prejudicam o comércio”, o texto precisaria ter mais consistência e abordar, pelo menos, os prejuízos contabilizados pelos comerciantes. Nem isso a matéria tem.

Citei os editores do Núcleo de Negócios, responsável pela publicação da matéria, informando o assunto que seria abordado na coluna para que se pronunciassem. O editor executivo do Núcleo, Jocélio Leal, em resposta ponderou que “ante as criticas (residuais) o referido material primou pelo interesse público. Qual seja o de defender o cidadão no seu direito de ir, vir e estacionar. Segundo ele, o material chamou a atenção para o crime e cobrou uma atitude das autoridades – “que a propósito não manifestaram posição firme”. Em textos, quadro e vídeos mostramos em que medida este ambiente hostil impacta de modo negativo o cotidiano de empresas e consumidores.” O editor ressaltou a repercussão do material e lembrou as centenas de compartilhamentos e comentários positivos. ”Decerto, não pretendíamos leitura unânime. Mas um jornal é feito de opiniões plurais.

 

Falar da ação de flanelinhas ou de qualquer outra classe quando há interferência no espaço público e na vida das pessoas é dever do jornalismo. É um assunto caro ao fortalezense que vive em constante sensação de insegurança. Basta verificar o rebuliço que o tema flanelinha causa nas redes sociais. Mas jornalismo pressupõe fato verdadeiro. A matéria publicada ficou longe de referendar que os guardadores de carros prejudicam a economia, como prometia a manchete do jornal. Jornalismo precisa ser coerente. Os títulos não podem destoar dos textos. O máximo que dava para dizer do conteúdo é que o problema enfrentado pelos comerciantes do Dragão do Mar é mais ligado à falta de segurança do que à economia. Sem ter uma sustentação eficiente, a matéria ficou parecendo perseguição aos flanelinhas, coisa que é incomum no O POVO.

 

O ÁLBUM E OS ASSINANTES

Na edição de domingo passado, O POVO anunciava destacado em vermelho no alto da capa: “Grátis! Álbum do Campeonato Brasileiro 2016 + 4 figurinhas”. A chamada causou estranhamento em alguns assinantes que entraram em contato com a ouvidoria para reclamar que não tinham recebido a publicação encartada no jornal.

A informação dada em destaque naquele dia pecou pela falta de precisão. Como foi redigida, dava a entender que o álbum viria encartado em todos os jornais destinados aos assinantes. Quando, na verdade, naquele dia estava disponível na venda avulsa em bancas e outros locais. Se o assinante quisesse receber o kit precisaria, anteriormente, ter entrado em contato com a Central de Atendimento (3254 1010) para manifestar o desejo de ganhar o produto.

A informação constava em matéria publicada na editoria de Esportes, no dia 1º de junho (“É pra colecionar”). Ocorre que os assinantes não haviam tomado conhecimento do conteúdo e acreditaram na chamada da Capa. Pelo menos, no caso deles, que entraram em contato, o problema foi resolvido após encaminhamento para o setor responsável.

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