Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > UOL

Tereza Rangel

13/11/2007 na edição 459

‘Hoje houve uma notícia bem importante que foi tratada de forma burocrática pelo UOL: a descoberta de uma reserva gigante de petróleo e gás pela Petrobras. A notícia foi dada pelo UOL como assunto mais do que secundário. Mereceu um enunciado, em corpo minúsculo (de 10 pixels), numa chamada relacionada a furo tomado do jornal o O Globo, sobre possível aumento no preço do gás nos próximos dois anos. O UOL não se perguntou se o quadro poderia mudar com a descoberta anunciada hoje.

Descoberta de reserva de petróleo foi dada como notícia menor e de forma burocrática, durante toda a tarde

O UOL nem se deu ao trabalho de atualizar o link e mantinha, até depois de 17h30, o primeiro título feito pela agência de notícias Reuters, em sua primeira versão (‘Empresa anuncia grande reserva em Santos’), das 11h27. Pouco tempo depois, às 12h59, a própria agência já havia mudado o ‘grande’ por ‘gigante’ (Petrobras descobre reserva gigante de petróleo; ações disparam), mas o UOL não alterou seu enunciado nem o local em que estava na home page nem atualizou o link. Ou seja, deu pouca atenção à notícia.

Só mesmo após a entrevista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a dizer que, com a descoberta, o Brasil passará a ser exportador de petróleo, é que o assunto foi para a manchete do portal. E depois de o assunto estar na manchete dos principais concorrentes.

A estação de UOL Economia preferiu destacar o reflexo da notícia nas Bolsas, cobrindo aumento do valor das ações da Petrobras, a investir na descoberta em si.

Ou seja, faltou ao UOL olho para notícia, rapidez para levar o assunto à manchete e investimento para dar informação e análise aos internautas. Poderia, logo que saiu a notícia, ter investido em artes (evolução da produção petrolífera no Brasil, um raio-X da Petrobras), ter colocado os âncoras do UOL News a analisar a descoberta e seus reflexos na economia e no dia-a-dia dos brasileiros, ter procurado responder se o preço do gás vai mesmo subir depois desta descoberta. Mais uma vez, o leitor terá de esperar os jornais prestarem esse serviço.

CPI do Corithians é enterrada e merece pouco destaque na home do portal

PS. Também a decisão de arquivar o pedido de abertura de CPI do Corinthians não mereceu do UOL o destaque devido. Não esteve no alto da home page e a notícia foi feita pela redação de UOL Esporte, enquanto havia repórter da Folha Online em Brasília, dando um quadro mais político à decisão e um texto mais quente.

***

Velhos problemas e alguns antídotos (7/11/07)

Há problemas que se repetem no portal e que, por isso mesmo, irritam muito os internautas. Até porque, há antídotos simples: atenção, cautela, programação e seguir regras já estabelecidas. Seguem, abaixo, exemplos desses problemas. Para cada um deles, há a sugestão do que fazer para evitá-lo.

1. Erros digitação/português

‘Sou assinante desde a criação do UOL e, até hoje, nunca havia encaminhado qualquer observação: me senti levado a faze-lo após a leitura de ‘Veja novo trailer de Homem de Ferro’, pelos erros em ‘recursos para se tronar herói’ e ‘deve estreiar no Brasil em meados de 2008’, especialmente por se tratar de material destinado ao público ‘teen’, que merece (e precisa de) um maior apuro no tratamento da nossa língua.’

Manuel Vilas Boas

Antídoto: usar corretor ortográfico (pode ser o do Word).

2. Acusado, não condenado

A polícia acusou um adolescente de ter matado o irmão e diz que ele confessou, mas ainda não foi julgado. Assim, falar em garoto de 12 anos ‘morto pelo irmão’ é ultrapassar barreira.

Antídoto: lembrar-se de que, ‘até que seja condenada em definitivo pela Justiça, uma pessoa deve ser tratada como suspeita, acusada, ré ou condenada em determinada instância’.

3. Repetição de assuntos na página

Excessivo haver dois álbuns de foto, no mesmo lugar na página, para uma novela que, segundo a Folha hoje, teve a ‘pior estréia da faixa das 18h da Globo na década’. O chapéu da nota do jornal é ‘bocejo’.

Antídoto: prestar atenção antes de editar.

4. Falta de atualização

‘Novamente lhe escrevo para relatar o esquecimento do conteúdo da banda larga, que mais uma vez está sem atualização pelo menos na parte de Celebridades. Acho que o UOL deveria retirar esse conteúdo do índice do portal já que o mesmo encontra-se esquecido, e lembrar que nem sempre quantidade significa qualidade.’

Luciano Brito

Antídoto: fazer programação para trocas freqüentes.

5. Foto inadequada

Adriane Galisteu passou mal, teve de ser substituída na TV, e o UOL escolhe foto da moça sorrindo.

Antídoto: lembrar sempre que foto não serve apenas para arejar página ou preencher um vazio e seguir a recomendação de adequar imagem à informação.’

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Famílias destroçadas (5/11/07)

Mais um acidente trágico abateu-se sobre a cidade de São Paulo: um jatinho caiu sobre casas após decolar do Campo de Marte. Oito pessoas morreram, duas ficaram feridas e uma terceira teve um infarto ao ver o acidente. Dos oito mortos, seis eram de uma mesma família, moradores da principal casa atingida.

A queda aconteceu domingo pouco depois das 14h. Já passa de 17h de segunda e, até agora, o UOL não deu vida à história. Gastou energia num infográfico para contar o que os jornais de hoje já contaram, mas não editou material especial, em que houvesse fotos e histórias das vítimas antes da morte, seus parentes e vizinhos das casas atingidas. Fez uma cobertura burocrática, em que destacou o trabalho de identificação no IML, com informações contraditórias, dizendo às 6h56 que o trabalho estava concluído e, às 14h, que só terminará em uma semana, e o destino das casas atingidas. O detalhe mais humano ficou por conta de material produzido pelo jornal Folha de S.Paulo ainda ontem (‘Salvem meu netinho’, gritou vítima).

Do ponto de vista do internauta, parece inexplicável haver estrutura para fazer uma cobertura especial do concurso de miss ou da eleição argentina, mas não de um acidente no coração da maior cidade do país.

Os interessados na história da famílias destroçadas pelo avião terão de buscar nos jornais de amanhã ou, quem sabe, na concorrência (que, até agora, tampouco oferece algo digno do bom jornalismo).’

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