Quinta-feira, 23 de Março de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº937

VOZ DOS OUVIDORES > O Povo

Tânia Alves

20/06/2016 na edição 908
Descompasso de informações”, copyright O Povo, 19/06/2016

As notícias precisam contar com informações exatas. O jornalista deve trabalhar com dados precisos. A divulgação de informação em descompasso pode deixar o leitor em dúvida sobre a veracidade do conteúdo. Fica pior quando o desencontro se dá com a mesma informação, na mesma edição em páginas diferentes. Ou ainda quando o título não se apresenta fiel ao que consta no texto. Foi o que detectei, em pelo menos três ocasiões, nas edições do O POVO durante a semana que passou.

Primeiro falemos de informações inexatas numa mesma edição. Na quarta-feira passada (15/6), ocorreu a publicação de informações divergentes para um mesmo conteúdo. O caso se deu entre uma coluna e uma matéria publicada na editoria de Política. A nota “Fora de cena”, a Vertical, página 2, cravou: “O deputado federal Vitor Valim (PMDB) confirma: está fora da disputa pela Prefeitura de Fortaleza. Só não disse ainda o porquê de ter batido em retirada”. O assunto da nota já tinha sido tema de matéria publicada em Política, no dia 11de junho. Mas, naquele dia, na página 15, a editoria voltava ao tema com a matéria “’Valim é nosso pré-candidato’, garante Eunício”. No conteúdo, o deputado federal do PMDB já repensava a ideia de desistir da candidatura e falava em considerar o que é melhor para o partido. Ficou difícil e confuso para o leitor.

Aliás, a matéria de Política citada acima serve de exemplo de como um título pode não ser fiel ao conteúdo. A frase copiada no título entre aspas (“Valim é nosso pré-candidato”) estava diferente da expressão citada no texto (“O Vitor é o nosso pré-candidato”). Trocou-se o nome próprio pelo sobrenome e esqueceu-se do artigo que dava um sentido diferente à frase. Foi outro embaraço, que, até a sexta-feira passada, não havia sido retificado.

O segundo caso de dados desencontrados sobre um mesmo assunto numa mesma edição ocorreu no dia seguinte, quinta-feira, 16/6. A nota “Desce”, da Vertical, informava que, neste ano, no Estado, já foram 37 ataques a bancos no Estado, enquanto na página 4, uma nota Breves, em Cotidiano, destacava que foram 26 ações contra bancos em 2016. Na sexta-feira, 17/6, uma nova matéria em Cotidiano inflava a estatística para 69 ataques a instituições bancárias. Os três conteúdos citavam que os dados foram colhidos na mesma fonte: o Sindicato dos Bancários do Ceará. Mesmo que não justifique os números desencontrados, vale lembrar que os critérios utilizados para o levantamento podem ter sido diferentes. O texto publicado na sexta, por exemplo, explica qual o parâmetro escolhido para se chagar ao número colhido na fonte. No entanto, numa Redação, é imprescindível que se estabeleçam regras de padronização até mesmo para estatística, sob risco de ter informações desconexas como ocorreu neste caso.
COISA PEQUENA?
Casos descritos acima podem parecer pequenos, mas quando se tornam recorrentes cansam e irritam os usuários de notícia. Os dados publicados nos textos não deviam ser destoantes. Checagem (cruzamento de informações) de dados é um procedimento básico em jornalismo. Na coluna Ombudsman do dia12 de junho passado, com o titulo “A inconsistência de uma manchete”, já tinha tratado sobre título que não achava sustentação no texto. Nesta semana, mais casos parecidos com aquele foram detectados no O POVO no comparativo de dados que se apresentavam diferentes em matérias e notas sobre o mesmo assunto. Quando casos assim se acumulam é hora de parar e pensar: que jornalismo estamos fazendo.

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ENCANTAMENTO
Leitores entraram em contato com a ouvidoria na semana que passou para tecer elogios a matérias publicadas no O POVO. O primeiro ficou encantado com o projeto “Toda história de amor é uma Grande história” publicado por ocasião do Dia dos Namorados, no domingo passado, 12,6. (Ver fac-símile da capa). Ele gostou da escolha dos casais, assim como dos textos. “Como escreve bem esta menina (Ana Mary C. Cavalcante)!”, disse. Ele tem razão. O projeto, que ultrapassou as fronteiras do impresso foi parar em vídeos, e hotsite, traz em si a sensibilidade de contar o amor de diversas formas: em construção, derrubando barreiras e já consolidado. Foi uma leitura de domingo com muitos significados para receber uma semana que se viu envolvida pelo noticiário de delações, denúncias, corrupção e seca.

O segundo leitor se sentiu contemplado pelo teor da matéria “O pacote bancário ideal para o seu perfil”, página 18 e 19, Economia, edição de segunda-feira passada (13/6). A notícia o fez ligar para a ouvidoria. “Esta é a melhor matéria da edição de hoje do jornal. Todo mundo tem conta em banco. É um conteúdo que fala para nossas vidas”, disse, defendendo inclusive que o tema era melhor para a manchete do jornal do que o apresentado na edição do dia sobre a Chacina de Messejana– “Dois policiais e 43 praças serão denunciados pelo MP”. Concordo quando o leitor fala que o conteúdo se conectava com o dia a dia das pessoas. Vou além, ele apresenta soluções, que é o caminho em tempos de crise. Porém entendo que a manchete daquele dia, pela força do assunto, deveria ser mesmo a escolhida pelos editores.

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